Archive for the ‘PM’ Tag

PMs são presos por suspeita de roubar de assaltantes

Um sargento e três soldados da Polícia Militar foram presos esta semana, suspeitos de roubar ladrões. A Corregedoria diz que eles perceberam um assalto a um caixa eletrônico, mas resolveram esperar os ladrões saírem. Em seguida, assaltaram os assaltantes, que foram embora de mãos vazias. (veja as imagens)

Os ataques a caixas eletrônicos cresceram 36% em São Paulo. Este ano, já foram 302 casos. A Corregedoria da Polícia ainda não terminou a investigação dos quatro PMs suspeitos de roubar os ladrões.

– São policiais que, se estiverem comprovadamente envolvidos neste fato, esqueceram o juramento que prestaram, a farda que estão honrando, e serão responsabilizados por isso – afirma Marcelo Zanchetta, capitão da PM.

As câmeras dos bancos registram os ataques, mas quase sempre a polícia chega quando já é tarde. Os ladrões agem em bando porque, para atacar um caixa eletrônico, é preciso força e agilidade: cada caixa pesa meia tonelada.

Alguns ladrões montam um cenário para o roubo. Improvisam uma cortina com os cartazes de propaganda o banco. Quando pegam o dinheiro, os anúncios voltam para o lugar. Os bandidos fogem, antes da chegada da polícia.

Os três soldados estão presos na corregedoria e o sargento, no Presídio Romão Gomes, porque também foi flagrado com drogas. O assalto aconteceu na última sexta-feira, dia 12, em Guaianases.

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Ex-PM cheira até a morte cocaína comprada de policiais fardados

O caso do ex-PM Marcelo Vieira da Silva, de 38 anos, que provavelmente morreu de uma overdose de cocaína, revela pelo menos três aspectos gravíssimos e nenhum deles tem a ver com o fato de ter transformado num inferno a vida da talentosa atriz Susana Vieira.

1) PMS TRAFICANTES – A namorada de Marcelo, Fernanda Cunha, revelou à polícia que ele adquiriu a droga das mãos de policiais militares fardados, em pleno Centro do Rio. Não é novidade a existência da sociedade entre policiais e traficantes de drogas em várias partes do país. Não é de hoje que eu ouço histórias de operações policiais montadas exclusivamente com o objetivo de apreender drogas que serão depois revendidas pelos próprios agentes da lei. Outro dia, vocês lembram, acharam cocaína dentro do alojamento de policiais do 12o BPM (Niterói). O que surpreende dessa vez é sabermos que policiais fardados estão negociando a morte em plena luz do dia, por alguns trocados.

2) TESTE ANTIDROGAS – Os sinais de paranóia demonstrados pela vítima, antes de morrer, apresentam fortes indícios de que Marcelo era um dependente químico há muito tempo. A diretora do Nepad (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas), Tereza Aquino, informou ao repórter Marcelo Dutra que só um usuário freqüente e antigo sofre da chamada “nóia da cocaína”, que são alucinações e sentimento de perseguição. A pergunta é como Marcelo – que só este ano foi expulso da PM – permaneceu tanto tempo sem que a corporação percebesse os sinais da doença. É por isso que há quem defenda que policiais sejam submetidos periodicamente a testes antidroga, o que ajudaria a detectar agentes públicos mais propensos a uma convivência absolutamente ilegal com traficantes. Eu, confesso, que ainda não tenho idéia formada à respeito. Mas é uma boa discussão. O que vocês acham?

3) FALTA DE INFORMAÇÃO – Por último, mas não menos importante, o episódio é um exemplo clássico de como o desconhecimento dos efeitos de drogas ilícitas pode impedir que um dependente seja salvo. Segundo o relato da namorada de Marcelo, ele demonstrou claros sinais de que estava sofrendo uma overdose, mas ela não o encaminhou para um atendimento médico de urgência. Achou que era apenas mais uma crise nervosa do namorado que no entanto agonizava diante dela. Não era. Naquele momento o coração e os pulmões de Marcelo estavam entrando em falência. E a causa teria sido uma só: o uso de uma droga que oferece momentos de euforia, traduzidos em muito brilho e fantasia, mas ao final leva à destruição do sistema nervoso central, num caminho sem volta.

Kibado do Repórter de crime

Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

fotomenino
Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.

Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.

Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.

Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.

Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?

Kibado do blog do Jorge Antônio Barros

Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO