Archive for the ‘PT’ Category

Federação Israelita ataca nota do PT

O PT divulgou uma nota sobre os ataques de Israel a Gaza. A Federação Israelita do Estado de São Paulo respondeu ao PT.

FEDERAÇÃO ISRAELITA DO ESTADO DE SÃO PAULO SE POSICIONA SOBRE NOTA DO PT

São Paulo, 06 de janeiro de 2009

A Federação Israelita do Estado de São Paulo, entidade que representa a comunidade judaica do referido estado, recebeu com indignação a nota do Partido dos Trabalhadores (PT) relativa ao conflito no Oriente Médio.

Em primeiro lugar, jamais este partido se manifestou contra os ataques do grupo terrorista Hamas contra o território israelense, que acontecem há anos, inclusive durante o cessar-fogo, que jamais foi respeitado por esta milícia.

Jamais este partido se manifestou contra o assassinato de 400 civis em apenas dois dias no Congo, nem com a “limpeza étinica” que vitimou mais de 100 mil pessoas em Darfur.

Israel, como um país soberano tem todo o direito de se defender de ataques terroristas. Israel não atacou os palestinos.

O sul de Israel vem sendo quase ininterruptamente bombardeado pelos Hamas há 7 anos e o Exército não tem respondido para evitar congelar os progressos nos acordos de paz realizados com a Autoridade Palestina (oposição do Hamas). Israel retirou-se da Faixa de Gaza há 3 anos num gesto de paz e os ataques pioraram, pois o Hamas ficou mais próximo da fronteira israelense. Após uma breve trégua utilizada pelo Hamas para se fortalecer e se armar, os ataques palestinos se intensificaram. Nestas circunstancias Israel iniciou o contra-ataque atual para evitar os lançamentos de mísseis. Qualquer país no mundo faria o mesmo para se defender, no entanto, todos condenam Israel com o termo “Nazistas” ou “Massacre” num claro jogo sujo e baixo de desinformação e manipulação.

Convocar seus militantes a se manifestarem causando a importação do conflito é um erro crasso. O PT, como partido que governa este país, em seus 30 anos de existência deveria se preocupar mais em contribuir para um processo de paz duradouro e eficaz na região ao invés de jogar gasolina em uma história que desconhece.

FISESP INFORMA – Informativo da Federação Israelita do Estado de S. Paulo

www.fisesp.org.br

Vi no Querido Leitor

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Papai Noel existe (e é do PT)

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Este espaço teimou em duvidar do tal Fundo Soberano do Brasil. O cofrinho anunciado pelo ministro Mantêga – em linguagem debochada para chamar os jornalistas de ignorantes – seria capitalizado com o superávit primário excedente.

O que foi dito aqui é que, se houvesse excedente, não seria primário. Traduzindo: o superávit que o governo faz não é sobra, nem pode conter sobra, porque serve para abater a dívida pública. Por isso é primário.

Traduzindo de novo: superávit primário excedente é um aborto da natureza.

E esse aborto acaba de ser realizado com sucesso. Por medida provisória, o governo vai emitir 14 bilhões de reais para forrar o tal Fundo. Como a crise está aí e não há vestígio de dinheiro sobrando, se dará o milagre: o próprio governo vai aumentar o superávit primário em 14 bilhões de reais…

Cortar 14 bilhões para emitir 14 bilhões. Para que?

É simples. O dinheiro cortado é o do orçamento, carimbado, de gasto obrigatório em determinados fins, como a saúde pública. O dinheiro emitido para o glorioso Fundo Soberano do Brasil é bem mais livre, permitindo a Lula investir, com soberania, nos projetos de maior retorno eleitoral.

Como se vê, nem todos serão iguais perante a crise.

Retirado do blog do Guilherme Fiuza

Charge do Dia

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Ih… Lula sendo Lula mesmo. Sifu.

lulaLula trazia um pronunciamento escrito por assessores. Mas avisou: “Não tem nenhuma razão para eu ler esse discurso aqui”. Falaria sobre o Fundo Setorial do Audivisual, lançado no Rio, nesta quinta (4). Desistiu: “A pessoa menos indicada para falar de audiovisual seria eu”. Preferiu tratar de “um outro assunto”. Brindou a platéia de produtores culturais e artistas com um improviso de 45 minutos sobre a crise global. Em certos momentos, recorreu a um linguajar de botequim. Valeu-se de uma analogia médica para explicar o seu otimismo maroleiro.

“Se um de vocês fosse médico e atendesse a um paciente doente, o que vocês falariam para ele?…”

“…Olha, companheiro, o senhor tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência avançou, nós vamos dar tal remédio e você vai se recuperar…”

“…Ou você diria: meu, sifu [corruptela de ‘se fodeu’]. Vocês falariam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam”.

Comparou o mercado a um adolescente rebelde. Do tipo que ignora os pais. Mas, à menor dificuldade, refugia-se em casa. “Aí é paizinho, mãezinha”.

Depois, formulou uma metáfora fecal: “O mercado teve uma dor de barriga”. E “não foi uma dor de barrigazinha, foi uma diarréia daquelas, braba, insuportável”.

Arrematou: “Quando o mercado teve essa diarréia, quem é que eles chamaram para salvá-los? O Estado, que eles negaram durante 20 anos”.

Embora grave -“maior do que 1929”- a crise é, no dizer de Lula, paradoxal. Surgiu “no coração dos países ricos […]. E os países menos vulneráveis são os emergentes, dentre os quais o Brasil”.

Num instante em que as empresas começam a demitir, Lula bravateou: “Em época de crise, a gente não se acovarda […]. Eu sou um cidadão otimista”.

Olhou para Sérgio Cabral, governador do Rio. E pespegou: “Você me conhece há muito tempo, Serginho. Você sabe que eu adoro uma crise…”

“…Eu adoro ser provocado, porque eu acho que é nesse momento que você prova se pode crescer ou não pode crescer”.

Disse que conhece a crise de menino: “Eu sou originário de crise. Uma nordestina, quando tem o oitavo filho, é uma crise absoluta”.

Alfinetou a imprensa: “Eu fico vendo […] o que se escreve sobre a crise, o que se fala na televisão sobre a crise, o que se comenta no rádio…”

“…Tem um tipo de gente que parece que torce para que a crise venha e quebre o Brasil. Tem um tipo de gente que está doido para dizer…:

“…’Está vendo? Eu não falei que o Lula não sabia administrar o país? Eu não falei que o Lula não sabia cuidar da crise?’…”

Alvejou também os bancos. E revelouo teor de um telefonema trocado com o “companheiro Roger [Agnelli], presidente da Vale.

Evocou as crises da era FHC -Ásia, Rússia e México. E alfinetou: “Essas três crises, juntas, importaram num aporte de recursos de US$ 200 bilhões. E vocês sabem que o Brasil quebrou duas vezes naquele período”.

Na seqüência, jactou-se: “Essa crise agora já envolveu o equivalente a US$ 4 trilhões. E o Brasil não quebrou. Nem vai quebrar”.

Lula sente-se só: “Às vezes eu me sinto como se fosse o Dom Quixote, sabe, às vezes eu me sinto sozinho tentando pregar o otimismo […]”.

Em versão atualizada de um fenômeno que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-lata”, Lula disse que “parte da eleite brasileira é colonizada intelectualmente”.

Queixou-se: valoriza-se aqui mais a promessa de Barack Obama de criar 2 milhões de empregos até 2011 do que as 2,1 milhões de carteiras assinadas no Brasil em 2008.

Num exemplo prosaico, Lula deu uma idéia do tipo de comportamento que pretende adotar na pele de animador de crise.

Contou ter recebido “outro dia” o dirigente da “federação do comércio de um determinado estado”. Repreendeu-o:

“Você faz uma pesquisa, constata que aumenta a desconfiança do consumidor, divulga a pesquisa da desconfiança e não divulga nada para restabelecer a confiança. Que vendedor é você?”

Ensinou: “Ele deveria ter a pesquisa para tomar a decisão de chamar um publicitário e dizer: ‘Faça uma pesquisa para motivar esse povo, se não eu vou fomentar que ele compre menos’.”

Lula parece acreditar que, associando a marquetagem às medidas que o governo já adotou e ainda vai anunciar, o Brasil saírá da crise global “por cima da carne seca”.

PS.: O áudio do improviso de Lula está disponível aqui.  São 45min45s.

A versão impressa pode ser lida aqui. É peça obrigatória para quem deseja decifrar a alma do presidente.

Preparada pelo Planalto, a transcrição anota um “inaudível” no trecho em que Lula disse “sifu”. É parola de assessor mais realista do que o rei.

No áudio, a versão popular do “se fodeu” não poderia soar mais nítida.

Vi no blog do Josias

Crise na Petrobras?

Suplicy e Tasso

Será que os incomPTentes conseguiram abalar a saúde financeira da menina dos olhos do povo brasileiro? Sim porque é muito estranho os dois empréstimos feitos pela Petrobras no BB e na CEF. Mais estranho é que a CEF não atende a empresas do porte da Petrobras. Nem uma divisão específica para isto tem. E o mais estranho de tudo: os empréstimos foram para capital de giro?!?!?!

A Petrobras recorreu antes ao BB, em outubro, e pegou R$ 750,99 milhões, a um custo de 6,3% ao ano, o que correspondeu a 21% de todos os recursos do BB destinados aos exportadores no mês referente ao empréstimo.

Na CEF, que deveria financiar habitação, saneamento, agricultura, pequenas e médias empresas, o valor tomado foi de R$ 2 bilhões. O montante tomado pela Petrobras corresponde a 44% dos R$ 4,5 bilhões em créditos para empresas concedidos pelo banco estatal em outubro. Para efeito de comparação, neste ano de 2008, a Caixa destinou ao programa de financiamento da habitação popular R$ 1,5 bilhão.

A estatal divulgou nota no seu site e deixou tudo mais estranho ao informar que:

“Em outubro, a Companhia teve maiores gastos com impostos e taxas, com o recolhimento de mais de R$ 11,4 bilhões no mês…”

“…Parte desses pagamente refere-se ao Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, devido ao maior Lucro Líquido apurado no terceiro trimestre de 2008. E participações especiais calculadas com base no valor de pico do preço do petróleo”.

Empréstimo para pagamento de impostos? Devia ir era para o SEBRAE aprender a provisionar dinheiro para pagamento de impostos.

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado decidiu realizar uma sessão para ouvir explicações de autoridades sobre a situação financeira da Petrobras.

Aprovou-se nesta quinta (27) um requerimento do PSDB. Prevê o comparecimento à comissão de quatro pessoas:

1. José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras;
2. Maria Fernanda Coelho, presidente da Caixa Econômica Federal;
3. Antônio Francisco de Lima Neto, presidente do Banco do Brasil;
4. Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.

O objetivo é obter explicações sobre empréstimos de capital de giro que a Petrobras contraiu junto a bancos federais.

Ontem, 27/11, o Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) leu na tribuna do Senado o Balanço da empresa:

“Em outubro, o passivo circulante líquido da Petrobras chegou a R$ 92,9 bilhões. São dívidas de curtíssimo prazo…”

“…O ativo circulante líquido, caixa e créditos de curto prazo, somou R$ 57 bilhões. Ou seja, tem um buraco de curto prazo de R$ 36 bilões…”

“…Isso significa que há um sério problema de liquidez. Por isso fizeram os empréstimos na Caixa e no Banco do Brasil, que não são corriqueiros”.

Leia mais em: Banco do Brasil também socorreu a Petrobras 
Estatal já corta consultorias e patrocínios 
Analistas vêem problema de gestão na Petrobras 
Empresa atrasa pagamentos, afirma Tasso 
Caixa não tem atendimento a clientes do porte da Petrobras 
Dilma nega crise na Petrobras

Livro didático e propaganda política

Estou virando fã do Ali Kamel, apesar de discordar muitas vezes do enfoque que a Globo dá a certas reportagens. Mais uma vez ele se volta contra os livros didáticos (sic) adquiridos e distribuídos pelo MEC (leiam artigo anterior do Ali Kamel aqui). Vejam aonde já chegou a literatura petista: aos livros de nossos filhos.

Livro didático e propaganda política

alikamel.jpgAinda os livros didáticos, um problema mais grave do que eu imaginava. Para 2008, o MEC me informa que já comprou mais de um milhão de exemplares do livro de história “Projeto Araribá, História, Ensino Fundamental, 8”, a ser distribuído na rede pública a partir de janeiro. Para ser exato, 1.185.670 exemplares a um custo de R$ 5.631.932,50. É agora o campeão de vendas.

Sem dúvida, o livro tem mais compostura que o “Nova História Crítica”, que analisei aqui há 15 dias, mas, em essência, apresenta os mesmos defeitos e um novo, gravíssimo: faz propaganda político- eleitoral do PT. Na unidade 3, “A primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa”, o livro diz o seguinte, logo na abertura, sob o título “Um sonho que mudou a história”: “Em 1 de janeiro de 2003, o governo federal apresentou o programa Fome Zero. Segundo dados do IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Em nenhum país do planeta existem tantos pobres vivendo entre pessoas tão ricas . No mundo, segundo o relatório do Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas vivem com uma renda inferior a 1 dólar por dia, cifra que deve chegar a 1,9 bilhão em 2015. Por que, apesar de tantos avanços tecnológicos, pessoas continuam morrendo de fome? É possível mudar essa situação? Os revolucionários russos de 1917 acreditavam que sim. Seguros de que o capitalismo era o responsável pela pobreza, eles fizeram a primeira revolução socialista da história. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo. Hoje, passado quase um século, o capitalismo retornou à Rússia, e a União Soviética, que nasceu da Revolução Russa de 1917, não existe mais. Valeu a pena? É difícil responder. Mas como dizia um membro daquela geração de revolucionários, é preciso acreditar nos sonhos.”

Entenderam a sutileza? Os alunos são levados a acreditar que não há país no mundo com mais pobres do que o nosso (os autores esqueceram-se da Índia, para citar apenas um?). E que o Fome Zero seria o sonho de 1917 revivido.

O livro prossegue com pequenos tópicos sobre os principais acontecimentos mundiais, a revolução russa e seus antecedentes: grande pobreza no campo, extrema exploração dos operários. Vitoriosos os revolucionários, seus primeiros feitos são assim descritos: “Estradas de ferro e bancos foram nacionalizados, as terras foram divididas e distribuídas entre os camponeses e a produção nas indústrias passou a ser controlada pelos operários. As medidas revolucionárias do novo governo feriram os interesses da burguesia e das grandes empresas que atuavam no país.” Segue-se um breve resumo da guerra civil — a burguesia e a aristocracia, apoiados pelos EUA e Grã-Bretanha, contra os revolucionários liderados por Lênin e Trotsky — e um pequeno verbete intitulado “A ditadura de Stálin”. Nele, lê-se que a URSS foi governada de 1924 a 1953 por Stálin, como um ditador. “As liberdades individuais foram suprimidas e os adversários do regime , inclusive os líderes da revolução, acabaram presos ou assassinados pelo regime.” Parece honesto, mas não é: omitir os detalhes da monstruosa ditadura de Stálin, que levou milhões à morte, é esconder dos alunos o mal que o socialismo real provocou. Especialmente porque os autores não se esqueceram de destacar o “bem” que Stálin proporcionou: “O Estado promoveu o desenvolvimento da indústria de base, como energia elétrica e metalurgia, investiu em educação e na qualificação de mão de obra e formou cooperativas agrícolas (…) para ampliar a produção no campo.”

Bonito, não? No fim do capítulo, nas atividades propostas aos alunos, fica estabelecida a distinção entre capitalismo e socialismo: “Os anos 1920, nos EUA, caracterizaram-se por consolidar a sociedade de consumo. Numa cultura de consumo, grande parte do tempo e das energias humanas está voltado (sic) para a aquisição de bens materiais. Sob a orientação do seu professor, debatam os seguintes aspectos: a) dados que comprovam o caráter consumista da sociedade atual; b) os efeitos negativos da cultura do consumo para o indivíduo e a sociedade.”

A orientação socialista do livro fica patente em muitas passagens. Veja por exemplo como os autores definem o Welfare State europeu: “Apesar de ter sido elaborado, no contexto da Guerra Fria, para afastar a ameaça representada pelo prestígio que o socialismo despertava no Ocidente, o Welfare State serviu, também, para concretizar antigas reivindicações do movimento sindical (…).” O livro se apressa a dizer que o Welfare State durou pouco, graças à crise do petróleo de 1973 (sic): “Nos anos 1980, os governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra (sic), e de Ronald Reagan, nos EUA, adotaram o modelo econômico de livre mercado, tornando nula (sic) a intervenção do Estado na economia (…).” Os alunos devem achar que viver naqueles dois países é um horror.

E Mao? Este parece ser um fetiche dos autores de livros didáticos. O livro conta que Mao derrotou o capitalismo na China e relata dois episódios, sem referência aos milhões de mortos que os dois eventos provocaram. “Em 1958, a fim de aumentar a produção, foram criadas cooperativas rurais e novas indústrias também. Essas iniciativas econômicas foram conhecidas como o ‘Grande salto para a frente’. Preocupado com a influência de valores ocidentais na China, Mao iniciou a Revolução Cultural, uma campanha oficial marcada por intensa doutrinação e repressão.” E mais não se diz.

Deixando de lado a História Universal, o que mais espanta no livro é a sua novidade: a propaganda político-eleitoral. Depois de relatar o sucesso do Plano Real no Governo Itamar, o livro explica assim a vitória de FH sobre Lula nas eleições de 1994: “Uma habilidosa propaganda política transformou o candidato do governo, Fernando Henrique, no pai do Plano Real.” Sobre os resultados do primeiro governo FH, o livro contraria tudo o que os especialistas dizem sobre os efeitos imediatos do Plano Real: “A inflação foi controlada, mas a um preço muito elevado. O desemprego cresceu, principalmente na indústria, elevando a miséria, a concentração de renda e a violência no país.” Herança maldita é pouco.

Depois de contar como o governo foi obrigado a desvalorizar o real, o livro diz que o segundo mandato de FH trouxe duas conquistas no campo social, como ampliar as matrículas no ensino fundamental e reduzir a mortalidade infantil. Mas o capítulo termina assim: “O PT chegou ao poder com a responsabilidade de vencer um enorme desafio: manter a inflação sob controle e combater a desigualdade social no Brasil, onde 54 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza.” Como os autores disseram no início, o sonho não acabou.

O livro termina com oito páginas sobre a fome no mundo e no Brasil. Há afirmações assim: “Há mais pessoas desnutridas na Nigéria, um país de 120 milhões de habitantes, do que na China, onde vive mais de 1,2 bilhão de pessoas.” A China é socialista, certo? As causas da fome, apontadas pelo livro, são as dificuldades de acesso à terra, o aumento do desemprego e a divisão desigual da renda. Depois de repetir que “o nosso país tem fome” o livro “esclarece”: “O combate à fome é o principal objetivo do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003. Para isso, o governo lançou o Programa Fome Zero. A implantação do programa tem como referência o Projeto Fome Zero _ uma proposta de política de segurança alimentar para o Brasil, um documento que reúne propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001. Leia agora parte desse documento.”

E as crianças são expostas a 52 linhas do documento de propaganda partidária elaborado em 2001 pelo Instituto da Cidadania, do PT. E a nenhum outro. O Fome Zero, que não conseguiu sair do papel, vira História. Tudo isso distribuído gratuitamente pelo governo federal a mais de um milhão de alunos. Isso é possível? Isso é republicano?

Não acredito que o presidente Lula aceite que propaganda política de um único partido seja distribuída com o uso de dinheiro público como se fosse aula de história. Não acho também que o MEC concorde com isso. Fica aqui o alerta.

Ali Kamel

Governo teme que procurador-geral denuncie o ministro Mares Guia

mensalaomineiro.jpgPor João Domingos, no Estadão On Line:
Há uma apreensão muito grande no governo com a possibilidade de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciar o ministro das Relações Institucionais ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de arrecadação de dinheiro montado em 1998 para a campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador. O esquema, que teve a participação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza — o mesmo do escândalo do mensalão do PT, estourado em 2005 — ficou conhecido por “mensalão mineiro”.

De acordo com inquérito da Polícia Federal, o esquema teria arrecadado mais de R$ 100 milhões à custa do desvio de dinheiro público e de estatais. Para a PF, foi o embrião do maior escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou por envolver a cúpula do PT. A denúncia do procurador da República contra os envolvidos neste último escândalo possibilitou ao STF abrir processo contra 40 pessoas, entre elas os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto.

O temor do Palácio do Planalto com um novo escândalo deve-se ao fato de que a denúncia do procurador da República contra um ministro não só o enfraquece como atinge o próprio governo. Mares Guia tem como uma de suas funções estratégicas o estreitamento de laços entre o governo e o Congresso. É ele que negocia com cada um dos 513 deputados e 81 senadores a liberação das emendas parlamentares e que trata das nomeações de políticos indicados para cargos em estatais, segundo escalão e até ministros.

De acordo com informações de auxiliares de Lula, ao ser convidado ainda no primeiro governo para ser ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia teria contado ao presidente que a PF estava fazendo uma investigação em sua vida. Disse que não tinha nenhum envolvimento com caso algum, porque, ao contrário do que a PF afirmava na sua investigação, não havia sido coordenador da campanha de Eduardo Azeredo em 1998, mas em 1994.

Conforme as informações de Mares Guia a Lula e a outros ministros, o coordenador da campanha de Azeredo em 1998 era Carlos Eloy e o coordenador financeiro Cláudio Mourão. Mares Guia disse a Lula que é amigo de Eduardo Azeredo e que, como correligionário, e acima de tudo amigo, o ajudou no segundo turno das eleições, vencidas pelo então candidato do PMDB, Itamar Franco.

Ainda de acordo com os esclarecimentos de Mares Guia a Lula, ele chegou a fazer empréstimos pessoais para Azeredo, para tapar buracos de campanha. Numa destas vezes, disse o ministro ao presidente, o dinheiro foi depositado numa das contas da SMPB, uma das empresas de Marcos Valério. Essa empresa apareceu durante todo o escândalo do mensalão do PT e Simone Vasconcelos, sua gerente financeira, era quem repassava dinheiro vivo a deputados e assessores que iam buscá-los em quartos de hotel ou na agência do Banco Rural no Brasília Shopping, em Brasília.

Mensalão mineiro: Reportagem de capa da Revista IstoÉ

Alan Rodrigues, de Belo Horizonte, e HugoMarques, de Brasília:
QUATRO ANOS DE INVESTIGAÇÕES Os primeiros documentos foram entregues pelo ex-tesoureiro de Azeredo em 2003 (doc. acima). Agora, a PF concluiu as investigações e constatou a existência de “organização criminosa”

Relação dos valores totais por partido 
Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma peça jurídica capaz de provocar um terremoto político tão devastador quanto o do Escândalo do Mensalão. É a denúncia contra os políticos envolvidos no inquérito policial 2245-4/140-STF, que investiga o chamado “tucanoduto” – o caixa 2 da malsucedida campanha do senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Com mais de cinco mil páginas, o inquérito tem num relatório da Polícia Federal a completa radiografia de como foi montado o esquema e quem se beneficiou com ele.

Obtidos com exclusividade por ISTOÉ, os documentos que integram as 172 páginas dessa conclusão são mostrados pela primeira vez. Eles atingem diretamente o atual ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (à época vice-governador e candidato a deputado federal), e envolvem o governador de Minas, Aécio Neves (que na ocasião tentava sua reeleição à Câmara). Aécio é nomeado numa lista assinada pelo coordenador financeiro da campanha, Cláudio Mourão, como beneficiário de um repasse de R$ 110 mil.

O relatório compromete ainda 159 políticos mineiros que participaram da disputa de 1998, entre eles a então senadora Júnia Marise e 82 deputados, entre federais e estaduais. No total, 17 partidos são citados, incluindo o PT, acusado de ter recebido R$ 880 mil, divididos entre 34 sacadores, sendo cinco deputados federais (confira a lista completa ao final dessa reportagem).

“Organização criminosa” – De acordo com a denúncia, o esquema capturou mais de R$ 100 milhões, com desvio de verbas de estatais e empréstimos bancários. Oficialmente, a campanha de Azeredo custou R$ 8 milhões. A intermediação entre o núcleo da campanha e os políticos favorecidos ficou a cargo da SMP&B, a agência do publicitário Marcos Valério, que, segundo a polícia, lavou parte do dinheiro com notas fiscais frias. Foi um modo de operar que serviu de laboratório de testes para o que, quatro anos depois, viria a ser o Mensalão Federal.

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Walfrido dos Mares Guia
Reservado a promotores próximos do procurador-geral, aos poucos assessores que freqüentam o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo, e a um grupo seleto de policiais, o documento é demolidor. “Constatou-se a existência de complexa organização criminosa que atuava a partir de uma divisão muito aprofundada de tarefas, disposta de estruturas herméticas e hierarquizadas, constituída de maneira metódica e duradoura, com o objetivo claro de obter ganhos os mais elevados possíveis, através da prática de ilícitos e do exercício de influência na política e economia local”, diz o relatório da PF. Com diversos laudos periciais, extratos bancários e dezenas de depoimentos, o documento põe fim a uma batalha política entre oposição e governo que se arrasta há dois anos, desde que a CPI que apurou o Mensalão federal se recusou a investigar o caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo em Minas.

Com base nas informações reveladas nesse relatório fica fácil entender por que houve tanta pressão dos tucanos e até a complacência do PT para não se abrir uma CPI exclusiva para esse caso. Na ocasião, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que presidia a chamada CPI dos Correios, classificou de “documento apócrifo” a lista elaborada pelo então coordenador financeiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, e que serviu de base para o trabalho da PF. Outra curiosidade: a denúncia da lista tinha sido feita por um companheiro do próprio partido de Delcídio, o então deputado estadual mineiro Rogério Corrêa. Mais curioso ainda: Paulinho Abi-Ackel, o filho do deputado Ibrahim Abi-Ackel, relator da CPI da Compra de Votos (e que também poderia ter investigado o caixa 2 mineiro), recebeu R$ 50 mil do esquema (leia quadro à pág. 32). Ele disse à polícia que prestou serviços de advocacia à campanha.
 
Nos recibos recuperados pela PF a partir da chamada “Lista de Mourão”, fica provado que o dinheiro “não contabilizado” dos tucanos irrigou não só a campanha de reeleição de Azeredo, mas de boa parte da elite da política mineira. O valor total rateado entre ela teria alcançado R$ 10,8 milhões.

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“Em dinheiro vivo” – Com exceção dos 82 deputados federais ou estaduais que receberam, em nome próprio ou de assessores, depósitos feitos diretamente pelas empresas de Marcos Valério, não é possível por enquanto assegurar que os repasses ao restante dos 159 políticos, incluindo o então candidato a deputado federal Aécio Neves, tiveram origem no caixa 2 operado pelo publicitário e pelo núcleo central da campanha de Eduardo Azeredo. “Muitos dos saques foram em dinheiro vivo, o que dificulta o rastreamento”, garante um dos policiais que participaram dos trabalhos. Segundo a investigação da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, a maior parte da derrama aconteceu para a compra de apoio político no segundo turno da eleição de 1998, no qual Azeredo acabou derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco. Leia mais aqui.

Quer ler o relatório da Polícia Federal (170 páginas – PDF) que foi entregue ao Ministro Joaquim Barbosa do STF, clique aqui para baixar (12,9 Mb)

PS: Caso baixe o relatório da PF veja a lista dos partidos e políticos nas páginas 14 e 15 ou clique abaixo e veja a relação (pág. 14 / pág. 15) e o auto de apreensão

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Capa da Isto É

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A nova classe social no poder: agora em números

Por Fernando Barros de Mello, na Folha desta segunda:
Os cargos de confiança mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são ocupados por sindicalizados e filiados ao PT, de acordo com dados da pesquisa “Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder”, coordenada por Maria Celina D’Araújo, do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV. “Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também sindicalizada. É uma malha associativa muito forte”, diz a pesquisadora. A amostra da pesquisa levou em conta os cargos DAS 5, DAS 6 (Direção e Assessoramento Superior) e NE (Natureza Especial), que são os mais altos no serviço público. “A população brasileira tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito diferente da realidade brasileira”, diz. “Nós pegamos os níveis 5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados. A nossa amostra é uma elite que requer especialização técnica”, complementa.

Segundo a pesquisa, cerca de 25% tinham filiação partidária: 19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a maior parte dos filiados vem do serviço público estadual e municipal. Informações do próprio PT dão conta de que, ao todo, são 5.000 filiados que ocupam cargos comissionados no governo Lula.”Os filiados são, em sua maior parte, “outsiders” da esfera pública”, diz o texto da pesquisa, segundo o qual os indicadores de “associativismo” também impressionam. “Um total de 46% declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas 5% pertenceram a associação patronais.” Outro ponto que chamou a atenção foi o fato de a área econômica ter o maior número de servidores com experiência anterior (27%). Na área da saúde, o número fica em 14,55%, na social, em 19,12%, e na de educação, em 13,93%. “O que a gente observa é que a área econômica é a mais profissionalizada”.

Entrevista: Aloízio Mercadante

Impagável a entrevista com Aloizio Mercadante publicada no Estadão desta sexta. Leiam trechos. Por Ana Paula Scinocca e Expedito Filho:

Na sessão de votação pela cassação de Renan Calheiros o sr. chegou a defender a tese de que o julgamento fosse adiado. Por que deixou para propor isso só no dia do julgamento e na sessão secreta?
Eu não cheguei a defender na sessão. Fiz uma ampla consulta para verificar se havia alguma condição política de se chegar a essa conclusão e procurei apresentar os argumentos que me chegaram no momento que me vi diante do fato de ter de decidir se o Renan tinha de ser cassado ou não. Minha leitura foi de que não havia uma prova conclusiva, inquestionável, mostrando que o Renan recebeu recursos da empreiteira Mendes Júnior por meio do lobista (Cláudio Gontijo) para pagar suas despesas pessoais. Porém, ao apresentar sua defesa foram levantados questionamentos, como sua evolução patrimonial, que não configuram, até este momento, um crime que possa levar à cassação de mandato. (…)

Senador, não ficou claro por que o sr. não apresentou a proposta para adiar a sessão antes.
Eu não tinha chegado a essa convicção.

O sr. só se convenceu da necessidade do adiamento no dia da sessão secreta?
Quando eu fui preparando meu pronunciamento e construindo os meus argumentos, me vi diante de uma situação na qual eu não achava uma solução satisfatória para o Senado.
(…)
O voto abstenção é o voto que também arquiva…
Nãooooooo! Se vencesse a abstenção, a matéria não seria arquivada e voltaria para o Conselho de Ética.

Senador, a vitória da abstenção anteontem era tão improvável quanto nós ganharmos na loteria.
É verdade.
(…)
Renan Calheiros deve se licenciar da presidência do Senado?
Eu disse isso a ele. Eu disse: “Renan, eu acho que não podemos mais continuar com essa crise no Senado. Decidida essa questão, você deveria se licenciar.” Não renunciar, porque é um prejulgamento, é uma condenação antecipada. Acho que ele deveria se licenciar para concluir o processo e para que o Senado possa evoluir com tranqüilidade.