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Mensalão mineiro: Reportagem de capa da Revista IstoÉ

Alan Rodrigues, de Belo Horizonte, e HugoMarques, de Brasília:
QUATRO ANOS DE INVESTIGAÇÕES Os primeiros documentos foram entregues pelo ex-tesoureiro de Azeredo em 2003 (doc. acima). Agora, a PF concluiu as investigações e constatou a existência de “organização criminosa”

Relação dos valores totais por partido 
Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma peça jurídica capaz de provocar um terremoto político tão devastador quanto o do Escândalo do Mensalão. É a denúncia contra os políticos envolvidos no inquérito policial 2245-4/140-STF, que investiga o chamado “tucanoduto” – o caixa 2 da malsucedida campanha do senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Com mais de cinco mil páginas, o inquérito tem num relatório da Polícia Federal a completa radiografia de como foi montado o esquema e quem se beneficiou com ele.

Obtidos com exclusividade por ISTOÉ, os documentos que integram as 172 páginas dessa conclusão são mostrados pela primeira vez. Eles atingem diretamente o atual ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (à época vice-governador e candidato a deputado federal), e envolvem o governador de Minas, Aécio Neves (que na ocasião tentava sua reeleição à Câmara). Aécio é nomeado numa lista assinada pelo coordenador financeiro da campanha, Cláudio Mourão, como beneficiário de um repasse de R$ 110 mil.

O relatório compromete ainda 159 políticos mineiros que participaram da disputa de 1998, entre eles a então senadora Júnia Marise e 82 deputados, entre federais e estaduais. No total, 17 partidos são citados, incluindo o PT, acusado de ter recebido R$ 880 mil, divididos entre 34 sacadores, sendo cinco deputados federais (confira a lista completa ao final dessa reportagem).

“Organização criminosa” – De acordo com a denúncia, o esquema capturou mais de R$ 100 milhões, com desvio de verbas de estatais e empréstimos bancários. Oficialmente, a campanha de Azeredo custou R$ 8 milhões. A intermediação entre o núcleo da campanha e os políticos favorecidos ficou a cargo da SMP&B, a agência do publicitário Marcos Valério, que, segundo a polícia, lavou parte do dinheiro com notas fiscais frias. Foi um modo de operar que serviu de laboratório de testes para o que, quatro anos depois, viria a ser o Mensalão Federal.

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Walfrido dos Mares Guia
Reservado a promotores próximos do procurador-geral, aos poucos assessores que freqüentam o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo, e a um grupo seleto de policiais, o documento é demolidor. “Constatou-se a existência de complexa organização criminosa que atuava a partir de uma divisão muito aprofundada de tarefas, disposta de estruturas herméticas e hierarquizadas, constituída de maneira metódica e duradoura, com o objetivo claro de obter ganhos os mais elevados possíveis, através da prática de ilícitos e do exercício de influência na política e economia local”, diz o relatório da PF. Com diversos laudos periciais, extratos bancários e dezenas de depoimentos, o documento põe fim a uma batalha política entre oposição e governo que se arrasta há dois anos, desde que a CPI que apurou o Mensalão federal se recusou a investigar o caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo em Minas.

Com base nas informações reveladas nesse relatório fica fácil entender por que houve tanta pressão dos tucanos e até a complacência do PT para não se abrir uma CPI exclusiva para esse caso. Na ocasião, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que presidia a chamada CPI dos Correios, classificou de “documento apócrifo” a lista elaborada pelo então coordenador financeiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, e que serviu de base para o trabalho da PF. Outra curiosidade: a denúncia da lista tinha sido feita por um companheiro do próprio partido de Delcídio, o então deputado estadual mineiro Rogério Corrêa. Mais curioso ainda: Paulinho Abi-Ackel, o filho do deputado Ibrahim Abi-Ackel, relator da CPI da Compra de Votos (e que também poderia ter investigado o caixa 2 mineiro), recebeu R$ 50 mil do esquema (leia quadro à pág. 32). Ele disse à polícia que prestou serviços de advocacia à campanha.
 
Nos recibos recuperados pela PF a partir da chamada “Lista de Mourão”, fica provado que o dinheiro “não contabilizado” dos tucanos irrigou não só a campanha de reeleição de Azeredo, mas de boa parte da elite da política mineira. O valor total rateado entre ela teria alcançado R$ 10,8 milhões.

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“Em dinheiro vivo” – Com exceção dos 82 deputados federais ou estaduais que receberam, em nome próprio ou de assessores, depósitos feitos diretamente pelas empresas de Marcos Valério, não é possível por enquanto assegurar que os repasses ao restante dos 159 políticos, incluindo o então candidato a deputado federal Aécio Neves, tiveram origem no caixa 2 operado pelo publicitário e pelo núcleo central da campanha de Eduardo Azeredo. “Muitos dos saques foram em dinheiro vivo, o que dificulta o rastreamento”, garante um dos policiais que participaram dos trabalhos. Segundo a investigação da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, a maior parte da derrama aconteceu para a compra de apoio político no segundo turno da eleição de 1998, no qual Azeredo acabou derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco. Leia mais aqui.

Quer ler o relatório da Polícia Federal (170 páginas – PDF) que foi entregue ao Ministro Joaquim Barbosa do STF, clique aqui para baixar (12,9 Mb)

PS: Caso baixe o relatório da PF veja a lista dos partidos e políticos nas páginas 14 e 15 ou clique abaixo e veja a relação (pág. 14 / pág. 15) e o auto de apreensão

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Capa da Isto É

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Festival em Tiradentes revela gastronomia democrática

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 Reportagem de Eduardo Tristão Girão para o Estado de Minas: 
No segundo dia, o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes deu mostras de que sua proposta democrática está consolidada. De jantares sofisticados a cursos gratuitos nas praças, a programação do evento, em sua 10ª edição, atraiu muita gente para a cidade histórica mineira. Além de almoços e jantares de todos os preços, o público poderá conferir, até o próximo domingo, várias atividades (muitas delas gratuitas), entre cursos de culinária, debates, degustações, shows e exposições.

A manhã de sábado foi marcada por um dos eventos mais tradicionais, o preparo da paella no Largo das Forras. Gente de todas as idades acompanhou passo a passo a receita do mais famoso prato espanhol, ensinada pelo chef Eduardo Maya. Acompanhada pelos pais, Luís e Teresa, a pequena Bruna Macknight, de 7 anos, é uma das primeiras a experimentar o prato, assim que ele começou a ser oferecido ao público presente. “Ela ama azeite de oliva”, comenta sua mãe.

“Antes, íamos mais aos festins. Desta vez, estamos acompanhando mais os eventos abertos ao público. Eles são mais democráticos, mais importantes. Uma verdadeira aula”, afirma Luís. É a sexta vez que o casal, vindo da cidade paulista de Sorocaba, visita Tiradentes em razão do festival. “Devemos voltar na semana que vem”, ele diz. Neste domingo haverá curso gratuitos de vinagretes e marinadas e de risotos, no Largo das Forras. No Largo da Rodoviária, serão feitas degustações de pães finos e cafés a partir das 12h.

Também no Largo das Forras, o bar oficial do Comida di Buteco é outra prova de que a programação de apelo mais popular é um dos pontos altos do festival. Quatro bares de Belo Horizonte marcaram presença no local: Família Paulista, Köbes, Bar do Véio e Bar do João. Cada um serviu seu próprio petisco, com preços variando entre R$ 10 e R$ 17. “Boteco também faz parte da gastronomia. O público do festival é de alto nível, gente que também freqüenta boteco”, avalia Nicola Vizioli, proprietário do bar Família Paulista. Apesar de a cozinha ter encerrado suas atividades por volta de 1h, a clientela permaneceu no bar além das 2h.

“Sempre tivemos preocupação com variedade de culinárias e preço. A comida dos botequins é de qualidade e é brasileira. Atende desde a pessoa que só pode pagar por um petisco até gente mais sofisticada”, diz Ralph Justino, um dos organizadores do evento. Ele também comemora a procura pelos festins (jantares especiais), já que os ingressos de alguns deles foram esgotados já no mês passado. “Há dois anos não acontecia isso”, revela.

Um dos destaques foi o festim do projeto Sabor e Saber, comandado pelos chefs André de Melo e Lucas Neri, belo-horizontino e argentino, respectivamente, que trabalham em restaurantes de Barcelona, na Espanha. Eles encantaram o público na noite de sexta-feira, com cardápio sintonizado com a moderna cozinha feita na região espanhola da Catalunha. Ingredientes de alta qualidade (chocolate com grande concentração de cacau, por exemplo), combinações inusitadas (como licor de nozes e rabo de boi) e produtos peculiares (embutido catalão e azeite de carvão, entre outros) marcaram o jantar. “A Catalunha é privilegiada por ter mar e montanha. Por isso, tem tanta diversidade de produtos”, afirma André.

E nós contamos os corpos…

Texto lido na semana passada pelo vocalista da banda Detonautas na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro

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“Os deputados, senadores, prefeitos, governadores e p residentes, desfrutam de muitos privilégios PAGOS com o dinheiro do povo.

E nós contamos os corpos….

Seus filhos estudam em colégios particulares e muitos de seus parentes quando precisam são atendidos erm excelentes hospitais que não pertencem à rede pública. ANDAM EM CARROS BLINDADOS e moram em locais da cidade protegidos por seguranças particulares.

E nós contamos os corpos…

55% dos deputados estaduais residentes nesta Assembléia Legislativa estão respondendo a processos cíveis, criminais ou eleitorais, enquanto você sequer pode prestar concurso público se estiver envolvido em algum processo judicial.

E nós contamos os corpos…

Os políticos brasileiros são processados por fraudes, corrupção, desvio de verbas ou qualquer crime cometido ao longo de seu mandato TEM DIREITO A JULGAMENTO EM FORO PRIVILEGIADO. Até o momento nenhum político envolvido nos crimes e nos escândalos de corrupção que acompanhamos pelos jornais e TVs foi parar atrás das grades. Isso se chama IMPUNIDADE.

E nós contamos os corpos…

Verbas que deveriam ser destinadas a Rede Pública de Ensino, aos Hospitais, à Segurança de nossas Comunidades são desviadas por muitos destes cidadãos que deveriam nos defender e nos representar.

E nós contamos os corpos…

O Supremo Tribunal Federal retomou dia primeiro de março o julgamento de recurso destinado a garantir o foro privilegiado a “agentes políticos” processados por improbidade administrativa, mesmo que já tenham deixado o cargo. Dos 11 ministros do STF seis já votaram a favor dos políticos e um contra. Restam votar 4 ministros. A medida, se aprovada, impedirá que ministros de Estado e o presidente da república sejam fiscalizados por procuradores na primeira instância da Justiça, como ocorre hoje.

Além de paralisar os processos em andamento a decisão do STF permitirá que administradores já condenados possam pedir a RESTITUIÇÃO de valores que foram obrigados a devolver aos cofres públicos. Cerca de 10 mil inquéritos e ações judiciais contra autoridades acusadas de corrupção podem ser arquivadas. Os defensores do foro privilegiado querem que presidentes,

ministros, governadores e prefeitos envolvidos em corrupção não sejam mais atingidos pela lei. O Código Penal Brasileiro é de 1940.

E nós contamos os corpos…

Um soldado da policia militar ganha 800 reais por mês. Um professor ganha em média 400 reais por mês. Um médico do SUS ganha em média 1.500 reais.

O Estado gasta em média com nossas crianças 300 reais por mês. Um preso custa aos cofres públicos em média 800 reais por mês e todos nós sabemos que o Estado não oferece nas penitenciárias NENHUMA CONDIÇÃO DE REABILITAÇÃO dos apenados, cabendo à sociedade arcar com todos estes custos. Mas os salários dos nossos políticos passam de QUINZE MIL REAIS mensais.

E nós contamos os corpos…

O Rio de Janeiro está em guerra enquanto nossos representantes não fazem nada.

E nós contamos os corpos…

Fim da impunidade.

Fim da imunidade parlamentar.

Fim do voto secreto no Congresso Nacional.

Queremos segurança, educação e saúde de qualidade pois pagamos por isso.

SEM JUSTIÇA NÃO HÁ PAZ

Deputados assumam suas responsabilidades pois elas são do mesmo tamanho de seus privilégios.

Enquanto nós contamos os corpos.

PS: VOCÊ AINDA VAI QUERER DIZER QUE NÃO QUER SABER DE POLÍTICA?

Operação limpeza

Nos últimos meses as notícias têm sido cada vez mais desagradáveis para os políticos brasileiros: Operação Furacão, Cheque-Mate, Renangate, etc. Todo mundo pede uma limpeza no Congresso Nacional, nas Assembléias e Câmaras de Vereadores. Seguindo o ditado de que “a voz do povo é a voz de Deus” o PP em Belo Horizonte, partido do Deputado Gil Pereira e do Vereador Ildeu Maia, resolveu começar a limpeza. E pela placa é banho completo.

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