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Veja 2: O primo (também) entregou dinheiro

Por Policarpo Junior na VEJA deste fim de semana
“Amigo, confidente, fiador, tesoureiro, consultor. O lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, era um pouco de tudo para o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros. Ele pagava despesas do senador, emprestava sua casa para encontros reservados, prestava socorro ao mínimo sinal de dificuldades financeiras. Também visitava a casa de Renan, conversava sobre obras de seu interesse, participava de reuniões oficiais, indicava pessoas para ocupar cargos no governo e pedia emendas para beneficiar sua empreiteira. A relação rendia dividendos a ambos: as despesas mais secretas do senador eram pagas pelo lobista, e o lobista obtinha sucesso em seus negócios com a ajuda do senador.

Na semana passada, em depoimento no Conselho de Ética do Senado, o próprio Cláudio Gontijo narrou em detalhes suas relações com Renan Calheiros. Interrogado pelo senador Demostenes Torres (DEM-GO), o único membro do Conselho que parece interessado em aprofundar as investigações, o lobista desnudou, mesmo sem querer, toda a promiscuidade de suas relações com o senador. E isso em um questionamento que não passou de dez minutos.

Gontijo confirmou que pagou à jornalista Mônica Veloso em dinheiro vivo, na sede da empreiteira Mendes Júnior, a pedido do senador. Paralelamente, disse que conversou com Renan sobre o Porto de Maceió, cujas obras são tocadas pela Mendes Júnior. No depoimento de Gontijo apareceu ainda uma novidade: a última bolada de dinheiro vivo que Renan entregou a Mônica Veloso, de 100 000 reais, foi levada à jornalista por um parente do lobista. No interrogatório, travou-se o seguinte diálogo entre o senador Demostenes Torres e o lobista Cláudio Gontijo:

O senador – O senhor conhece o advogado Bruno Mendes?
O lobista – Conheço.

O senador – De onde?
O lobista – Ele é… por uma feliz coincidência, nós temos um laço de parentesco, em que a avó dele é minha madrinha de batismo e o avô dele é meu padrinho de batismo e irmão de meu pai.

O senador – O que ele faz?
O lobista – É advogado.

O senador – Alguma vez ele entregou ou foi portador de algum recurso?
O lobista – Não tenho nenhum conhecimento disso.

O advogado Bruno Mendes, 55 anos, era um personagem desconhecido do calvário de Renan Calheiros. Primo em segundo grau de Cláudio Gontijo, ele mora em Maceió, mas, assim como o primo lobista, presta serviços de entrega de dinheiro para o senador em Brasília. Em maio e junho de 2006, Renan Calheiros pagou 100 000 reais à jornalista Mônica Veloso. Segundo o senador, o dinheiro era para formar um fundo de educação para sua filha. A jornalista afirmou que se tratava de um complemento de pensão alimentícia. Os 100 000 reais foram pagos em duas parcelas. Os advogados de Renan produziram recibos como se a despesa fosse para o tal fundo de educação. Na hora de pagar, o dinheiro apareceu em sacolas. VEJA apurou que o portador das sacolas era o advogado Bruno Mendes, primo do lobista Gontijo.

O pagamento das duas parcelas de 50 000 reais aconteceu no escritório do advogado do senador, Eduardo Ferrão, no Lago Sul, uma área nobre de Brasília. Na época, ficou combinado que assim que o dinheiro estivesse disponível o advogado da jornalista, Pedro Calmon Filho, receberia um telefonema para ir buscá-lo. Por duas vezes, no fim de maio e no fim de junho, Calmon foi ao escritório de Ferrão. Nas duas ocasiões, foi recebido por Bruno Mendes, que lhe entregou uma sacola preta de náilon. A sacola foi colocada em cima de uma mesa de madeira na biblioteca do escritório. “Ficamos uns bons minutos juntos contando o dinheiro”, rememora Calmon. Havia dentro da sacola, segundo ele, notas de 100, 50, 20 e até 10 reais.

“O Bruno Mendes me foi apresentado como mais um advogado de Renan”, lembra Calmon. Procurado, Eduardo Ferrão explicou que Bruno Mendes não atua no caso, mas, como é amigo e assessor de Renan, acompanhou alguns desdobramentos da história. “É até possível que ele estivesse aqui no dia dos pagamentos”, admite Ferrão. “Mas o dinheiro, posso assegurar, veio da casa do senador.” O pagamento dos 100.000 reais não consta nas declarações de imposto de renda do senador. Nada disso prova que a Mendes Júnior tenha, outra vez, algo a ver com esse pagamento de despesas do senador. Como diria Gontijo, talvez seja tudo apenas “feliz coincidência”. Assinante da VEJA leia mais aqui.

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Edemar Cid Ferreira e Ricardo Mansur são condenados por Justiça Federal de SP

edemar.jpgReportagem no O Globo Online:
Os empresários Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos, e Ricardo Mansur, ex-presidente do banco Crefisul e que também foi prietário da Mesbla, foram condenados nesta quinta-feira pela Justiça Federal de São Paulo à pena de quatro anos e oito meses de prisão pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal do estado.

Eles também também terão que pagar multa de R$ 3.672 milhões, por “operações ilícitas de empréstimo financeiro” para beneficiar empresas controladas por eles próprios.

De acordo com o juiz, o Banco Excel Econômico concedia, por meio de empresas intermediárias, empréstimos financeiros a companhias pertencentes a diretores e executivos de seu próprio quadro. A constatação é de que foram usadas empresas do Grupo Crefisul e o próprio Banco Crefisul, cujo diretor-presidente era Ricardo Mansur.

“As operações consistiram de empréstimos triangulares, em que o Banco Excel Econômico S/A concedia empréstimos às empresas pertencentes ao Grupo Crefisul e, concomitantemente, o Banco Crefisul S/A celebrava contratos de mútuo, nos mesmos valores e condições, com empresas do Grupo Excel”, explica o juiz em sua sentença.

Também foi condenado a cinco anos e cinco meses o empresário Ezequiel Edmond Nasser, que terá que pagar uma multa de R$ 4,284 milhões. Ele ocupava o cargo de presidente do extinto Excel Econômico.

A denúncia fala de quatro grandes operações consideradas ilícitas, como um empréstimo de R$ 10,112 milhões entre o Banco Excel Econômico a Usina Albertina S/A e a Ezibrás Factoring Sociedade de Fomento Comercial. Na época, o Excel tinha como presidentes-diretores Ezequiel Edmond Nasser e Jacques Nasser, sócios da Ezibrás.

A sentença também cita uma outra operação de R$ 15 milhões entre o Excel Econômico, três empresas do Grupo United (presididas por Ricardo Mansur), Banco Crefisul (presidido por Ricardo Mansur), a Ezibrás e a Compugraf Serviços.

Em 1998, o Excel também renovou um empréstimo com as empresas do Grupo United, no valor de R$ 20,7 milhões.

A denúncia envolvendo o banco Santos dá conta de um empréstimo de R$ 2 milhões com a Excel Administradora de Cartões, que tinha participação do próprio Excel. Na época, o banco abriu um crédito de R$ 2 milhões à Santos Seguradora.

Menino de 10 anos já tem nome no SPC e Serasa

serasa.gifUma criança recebeu no dia 31 de maio uma notificação extra-judicial, com a cobrança de uma dívida de uma companhia telefônica de R$ 2.336,66. “O menino recebeu a notificação e levou um susto”, relatou Peniel Pacheco, diretor do Procon do Distrito Federal, a quem a mãe de G.V.A recorreu. Com a dívida, que se referia ao ano passado, o nome da criança foi levado ao SPC e ao Serasa. A empresa pode ser multada em até R$ 3 milhões.

A Brasil Telecom informa que em outubro de 2005 foi contratada uma linha telefônica no nome da criança, mas que, na época foi informado que o detentor do CPF havia nascido em 1977 e que, portanto, era maior de idade. A concessionária explica que hoje, isso não seria possível, já que, desde janeiro de 2006 o sistema da empresa está integrado ao da Receita Federal, sendo possível checar dados como a idade do cliente.

Ainda segundo a empresa, a linha foi utilizada por alguns meses e inclusive foram enviadas contas telefônicas para o mesmo endereço em que foi instalada. Pacheco disse que a família da criança informou que nunca havia recebido contas telefônicas referentes a aquele número de telefone. A Brasil Telecom diz que as contas foram pagas até janeiro de 2006 e em fevereiro foi solicitado o parcelamento de uma dívida, que não chegou a ser paga e telefone foi desinstalado em agosto daquele ano por inadimplência. A empresa informa que já retirou o nome da criança do Serasa e do SPC.

Multa

O diretor do Procon explicou que, pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, o contrato é nulo por se tratar de um menor de idade. “Como existe um ato arbitrário a empresa foi notificada”, afirmou. A empresa também informou que vai apurar judicialmente se houve utilização indevida do CPF da criança por outra pessoa e o Procon diz que a Brasil Telecom cometeu uma infração e poderá ser multada em até R$ 3 milhões.

Fonte: Agência Estado

Escuta da Operação Aquarela põe senador sob suspeita

roriz.jpgA Operação Aquarela, da Polícia Civil de Brasília, pegou em cheio o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), flagrado em escutas telefônicas com Tarcisio Franklin de Moura, que presidiu o Banco de Brasília (BRB) de 1999 a abril deste ano. Tarcísio está preso desde a semana passada, sob suspeita de comandar um esquema de desvio de dinheiro de cartões de crédito que chega a R$ 50 milhões. Na operação foram presas 19 pessoas em Brasília e em São Paulo.

As gravações, todas feitas no dia 13 de março, capturaram diálogos reveladores entre o senador Joaquim Roriz e Tarcísio. Numa das conversas, Tarcísio liga para o gabinete do senador Roriz. Conforme a gravação, exibida pela revista Época:

Tarcisio: “Alô, oi senador. Posso sugerir um negócio?”
Roriz: “Pode”.
Tarcísio: “Por que a gente não leva lá para o escritório do Nenê?”.
Roriz: “É pra isso mesmo”.
Tarcísio: “E de lá sai cada um com o seu”.
Roriz: “Ah, então tá ótimo. Nós pensamos a mesma coisa”.

Noutra conversa, Tarcísio fala para um homem não identificado que está combinando com Roriz de encontrar-se “no escritório do Nenê Constantino” (presidente do Conselho de Administração da Gol e dono de empresas de ônibus de Brasília). Tarcísio também menciona que o que eles têm que pegar não cabe em um carro.

Cheque

No mesmo dia, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, revela uma movimentação referente a um cheque em nome de uma empresa agrícola supostamente para Nenê Constantino. Há um saque no BRB de R$ 2,231 milhões, coberto por um cheque em nome de uma empresa do ramo agropecuário, que seria nominal a Constantino. Procurada, a assessoria de Constantino informou que ele nunca teve conta no BRB nem jamais entregou cheque de R$ 2 milhões a Roriz. O senador Roriz não respondeu.

Receita do PT com “dízimo” de filiados sobe 545%

pt.jpgDa Folha de S.Paulo, hoje:
“O crescimento da máquina administrativa do governo, sua ocupação por petistas e a criação de novos cargos têm rendido bons frutos ao caixa do partido. Nos quatro primeiros anos do governo Lula, houve um salto de 545%, já descontada a inflação, na arrecadação do “dízimo” com filiados que ocupam cargos de confiança no Executivo e Legislativo. O “dízimo” é um percentual do salário que cada um precisa recolher ao partido. Só nesta semana, Lula anunciou duas medidas que aumentam novamente o gasto com servidores sem concurso: um reajuste salarial que chega a 140% em alguns casos e a criação de mais 600 cargos de confiança em vários ministérios. Já são mais de 2.000 cargos sem concurso criados pelo petista.

No ano passado, só com o “dízimo”, o PT arrecadou R$ 2,88 milhões. Em 2002, último ano na oposição, foram R$ 446 mil, em valores atuais.”

Papéis de Renan saíram da prefeitura de “Renanzinho”

Da Folha de S.Paulo, hoje:
“Apresentadas como evidência da venda de grande volume de gado, as GTAs (Guias de Trânsito de Animal) fornecidas ao Conselho de Ética por Renan Calheiros foram emitidas pela Prefeitura de Murici, governada por seu filho, José Renan Calheiros Filho (PMDB).

As GTAs comprovam a movimentação de gado, por venda ou transferência. Em Murici, os dois funcionários municipais credenciados pela Secretaria de Agricultura que emitem o documento são subordinados ao chefe da Vigilância Sanitária local, Gualter Peixoto, que já foi apontado por Renan como veterinário de seu rebanho e como responsável pela comercialização de bois.

De tão afinado com os Calheiros, um desses funcionários -Edécio Fernandes da Silva- concorreu a uma vaga na Câmara Municipal na eleição passada pelo PMDB.

Funcionário da Vigilância Sanitária, Edécio foi credenciado para substituir Cláudio José da Silveira, o principal encarregado da emissão de GTAs, em caso de ausência. Foi o que aconteceu ontem.”

O PT e o seu jeito de ser

Vergonhoso é o mínimo que se pode dizer do aumento determinado para os “servidores federais”, que ficou entre 30,57% e 140%? Vergonhoso não porque não mereçam, pelo contrário. Merecem sim, até para manter os melhores quadros longe da iniciativa privada. Acho uma maravilha o aumento diferenciado e quem me conhece sabe que sempre fui contra aumentos salariais em linha, coisa que o PT sempre pregou. 

A vergonha vem agora. O aumento diferenciado será concedido além dos servidores de carreira, ou seja, os concursados, para os quase 23 mil cargos comissionados, ou seja, aqueles sem concurso. Para ser mais claro, terão reajuste os petistas que estão na máquina pública. Óbvio que há outros partidos ocupando a máquina federal, mas destaco os petistas porque são a grande maioria e pelos benefícios que o PT obterá com esta medida.

Todo mundo sabe que qualquer cidadão filiado ao PT tem de contribuir com parte de seu salário para o partido. Neste ano, o reajuste decidido pelo governo custará R$ 277 milhões aos cofres públicos. Não vou especular quantos milhões deste dinheiro público irão para os cofres do PT, mas com certeza serão muitos e isto se configura uma verdadeira vergonha porque parece orquestrada para favorecer ao partido que está em péssimas condições financeiras.

Para aqueles que acham que o meu argumento é “cabelo em ovo”, segue o que saiu no Estadão online:
“O aumento concedido pelo governo a ocupantes de cargos comissionados deve aliviar as contas do PT, que está amarrado em uma dívida de cerca de R$ 45 milhões. Apesar de ainda não saber estimar a receita adicional que entrará nos cofres, o tesoureiro da legenda, Paulo Ferreira, afirmou que o aumento certamente ajudará a amenizar o aperto. ‘Ainda não há como quantificar, mas na atual situação qualquer recurso ajuda a melhorar a nossa saúde financeira’, afirmou.”

Motorista passou cheques de mais de R$ 125 mil para Renan

Da Folha de S. Paulo, hoje:
“Signatário de cheques no valor de R$ 95,2 mil e R$ 30,8 mil apresentados pela defesa de Renan Calheiros, Marcelo Nunes de Amorim, 34, é motorista particular e mora numa casa em Benedito Bentis, bairro popular de Maceió. Ele, a mulher e dois filhos vivem numa rua com esgoto a céu aberto.

Os cheques são referentes à compra de 2.086 arrobas de boi, o que equivale a mais de 30 mil quilos de carne. Apesar da vida visivelmente modesta, Cleide Rodrigues Amorim, 33, sua mulher, confirma que o marido foi autor dos cheques, mas que a pedido do cunhado.

Segundo Cleide, foi seu irmão, Erivan Rodrigues, dono de um pequeno açougue em Benedito Bentis, que comprou o gado de Renan. Só que, por não ter conta bancária -“Ele não gosta de mexer com essas coisas”-, pediu que Nunes passasse cheques para a compra.

Primeiro, Cleide disse que Erivan distribui carne para açougues da região. Depois, disse que o irmão comprava animal de Renan para revender ao matadouro Mafrial. Hoje, Nunes é motorista de Rodrigo Loureiro, que trabalha com leilão de gado e é ligado ao governador Teotônio Vilela (PSDB). A sogra do irmão de Loureiro, Solange Jurema, é secretária da Assistência Social de Vilela”.

Renan inflou sua renda para justificar despesas

De Eugênia Lopes em O Estado de S. Paulo, hoje:
“O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), inflou seus vencimentos para tentar justificar sua renda. O artifício usado pelo senador foi a inclusão, entre suas fontes de recursos, da verba indenizatória paga aos parlamentares. Essa verba não é renda, não pode ir para o bolso dos parlamentares porque é um ressarcimento de despesas, como aluguel e combustíveis. Além disso, é paga mediante a apresentação de notas fiscais e não é tributável.

A planilha com todas fontes de renda de Renan, desde 2003 até o ano passado, faz parte de um dossiê de 28 páginas enviado pelo próprio senador a cada um dos 513 deputados. Na papelada, os recursos da verba indenizatória, em 2006, foram a segunda maior renda do senador e somaram R$ 244.632,68. Ficaram atrás apenas dos rendimentos obtidos com a atividade rural – R$ 720.169,36. Em salário, o presidente do Senado ganhou no ano passado R$ 130.613,66, valor bem abaixo da indenização.

Pelo quadro com a origem dos recursos de Renan, ele ganhou um total de R$ 1.145.179,13 em 2006. O valor registrado como verba indenizatória ultrapassa os R$ 15 mil mensais, que são o teto do benefício pago tanto a deputados quanto a senadores. Ou seja, o máximo de verba indenizatória por ano é de R$ 180 mil. Pela declaração de Renan, ele teria recebido mais de R$ 20 mil mensais da verba”.

Laudo da polícia compromete defesa de Renan

De Andréa Michael na Folha de S. Paulo, hoje:
“O laudo elaborado pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), órgão da Polícia Federal, compromete a versão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao apontar conflito entre as datas nas quais ele teria vendido lotes de gado e aquelas em que há registro de ingresso em suas contas bancárias do valor obtido com a transação comercial.

Para evitar ser processado, Renan apresentou documentos com o objetivo de comprovar licitude e suficiência de rendimentos por meio dos quais pagou pensão alimentícia nos últimos anos para uma filha que teve fora de seu casamento.

Entre os papéis há notas fiscais e GTAs (Guias de Transporte de Animais), documentos usados por Renan para justificar, no Conselho de Ética, que a venda de gado de sua propriedade em Murici (AL) serviu como fonte de recursos legítimos para o pagamento da pensão.

Feita a análise pelos peritos do INC, que trabalharam em Maceió ao longo de todo o dia de ontem, a conclusão foi que a documentação apresentada por Renan é materialmente verdadeira, ou seja, seguiu os trâmites de emissão, tramitação e registro no âmbito das secretarias de Agricultura e de Fazenda do Estado de Alagoas.

Em Brasília, outro grupo de peritos do INC se debruçou sobre os extratos bancários apresentados por Renan. Surgiu daí a identificação de inconsistências entre as datas das transações com gado e o dinheiro que alimentou seu saldo bancário.

Renan afirma que tirou de sua própria conta o dinheiro da pensão alimentícia. As quantias seriam repassadas mensalmente ao lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, encarregado de fazer os pagamentos.

O laudo que a PF apresentará ao Conselho de Ética não é conclusivo. Deixará claro que, pelo tempo exíguo, não se fez uma análise fundamental: checar se as transações apontadas nas notas fiscais realmente ocorreram e de que forma estariam (ou não) registradas na contabilidade dos compradores que negociariam com Renan. Ou seja: não fica descartada a hipótese de eventual falsidade ideológica encoberta pelos documentos materialmente verdadeiros”.

Renan será aconselhado a renunciar ou a se afastar da presidência do Senado

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), consideram que a situação do colega vai se tornando cada vez mais insustentável. Hoje e amanhã o alagoano começara a receber emissários sugerindo a ele que renuncie ou se licencie da presidência do Senado.

O nome predileto para colocar o guiso no gato é o senador José Sarney (PMDB-AP), ele próprio um experiente político que sabe a hora de se retirar quando há uma crise. Sarney, é claro, resiste a assumir a espinhosa missão.

Essa operação toda seria uma forma de minimizar o dano causado aos outros senadores que ainda pretendem salvar Renan. Entre o compadrio e o prejuízo próprio, os amigos do presidente do Senado preferem a lei do menor esforço, salvando a própria pele.

A opinião quase geral dentro do Congresso é que a absolvição pura e simples de Renan levaria a um desgaste de imagem além do já costumeiro para senadores –e, de quebra, para deputados também. Salvo ou não, Renan será para sempre o “senador dos bois milionários”, o “rei do Gado”, enfim, passará a incorporar ao nome um aposto pejorativo cujo efeito seria o de macular a imagem de toda a instituição.

Por enquanto, avalia-se ser possível a pizza da salvação só em condições especiais. É vital agora que Renan entregue também parte de seu patrimônio. Como a lei impede ao presidente do Senado simplesmente renunciar ao mandato –pois o processo já começou– a idéia é o afastamento do cargo.

Em troca, a investigação começaria a correr em marcha mais lenta. Em alguns meses, possivelmente, poderia ser tudo arquivado. Renan continuaria senador, mas sem poder e totalmente desidratado.

Retirado do blog do Fernando Rodrigues