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Copom mantém taxa básica de juros em 13,75% ao ano, apesar da crise

copomPor Eduardo Cucolo, na Folha Online

O Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) decidiu hoje manter a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano. Essa foi a última reunião do Copom neste ano. Agora, os diretores do BC só voltam a se reunir nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009.

“Tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento”, afirmou em comunicado.

“O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir, tempestivamente, os próximos passos de sua estratégia de política monetária”, complementou.

Os efeitos da crise internacional de crédito no Brasil não foram suficientes para convencer o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros. O BC, tampouco, decidiu atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do governo, que queriam uma redução da Selic.

A decisão do BC já era esperada pela maioria dos analistas econômicos. No final de novembro, o presidente da instituição, Henrique Meirelles, já havia dito que o BC não iria se esquecer do combate à inflação, apesar da crise que ameaça o crescimento do país.

Neste ano, o BC realizou oito reuniões. Em janeiro e março, manteve a Selic em 11,25% ao ano. Em abril começou a subir os juros. Foram quatro aumentos, que fizeram a Selic chegar a 13,75% ao ano em setembro. Com a piora na crise, o BC optou por manter a taxa inalterada nas duas últimas reuniões de 2008.

Um dos fatores que influenciaram a decisão do BC foi a divulgação do crescimento de quase 7% no PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) do terceiro trimestre. Com esse resultado, mesmo que o país não cresça nada no final deste ano, já está garantida uma expansão de 4,8% para 2008, próxima da previsão oficial do governo de até 5,5%.

Ontem, após a divulgação do PIB, Meirelles afirmou que os números do IBGE mostram que a desaceleração econômica do Brasil será mais curta e de menor intensidade que em outros países.

Durante uma audiência de prestação de contas ao Congresso em novembro, Meirelles chegou a ser questionado sobre o fato de o Brasil estar mantendo a taxa de juros elevada em um momento em que as taxas caem nos países desenvolvidos.

Na época, o presidente do BC disse que o corte dos juros era um remédio para a crise que estava sendo adotado apenas nas economias ameaçadas pela recessão econômica, como EUA e União Européia. No Brasil, segundo Meirelles, não havia esse risco.

Nem mesmo a queda da inflação convenceu o BC a cortar os juros. O índice oficial medido pelo IBGE, o IPCA, recuou em novembro e deve fechar o ano dentro do limite da meta do governo, que é de até 6,5% (meta de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais). Também caíram as previsões do mercado financeiro para 2009, que espera uma inflação de 5,20%. O BC quer, no entanto, trazer a inflação para o centro da meta (4,5%).

2009
Segundo a pesquisa semanal feita pelo BC com o mercado financeiro, os economistas prevêem agora a manutenção dos juros no patamar atual até setembro de 2009. A taxa só voltaria a cair nas duas últimas reuniões do Copom no próximo ano, para 13,50% ao ano em outubro e 13,25% ao ano em dezembro.

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Arte de falsário

Muito bom o texto da Eliana Cardoso. Compara todo o problema da bolha financeira americana a um falsário e os idiotas que querem cair no golpe. Leiam e apreciem.

O subprime foi um gigantesco esquema de Ponzi – fraude em que, como na corrente da felicidade, ganha quem joga, até que a pirâmide invertida venha abaixo. Enquanto a bolha imobiliária americana cresceu, credores emitiram hipotecas ao deus-dará, bancos as empacotaram com emissão de títulos, que gestores de recursos compraram com dinheiro emprestado, contabilizando lucros não realizados. Fortunas se criaram e se perderam, mil vezes maiores que os US$ 50 milhões que Van Meegeren ganhou falsificando quadros de Vermeer e vendendo-os a museus na Holanda e a nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Frank Wynne conta essa história em Eu Fui Vermeer.

De Beny Parnes, estrategista-chefe do BBM Investimentos, recebi o livro e a recomendação de traçar paralelos entre os desvarios do mercado financeiro na última década e os do falsário holandês na metade do século 20.

O sucesso do falsário depende de dois elementos: avanço da tecnologia e desejo da vítima de se deixar enganar. O avanço técnico no caso de Meegeren foi a baquelita, primeiro plástico para fins comerciais, que lhe permitiu substituir o óleo vegetal como veículo na pintura. Com ela obteve o endurecimento da tinta, necessário para mantê-la inalterada em testes de autenticidade. No caso do esquema financeiro, a inovação tecnológica combinou derivativos com artimanhas de controle de risco, como a securitização que transformava em títulos AAA empréstimos hipotecários – cuja qualidade era tão ruim que até mesmo Alan Greenspan, depois do desastre consumado, se confessou em estado de choque.

Quanto ao segundo elemento necessário ao seu sucesso, Van Meegeren encontrou-o no desejo dos críticos de descobrir quadros de um período intermediário na obra de Vermeer. Apesar da pequena produção do pintor seiscentista, existe uma disparidade gritante de estilo e tema entre Diana e suas Companheiras (obra do artista jovem) e A Leiteira (o primeiro trabalho da maturidade). No vazio entre um e outro, os críticos imaginaram um Vermeer desaparecido, que uniria as duas fases. O falsário identificou o desejo dos críticos e o realizou.

“Falsificações são um retrato cambiante dos desejos humanos. Cada sociedade falsifica as coisas que mais cobiça”, argumenta Mark Jones em The Art of Deception. No começo do século 21 o desejo era o de uma vida incompatível com os ganhos da economia real. A ganância incitava a crença na ausência de riscos, na morte do ciclo de negócios e no céu como limite para as taxas de crescimento.

Beny Parnes observa: “Os agentes financeiros sabiam o que faziam. Ou quase todos. Com certeza não faltava consciência de seus próprios atos aos empacotadores de hipotecas e aos bancos que colocavam esses pacotes em suas carteiras de investimento. Os compradores dos ativos suspeitavam do que estava acontecendo. Mas o desejo de altos rendimentos gerava a crença em hipóteses bobas sobre risco e o incentivo para entrar no negócio e comprar o Vermeer de Meegeren.” Como dizia Maquiavel, “quem trapaceia sempre encontra quem se deixa trapacear, porque os homens cedem prontamente a desejos momentâneos”.

A diferença entre a experiência dos falsários de hoje e a de Meegeren está na seqüela da trapaça. Meegeren agiu como indivíduo isolado. Preso, e depois absolvido, causou prejuízos e decepção a museus e seus freqüentadores, mas não um desastre econômico. No século 21 a ação coletiva de milhares de investidores produziu uma bolha hipotecária que mudou a alocação de recursos e terminou em catástrofe para o globo.

Nos EUA os economistas esperam a pior recessão desde a década de 1950. A queda da bolsa indica que os investidores apostam numa recessão profunda e severa, ainda pior que a do início da década de 1980. Os gastos dos consumidores apresentaram queda pelo quarto mês consecutivo em outubro. O mercado imobiliário ainda não se estabilizou e os preços das casas são hoje 20% mais baixos do que no pico de 2007. Apenas em novembro de 2008 se perdeu mais de meio milhão de empregos.

Com más notícias se multiplicando a cada dia, como manter a calma? A boa nova é que, pelo menos, o momento mais assustador da crise financeira ficou para trás (embora seus custos recessivos estejam apenas começando). A taxa Libor, que um banco oferece a outro, caiu abaixo do nível de pânico a que chegou logo após a bancarrota do Lehman Brothers. Calcula-se que o valor necessário para resolver os problemas no mercado de CDS (swaps de crédito cujo montante é de US$ 55 trilhões) chegue a 1,5% dessa quantia, ou seja, menos de US$ 1 trilhão. É muito dinheiro. Mas o PIB americano de um mês é maior. Portanto, não é fatal.

No Brasil, duvide de quem lhe promete um PIB crescendo a 4% em 2009. Mas desconfie dos alarmistas também. Parte do pessimismo deriva do sentimento de perda produzido por prejuízos financeiros volumosos, lembrou Oswaldo Assis, sócio do Banco Pactual, em seminário na USP na semana passada. Vale lembrar que o mercado financeiro no Brasil apresenta características muito diferentes das do mercado americano: compulsório alto, crédito imobiliário pequeno, securitização e alavancagem baixas. As operações de balcão não registradas são pequenas. Não há mercado de CDS, as seguradoras são rentáveis. Em resposta à redução do nível de atividade o Banco Central pode cortar a Selic, mesmo que a inflação não fique no centro da meta.

Nos EUA, o Fed anunciou que o encontro de dezembro deve durar dois dias, em vez de um – preparando, talvez, novo plano para ressuscitar o crédito. Dentro de 40 dias os EUA darão posse ao novo presidente, que chega com um pacote fiscal de US$ 700 bilhões em investimentos para reanimar a economia. Torço pelo seu sucesso, pois a evolução desta crise deixou claro que o que acontece por lá repercute aqui.

Eliana Cardoso é professora titular da EESP-FGV
Site: www.elianacardoso.com

Montadoras têm 300 mil veículos e R$ 12 bi parados nos pátios

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As fabricantes de automóveis no país vivem, neste final de ano, uma das maiores quedas nas vendas, prejudicadas pela falta de crédito e aumento dos juros. Apesar da produção reduzida, para acompanhar a demanda desaquecida, as montadoras têm 305 mil veículos parados em seus pátios, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Considerando cálculo do mercado de que os veículos representam R$ 40 mil de capital de giro, em média, os pátios cheios representam ao menos R$ 12 bilhões parados. Isso sem contar com os custos de manutenção e as perdas com ausência de financiamentos.

Também em uma conta aproximada, um estoque como esse representa algo em torno de R$ 4 bilhões em impostos.

De acordo com o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o estoque ao final de novembro representava 56 dias, sendo 25 na indústria e outros 31 nas concessionárias.

A última vez que o setor registrou estoque tão alto foi em setembro de 2001, quando bateu 57 dias. Em outubro deste ano, o estoque estava em 38 dias, sendo 13 na indústria e 25 nas concessionárias.

Além da queda de venda e produção, o mês de novembro também registrou outros dados negativos: houve queda nas exportações e as indústrias registraram a primeira redução de postos de trabalho desde dezembro de 2006.

“Ninguém levantou investimento de forma irresposável. A freada foi muito forte e surpreendente”, afirmou Schneider.

Com as quedas consecutivas de outubro e novembro, a Anfavea revisou suas projeções de venda, produção e exportação para o ano.

Fonte: Folha News

Brasil registra sua maior saída de dólares desde janeiro de 1999

dolar

O saldo da entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial) ficou negativo em US$ 7,159 bilhões, em novembro, o pior resultado desde janeiro de 1999 (US$ 8,587 bilhões de saldo negativo). A informação foi divulgada ontem pelo Banco Central. Em novembro de 2007, segundo o BC, o saldo foi positivo em US$ 5,281 bilhões. No acumulado do ano, houve mais entradas do que saídas, com resultado positivo de US$ 5,390. Mesmo assim, o valor foi bem menor do que o registrado em igual período de 2007: US$ 82,057 bilhões.

A maior contribuição para esses resultados negativos veio da conta financeira do fluxo cambial, que é o registro das entradas e saídas de recursos das Bolsas de Valores, investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações. Em momentos de oscilações do mercado financeiro, como o atual, essa conta costuma registrar resultados negativos.

Em novembro, o saldo negativo dessa conta ficou em US$ 10,298 bilhões, contra US$ 2,023 bilhões de resultado também negativo no mesmo mês de 2007. No ano, o saldo negativo é de US$ 42,630 bilhões, contra US$ 8,587 bilhões de saldo positivo registrado de janeiro a novembro de 2007.

O fluxo comercial também tem resultados da conta comercial, que inclui dados da balança comercial (exportações e importações), de adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) e pagamentos antecipados de exportação (PA), que são financiamentos destinados aos exportadores brasileiros. No fluxo comercial, houve redução do saldo, na comparação entre 2008 e 2007.

O saldo da conta comercial foi positivo em US$ 3,139 bilhões, em novembro, e de US$ 48,020 bilhões no acumulado do ano. No mesmo período do ano passado, esses resultados eram, respectivamente, de US$ 7,304 bilhões e US$ 73,470 bilhões.

As exportações no mês chegaram a US$ 13,492 bilhões e as importações, a 10,353 bilhões. No acumulado do ano, as vendas brasileiras ao exterior somaram US$ 176,580 bilhões e as importações ficaram em US$ 128,560 bilhões.

No mês, os contratos de ACC chegaram a US$ 3,683 bilhões, contra US$ 4,334 bilhões de novembro de 2007. No acumulado de 2008, esses contratos somam US$ 43,034 bilhões, contra US$ 42 382 bilhões de janeiro a novembro do ano passado.

No caso dos pagamentos antecipados de exportação, no mês de novembro o valor chegou a US$ 2,384 bilhões e no ano, a US$ 43 074 bilhões, sendo que em igual período de 2007 os valores foram respectivamente, US$ 4,393 bilhões e US$ 41,985 bilhões.

Comercial tem alta de 3,46%
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,475 para venda, em um forte avanço de 3,46%, nas últimas operações de hoje. Trata-se da taxa mais alta desde junho de 2005. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,530, em um recuo de 0,78%.

“Não vi nenhuma notícia mais forte que tenha realmente afetado o mercado. A alta foi principalmente uma questão de fluxo. As saídas estão muito fortes”, comenta Vanderley Muniz, operador da corretora gaúcha Onnix.

Outro operador, que falou sob anonimato, relata que o mercado está volátil demais, sem que as intervenções do BC façam efeito para deter a onda especulativa com origem no mercado futuro. Operadores acusam uma forte saída de moeda nos últimos dias, principalmente por conta da habitual remessa de lucros e royalties por fundos e empresas estrangeiras.

Lá vem a crise…

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Para os otimistas de plantão as notícias ontem foram as piores. Nunca vi tanto prenúncio de desastre e mau agouro para a economia juntos. Pelo jeito lá a crise se instalou forte em SP e BA que decidiram prorrogar o pagamento do ICMS. Em SP, José Serra (PSDB) prorrogou o pagamento de 50% do ICMS referente a dezembro. Na Bahia de Jaques Wagner (PT) o governo anunciou que vai parcelar o ICMS em 04 vezes.

No RJ as montadoras e a CSN anunciam férias coletivas de 18 mil funcionários. As montadoras tais como, Volks, Peugeot, Citroën e as empresas CSN e Michelin, elevaram em 30% o número de funcionários em férias coletivas.

Os números do mercado automobilístico referentes a novembro, que devem ser divulgados no começo de dezembro, podem assustar até os mais pessimistas. As vendas no país apresentaram queda de aproximadamente 30% e devem fechar o mês com um total de 170 000 unidades emplacadas. Em outubro, que já apresentou desaceleração. A GM, que enfrenta a pior crise de sua história nos Estados Unidos, foi a montadora que mais perdeu mercado.

Para piorar o mercado divulgou-se também que há pouco mais de três meses as transportadoras rodoviárias faziam fila na porta das montadoras para aumentar sua frota e atender o mercado. A demanda era tão forte que algumas empresas de transporte chegavam a recusar clientes e escolher as cargas mais rentáveis. A crise mudou completamente esse quadro. Hoje, parte da capacidade instalada está ociosa, os planos de investimentos estão sendo revistos e já há pressão para reduzir o preço do frete.

Minas Gerais, estado que concentra cerca de 70% da produção nacional de gusa, foi o mais atingido pela retração do mercado ferro-gusa provocada principalmente pela queda na demanda internacional. Só em Sete Lagoas – município que concentra a maior produção de ferro-gusa da América Latina, com 22 empresas instaladas -, 2,3 mil trabalhadores foram demitidos, ou mais de 40% dos 5,5 mil empregados, diretos e indiretos, das fábricas. Na semana passada, o diretor da mineradora MMX afirmou que nada menos que 103 dos 161 fornos de ferro-gusa existentes no Brasil estavam parados.

Se foram notícias ruins para o país da “marolinha” do presidente Lula, imagina para o mundo. O relatório elaborado e distribuído entre os 375 maiores bancos de 70 países que integram o Instituto de Finanças Internacionais prevê queda de 3,5% no PIB dos EUA e de pelo menos 1,5% no crescimento de Europa e Japão no último trimestre deste ano. o relatório prevê que o Mundo terá o pior trimestre desde 80.

Paraguai recebe presidentes de “Mercosul inútil”, diz jornal

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O principal jornal paraguaio, o ABC Color, criticou duramente nesta quinta-feira a reunião de cúpula do Mercosul, que tem início na capital do país, Assunção, trazendo em sua capa, sob a manchete “Chegam os presidentes de um Mercosul inútil”, um editorial de página inteira no qual acusa Brasil e Argentina, os principais sócios do bloco, de violar a soberania do Paraguai.

“Nas últimas décadas, a Argentina e o Brasil, no mais absoluto desprezo pela soberania paraguaia, vêm aplicando políticas infames de neocolonialismo com a intenção de se apoderar definitivamente do controle do mais valioso recurso natural energético existente no Paraguai: a hidroenergia”, afirma o editorial.

O Brasil e a Argentina são sócios do Paraguai, respectivamente, nas usinas hidroelétricas de Itaipu e de Yacyretá. Para o jornal, os acordos para a construção das duas usinas foram “negociados com funcionários corruptos da ditadura de Alfredo Stroessner” e são prejudiciais ao Paraguai.

O editorial afirma que os paraguaios devem se rebelar contra os “neocolonizadores” como fizeram em sua luta pela independência contra os colonizadores espanhóis, em 1811.

“O espírito de 1811 exige de todos os paraguaios rechaçar com decisão e firmeza a infame maquinaria do neocolinialismo de nossos vizinhos trapaceiros, que nos condenam injustamente a viver no estancamento e na miséria, apesar dos valiosíssimos recursos energéticos de que dispõe o nosso país”, diz o texto.

“O Paraguai deve recuperar a soberania nacional sobre seus recursos energéticos e tornar independente o controle da energia elétrica paraguaia gerada em Itaipu e em Yacyretá da pretensão imperialista que estão mostrando, sem vergonha, a Argentina e o Brasil”, conclui o editorial.

Ausência de Chávez
A cúpula de Assunção também tem destaque nos principais jornais argentinos nesta quinta-feira, com especial atenção à ausência do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, que havia aderido ao bloco na cúpula do ano passado.

“Com a significativa ausência política do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e com uma agenda de trabalho concentrada principalmente no problema energético e nas dificuldades para a livre circulação de mercadorias entre fronteiras que preocupam o bloco nestes dias, começará hoje no Paraguai a 33ª cúpula do Mercosul”, relata a reportagem do diário La Nación.

O Clarín ironiza a ausência de Chávez, dizendo que ele “sempre trabalha para conseguir protagonismo, seja por ‘excesso’ ou por ‘ausência’”. Para o jornal, Chávez “percebeu que entrar no Mercosul supõe uma tarefa: cumprir etapas às vezes dolorosas como a liberação do comércio”.

“É nesse ponto em que Chávez começa a advertir que os custos podem ser maiores do que ele tinha calculado. Não por acaso, Caracas atrasou até agora o estabelecimento de um calendário para começar a incorporar as normas comunitárias”, diz o jornal.

O jornal Página/12, por sua vez, observa que a adesão da Venezuela ao Mercosul ainda não foi ratificada pelos Congressos do Brasil e do Paraguai, dizendo que no caso brasileiro a demora “é produto do rechaço que Chávez gera em vários setores da principal potência econômica da região”.

“A situação se agravou há algumas semanas, quando Chávez acusou o Senado brasileiro de repetir “como papagaios” as posições dos Estados Unidos, depois de receber um documento dos legisladores que pedia a reabertura do canal venezuelano RCTV”, diz o jornal.

Segundo o diário, “alguns analistas críticos de Chávez sustentam que o tratamento do protocolo no Brasil se congelou pela disputa, mas o certo é que a situação já vinha atolada”.

Edemar Cid Ferreira e Ricardo Mansur são condenados por Justiça Federal de SP

edemar.jpgReportagem no O Globo Online:
Os empresários Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos, e Ricardo Mansur, ex-presidente do banco Crefisul e que também foi prietário da Mesbla, foram condenados nesta quinta-feira pela Justiça Federal de São Paulo à pena de quatro anos e oito meses de prisão pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal do estado.

Eles também também terão que pagar multa de R$ 3.672 milhões, por “operações ilícitas de empréstimo financeiro” para beneficiar empresas controladas por eles próprios.

De acordo com o juiz, o Banco Excel Econômico concedia, por meio de empresas intermediárias, empréstimos financeiros a companhias pertencentes a diretores e executivos de seu próprio quadro. A constatação é de que foram usadas empresas do Grupo Crefisul e o próprio Banco Crefisul, cujo diretor-presidente era Ricardo Mansur.

“As operações consistiram de empréstimos triangulares, em que o Banco Excel Econômico S/A concedia empréstimos às empresas pertencentes ao Grupo Crefisul e, concomitantemente, o Banco Crefisul S/A celebrava contratos de mútuo, nos mesmos valores e condições, com empresas do Grupo Excel”, explica o juiz em sua sentença.

Também foi condenado a cinco anos e cinco meses o empresário Ezequiel Edmond Nasser, que terá que pagar uma multa de R$ 4,284 milhões. Ele ocupava o cargo de presidente do extinto Excel Econômico.

A denúncia fala de quatro grandes operações consideradas ilícitas, como um empréstimo de R$ 10,112 milhões entre o Banco Excel Econômico a Usina Albertina S/A e a Ezibrás Factoring Sociedade de Fomento Comercial. Na época, o Excel tinha como presidentes-diretores Ezequiel Edmond Nasser e Jacques Nasser, sócios da Ezibrás.

A sentença também cita uma outra operação de R$ 15 milhões entre o Excel Econômico, três empresas do Grupo United (presididas por Ricardo Mansur), Banco Crefisul (presidido por Ricardo Mansur), a Ezibrás e a Compugraf Serviços.

Em 1998, o Excel também renovou um empréstimo com as empresas do Grupo United, no valor de R$ 20,7 milhões.

A denúncia envolvendo o banco Santos dá conta de um empréstimo de R$ 2 milhões com a Excel Administradora de Cartões, que tinha participação do próprio Excel. Na época, o banco abriu um crédito de R$ 2 milhões à Santos Seguradora.

Mesmo com falhas, Safari chega a um milhão de downloads

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Mais de um milhão de usuários do Windows fizeram o download da nova versão do navegador Safari lançado pela Apple na última segunda-feira, segundo dados da empresa. Com um total de 18 milhões de usuários, o Safari fica bem atrás do Internet Explorer – presente em quase 66% dos computadores com acesso a Web – e do Firefox, que cresce exponencialmente a cada versão lançada.

O alto número de downloads do Safari para Windows é surpreendente já que poucas horas depois de ser lançado foram encontradas falhas de segurança no programa – tem gente que acha que pelo menos metade dos downloads foi feito por curiosos e hackers afoitos por encontrar brechas no software.

Exageros à parte, a verdade é que pelo menos nove falhas foram encontradas no navegador. A Apple preferiu não perder tempo e lançou ontem um pacote de atualizações. A versão atualizada do Safari pode ser baixada aqui.

Além do problema da segurança, o Safari promete ser o navegador mais rápido “em qualquer sistema operacional”. O pessoal do Wired testou a velocidade do Safari no Google Calendar e em duas páginas Gmail e comparou com o Firefox 2 e o IE 7. A conclusão é que, também neste quesito, o Safari não cumpre o que diz. O mais rápido em todas as situações é o Firefox 2, que empata em rapidez com o IE 7 em uma das páginas do Gmail.

Fonte: TNOW

Crescimento chinês de 11,1% assusta

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De O Estado de S.Paulo, hoje:
“Dois importantes indicadores divulgados ontem pela China mexeram com os mercados no mundo todo. Um deles foi o Produto Interno Bruto (PIB) relativo ao primeiro trimestre, que se expandiu 11,1% em relação a igual período do ano passado. Outro foi o Índice de Preços ao Consumidor, que registrou alta de 3,3% nos 12 meses encerrados em março. A meta do governo é de 3%. Os números deixaram claro para os analistas que o gigante asiático terá de desacelerar o ritmo de crescimento econômico. E fará isso por meio de novos apertos na política monetária.” Leia mais aqui