Archive for the ‘Energia’ Category

Ação contra jornal alarma Equador

As recentes pressões do presidente equatoriano, Rafael Correa, contra a imprensa de seu país revelam um quadro preocupante no que se refere à liberdade de imprensa em mais uma nação latino-americana. As relações entre o presidente equatoriano e os meios de comunicação estão estremecidas desde maio, quando ele resolveu abrir um processo contra o diretor-presidente do jornal La Hora, Francisco Vivanco, por um editorial que dizia que Correa governava com ‘tumultos, pedras e paus’. ‘Esse processo mostra uma escalada de violência por parte do governo, que vem desqualificando permanentemente os meios de comunicação no país’, afirmou Vivanco, por telefone, ao Estado. De acordo com o presidente do La Hora, toda a imprensa equatoriana viu o episódio como uma ameaça clara à liberdade de expressão no Equador.

O Estado de São Paulo

Anúncios

Paraguai pode seguir caminho da Bolívia, diz jornal

capa_jornal.jpg

Um editorial do jornal paraguaio ABC Color afirma nesta terça-feira que o país pode seguir o caminho da Bolívia, país que nacionalizou recentemente suas reservas de gás natural, em meio a atritos com o Brasil. O texto é o terceiro consecutivo em que os editorialistas destacam reivindicações paraguaias de renegociar o acordo bilateral da hidrelétrica de Itaipu, assinado durante os regimes militares dos anos 1970.

Diante da recusa brasileira em rediscutir o acordo, o jornal afirma que “está se dando no Paraguai o mesmo processo que na Bolívia ou no Panamá” – no último caso, uma alusão a episódios violentos que, nos anos 1960, evidenciaram a necessidade de os Estados Unidos devolverem a soberania panamenha ao canal que até então dominavam.

“Itaipu é para nós o problema do Canal do Panamá e dos hidrocarbonetos bolivianos ao mesmo. Em 1973, o leão brasileiro realizou a negociata de Itaipu com seu capanga, o ditador Alfredo Stroessner, ao assinar um tratado por si só infame já naquela época, em relação à maneira como concordaram na distribuição dos benefícios (95% para o Brasil, 5% para o Paraguai)”, diz o jornal.

Para o ABC Color, o “povo paraguaio tem dois exemplos a seguir: o panamenho e o boliviano”. O primeiro incluiria episódios de violência como os de 1964 no Panamá; o segundo se daria de maneira pacífica, mas através de disputas como as que envolveram os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales.

A segunda opção, entretanto, “requere um fator essencial do qual neste momento nosso país lamentavelmente carece por completo: governantes patriotas, honestos e valentes”, diz o ABC Color.
 
Fonte: BBC Brasil

Evo e a Petrobras

lulaeevo.jpgPor Irany Tereza, no Estadão On Line:
O acordo selado em torno das duas refinarias da Petrobras retomadas pelo governo boliviano marca o terceiro round perdido pela empresa para a Bolívia. “Primeiro foram as mudanças na produção de petróleo e gás, com a nacionalização e o aumento de tributação; depois, veio o acordo do gás e o aumento do preço e agora, com o acordo do refino, a pauta da Bolívia se esgota de maneira prejudicial à Petrobras”, disse Felipe Cunha, analista de petróleo do Banco Brascan. Ele considera, porém, que não havia outra saída para a estatal brasileira e o prejuízo assumido pela empresa, calculado pelo mercado em torno de US$ 80 milhões – diferença entre o valor investido pela estatal e o que será recebido pelas unidades – é ínfimo diante dos resultados da companhia.

“Contabilmente, é difícil calcular o impacto, mas, com certeza, será pequeno. A capacidade total de refino da Petrobras, no Brasil e no exterior, é de 2,227 milhões de barris por dia. A Bolívia representa 2,5% disso. O prejuízo afeta muito pouco e será diluído no resultado”, disse Cunha.

Comparações
Nesta sexta-feira, 11,, a Petrobras divulga o resultado financeiro alcançado no primeiro trimestre do ano. A expectativa do mercado financeiro é de lucro entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões. O consultor Adriano Pires usa esse valor para fazer uma comparação com a pendenga boliviana. “O lucro da Petrobras em três meses será, pelo menos, 20 vezes o valor pago pelas refinarias. A decisão brasileira foi correta. A Bolívia saiu ganhando no curto prazo, talvez confiando na ajuda da venezuelana PDVSA, caso não consiga operar as refinarias. Mas, no médio prazo, sairá perdendo porque não vai mais haver investimento, as refinarias tornarão a ser sucateadas e a Bolívia vai empobrecer ainda mais”, afirmou.

A analista de um grande banco, que tem como norma não divulgar pareceres sobre negociações empresariais, comentou que, mesmo não tendo provisionado o prejuízo com as refinarias no balanço deste ano, o valor é tão pequeno que poderá ser incluído em qualquer outra provisão da estatal. “Nem quando há ameaça de interrupção no fornecimento de gás, o que é muito mais grave, essa questão da Bolívia tem reflexo no valor das ações da Petrobras. A questão das refinarias, então, não terá o menor impacto. É mais uma questão moral que financeira”, disse.

Em relatório do Brascan, o analista Felipe Cunha ressalta que a permanência da Petrobras na Bolívia acaba sendo prejudicial para a empresa. Cunha frisa que, entre os aspectos negativos vistos pelo mercado com relação à Petrobras, está principalmente a manutenção de investimentos arriscados em determinados países, “especialmente na Bolívia”. “Esses investimentos reforçam a percepção de risco político sobre a empresa”, disse. Adriano Pires destaca que o decreto anunciado pelo presidente Evo Morales no último domingo, com a apropriação do controle da venda de derivados e a fixação de US$ 30 para o barril de petróleo, praticamente zerou o valor de mercado das refinarias. “Quanto mais tempo a Petrobras permanecesse com esses ativos, mais teria prejuízo.

E, diante do nervosismo dos movimentos sociais na Bolívia, não se sabe também que conseqüências danosas e imediatas poderiam resultar de um pedido de arbitragem internacional pela Petrobras. O que o (presidente) Morales fez foi um desrespeito”, disse o consultor.

PS: Vejam vocês: FHC vendeu a Telebrás por US$ 22 bilhões e pouco tempo depois a empresa não valia nem a metade. O PT disse que a venda foi subfaturada, a preço de banana. O Lula vendeu as refinarias da Petrobras na Bolívia com prejuízo de US$ 80 milhões entre o valor de compra e os investimentos de 1999 para cá. Cadê a “turmete” gritando? Uai, onde está o grito de “entreguismo”? Cadê O José Dirceu? O Genoíno? Esse é o PT.

Bolívia reduz em 20% oferta de gás

gasbolivia.jpgJornal O tempo de hoje:
O governo boliviano anunciou ontem que vai reduzir em 20% as exportações de gás para Brasil e Argentina e justificou a medida pela produção menor do campo San Alberto, explorado pela Petrobras. O presidente da estatal petrolífera YPFB, Sebastián Daroca, afirmou que a redução das exportações foi uma medida para assegurar o fornecimento de gás para o mercado boliviano após a queda da produção autorizada no campo San Alberto de 10 a 3,4 milhões de metros cúbicos diários.

O campo é explorado por uma parceria entre a Petrobras, a hispano-argentina Repsol e a franco-belga TotalFinalElf. Segundo o executivo, a estatal vai suspender o envio de 1,2 milhão para Cuiabá, além de reduzir as exportações para São Paulo, pela Petrobras, de 24,6 milhões para 24 milhões de metros cúbicos. Leia mais aqui (link aberto)

Foto: Juan Karita/Associated Press

Fidel rompe silêncio e critica etanol em artigo de jornal

fidelchaves.jpgEm artigo que rompe um silêncio de oito meses, o líder cubano Fidel Castro criticou o cultivo de cana-de-açúcar para fabricação de biocombustível. Fidel assinou na quinta-feira no diário oficial Granma um artigo cujo título é “Condenadas à morte prematura por fome e sede mais de 3 milhões de pessoas no mundo”.

“Não é uma estimativa exagerada, é cautelosa”, afirma o líder, no texto. Nele, o líder diz que “transformar alimentos em combustíveis” mais limpos do ponto de vista ambiental é “uma “tragédia”, e “uma idéia sinistra”.

Fidel sustenta que a mudança climática deveria ser combatida com medidas simples, como o uso racional de energia, e não através do uso de recursos naturais e alimentares.

“Isto significaria um respiro para resistir à mudança climática sem matar de fome as massas pobres do mundo” Em Cuba, país cuja economia é sustentada pela cana-de-açúcar, “as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser muito mais úteis na produção de alimentos para o povo, e a proteção do meio ambiente”, escreve Fidel.

“Dêem financiamentos para os países pobres produzirem etanol a partir do milho ou qualquer tipo de alimento e não sobrará uma árvore para defender a humanidade da mudança climática”, assina.

“Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para produzir álcool, em Cuba o emprego de tal tecnologia para produção direta de álcool a partir do suco da cana-de-açúcar não constitui senão um sonho ou desvario dos que se iludem com esta idéia.”

Há oito meses, Fidel está licenciado do cargo para tratar as complicações decorrentes de uma cirurgia mal-sucedida. No artigo, Castro não fala de seu estado de saúde nem de temas de política doméstica.

Fonte: BBC Brasil

PS: O Fidel em final de carreira se transformou num marionete do Hugo Chávez

Presidente da YPFB admite irregularidades em contratos

ypfb.jpgO novo presidente da estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Guillermo Aruquipa, quarto a ocupar o posto nos 14 meses de mandato de Evo Morales, reconheceu nesta terça-feira que funcionários da empresa negociaram “unilateralmente” algumas partes dos novos contratos de petróleo, entre eles, o da Petrobras. “Alguns funcionários e assessores tomaram decisões sem consultar a autoridade superior e mudaram os anexos dos convênios”, revelou Aruquipa durante uma entrevista coletiva em La Paz.

O presidente da filial boliviana da Petrobras, José Fernando de Freitas, admitiu nessa segunda a um comitê de senadores, que os anexos do acordo entre a estatal brasileira e o governo de Morales foram renegociados dias após terem sido assinados com Manuel Morales Olivera, que até então era apenas assessor da YPFB.

Morales Olivera (que não é parente de Evo Morales) foi nomeado em janeiro presidente da YPFB e destituído 57 dias depois. Na semana passada, ele deixou o posto pelo escândalo em relação às irregularidades e aos supostos crimes detectados na tramitação dos 44 convênios firmados com doze companhias em outubro de 2006.
 
Fonte: Agência Estado

Por que Bush veio ao Brasil

josephstiglitz.jpg

Do americano Joseph Stiglitz, 64, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, em entrevista à Folha de S.Paulo, hoje:
“Por que o presidente Bush de repente “descobriu” a América Latina e a questão do álcool?
JOSEPH STIGLITZ –
Não me surpreenderia se ele tiver percebido que está perdendo a batalha para conquistar corações e mentes no planeta. Isso é mais visível na América Latina. Ele apoiou a tentativa de derrubada de [Hugo] Chávez. E a vitória de Chávez e o resultado no Equador sugerem que o tipo de política que ele tem empreendido tem sido rejeitada.

E a questão energética? Por que seria Bush o presidente a tentar reduzir a dependência americana de petróleo?
STIGLITZ –
Primeiro, Bush se convenceu dos riscos da dependência energética. Foi forçado a reconhecer o aquecimento global, e algo precisa ser feito. A combinação dessas duas coisas o levou a perceber que suas políticas passadas falharam. Entretanto, se você olhar suas políticas, elas refletem sua falta de compreensão do mecanismo econômico básico por conta de sua manipulação por grupos de interesse. Então, ele finalmente começou a falar sobre biocombustível. Ele continua a ter uma taxa de US$ 0,50 sobre o álcool brasileiro. E, se quer menos dependência em relação ao Oriente Médio, ele poderia mudar isso rapidamente eliminando a tarifa sobre o álcool brasileiro. Em vez disso, mantém a tarifa e continua a subsidiar o álcool americano, feito de milho, que é muito ineficiente.

O senador Richard Lugar acaba de apresentar proposta para reduzir a tarifas sobre o álcool brasileiro. Qual as chance de isso ocorrer?
STIGLITZ – É muito difícil dizer, porque há duas forças conflitantes. Uma é o grupo ambientalista, preocupado em reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis. Combinado a isso, há quem ache que devemos ser coerentes em nossa retórica de mercados livres e justos. Por outro lado, um sentimento protecionista continua na base agrícola. Mais do que os produtores de milho, a atuação real nisso é feita por meio de agribusiness como a Archer Daniels Midland, que é a maior produtora de álcool e que sabe que não pode competir com o álcool brasileiro. É uma grande doadora para os dois partidos. Assim, não sei a resposta para sua pergunta. Espero que os que acreditam em princípios e os que estão preocupados com o ambiente consigam superar os doadores de campanha, mas não tenho certeza disso.

Essa viagem de Bush e a agenda a seguir, com Lula indo aos EUA, significam mudança real na política em relação à AL?
STIGLITZ – Acho que a mudança na política da América Latina cada vez mais significa que Lula aparenta ser um moderado. Então, ele é a pessoa a quem vão dedicar mais atenção política, que é visto mais como estando no centro do espectro político da América Latina.”