Archive for the ‘Minas Gerais’ Tag

Sem-terra brigam por área no Norte de Minas

Girleno Alencar para o Hoje em Dia

O clima de tensão tomou conta, na manhã de ontem, da Fazenda Sanharó, de 789 hectares, na zona rural de Montes Claros, que foi invadida em abril de 2003 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Quase houve um conflito entre dois grupos. Os sem-terra Adão Luiz Moreira, Antônio Oswaldo Desidério da Silva e Ateilton Alves dos Santos ameaçaram entrar na propriedade, sob alegação de que têm direito a terras no local, pois teriam sido assentados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), quando a área foi desapropriada, em 2006, mas depois teriam sido expulsos pela entidade, em 29 de maio de 2007, por terem denunciado, segundo eles, irregularidades no acampamento.

Os atuais ocupantes da fazenda não permitiram que os três entrassem nas terras, alegando que eles teriam saído espontaneamente do local, por não querer plantar. O clima ficou tenso e os envolvidos chamaram a Polícia Militar, para que fosse lavrada a ocorrência policial. O HOJE EM DIA acompanhou a chegada dos três sem-terra, que apresentaram documentação do Incra enviada ao Ministério Público Federal, com data de julho de 2008, apontando-os como tendo direito a terras na área.

O sem-terra Adão Luiz Moreira, 44 anos, afirma que participou da invasão de abril de 2003, adquirindo direito sobre a terra. No entanto, ele alega que passou a discordar de algumas medidas tomadas por outros sem-terra, “como a venda de bens da fazenda, incluindo uma balança de pesar gado, serralheria e pipa”. Segundo ele, como punição por discordar dessas medidas, teria sido obrigado a transportar 3 mil tijolos e, depois, amarrado a uma árvore.

De acordo com o sem-terra, as 13 famílias que não concordaram com a venda dos equipamentos acabaram sendo expulsas do assentamento, mas oito teriam voltado à fazenda, em dezembro daquele ano. Adão Moreira faz outras acusações aos coordenadores do acampamento. Ele afirma ainda que, depois, começaram a ser desviadas cestas básicas que são distribuídas pela Conab. Já Antônio Oswaldo Desidério da Silva, 49 anos, apresentou outra denúncia: os pastos teriam sido arrendados para fazendeiros da região e era feita também cobrança indevida da taxa de energia elétrica. De acordo com ele, seu filho, Waldemar, de 27 anos, “não teve condições de pagar a luz e foi trabalhar na cidade, como servente de pedreiro, por três dias. Quando voltou, tomaram sua mochila e ameaçaram sua filha de seis anos”, afirmou o sem-terra.

Na manhã de ontem, um dos coordenadores do acampamento, Walteide Ferreira Coelho, afirmou que o Incra determinou que a área fosse dividida entre 31 famílias, o que teria ocorrido. De acordo com ele, Adão e Antônio Oswaldo teriam saído da fazenda porque não queriam trabalhar, “o que desagradou o movimento”. Ele acusou também os três, alegando que teriam posto fogo em 30 sacas de milho, recentemente colhidas, além de matarem animais do assentamento. Coelho afirmou que suspeita das pessoas que foram expulsas da fazenda, porque tem “recebido ameaças” e teria descoberto que o número do telefone seria de Adão Moreira.

As famílias que estão na fazenda afirmaram também que não permitirão a entrada dos sem-terra expulsos e, caso o Incra pretenda colocá-los em alguma área, que arranje outra. Segundo elas, a Comissão Pastoral da Terra teria levado os três para a Fazenda Americana, em Grão Mogol, mas a presença deles no local teria aumentado a rixa com os os ocupantes daquela área, Ainda de acordo com as acusações, teria ocorrido até troca de tiros, com várias pessoas ficando feridas.

Incra promete apurar denúncias
No dia 21 de julho, o Incra encaminhou correspondência ao Ministério Público Federal informando que 31 famílias devem ser assentadas na Fazenda Sanharó, e 26 já foram selecionadas, legitimadas e homologadas na área, entre elas as expulsas. O órgão informou também que as famílias ainda não foram divididas em lotes e que suspendeu os atos administrativos relativos à implantação do projeto de assentamento, solicitando a apuração das irregularidades denunciadas pelos assentados e pela Procuradoria da República. Além disto, o Incra está formando uma comissão de sindicância para apurar as denúncias contra o MST e a forma de seleção das famílias atendidas com terras e cestas básicas.

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Manchetes do Dia

Globo: Emprego formal cai pela primeira vez na era Lula

Folha: Emprego em novembro tem pior taxa em 10 anos

Estadão: Emprego com carteira cai pela primeira vez em 6 anos

JB: Viagens de fim de ano em risco

Correio: Plano regulariza 389 igrejas no DF

Estado de Minas: Ônibus aumenta acima da inflação

Hoje em Dia: Ano novo, juro menor

Prefeitos derrotados atrapalham trabalho das equipes de transição

Luiz Ribeiro para o Estado de Minas 

A Assembléia Legislativa de Minas aprovou este ano uma lei que obriga a criação de comissões de transição dos governos municipais. Na prática, o objetivo é garantir aos futuros prefeitos o acesso às contas públicas, programas, convênios e outras questões da administração. Mas em várias cidades do estado a lei não está sendo cumprida, por causa da rivalidade política. Quem está prestes a sair sonega informações a quem vai entrar na prefeitura em 1º de janeiro. É o que ocorre, por exemplo, em Montes Claros, quinta maior cidade do estado, em Ipatinga, Sete Lagoas e Pouso Alegre, entre outras.

“Do jeito que está, vamos tomar posse às cegas, pois até agora não sabemos quantos funcionários realmente tem a prefeitura, qual o valor da folha de pagamento, quais as dívidas que vão vencer a curto prazo. Não sabemos nem mesmo qual o estoque de medicamentos nos postos. A atual administração sonegou as informações. Por isso, estou receoso de que venha ocorrer um prejuízo incalculável para o funcionamento da máquina administrativa”, reclamou Luiz Tadeu Leite (PMDB), prefeito eleito de Montes Claros. Ele derrotou no segundo turno o atual prefeito, Athos Avelino (PPS).

Tadeu Leite e Athos Avelino já foram aliados – oriundos do mesmo grupo político –, sendo que o segundo foi vice-prefeito do primeiro na segunda gestão na prefeitura (1993/1996). Eles romperam em 2004, quando Athos derrotou Tadeu Leite na corrida à prefeitura. Mas o distanciamento se consolidou de vez no segundo turno deste ano, quando Athos adotou um estilo agressivo contra o seu ex-aliado.

As diferenças entre eles interferiram no processo de transição desde o seu começo. No início de novembro, o prefeito eleito criou uma equipe de transição com 16 integrantes. Porém, Athos Avelino anunciou que sua administração só aceitaria dialogar com um grupo de cinco pessoas. A condição foi aceita por Tadeu Leite. O atual prefeito baixou um decreto fixando que as informações solicitadas seriam repassadas até 15 de dezembro.

No entanto, o prefeito eleito diz que até agora sua comissão de transição não teve acesso aos dados mais importantes da prefeitura. Ele afirma que não pretende acionar a Justiça para conseguir os dados, mas que, nos primeiros dias do futuro governo, vai encomendar uma auditoria nos diversos setores da administração e promover um recadastramento para saber o número de servidores, o total de contratados e onde realmente eles estão trabalhando.

Athos Avelino nega que tenha criado qualquer obstáculo para repassar dados da prefeitura. “Pode até ser que alguma informação ainda não esteja disponível, como a questão financeira, pois o exercício será fechado em 31 de dezembro. Mas não houve da minha parte nenhuma ordem para restringir as informações”, disse Avelino, que prometeu dar uma entrevista nesta terça-feira para “prestar contas à comunidade”.

Justiça
Outra cidade do Norte de Minas vive situação bem parecida à de Montes Claros. Em Bocaiúva, o prefeito eleito, Ricardo Veloso (PSDB), disse segunda-feira, a nove dias da posse, que não tinha conhecimento de nada sobre a prefeitura. “Até agora, estou às escuras, sem saber de nada”, afirmou. Ele conta que deveria receber ainda na segunda-feira um relatório da atual administração, do prefeito Alberto Caldeira (PMDB), seu ferrenho adversário. A entrega do documento foi determinada pela Justiça, que acolheu ação impetrada por Ricardo Veloso. “Tive que recorrer à Justiça, pois o atual prefeito simplesmente se negou a fornecer os dados para a nossa comissão de transição”, argumenta Veloso.

O atual prefeito, Alberto Caldeira, disse que o seu adversário teve acesso aos setores da prefeitura. “Mas, aí, por questões políticas, ele decidiu acionar a Justiça, que nos deu prazo até 24 de dezembro para fornecer as informações. E o prazo será atendido”, declarou. Alberto Caldeira acusa Ricardo Veloso de permanecer em cima do palanque. “Na minha opinião, ele tem que descer do palanque e pensar em trabalhar”, alfinetou.

Chuva alaga e faz pelo menos 2 mortos em BH

 


A forte chuva que atingiu a Região Metropolitana de Belo Horizonte entre a noite de domingo e a manhã de ontem deixou pelo menos duas vítimas – as primeiras em decorrência das águas deste período. Pelo menos mais uma morte pode estar ligada à precipitação, que deixou o trânsito travado nas principais vias da RMBH. O Ribeirão do Onça subiu em vários trechos, e invadiu as casas no Bairro São Tomaz, Noroeste de BH. Além dos engarrafamentos, a chuva também trouxe problemas para quem queria chegar ou sair da capital de avião.

Em Confins, dos 72 vôos programados, 47 (63,3%) tiveram atrasos de mais de uma hora, e 18 (25%) foram cancelados. Na Pampulha, dos 27 previstos, 18 (25%) tiveram atrasos e seis (22%) foram cancelados. Entre os principais pontos de engarrafamento do cidade está a Avenida Cristiano Machado, inaugurada na semana passada, onde vários pontos de inundação colaboraram para um verdadeiro nó no trânsito.

A previsão é de mais chuvas para RMBH e grande parte do Estado até amanhã. De acordo com o Inmet, só entre a noite de sexta-feira e ontem foram registrados 120 milímetros, a metade do esperado para todo o mês. Há 20 anos a capital não via tanto volume de água em tão pouco tempo.

Fontes: Estado de Minas e Hoje em Dia

Fotos: Euler Júnior/EM/D.A Press / Renato Weil/EM/D.A Press

Vale lança obra de novo terminal em Pirapora

tremvale

Luiz Ribeiro para o Estado de Minas 

Enquanto anuncia redução do quadro de funcionários nas unidade de mineração, por conta da crise mundial, em Pirapora, Norte de Minas, a Vale cria expectativas de geração de empregos com a implantação de um terminal intermodal de cargas, cuja pedra fundamental foi lançada quinta-feira na cidade. O terminal está inserido no Projeto Noroeste, um ambicioso corredor ferroviário ligando Pirapora ao Porto de Vitória (ES), visando o escoamento de grãos do Noroeste mineiro para a exportação. A Vale, juntamente com sua controlada, a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), vai investir R$ 300 milhões no empreendimento.

Ao participar de lançamento da pedra fundamental, o diretor da Ferrovia Centro-Atlântica, Marcelo Spinelli, reafirmou o compromisso da empresa de manter o cronograma de investimentos na cidade. Lembrou que, em outros municípios, a Vale está sendo obrigada a fazer “ajustes”, mas que os investimentos em Pirapora estão garantidos, a fim de que o corredor comece a transportar grãos em fevereiro de 2009. De acordo com a FCA, a previsão é de que o volume de mercadorias transportadas no trecho aumente paulatinamente e alcance cerca de 2,6 milhões de toneladas anuais movimentadas em 2013.

Os cereais e outros produtos agrícolas produzidos no Noroeste de Minas serão transportados até Pirapora por rodovia, em caminhões e carretas. Para isso, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Raphael Guimarães Andrade, que também participou do evento, disse que estão assegurados os investimentos pelo governo de Minas Gerais na melhoria das estradas da região. “O projeto de escoamento de grãos pode ser visto como marco na retomada dos investimentos de grande porte na nossa malha ferroviária”, afirmou Andrade. Ele disse que a implantação do empreendimento não deve sofrer nenhum atraso em função da crise mundial. “É sabido que a demanda mundial por grãos é crescente e seu atendimento não pode ser adiado, sob pena de graves conseqüências mundo afora”, disse.

Para implantar o projeto, a FCA está recuperando os 159 quilômetros do ramal ferroviário Pirapora/Corinto. A implantação do terminal já alterou a ocupação de mão-de-obra na região. “Com o início das obras, já foram gerados cerca de 300 empregos em nossa cidade. Mas nossa expectativa é de que, quando o terminal entrar em funcionamento, serão criados cerca de 2 mil empregos”, afirma o prefeito de Pirapora, Warmilon Fonseca Braga. “Com empreendimentos desse tipo, percebemos que, apesar da crise, Pirapora continua atraindo novos investimentos”, acrescenta o prefeito, que também aguarda um crescimento de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) do município.

O Terminal Intermodal de Pirapora (TIP) será construído em um terreno de quatro hectares, doado pela prefeitura, distante três quilômetros do Centro da cidade. A unidade terá dois silos de armazenagem, com capacidade estática de 3 mil toneladas cada; equipamentos para descarga de caminhões e para embarque nos vagões, um estacionamento para carretas com 18,5 mil metros quadrados, uma balança rodoviária e outra ferroviária. A previsão é de que movimente de 40 a 80 vagões por dia no seu primeiro ano de operação. O primeiro trem parte do terminal para Vitória já no início da safra de 2009.
 
Foto: Marcos Michelin/EM/D. A Press

Estudo revela onde há investimento na qualidade de vida

sedese

Ingrid Furtado para o Estado de Minas

Os prefeitos dos 853 municípios de Minas têm uma ferramenta importante para aumentar a qualidade de vida da população. Relatório inédito sobre a situação da garantia dos direitos humanos foi divulgado na  terça-feira pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). O estudo consolidou dados quantitativos levando em conta cinco dimensões: socioeconômica, mulher, negro, violência, criança e adolescente.

O diagnóstico mostrou que, do total das cidades mineiras, 430 (50,41% ) foram classificadas com nível médio de garantia. Outras 199 (23,33%) estão niveladas com boa garantia, 201 municípios (23,56%) com baixa, 14 na alta garantia e nove cidades foram consideradas em situação precária. O secretário-adjunto da Sedese, Juliano Fisicaro Borges, explicou que o Norte de Minas, que inclui os vales do Jequitinhonha e Mucuri, é a área mais carente em garantia de direitos humanos.

Ele observou que o estudo avaliou não somente o quadro municipal, mas também mostra um retrato das micro e macrorregiões. “O diagnóstico vai nos ajudar a traçar uma política regional e não, necessariamente, focar apenas no município. Assim, identificamos a necessidade de melhorar programas estaduais que abrangem as áreas do atendimento à mulher, à criança, entre outros. O relatório é o ponto de partida para que gestores ampliem e intensifiquem políticas que promovam aumento na garantia dos direitos humanos da população”, afirma Fisicaro.

O diretor do Instituto de Direitos Humanos, João Batista Moreira Pinto, responsável pela coleta e análise dos dados, explicou que foram usados 29 indicadores sociais, como saneamento básico, mortalidade infantil, taxa de assassinatos, lesão corporal, índice de reprovação escolar, internação de crianças até 14 anos e mulheres por agressão, proporções de curetagens pós-aborto, entre outros. Foi comparado também o percentual de negros que recebe até um salário mínimo e o mesmo índice no percentual de não-negros. Os responsáveis pela pesquisa compararam também o índice de analfabetos nas populações que se declararam negras.

O estudo revela realidades distintas: no Norte do estado, 73% das cidades estão em situação vulnerável; no Sul, a situação é contrária, com 37% das cidades apresentando alta garantia. O mapa da violência mostra que a maior incidência de alta e boa garantia está nas macrorregiões Sul, Zona da Mata e Central. Quando a situação das crianças e dos adolescentes é avaliada, fica evidente a vulnerabilidade dos vales do Jequitinhonha e Mucuri: a maioria dos índices tem garantia precária (65%).

“Não havia em Minas um diagnóstico específico de direitos humanos. O documento está disponível para que prefeitos analisem seu município dentro de determinada microrregião”, afirma João Batista Pinto. O levantamento mostra que a Grande BH está numa situação mediana de garantia. No entanto, ao analisar cada município, a capital é classificada com baixo índice de direitos humanos. A superintendente de Integração de Política de Direitos Humanos da Sedese, Márcia Martini, observa que o estudo é um instrumento de gestão para o estado. “É importante estabelecermos um dimensionamento estratégico de políticas públicas”, diz.
 
Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

Orgia em sítio leva 24 pessoas à delegacia

Juscelino Ferreira para a TV Alterosa 

Uma festa regrada a drogas, bebida e sexo terminou com todos os convidados na delegacia em Mário Campos, na Região Central de Minas, segundo a Polícia Militar. De acordo com o sargento Rômulo Vicente Papa, 24 pessoas participavam da orgia realizada em um sítio da cidade na noite desse domingo. Entre os convidados estavam sete adolescentes, com idades de 13 a 16 anos, sendo seis garotas e um rapaz.

A PM chegou ao local por volta das 23h, depois de uma denúncia anônima. Os militares foram recebidos no portão pelo dono do sítio, Tiago Rezende Laudares, de 34 anos, que barrou a entrada dos militares. Ainda na entrada do local, os policiais viram um corre-corre de pessoas nuas, inclusive uma das adolescentes. Diante da situação, a PM conseguiu adentrar a residência.

Além dos detidos, no local foram apreendidos muita bebida alcoólica, buchas de maconha, papelotes de cocaína, pedras de crack, um cachimbo e um ítem que chamou a atenção, um colete da Polícia Civil. Segundo o sargento Papa, o colete estava jogado no quintal e, até o momento, o dono não apareceu. Ainda de acordo com a PM, somente uma adolescente não é de Mario Campos. A garota infomou que foi convidada por uma mulher que também estava na festa.

Tiago Rezende Laudares mora no local com uma namorada, que não estava na comemoração. Ele é separado e tem dois filhos. Tiago contou que recebeu R$ 100 para receber as pessoas, mas cada um levou o que consumiria.

Todos os envolvidos, pais dos menores e conselheiros tutelares foram para a delegacia de Mário Campos. Os depoimentos começaram no inicio desta manhã e devem entrar pela tarde.

A imaginação que Deus me deu é coisa do Diabo

Walter Navarro escreve para o jornal O Tempo (BH). Adoro humor presente em suas crônicas. Abaixo segue um bom exemplo.

Sábado ouvi do galináceo Jayme Reis frase deliciosa: “Só os que desistem conseguem”. Aí peguei carona com outro amigo, Roberto Brant, ensinando o caminho de um restaurante à linda Ana de Castro que, meio perdida, o seguia: “Mulher que não sabe o caminho já é meio caminho andado”. Genial também, né? Só discordo da definição. Aninha, filha do grande Amilcar de Castro, é uma escultura ambulante; não é só uma mulher44, mas enorme área de lazer, perfeito parque de diversões. É o que imagino… Só imagino. Tô mais perdido que calcinha em missa de sétimo dia, quer dizer, em suruba. Sem inspiração, vivo mendigando frases alheias: “Ei você aí, me dá uma piada aí…”. Quem sou eu pra chegar perto de Aninha e suas amigas! A última mulher que penetrei foi a estátua da Liberdade. Mentira, nunca fui a Nova York. A última mulher que peguei me deu um papelzinho e acrescentou: “Tá sem os 10%…”.

Mentira, nunca fui ao Café Photo de São Paulo. A única coisa que faço ultimamente é comprar frango. E ver TV. Já repararam que, em todo filme, na cena de enterro, o padre fala a mesma coisa? “Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e teu cajado me consolam”… É ruim, heim! Que papo é esse, meu? Vara, cajado consolando na sombra? Tô fora! Ando tão down que outro dia, conversando com um Prozac, ele começou a chorar. Corro tão masoquista que hoje à noite vou pra Blumenau, mas só se chover. E tem aquela ótima do masoquista que suplica: “Me bate!”. E o sádico: “Não!”. Só dói quando eu rio. Aí morri de rir e de dor com o hino e o bordão daquela propaganda da Embratel: “Empresário masoquista, resista!”. Não cheguei a trocar a banda larga da Internet pelo telefone e as filas, mas ainda chego lá e vou pedir: “Isso, bate mais, bate mais forte, Dona Lurdinha!”. E aquele comercial do novo Voyage, com o Sepultura cantando Bossa Nova? “O coquinho caiu na areia da praia, um dia levou-o pra dentro do mar…”. Melhor, só goteira de esgoto na cabeça.

Sofrimento maior e melhor, só esperar Godot, esperar e-mail que não chega; mensagens com um lacônico “oi”, telefonemas mudos ou dizendo que “foi engano”, aviso de caixa-postal cheia, cartão-postal do Robinson Crusoé saudoso. Melhor, só e-mail com tantas palavras ocas, fora de si, de um suburbano coração: “C’est fini; c’est fini”. Tantas palavras, que eu conhecia e já não falo mais, jamais. Quantas palavras, que ela adorava, saíram de cartaz. Nós aprendemos palavras duras, como dizer perdi, perdi, palavras tontas, nossas palavras. Quem falou não está mais aqui. Ainda bem que não estou sozinho neste vale de lágrimas, vejam o que meu amigo Chico disse pra ex-namorada: “Dei prá maldizer o nosso lar. Pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso, só pra mostrar que ainda sou teu”. Que delícia! Martelada no polegar! Injeção na testa!

Pau no liquidificador! Hummm… Mas podia ser pior: “Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei e me arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu peito, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, sem carinho, sem coberta, no tapete atrás da porta”. Além de descobrir que a “ex” tá nem aí pra ele, o infeliz ainda percebe que os cabelos eram peruca, o peito, de silicone, o pijama, do Ricardão, e o tapete tava cheio de poeira e pêlos. É como ter as unhas arrancadas por alicate no filme “O Albergue”. Um deleite. Mas tem coisa pior: discutir peça e orçamento de carro com mecânico. Pedir segunda via em repartição púbica. Ou então o beijo de Judas, da Mulher-Aranha ou com gosto de cebola… Melhor só a mão nas costas subindo as escadas, a punhalada final de Brutus, o bafo quente na nuca, a unha no calcanhar, um torturante band-aid no guaraná, a vara, o cajado nas sombras.

Qual a pior tortura? A fila que anda ou a do SUS? O lacônico “oi” ou a tese final, fatal dentro de uma garrafa nadando no mar a caminho da nossa Guantánamo de cada dia, a ilha de “Lost” sem Papillon? Reza a lenda que numa bela tarde de 1472, em Florença, Leonardo da Vinci deixou seu ateliê e foi à praça principal comprar frango. Lá chegando, deparou-se com multidão incontável. Todos querendo frango. Leonardo, baixa estatura, mas mentalmente da altura dos píncaros, começou a pular e a gritar, levantando o indicador: “Um frango, eu quero um frango”. Num átimo de segundo, o gênio renascentista mudou de idéia: “Não, um não, eu quero dois, dois frangos”. PS: Judia de mim, Dona Lurdinha!

Setores em crise já afetam municípios mineiros

crisemineira

Marta Vieira para O Estado de Minas 

Redução da produção e do transporte, férias coletivas e demissões começam a mudar o dia-a-dia de cidades que dependem da indústria como âncora da economia nas regiões Central e Oeste de Minas Gerais. Nos bairros tipicamente operários de Interlagos e Luxemburgo, em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, metalúrgicos dispensados por empresas de ferro-gusa (matéria-prima do aço) fazem bico na construção civil ou saem para trabalhar nas lavouras dos municípios vizinhos de Funilândia e Baldim. Placas afixadas às portas de transportadoras avisam que não há vagas para motoristas. Caminhões e carretas estacionados nos pátios são vistos também em Itaúna, distante 85 quilômetros da capital mineira, com a queda da movimentação de insumos e produtos dos setores siderúrgico e de mineração.

Demitido em novembro, num grupo de 180 trabalhadores da indústria do gusa, Arnaldo Garcia havia completado 17 anos de experiência no setor. Desde então, faz trabalhos sem vínculo empregatício como pedreiro para garantir o sustento de quatro filhos, mesma decisão tomada por amigos e colegas, alguns deles forçados a aceitar ofertas de trabalho em fazendas da região. “Já vivemos outras crises , mas esta está mais forte”, diz. Com base no ritmo de homologações de rescisões de contratos de trabalho no sindicato local dos metalúrgicos, o presidente da entidade, Ernane Geraldo Dias, estima em 2,2 mil os empregos cortados nos últimos dois meses em 20 empresas produtoras de gusa. Outros 3,2 mil trabalhadores do setor automotivo estarão em férias ou cumprindo folgas até meados de janeiro.

A situação difícil para as famílias dos metalúrgicos mostra os primeiros reflexos no comércio. As vendas com cartões de crédito recuaram no supermercado Varejão RR, instalado no Bairro Interlagos, indício de que o consumo estaria migrando para o pagamento à vista, avalia o gerente comercial, Edgar Júnior Silva. “Pode ser um sinal de cautela do consumidor para não se endividar”, afirma. A tendência é de que a empresa invista mais nas promoções de preços, diante de um faturamento ancorado em 40% de pagamentos à vista. “Nesta hora de dificuldades, mais que em qualquer outro momento, as pessoas vão buscar as ofertas”, diz Silva.

Há 40 anos no ramo do transporte de carga, a Empreendimentos Rodeiro registrou queda de 50% dos negócios no mês passado. O diretor-presidente da transportadora, Lincoln Lino da Costa, trabalha com a perspectiva de nova redução do faturamento em pelo menos mais 15%, com o encolhimento das atividades de grandes indústrias da mineração e da siderurgia que atende, a exemplo da Votorantim Metais e grupos ArcelorMittal e Gerdau. “Todos os clientes já pediram desconto de 10% nos preços do frete”, conta. Para Costa, as medidas de liberação de crédito adotadas pelo governo não surtiram efeito sobre o setor de transporte de carga. “O que precisamos é redução dos preços dos combustíveis, coerente com a queda das cotações do petróleo, e prazos com carência maior para o pagamento de empréstimos”, afirma. O setor de transporte foi colhido pela crise, depois de um período de seis meses marcados por investimentos.

Conforme recente levantamento divulgado pelo Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer), o ritmo da produção histórica das empresas, de 5 milhões de toneladas anuais, já diminuiu 40% e não há contratos negociados para janeiro a março. O setor, que se viu obrigado a abafar 70% de seus fornos no estado, trabalha, em média, com 90 dias de programação de pedidos. 
 
Foto: Nando Oliveira – Esp. EM – D. A Press

Terceiro colocado na eleição pode virar prefeito no Norte de Minas

fotocandidato Baltazar(PT/MG)

Luiz Ribeiro para o Estado de Minas

O vencedor da eleição para a Prefeitura de Francisco Sá, no Norte de Minas, o ex-prefeito Antônio Soares Dias (PTB), e o segundo colocado no pleito, o atual ocupante da cadeira, Ronaldo Ramon de Brito (DEM), tiveram os registros de suas candidaturas indeferidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira. Assim, o terceiro lugar, Baltazar Azevedo (PT), com apenas 580 votos, pode assumir o posto. O município, distante 471 quilômetros de Belo Horizonte, tem 23,8 mil habitantes e 18.648 eleitores.

Dias e Ramon de Brito ainda podem recorrer da decisão, mas Azevedo já sonha em ser empossado como prefeito em janeiro. Na quinta-feira, ele teria contratado um advogado para entrar com uma liminar para tentar garantir sua diplomação.

Na quinta-feira à tarde, a assessoria do Tribunal Superior Eleitoral informou que os candidatos têm o prazo de três dias para recorrer da decisão. Caso não façam isso, o TSE vai encaminhar o resultado do julgamento ao juiz eleitoral da comarca, que vai tomar uma decisão definitiva. A tendência nesse caso seria marcar uma nova eleição, pois 92% dos votos da eleição de outubro em Francisco Sá seriam considerados nulos.

Antônio Dias e Ramon de Brito tiveram suas candidaturas impugnadas pelo Tribunal Superior Eleitoral a três dias da eleição de 6 de outubro, por causa de irregularidades em suas prestações de contas durante administrações na prefeitura. Eles entraram com recursos no TSE, o que possibilitou que disputassem o pleito, ficando na dependência de novo julgamento por parte do Tribunal. Mas, na terça-feira, o ministro relator Félix Fischer rejeitou os pedidos de registro das duas candidaturas.

Antônio Soares Dias administrou o município por dois mandatos seguidos (entre 1997 e 2004). Ele teve as prestações de contas dos anos de 2000 e 2001 rejeitadas pela Câmara de Vereadores de Francisco Sá, por causa de irregularidades consideradas insanáveis. Entre elas, o desrespeito ao limite constitucional de transferência de recursos à Câmara. No recurso apresentado ao TSE, o ex-prefeito alegou que obteve na Justiça decisão favorável em relação às contas do exercício de 2000. Sobre as de 2001, ressaltou que uma ação continua em tramitação na Justiça, não tendo sido ainda concedida liminar ou decisão que adiante, total ou parcialmente, os efeitos do julgamento de mérito do processo para suspender a decisão.

Gestão
O atual prefeito, Ronaldo Ramon de Brito, teve rejeitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a prestação de contas de convênio firmado com o Ministério da Agricultura, em 1991, em sua primeira gestão à frente da Prefeitura de Francisco Sá, visando a conclusão do matadouro municipal. Ele alegou que o problema na prestação de contas pode ser sanado.

Porém, o ministro Félix Fischer não acatou as manifestações. Ele afirmou, em ambos os casos, que a concessão de liminar contra decisão que rejeitou contas deve ser obtida na Justiça antes do pedido de registro do candidato para que possa eliminar sua inelegibilidade.

De acordo com nota divulgada pelo TSE, o ministro afirmou que, em relação às contas de 2001, não há notícia nos autos de que Antônio Dias tenha obtido provimento judicial definitivo nem liminar que suspendesse os efeitos causados pela rejeição das contas daquele ano. Na decisão referente ao recurso de Ramon de Brito, Fischer afirmou também que os autos do processo não informam sobre qualquer provimento judicial definitivo ou liminar que tenha suspenso os efeitos da rejeição de suas contas pelo TCU.