Archive for the ‘Jornalistas’ Category

Boa notícia: você já pode dar ‘sapatadas’ em Bush

bushshoes

Foi ao ar, nesta segunda (15), uma brincadeira divertida. Propicia a qualquer um o gostinho de atirar sapatos na cara de George Bush. Oferece-se aos navegantes duas vantagens sonegadas ao inspirador do jogo, o repórter Muntazer al-Zaidi, da TV Al-Bagdadia, sediada no Egito:

1. Mesmo quem tem má pontaria acaba acertando o alvo.

2. Ninguém corre o risco de ser agarrado por agentes do serviço secreto americano.

Cada rodada dura 20 segundos. Nesse intervalo, você pode alvejar Bush tantas vezes quantas conseguir.

Basta pressinar a o mouse na imagem do repórter. O signatário do blog alcançou logrou acertar 11 sapatadas. Marca insignificante. Houve quem acertasse 54.

Nesta segunda (15), o gesto do atirador de sapatos ganhou as manchetes do mundo. No Iraque, milhares de pessoas foram às ruas. Pediram a liberação do jornalista, que continua preso.

Também as mulheres americanas do Code Pink, grupo pacifista que se opõe à guerra no Iraque, se solidarizam com Muntazer. Vão levar sapatos à Casa Branca nesta quarta (17).

A eleição do democrata Barack Obama já deixara claro que a relação de Bush com a opinião pública se esmigalhara.

Faltava um símbolo para a ruína. Os sapatos de Muntazer al-Zaidi supriram essa lacuna.

Vi no blog do Josias

Anúncios

Jornalista iraquiano joga sapatos em Bush, mas erra o alvo

Um jornalista iraquiano jogou neste domingo seus sapatos contra o presidente americano, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva realizada em Bagdá junto ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

Quando Bush se dirigia aos jornalistas foi interrompido na terceira fila pelo correspondente do canal de televisão Al Baghdadi, que se levantou com um sapato na mão e se o jogou enquanto, aos gritos, chamava de “cão” o presidente americano, que conseguiu se esquivar. Imediatamente depois, o jornalista iraquiano lhe jogou seu outro sapato — e de novo errou o alvo.

Após o ataque, os membros da equipe de segurança renderam o agressor, o detiveram e o tiraram da sala, segundo testemunhas presentes na entrevista coletiva.

— Este tipo de fato não me preocupa, quem os faz quer chamar a atenção — disse Bush após o incidente.

No Iraque, como em grande parte do mundo árabe, jogar um sapato é uma das maiores ofensas que se pode cometer contra outra pessoa, da mesma forma que chamá-lo “cão”.

Fonte: Agência EFE

Ensaio sobre a surdez

foto-michel-filho
Não quero ouvir os tiros.
Também não quero ouvir a indignação.

Não se choquem com esse flagrante pornográfico da violência urbana. Por favor, não façam um relatório. Não chamem a Anistia Internacional. Não acionem os burocratas. Não transformem minha dor num projeto de lei.

Estou bem na foto. Estou protegendo os meus sentidos.

Se na próxima passagem desse revólver pela porta da minha casa acontecer o pior, talvez vocês nem fiquem sabendo. É normal que não sintam a minha falta. Também não sentirei falta da indignação de vocês. Se ela morrer, assim como eu, tanto faz.

Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, faça uma boa ação. Delete um email de solidariedade hipócrita, sem passá-lo adiante. Deixe um pregador “progressista” falando sozinho. Salve alguém de ler um paper da ONU.

Não assista ao show de algum artista decadente em benefício das criancinhas da África.

Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, desconfie da indústria da indignação e da comiseração. Não compre pacotes prontos de bondade. Desempregue um despachante da dor alheia.

Tente fazer ou, ao menos, sentir alguma coisa você mesmo, sem intermediários. Se não conseguir, não faça nada. Será melhor.

Discurso imaginário de uma criança no morro da Mangueira, Rio de Janeiro, fotografada por MICHEL FILHO em 5/12/2008.

Guilherme Fiúza, Jornalista.

Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

fotomenino
Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.

Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.

Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.

Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.

Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?

Kibado do blog do Jorge Antônio Barros

Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO

A imaginação que Deus me deu é coisa do Diabo

Walter Navarro escreve para o jornal O Tempo (BH). Adoro humor presente em suas crônicas. Abaixo segue um bom exemplo.

Sábado ouvi do galináceo Jayme Reis frase deliciosa: “Só os que desistem conseguem”. Aí peguei carona com outro amigo, Roberto Brant, ensinando o caminho de um restaurante à linda Ana de Castro que, meio perdida, o seguia: “Mulher que não sabe o caminho já é meio caminho andado”. Genial também, né? Só discordo da definição. Aninha, filha do grande Amilcar de Castro, é uma escultura ambulante; não é só uma mulher44, mas enorme área de lazer, perfeito parque de diversões. É o que imagino… Só imagino. Tô mais perdido que calcinha em missa de sétimo dia, quer dizer, em suruba. Sem inspiração, vivo mendigando frases alheias: “Ei você aí, me dá uma piada aí…”. Quem sou eu pra chegar perto de Aninha e suas amigas! A última mulher que penetrei foi a estátua da Liberdade. Mentira, nunca fui a Nova York. A última mulher que peguei me deu um papelzinho e acrescentou: “Tá sem os 10%…”.

Mentira, nunca fui ao Café Photo de São Paulo. A única coisa que faço ultimamente é comprar frango. E ver TV. Já repararam que, em todo filme, na cena de enterro, o padre fala a mesma coisa? “Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e teu cajado me consolam”… É ruim, heim! Que papo é esse, meu? Vara, cajado consolando na sombra? Tô fora! Ando tão down que outro dia, conversando com um Prozac, ele começou a chorar. Corro tão masoquista que hoje à noite vou pra Blumenau, mas só se chover. E tem aquela ótima do masoquista que suplica: “Me bate!”. E o sádico: “Não!”. Só dói quando eu rio. Aí morri de rir e de dor com o hino e o bordão daquela propaganda da Embratel: “Empresário masoquista, resista!”. Não cheguei a trocar a banda larga da Internet pelo telefone e as filas, mas ainda chego lá e vou pedir: “Isso, bate mais, bate mais forte, Dona Lurdinha!”. E aquele comercial do novo Voyage, com o Sepultura cantando Bossa Nova? “O coquinho caiu na areia da praia, um dia levou-o pra dentro do mar…”. Melhor, só goteira de esgoto na cabeça.

Sofrimento maior e melhor, só esperar Godot, esperar e-mail que não chega; mensagens com um lacônico “oi”, telefonemas mudos ou dizendo que “foi engano”, aviso de caixa-postal cheia, cartão-postal do Robinson Crusoé saudoso. Melhor, só e-mail com tantas palavras ocas, fora de si, de um suburbano coração: “C’est fini; c’est fini”. Tantas palavras, que eu conhecia e já não falo mais, jamais. Quantas palavras, que ela adorava, saíram de cartaz. Nós aprendemos palavras duras, como dizer perdi, perdi, palavras tontas, nossas palavras. Quem falou não está mais aqui. Ainda bem que não estou sozinho neste vale de lágrimas, vejam o que meu amigo Chico disse pra ex-namorada: “Dei prá maldizer o nosso lar. Pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso, só pra mostrar que ainda sou teu”. Que delícia! Martelada no polegar! Injeção na testa!

Pau no liquidificador! Hummm… Mas podia ser pior: “Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei e me arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu peito, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, sem carinho, sem coberta, no tapete atrás da porta”. Além de descobrir que a “ex” tá nem aí pra ele, o infeliz ainda percebe que os cabelos eram peruca, o peito, de silicone, o pijama, do Ricardão, e o tapete tava cheio de poeira e pêlos. É como ter as unhas arrancadas por alicate no filme “O Albergue”. Um deleite. Mas tem coisa pior: discutir peça e orçamento de carro com mecânico. Pedir segunda via em repartição púbica. Ou então o beijo de Judas, da Mulher-Aranha ou com gosto de cebola… Melhor só a mão nas costas subindo as escadas, a punhalada final de Brutus, o bafo quente na nuca, a unha no calcanhar, um torturante band-aid no guaraná, a vara, o cajado nas sombras.

Qual a pior tortura? A fila que anda ou a do SUS? O lacônico “oi” ou a tese final, fatal dentro de uma garrafa nadando no mar a caminho da nossa Guantánamo de cada dia, a ilha de “Lost” sem Papillon? Reza a lenda que numa bela tarde de 1472, em Florença, Leonardo da Vinci deixou seu ateliê e foi à praça principal comprar frango. Lá chegando, deparou-se com multidão incontável. Todos querendo frango. Leonardo, baixa estatura, mas mentalmente da altura dos píncaros, começou a pular e a gritar, levantando o indicador: “Um frango, eu quero um frango”. Num átimo de segundo, o gênio renascentista mudou de idéia: “Não, um não, eu quero dois, dois frangos”. PS: Judia de mim, Dona Lurdinha!

Que time é teu?

O repórter Sandro Gama da Band deu bobeira. Na espera da coletiva do Vasco da Gama ele pegou o microfone e… Não vou contar não. Veja você mesmo. Ô imprensa esportiva brasileira VAGABUNDA.

Esclarecido o caso Eloá

Deputados de esquerda já descobriram o culpado pelo assassinato da adolescente Eloá: foi a imprensa.

Uma audiência pública na Câmara, em Brasília, vai botar no paredão os editores dos principais veículos de comunicação. A tese é que a avidez e o sensacionalismo da imprensa atrapalharam as negociações da polícia com o seqüestrador.

Segundo o deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo, as autoridades não conseguiam contato com Lindemberg Alves porque ele passava horas ao celular com repórteres de rádio e TV.

Pelo visto, além da imprensa, a culpa pelo desfecho trágico do seqüestro é também da telefonia móvel. Vai ver a invasão desastrada da polícia foi decorrente de alguma linha cruzada.

Em outros tempos, Lindemberg seria deixado em paz com sua dor-de-cotovelo explosiva, seu inconformismo com as coisas da vida, sua loucura dissimulada. Nada de entrevistas. Aí, na cabeça dos deputados de esquerda, ia dar tudo certo.

Pode ser. Ou também pode ser que o monstro manso executasse sua vítima antes. Ou seja, pode ser tudo, em se tratando de monstruosidade.

A polícia cansou de falar com o seqüestrador. Deu tempo dele dizer que estava tudo bem, que estava tudo mal, que estava tranqüilo, que estava deprimido, que não ia matar ninguém, que ia matar todo mundo. Mas a esquerda acha que o problema foi a imprensa.

“Queremos discutir a concessão de serviços públicos”, avisou o deputado Valente. Lá vai a mídia burguesa para a berlinda dos revolucionários.

Essa turma ainda vai descobrir que quem matou Eloá foi o capitalismo selvagem.

Retirado do blog do Guilherme Fiuza.

Polêmica com o STF – Juiz Fausto De Sanctis

Deixo a vocês o julgamento das palavras do Juiz Fausto De Sanctis. Neste caldeirão não meto minha humilde colherzinha. Afinal se for verdade que os “hômi” grampearam o Presidente do STF Gilmar Mendes, o que fariam então com um pobre blogueiro? Hein? Não quero nem saber.

Parte 1

Parte 2

Afinal de quem é a Record News?

Saiu na coluna do Daniel Castro na Folha de hoje:

“Em editorial lido ontem no “Jornal da Record”, a Record atacou a Globo, acusando-a de ter feito “uma operação covarde e leviana para impedir o sucesso do lançamento da Record News”, com a presença do presidente Lula, na última quinta. A Record disse que a Globo sempre operou no “subterrâneo do poder constituído” e que já usou “o Brasil e os brasileiros para os seus interesses mais vis” (…)

Segundo a Record, o editorial foi uma resposta à “pressão desesperada” que a Globo fez nos bastidores, na semana passada, para sensibilizar ministros de que a Record News é uma operação ilegal, já que a Record tem dois canais abertos na cidade de São Paulo.
(…)
A Record negou que a Record News seja irregular. A legislação proíbe uma mesma pessoa ou entidade de explorar “mais de uma outorga do mesmo tipo de serviço de radiodifusão na mesma localidade”. A Record diz que a TV Record de São Paulo é do bispo Edir Macedo, mas a Rede Mulher, nome oficial da Record News, não.”

A Globo respondeu com uma nota dura: “Esse ataque leviano não chega a ser surpreendente: é de se esperar que um grupo que lucra pela manipulação de fé religiosa queira também manipular a opinião pública.”

recordnews.jpg

Afinal, se o bispo Edir Macedo não é o dono porque discursou na inauguração e apertou o botão dando início as operações?

O que ensinam às nossas crianças

Artigo do jornalista Ali Kamel, no Globo de hoje, está gerando o merecido barulho.

Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série” distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.

Sobre o que é hoje o capitalismo: “Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.”

Sobre o ideal marxista: “Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.” Sobre Mao Tse-tung: “Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador.”

Sobre a Revolução Cultural Chinesa: “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (…) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (…) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (…) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes “politicamente esclerosados”. (…) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: “Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.” As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”

Sobre a Revolução Cubana e o paredão: “A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular.” Sobre as primeiras medidas de Fidel: “O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%.” Essas medidas eram justificadas assim: “Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde.”

Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: “Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (…) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?”

Sobre os motivos da derrocada da URSS: “É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (…) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas… Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (…) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (…) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (…) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?”

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?

Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

Capa da Isto É

capaistoe.jpg