Archive for the ‘Geral’ Category

Cansado desta sua vida capitalista e vazia?

Insatisfeito com a situação da sua faculdade, do seu país, da sua vida e até da vida dos outros? Você tem vontade de salvar o mundo, mas as pessoas normais só querem ganhar dinheiro? Não basta apenas fazer um protesto, organizar um plebiscito ou panfleter nos corredores. Você precisa de mais. Você precisa do novo e inigualável kit Left Revolution. Você que está aí sentado, me assistindo agora, eu sei, você sente aquele vazio no peito, o tédio te consumindo. Eu sei, você não tem mais o que fazer. Hoje eu venho aqui lhe apresentar a solução par a sua falta de problema: o Kit Left Revolution. O kit vem equipado com tudo o que você precisa para se tornar um verdadeiro líder de esquerda. O kit vem com megafone, barba malfeita, um tônico capilar para seus pêlos e cabelos crescerem, uma resenha do Manifesto Comunista, para não precisar ler o livro inteiro, bandeira do MST, camisetas e adesivos do Che Guevara, uma filiação ao PSOL e um bloco com cinco discursos contestadores prontos para proteger você de suas próprias gafes (…)

Vi no blog do Reinaldo Azevedo

Anúncios

Como diz Lula, “Acho que o Obama Sifu”

blagovich-obamaPor Andrea Murta, na Folha

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pediu ontem a renúncia do governador do Estado de Illinois, Rod Blagojevich, um dia após ele ser detido por promotores federais sob acusações de corrupção. Segundo a investigação, Blagojevich tentou vender a vaga de Obama no Senado -os opositores do presidente eleito tentam implicá-lo no escândalo.
“Se tornou difícil para o governador fazer seu trabalho com eficiência e servir ao povo de Illinois”, disse em comunicado um porta-voz de Obama.

“O presidente eleito acredita que a Assembléia [do Estado] deva (…) estabelecer um processo para selecionar um novo senador, que tenha a confiança do povo de Illinois.”

Democrata como Obama, Blagojevich, solto sob fiança, ainda é o governador em exercício e mantém o direito de indicar o sucessor do presidente eleito no Senado. Além de leiloar a vaga, o governador foi acusado de pedir propinas e de pressionar o grupo do jornal “Chicago Tribune” a demitir funcionários críticos a ele.

Investigadores afirmam ter gravado conversas de Blagojevich que comprovam as acusações, mas o governador nega qualquer ação ilegal. Ao mesmo tempo, Obama, que não foi implicado na investigação, está enfrentando crescente especulação sobre suas relações com esquemas de corrupção em Chicago.

O presidente eleito negou qualquer contato com a equipe de Blagojevich para discutir seu substituto no Senado. Mas a negativa contraria declarações anteriores de seu assessor sênior, David Axelrod, que, no mês passado, disse que Blagojevich e Obama discutiram nomes para a vaga. Na terça, Axelrod disse em nota que “se enganou” e que “eles não discutiram o assunto na época nem em qualquer outra ocasião”.

As explicações, por enquanto, não acabaram com os ataques de opositores do eleito. “A seriedade dos crimes listados pelos promotores federais levanta questões sobre as interações entre o governador Blagojevich, (…) Obama e outros funcionários de alto escalão que trabalharão para o futuro presidente”, disse o deputado republicano Eric Cantor.

Lindo texto anônimo

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:
 
COMEÇAR DE NOVO

“Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo”.

Terceiro colocado na eleição pode virar prefeito no Norte de Minas

fotocandidato Baltazar(PT/MG)

Luiz Ribeiro para o Estado de Minas

O vencedor da eleição para a Prefeitura de Francisco Sá, no Norte de Minas, o ex-prefeito Antônio Soares Dias (PTB), e o segundo colocado no pleito, o atual ocupante da cadeira, Ronaldo Ramon de Brito (DEM), tiveram os registros de suas candidaturas indeferidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira. Assim, o terceiro lugar, Baltazar Azevedo (PT), com apenas 580 votos, pode assumir o posto. O município, distante 471 quilômetros de Belo Horizonte, tem 23,8 mil habitantes e 18.648 eleitores.

Dias e Ramon de Brito ainda podem recorrer da decisão, mas Azevedo já sonha em ser empossado como prefeito em janeiro. Na quinta-feira, ele teria contratado um advogado para entrar com uma liminar para tentar garantir sua diplomação.

Na quinta-feira à tarde, a assessoria do Tribunal Superior Eleitoral informou que os candidatos têm o prazo de três dias para recorrer da decisão. Caso não façam isso, o TSE vai encaminhar o resultado do julgamento ao juiz eleitoral da comarca, que vai tomar uma decisão definitiva. A tendência nesse caso seria marcar uma nova eleição, pois 92% dos votos da eleição de outubro em Francisco Sá seriam considerados nulos.

Antônio Dias e Ramon de Brito tiveram suas candidaturas impugnadas pelo Tribunal Superior Eleitoral a três dias da eleição de 6 de outubro, por causa de irregularidades em suas prestações de contas durante administrações na prefeitura. Eles entraram com recursos no TSE, o que possibilitou que disputassem o pleito, ficando na dependência de novo julgamento por parte do Tribunal. Mas, na terça-feira, o ministro relator Félix Fischer rejeitou os pedidos de registro das duas candidaturas.

Antônio Soares Dias administrou o município por dois mandatos seguidos (entre 1997 e 2004). Ele teve as prestações de contas dos anos de 2000 e 2001 rejeitadas pela Câmara de Vereadores de Francisco Sá, por causa de irregularidades consideradas insanáveis. Entre elas, o desrespeito ao limite constitucional de transferência de recursos à Câmara. No recurso apresentado ao TSE, o ex-prefeito alegou que obteve na Justiça decisão favorável em relação às contas do exercício de 2000. Sobre as de 2001, ressaltou que uma ação continua em tramitação na Justiça, não tendo sido ainda concedida liminar ou decisão que adiante, total ou parcialmente, os efeitos do julgamento de mérito do processo para suspender a decisão.

Gestão
O atual prefeito, Ronaldo Ramon de Brito, teve rejeitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a prestação de contas de convênio firmado com o Ministério da Agricultura, em 1991, em sua primeira gestão à frente da Prefeitura de Francisco Sá, visando a conclusão do matadouro municipal. Ele alegou que o problema na prestação de contas pode ser sanado.

Porém, o ministro Félix Fischer não acatou as manifestações. Ele afirmou, em ambos os casos, que a concessão de liminar contra decisão que rejeitou contas deve ser obtida na Justiça antes do pedido de registro do candidato para que possa eliminar sua inelegibilidade.

De acordo com nota divulgada pelo TSE, o ministro afirmou que, em relação às contas de 2001, não há notícia nos autos de que Antônio Dias tenha obtido provimento judicial definitivo nem liminar que suspendesse os efeitos causados pela rejeição das contas daquele ano. Na decisão referente ao recurso de Ramon de Brito, Fischer afirmou também que os autos do processo não informam sobre qualquer provimento judicial definitivo ou liminar que tenha suspenso os efeitos da rejeição de suas contas pelo TCU.

Mapa descreve onde e como vivem os pobres mais pobres do Brasil

Lisandra Paraguassú para o Estado de São Paulo

Os pobres mais pobres do Brasil estão onde o assistencialismo público equivale a pouco mais do que uma esmola social e o trabalho assalariado praticamente inexiste. A combinação desses dois fatores com a baixíssima escolaridade faz do Amazonas o Estado com a pior situação de miséria, seguido do Pará e Maranhão. Nove dos 10 municípios com os muito pobres do Brasil são da Região Norte.

Esse mapa sobre como vivem e onde vivem os miseráveis brasileiros, a que o Estado teve acesso com exclusividade, foi montado pelo Ministério do Desenvolvimento Social com a ajuda do Cadastro Único, um monumental estoque de informações sobre as famílias assistidas pelo Bolsa-Família. Para organizar esses dados, o governo criou o Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), que será apresentado amanhã.

O IDF juntou seis itens – vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação – e revela que onde chega o assistencialismo, mas não há políticas públicas articuladas, o presente dos pobres é quase igual ao passado.

É assim em Jordão (AC), cidade de pouco mais de 6 mil habitantes, espalhados por mais de 5 mil quilômetros quadrados na fronteira com o Peru. No IDF, Jordão divide com Uiramutã (RR) o título de município onde a população pobre enfrenta mais dificuldades – tem 0,35 em um índice que vai de zero (o pior) a um. Colonizada na época áurea da extração da borracha, Jordão quase desapareceu com o fim do ciclo, na década de 80.

“O governo nunca se preocupou conosco. Quando a borracha acabou, ficamos sem nada. Sem emprego, sem produção, sem educação”, diz o prefeito da cidade, Hilário de Holanda Melo (PT), que acabou de ser reeleito. “Estamos aqui sentados guardando a riqueza da floresta e mergulhados na pobreza.”

Analfabetismo
Jordão também tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País e mais de 60% da população é analfabeta. A economia restringe-se à agricultura de subsistência e ao extrativismo vegetal. Não tem saneamento ou tratamento de esgoto e a energia vem de um gerador. Para chegar até lá, só de barco ou avião – caso típico de Estado ausente até por falta de infra-estrutura.

“Não é o fim do mundo não, minha filha. Uma hora e meia de avião ou 18 horas de barco se chega a Rio Branco”, diz o prefeito. Reconhece, no entanto, que a falta de acesso prejudica qualquer tentativa de desenvolver o turismo, artesanato ou outro tipo de produção local. É o retrato extremo de realidade que o Bolsa-Família sozinho não muda.

O que o IDF mais expõe, porém, não é a falta de infra-estrutura viária. Os piores são os indicadores de acesso ao conhecimento – presença de analfabetos ou pessoas com menos de quatro anos de estudo na família – e ao trabalho, que leva em conta pessoas ocupadas com rendimento acima de um salário mínimo, os piores na maior parte dos municípios. “São as pessoas que têm muitas dificuldades por conta da sua própria condição de pobreza”, explica a secretária de Renda e Cidadania, Lúcia Modesto.

O indicador que trata de trabalho é o que mais revela essas dificuldades. Em 61 municípios, o IDF relacionado ao acesso ao trabalho é 0. E, se é dominada pelos Estados mais pobres do País, a lista inclui cidades em Minas, Rio, Rio Grande do Sul e Goiás. Em mais de 3 mil municípios, o índice é de 0,05, na escala que vai até 1.

Isso significa que praticamente ninguém, dentre as famílias mais pobres dessas localidades, têm emprego formal ou mesmo fixo fora da agricultura de subsistência. E, mesmo que procurem, terão muita dificuldade em encontrar algo que os ajude a sair da dependência de programas como o Bolsa-Família.

Gastos
Nas cidades em que os pobres são mais pobres não há trabalho. Apesar da universalização recente do acesso à escola, a geração de jovens e adultos ainda foi pouco além das primeiras séries do ensino fundamental. E, na maior demonstração de que ali está a pobreza marginalizada, mora-se muito mal. Há excesso de gente habitando casas precárias, sem saneamento, água tratada, esgoto, coleta de lixo ou mesmo eletricidade.

Há cerca de um mês, um estudo apresentado pelo professor Carlos Monteiro, da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), em um seminário sobre alimentação, mostrou que a única região do País onde a desnutrição infantil ainda permanece alta (14%) é o Norte. A falta de saneamento é o problema: com diarréia crônica, causada por água mal tratada, as crianças não absorvem nutrientes.

Entre as capitais brasileiras, onde o Estado brasileiro está mais próximo, a situação é um pouco melhor. Não há nenhuma capital entre os 500 municípios com piores IDFs. Macapá (AP) e Porto Velho (RO) têm as piores situações, com IDF 0,48. Mas Belém (PA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC) aparecem com 0,49 apenas. São Paulo, a cidade mais rica do País, tem um IDF de 0,55, igual ao de Teresina (PI), Natal (RN) e Aracaju (SE). Curitiba e Salvador são as melhores capitais, com 0,59 e 0,58, respectivamente.

Manchetes do Dia

Globo: BB compra a Nossa Caixa e busca liderança

Folha: BB Compra Nossa Caixa por R$ 5,4 bi

Estadão: BB compra a Nossa Caixa e negocia mais dois bancos

JB: País em alerta contra dengue

Estado de Minas: Vereadores definem a prioridade em BH

Manchetes do Dia

Globo: EUA têm a maior queda dos preços desde 1947

Folha: Serra propõe novo critério para promoção de servidor

Estadão: PF já tem elementos para pedir nova prisão de Dantas

JB: Crise freia a Petrobras

Correio: Trânsito, o vilão da mortalidade infantil

Estado de Minas: Empresas investem em Minas apesar da crise

Hoje em Dia: Crédito mais fácil triplica o calote

O Norte: Athos quer cinco e não 17 nomes na equipe de transição

Lula encontra Felipão. Oh coitado!

Lula e FelipaoDepois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem (18/11), o técnico do Chelsea, Luiz Felipe Scolari, elogiou o trabalho de Dunga na seleção brasileira e disse que não é candidato a ocupar o seu lugar. Scolari presenteou o Presidente Lula com uma camisa do Chelsea. Pobre coitado, tanto tempo fora do Brasil e os amigos devem tê-lo abandonado. Só isso para deixar o Felipão visitar o maior pé-frio brasileiro. Vejam abaixo suas últimas “realizações”:

1. Campeão, o tenista Gustavo Kuerten presenteou-o com uma raquete e nunca mais foi o mesmo.

2. O boxeador Popó jamais venceu uma luta importante após presentear o petista com seu par de luvas.

3. O mega-star Lenny Kravitz até sumiu do show-business após presentear o petista com sua guitarra famosa.

4. O presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, foi ao Palácio do Planalto levar uma camisa do time, às vésperas da decisão da Copa do Brasil, em 2007, e na final aconteceu o que parecia impossível: perdeu o título para o Figueirense, em pleno Maracanã, com dois gols roubados pela bandeirinha.

5. O Corinthians caiu para a segundona, logo depois do petista ser homenageado pela diretoria do clube com uma camisa 10 e seu nome grafado.

6. Antes de partir para a última Copa do Mundo, Roberto Carlos foi o único jogador a visitar Lula, levando para ele uma camisa da Seleção autografada pelos craques. O lateral-esquerdo ajeitava o meião quando Thierry Henry, nas suas costas, fez o gol francês que tirou o Brasil da final.

7. Após uma campanha espetacular na Copa Libertadores da América, o time do Fluminense recebeu a visita de Lula, antes da final com a LDU. O petista até posou para fotos exibindo a camisa do time. No jogo, em pleno Maracanã, o Flu perdeu três pênaltis e o título.

8. Há algumas semanas, a antes imbatível seleção masculina de vôlei esteve com o petista. Perdeu os dois jogos seguintes diante da torcida brasileira, e o título da Liga Mundial.

9. Lula, a caminho de Pequim, disse que estava levando a sua ‘bênção’ para o maior favorito brasileiro nos Jogos Olímpicos, Diego Hypólito. Deu no que deu…

Se um dia você encontrar com ele, saia correndo…

Foto: Agência O Globo

Cara do Gato-de Botas

gato-de-botas

Sentado na semana passada com amigos na inauguração do buteco Oficina do Espeto, onde a melhor opção do cardápio é uma kafka recheada, discutíamos sobre a situação dos servidores da prefeitura e aí, ouvi uma expressão interessante: cara de gato-de-botas. Realmente os funcionários da prefeitura, tanto efetivos como comissionados, se dividem em três caras: os que votaram abertamente em Tadeu Leite e estão rindo à toa; os que votaram abertamente em Athos Avelino e estão chorando à toa; e os com cara do gato-de-botas. A expressão é esta aí em cima, da gravura. Esses são aqueles que certamente votaram no Athos mas como não podem ficar sem uma boquinha ou são incapazes de seguir em frente ficam rodando os Tadeusistas contando os segredos do passado e dizendo-se perseguidos, obrigados a balançar bandeira na rua, humilhados, na esperança de continuar. Na minha humilde opinião são os piores. Grande parte possui como característica marcante o puxa-saquismo aliado à incompetência natural. De natal desejo a eles um bom pé nos fundilhos. Ho ho ho!!!

Zé Côco direto do Oficina do Espeto
PS: O bar fica na rua lateral ao Parque Municipal, sentido Morada do Parque.

Kibado do Política de Buteco

O dilema do Juiz De Sanctis

Por Fausto Macedo, no Estadão:

Fustigado por uma penca de habeas corpus e mandados de segurança – 22 medidas que visam seu afastamento imediato e questionam sua imparcialidade -, Fausto Martin De Sanctis, o juiz da Satiagraha, enfrenta dilema profissional: acaba amanhã o prazo que ele tem para se inscrever no processo de promoção e conquistar uma vaga de desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

A oportunidade é rara e poucos são os juízes que desprezam a ascensão – nem tanto pelo holerite, que incorpora reajuste de 5%, e mais pelo que oferece em prestígio, poder e distinção.

Há 17 anos na carreira, e há 17 anos na 6ª Vara Criminal Federal, De Sanctis não está nem um pouco à vontade. A escolha é difícil e o atormenta. Mal consegue pregar os olhos à noite, confessa a amigos. A dúvida do magistrado pauta as rodas de conversa no tribunal. Se ficar, dirão que tem obsessão por Daniel Dantas, o banqueiro que é objetivo maior da Operação Satiagraha. Se for, abrirá mão de uma rotina que o deixa realizado.

O TRF 3 é o maior dos cinco tribunais regionais, com jurisdição em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Aloja 43 desembargadores. No momento, duas vagas estão livres, uma por aposentadoria, outra por morte. Uma cadeira pelo critério da antiguidade pode ser do juiz.

Faz um mês que esse drama o persegue. O edital de promoção foi publicado pelo TRF dia 17 de outubro. O prazo para as inscrições esgota-se nesta terça. Em meio à estupenda papelada – 500 processos e 900 inquéritos federais de sua alçada -, o magistrado ora se convence da importância da promoção, ora fica dividido e recua. Quando se imagina no caminho certo, outras idéias e preocupações mexem com sua cabeça – no colegiado será apenas mais um e o seu voto poderá não ser decisivo, como hoje o é, ainda que no primeiro grau, na vara especializada em ações sobre crimes financeiros. Assinante lê mais aqui.

Capa da Veja – 16/11

Capa Veja