Archive for the ‘Drogas’ Category

Capa da Veja

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Ex-PM cheira até a morte cocaína comprada de policiais fardados

O caso do ex-PM Marcelo Vieira da Silva, de 38 anos, que provavelmente morreu de uma overdose de cocaína, revela pelo menos três aspectos gravíssimos e nenhum deles tem a ver com o fato de ter transformado num inferno a vida da talentosa atriz Susana Vieira.

1) PMS TRAFICANTES – A namorada de Marcelo, Fernanda Cunha, revelou à polícia que ele adquiriu a droga das mãos de policiais militares fardados, em pleno Centro do Rio. Não é novidade a existência da sociedade entre policiais e traficantes de drogas em várias partes do país. Não é de hoje que eu ouço histórias de operações policiais montadas exclusivamente com o objetivo de apreender drogas que serão depois revendidas pelos próprios agentes da lei. Outro dia, vocês lembram, acharam cocaína dentro do alojamento de policiais do 12o BPM (Niterói). O que surpreende dessa vez é sabermos que policiais fardados estão negociando a morte em plena luz do dia, por alguns trocados.

2) TESTE ANTIDROGAS – Os sinais de paranóia demonstrados pela vítima, antes de morrer, apresentam fortes indícios de que Marcelo era um dependente químico há muito tempo. A diretora do Nepad (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas), Tereza Aquino, informou ao repórter Marcelo Dutra que só um usuário freqüente e antigo sofre da chamada “nóia da cocaína”, que são alucinações e sentimento de perseguição. A pergunta é como Marcelo – que só este ano foi expulso da PM – permaneceu tanto tempo sem que a corporação percebesse os sinais da doença. É por isso que há quem defenda que policiais sejam submetidos periodicamente a testes antidroga, o que ajudaria a detectar agentes públicos mais propensos a uma convivência absolutamente ilegal com traficantes. Eu, confesso, que ainda não tenho idéia formada à respeito. Mas é uma boa discussão. O que vocês acham?

3) FALTA DE INFORMAÇÃO – Por último, mas não menos importante, o episódio é um exemplo clássico de como o desconhecimento dos efeitos de drogas ilícitas pode impedir que um dependente seja salvo. Segundo o relato da namorada de Marcelo, ele demonstrou claros sinais de que estava sofrendo uma overdose, mas ela não o encaminhou para um atendimento médico de urgência. Achou que era apenas mais uma crise nervosa do namorado que no entanto agonizava diante dela. Não era. Naquele momento o coração e os pulmões de Marcelo estavam entrando em falência. E a causa teria sido uma só: o uso de uma droga que oferece momentos de euforia, traduzidos em muito brilho e fantasia, mas ao final leva à destruição do sistema nervoso central, num caminho sem volta.

Kibado do Repórter de crime

A notícia das próximas 72 horas no Brasil: “Morre ex-marido de Suzana Vieira”

Duas coisas a se pensar antes de publicar as matérias dos jornais online: 1) O cara era tão conhecido que mesmo depois de falecido é chamado nas manchetes, antes de seu nome, de o ex-marido de Suzana Vieira; 2) Me lembrem de nunca brigar com a Ana Maria Braga, a mulher pediu dias atrás que o cara desaparecesse da face da terra, ao vivo, no programa Mais Você.

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Agencia Estado
Ex-marido de Susana Vieira pode ter morrido de overdose
Pedro Dantas

A polícia investiga a hipótese de overdose no caso da morte do ex-policial militar Marcelo Silva, de 38 anos, ex-marido da atriz Susana Vieira encontrado morto na manhã de hoje no apart-hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. O cadáver não apresentava ferimentos ou sinais aparentes de envenenamento. Os funcionários do hotel informaram que o ex-PM morava no local com a atual companheira, a estudante Fernanda Cunha, de 24 anos. Amigos do casal já estiveram no local, mas não falaram com os jornalistas.

Folha Online
Ex-marido de Susana Vieira é encontrado morto no Rio

O ex-marido da atriz Susana Vieira e ex-policial militar Marcelo Silva foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira em frente a um flat na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

Marcelo Silva e Susana Vieira, em 2007; Marcelo foi encontrado morto hoje, no Rio. Há suspeita de overdose, segundo a assessoria da Polícia Militar. As causas da morte, no entanto, ainda serão investigadas.

Susana e Marcelo se casaram em setembro de 2006. Em novembro deste ano o casal se separou, depois de a atriz receber uma ligação da estudante Fernanda Cunha, amante de Marcelo.

Polêmico
De acordo com a coluna Zapping, recém-separado, Marcelo foi entrevistado por Sônia Abrão, na RedeTV!, e disse que traiu a esposa com Fernanda apenas porque não queria ser chamado de gay. No programa, ele disse que processaria Fernanda.

A estudante chegou a prestar duas queixas contra Marcelo em Goiânia (GO), por agressão e ameaça de morte.

Depois disso, os dois assumiram o namoro e Marcelo foi morar com Fernanda em um flat na Barra da Tijuca.

Em junho deste ano, a Polícia Militar retirou Marcelo Silva da corporação, na época, ele e Vieira não comentaram o caso, já que estavam no exterior.

O Globo
Ex-marido de Suzana Vieira morreu dentro do carro
Ronaldo Braga

O ex-PM Marcelo Silva morreu dentro do carro na garagem do Hotel Transamérica onde está hospedada sua atual namorada, Fernanda Cunha. Ele havia chegado ao local sozinho num Pólo prata por volta das 7h e não saiu do veículo. Funcionários do hotel, percebendo que havia algo de errado acionaram o Samu. Quando os para-médicos dos bombeiros chegaram constataram que ele já estava morto. Peritos estão no local.

Montes Claros é uma droga

 O Jornalista Luis Carlos Gusmão escreveu um post duro contra Montes Claros. Discordo em quase tudo, principalmente da parte onde fiz que é impossível denunciar. É diferente, aí já é medo de morrer. A Bíblia já diz, seja quente ou seja frio, morno vomitarei. E para mim o post é morno mas vale a leitura da sua opinião.

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Mesmo sendo o principal centro urbano do Norte de Minas, apresentando características de capital regional, com um raio de influência abrangendo todo o norte de Minas e parte do sul da Bahia, Montes Claros não deixa de ser também uma cidadezinha atrasada, mesquinha e provinciana.

Mesmo possuindo o segundo entroncamento rodoviário nacional, com mais 360 mil habitantes, tendo um destacado pólo de desenvolvimento da região Norte de Minas Gerais, onde vivem quase dois milhões de habitantes, a cidade é mandada por um grupinho metido a besta, que faz de tudo para controlar o poder.

Mesmo sendo um pólo universitário, com duas universidades públicas e diversas faculdades privadas oferecendo cursos nas diversas áreas do conhecimento, em níveis técnico, de graduação, pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu, Montes Claros continua besta.

Mesmo sendo uma cidade de gente famosa como o seresteiro Gonçalves Chaves, o antropólogo Darcy Ribeiro, o escritor Cyro dos Anjos, o músico Beto Guedes, o historiador Hermes de Paula, a ministra do STF, Cármem Lúcia, o sertanejo Tião Carreiro e tantos outros, continua sendo a cidade da dona Maria, do seu João e de tantos idiotas que continuam acreditando em demagogos e safados.

Na comunicação, mesmo tendo dezenas de rádios comerciais, comunitárias e clandestinas, vários jornais diários, emissoras e retransmissoras de Televisão e uma faculdade de jornalismo, ainda é uma cidade onde a imprensa que o povo escuta é a rádio peão.

Só por aí já se vê que essa cidade é uma droga. Mas Montes Claros, mesmo tendo Polícia Federal, Policia Civil e Militar, ainda é a cidade que esconde marginas, como fez com Fernandinho Beira Mar, que acoberta quadrilhas que roubam cargas de medicamentos, que mantém lavanderias com fachadas de concessionárias e outros impérios. E ai daquele que denunciar. No outro dia o corpo é encontrado cheio de formiga na boca, e ninguém viu, ninguém sabe…

Mas, a maior droga da cidade é a droga da política. Aqui, prefeitos que constróem prédios fantasmas, exemplo do Cesu, são recompensados, por causa da adormecida justiça. Vereadores que compram notas mentirosas para encherem os bolsos continuam livres e deputados envolvidos com o narco recebem como recompensa, caminhões de votos.

A partir do dia 1º de janeiro, uma droga reassume o poder político da cidade. Para comemorar, marginais avisam diariamente a chegada dessa droga, soltando foguetes em frente à Prefeitura.

Vi no Blog do Luis Carlos Gusmão

Capa da Veja – 16/11

Capa Veja

Veja: A luta de Fábio

Fábio AssunçãoTalento, beleza e seriedade profissional foram os ingredientes que ajudaram Fábio Assunção, de 37 anos, a erigir uma das mais bem-sucedidas trajetórias na televisão brasileira. Em dezoito anos de profissão, consagrou-se como ator do primeiro time da Rede Globo. Na semana passada, a emissora decidiu afastá-lo do elenco de Negócio da China, a novela das 6 que estreou em outubro e da qual era o protagonista. O afastamento deve-se à dependência de cocaína, e foi decidido porque sua permanência se tornara impossível. Fábio estava irreconhecível. Não conseguia mais decorar os textos. Começou a dormir pelos cantos do estúdio – sonolência decorrente do uso de calmantes que tomava para conseguir descansar um pouco à noite – e deixou de ensaiar com os colegas, uma praxe antes das gravações. Fumava sem parar e o trabalho da equipe de maquiadores aumentou bastante, porque era preciso disfarçar os reflexos das noites em claro – o que nem sempre funcionava. Para o espectador, a imagem era a de um galã abatido e sem expressão. No fim de outubro, Fábio desmaiou durante uma gravação. Finalmente, na quinta-feira passada, o ator se reuniu com a direção da Rede Globo para sacramentar seu afastamento. À nota oficial da emissora, ele acrescentou um texto escrito de próprio punho, informando que, “por motivo de saúde”, deixava o folhetim por tempo indeterminado: “Que Deus ilumine meus passos na minha recuperação e com a confiança de que o mais breve possível estarei de volta para esse público que tanto amor me dá”, diz um trecho da nota. O ator gravou as cenas que dão sentido ao seu desaparecimento de Negócio da China e depois se retirou do Projac, fazendo silêncio sobre como e onde vai enfrentar sua doença.

Convocar Fábio para a novela das 6 foi um risco calculado pela Rede Globo. Sua escalação foi motivo de reuniões e houve, na direção da emissora, quem fosse contra. Temia-se que sua inconstância prejudicasse o cronograma e o orçamento de Negócio da China – o que de fato ocorreu. A produção de um capítulo custa, em média, 270 000 reais. Deixar técnicos, cenários e equipamentos à espera de um ator não está no roteiro. Em 2007, durante as gravações de Paraíso Tropical, os atrasos freqüentes de Fábio já sinalizavam que o problema com a cocaína começava a influir na profissão. Ele emagreceu a olhos vistos e chegou a ficar cinco dias afastado das gravações. A situação, porém, ainda não havia fugido de controle. A imagem do ator ficou arranhada mesmo aos olhos do público quando, em janeiro deste ano, ele foi flagrado pela Polícia Federal no momento em que receberia uma encomenda de cocaína. O traficante, identificado como Orlando Dias, levava consigo 30 gramas do pó, quantidade que supera em muito o que uma pessoa é capaz de consumir em um dia. Fábio foi ouvido como testemunha e declarou ser usuário de cocaína. “A testemunha Fábio Assunção Pinto afirmou ter telefonado para o réu, com quem marcou encontro em sua residência a fim de comprar cocaína do mesmo, o qual era seu fornecedor habitual”, afirmou a juíza Cristina Fabri, da 17ª Vara Criminal de São Paulo, em sua sentença.

O episódio foi minimizado pelo ator e pela Globo, mas provocou a primeira conseqüência concreta do vício na carreira de Fábio. Depois de participar das primeiras leituras de A Favorita, novela do horário das 8, e fazer até prova de figurino como o vilão Dodi, ele foi substituído por Murilo Benício. Sem trabalho, decidiu deixar o país para se reabilitar em uma clínica nos Estados Unidos. Embora não tivesse terminado o tratamento, ele se considerava curado e pronto para voltar ao trabalho, no que foi apoiado pelo diretor Roberto Talma, seu amigo. Negócio da China estaria longe de ser o maior desafio de Fábio na televisão. Exibida na faixa das 6, não teria a pressão do horário nobre. O ator também não sairia de uma zona de conforto profissional. Seu personagem, Heitor, era feito sob medida, uma vez que Fábio se revelou na interpretação de rapazes bonzinhos. Tudo estava arrumado, enfim, para que desse certo. Mas a recaída não tardou.

Na quinta-feira, depois de decidido o seu afastamento, Fábio Assunção telefonou ao autor de Negócio da China, Miguel Falabella. Angustiado, disse que não queria tê-lo deixado na mão. Pediu desculpa. Falabella já vinha trabalhando numa saída. “Há algum tempo, quando percebi que o gato tinha subido no telhado, comecei a pensar que destino dar ao personagem de Fábio”, conta. A novela gira em torno do roubo de 1 bilhão de dólares em um cassino, na China. As informações que revelam o destino do dinheiro estão guardadas em um pen drive que vem parar no Brasil e troca de mãos, movimentando o enredo. Heitor, o personagem de Fábio, vai desaparecer no capítulo que será exibido no dia 27, ao tentar desvendar o mistério. “Gostaria que ele voltasse para o fim da novela. O Fábio é bonito, talentoso, mas está passando por um período de fraqueza. E quem não tem as suas?”, diz Falabella.

Em seu lugar, entrará o galã Thiago Lacerda. Viverá um médico que se aproxima da personagem de Grazi Massafera para cuidar de seu filho, Théo, vítima de um problema cardíaco. Negócio da China foi ao ar no início de outubro com a difícil missão de atrair novamente o espectador para o horário das 6. Sua antecessora, Ciranda de Pedra, foi um grande fracasso, com audiência média de 22 pontos. Até agora, Negócio da China não decolou. Desde a estréia, acumula média de 24 pontos. Fábio era o protagonista e vivia um triângulo amoroso com a bela Grazi num dos vértices. Não se sabe o que uma guinada tão brusca pode provocar. Essa é a medida da difícil decisão tomada pela direção da Globo.

O mundo das celebridades, no Brasil ou fora daqui, é permissivo em relação às drogas. Seu consumo é considerado “recreativo”, ou, nos casos mais estúpidos, “inspirador”. O uso dessas substâncias entre esse grupo de pessoas é consentido, quando não é claramente valorizado como parte da experimentação que deve acompanhar o ato de criação artística. Na era das “clínicas de rehab” (reabilitação), fazem sucesso os reality shows americanos sobre a maneira como gente famosa, bonita e bem-sucedida lida com a dependência química (veja reportagem). O subtexto desses shows é espúrio: eles dão a entender que a devastação provocada pelo vício pode sempre ser detida no último instante. Isso, claro, não é verdade. As drogas pesadas são problema sério para quase 26 milhões de pessoas no mundo de acordo com a ONU – a maioria nos grandes centros urbanos. Elas matam 200.000 pessoas por ano. Só no Brasil, há 870.000 usuários. No âmbito privado, a dependência química acaba com relacionamentos e inviabiliza o trabalho. É uma doença. Ponto.

Uma das dificuldades para lidar com a dependência da droga é que a linha que separa o uso recreativo do mergulho no vício é muito tênue. “Em geral, a pessoa vai se tornando viciada sem se dar conta”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, são poucos os que conseguem se manter como usuários ocasionais da droga. “Isso até acontece, mas a proporção é ínfima”, diz Laranjeira. Raramente alguém admite que tem problemas nessa área e busca tratamento. E mesmo esse caminho é difícil. Em geral, apenas 20% dos pacientes que começam o tratamento dão continuidade a ele. O script, nesses casos, costuma ser o seguinte: uma ou duas semanas depois de iniciado o tratamento, a pessoa se sente autoconfiante e tende a retomar a convivência com as mesmas pessoas e a freqüentar os mesmos lugares. O resultado é que acaba voltando a cheirar, a fumar ou a picar-se.

A tristeza legítima causada pelo drama de um jovem talentoso e querido pelo público, e o desejo de vê-lo recuperado, não deve impedir que se aborde outro tema – a responsabilidade social do usuário de drogas. No ano passado, uma barreira importante foi rompida no Brasil com o filme Tropa de Elite, que ressaltou a maneira como usuários e criminosos estão atados numa cadeia perversa. O consumidor financia os traficantes e alimenta a compra de armas. É preciso que se diga que as drogas também são responsáveis pela degradação do espaço urbano – e não apenas quando, ilegais, elas se tornam o motor de guerras territoriais entre traficantes. Experiências de descriminação do consumo levadas a cabo em alguns países foram infelizes. Em Zurique, na Suíça, um parque transformado em zona franca para o consumo de drogas pelas autoridades logo se depauperou – e foi preciso recuar da experiência. Quando uma pessoa se torna dependente química, perde a noção de seu estado real. Nas primeiras vezes, contudo, a decisão de se drogar é tomada de maneira consciente. Por isso são necessárias mais e melhores campanhas para tirar das drogas o glamour e a “inocência”. Quanto a isso, deve-se observar o silêncio das novelas sobre o tema. Folhetins já abordaram com sucesso temas espinhosos dos mais diversos matizes, da aids e da prostituição à violência doméstica. As drogas, contudo, permanecem tabu. A única novela em que o tema ganhou destaque verdadeiro foi O Clone, de 2002, em que Débora Falabella interpretava uma menina drogada. “Elas não são um tema bem-vindo. Cheguei a tocar no assunto em Duas Caras, mas, numa novela, ele pode ficar muito pesado e assustar o espectador”, diz o autor Aguinaldo Silva. É compreensível que não se queira perder audiência, mas os autores deveriam usar seu talento para transformar o tema em algo palatável. Afinal de contas, as novelas são um grande – se não o maior – meio de instrução e informação no Brasil.

Ex-esposa Priscila - O Anjo da Guarda

Nas treze novelas em que atuou, Fábio quase sempre se destacou no papel de galã e bom moço. Também já desfilou com as mais belas mulheres do país, incluindo as atrizes Cláudia Abreu e Cristiana Oliveira e a empresária Priscila Borgonovi, com quem tem um filho de 5 anos. Em momentos como esses, poucos amigos se dispõem a falar sobre o caso. Fábio está longe de ser um encrenqueiro ou de fazer o marketing do vício, como a cantora inglesa Amy Winehouse. Não se pode dizer, no entanto, que não tenha responsabilidade sobre seus atos. Para o imenso público cuja admiração ele conquistou, sua recuperação pode ser um poderoso símbolo de vitória contra o vício. Os especialistas dizem que, se ele persistir no tratamento, a chance de sucesso é da ordem de 80%. “O Fábio é uma pessoa rara. Tem um caráter reto e é extremamente inteligente e sensível. Estou certa de que ele terá força suficiente para superar as adversidades”, diz Cláudia Abreu. Lutar por si próprio e por tudo o que conquistou é, agora, o grande papel de Fábio Assunção.

Governo teme que procurador-geral denuncie o ministro Mares Guia

mensalaomineiro.jpgPor João Domingos, no Estadão On Line:
Há uma apreensão muito grande no governo com a possibilidade de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciar o ministro das Relações Institucionais ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de arrecadação de dinheiro montado em 1998 para a campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador. O esquema, que teve a participação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza — o mesmo do escândalo do mensalão do PT, estourado em 2005 — ficou conhecido por “mensalão mineiro”.

De acordo com inquérito da Polícia Federal, o esquema teria arrecadado mais de R$ 100 milhões à custa do desvio de dinheiro público e de estatais. Para a PF, foi o embrião do maior escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou por envolver a cúpula do PT. A denúncia do procurador da República contra os envolvidos neste último escândalo possibilitou ao STF abrir processo contra 40 pessoas, entre elas os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto.

O temor do Palácio do Planalto com um novo escândalo deve-se ao fato de que a denúncia do procurador da República contra um ministro não só o enfraquece como atinge o próprio governo. Mares Guia tem como uma de suas funções estratégicas o estreitamento de laços entre o governo e o Congresso. É ele que negocia com cada um dos 513 deputados e 81 senadores a liberação das emendas parlamentares e que trata das nomeações de políticos indicados para cargos em estatais, segundo escalão e até ministros.

De acordo com informações de auxiliares de Lula, ao ser convidado ainda no primeiro governo para ser ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia teria contado ao presidente que a PF estava fazendo uma investigação em sua vida. Disse que não tinha nenhum envolvimento com caso algum, porque, ao contrário do que a PF afirmava na sua investigação, não havia sido coordenador da campanha de Eduardo Azeredo em 1998, mas em 1994.

Conforme as informações de Mares Guia a Lula e a outros ministros, o coordenador da campanha de Azeredo em 1998 era Carlos Eloy e o coordenador financeiro Cláudio Mourão. Mares Guia disse a Lula que é amigo de Eduardo Azeredo e que, como correligionário, e acima de tudo amigo, o ajudou no segundo turno das eleições, vencidas pelo então candidato do PMDB, Itamar Franco.

Ainda de acordo com os esclarecimentos de Mares Guia a Lula, ele chegou a fazer empréstimos pessoais para Azeredo, para tapar buracos de campanha. Numa destas vezes, disse o ministro ao presidente, o dinheiro foi depositado numa das contas da SMPB, uma das empresas de Marcos Valério. Essa empresa apareceu durante todo o escândalo do mensalão do PT e Simone Vasconcelos, sua gerente financeira, era quem repassava dinheiro vivo a deputados e assessores que iam buscá-los em quartos de hotel ou na agência do Banco Rural no Brasília Shopping, em Brasília.

Valerioduto mineiro será denunciado em breve

De Alan Gripp em O Globo, hoje:
“A equipe do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, já trabalha na redação final da denúncia que será oferecida nos próximos dias à Justiça contra os envolvidos no chamado valerioduto mineiro — esquema que teria injetado recursos milionários de caixa dois na campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas, em 1998, como mostrou reportagem do GLOBO em 2005.

Já é dado como certo que Antonio Fernando denunciará Azeredo, Marcos Valério (o mesmo do mensalão do PT) e dezenas de beneficiários do dinheiro distribuído por intermédio de agências de Valério. Caso o procurador leve em consideração o conteúdo integral do relatório da Polícia Federal, também poderá fazer parte dessa lista o atual ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia.

No documento da PF, Walfrido é acusado de movimentar, através da Samos Participações Ltda, às vésperas das eleições de 2002, somas de dinheiro incompatíveis com a capacidade financeira da empresa, de sua propriedade. Parte desses recursos (R$ 507 mil) foi usada para saldar uma suposta dívida da campanha de Azeredo, herdada de 1998, com Marcos Valério. Por intermédio da Samos, Walfrido contraiu um empréstimo no Banco Rural — acusado de financiar tanto o valerioduto tucano quanto o petista, montado a partir de 2003. A PF pede a quebra de sigilo da empresa para rastrear a origem do dinheiro.”

Mensalão mineiro: Reportagem de capa da Revista IstoÉ

Alan Rodrigues, de Belo Horizonte, e HugoMarques, de Brasília:
QUATRO ANOS DE INVESTIGAÇÕES Os primeiros documentos foram entregues pelo ex-tesoureiro de Azeredo em 2003 (doc. acima). Agora, a PF concluiu as investigações e constatou a existência de “organização criminosa”

Relação dos valores totais por partido 
Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma peça jurídica capaz de provocar um terremoto político tão devastador quanto o do Escândalo do Mensalão. É a denúncia contra os políticos envolvidos no inquérito policial 2245-4/140-STF, que investiga o chamado “tucanoduto” – o caixa 2 da malsucedida campanha do senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Com mais de cinco mil páginas, o inquérito tem num relatório da Polícia Federal a completa radiografia de como foi montado o esquema e quem se beneficiou com ele.

Obtidos com exclusividade por ISTOÉ, os documentos que integram as 172 páginas dessa conclusão são mostrados pela primeira vez. Eles atingem diretamente o atual ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (à época vice-governador e candidato a deputado federal), e envolvem o governador de Minas, Aécio Neves (que na ocasião tentava sua reeleição à Câmara). Aécio é nomeado numa lista assinada pelo coordenador financeiro da campanha, Cláudio Mourão, como beneficiário de um repasse de R$ 110 mil.

O relatório compromete ainda 159 políticos mineiros que participaram da disputa de 1998, entre eles a então senadora Júnia Marise e 82 deputados, entre federais e estaduais. No total, 17 partidos são citados, incluindo o PT, acusado de ter recebido R$ 880 mil, divididos entre 34 sacadores, sendo cinco deputados federais (confira a lista completa ao final dessa reportagem).

“Organização criminosa” – De acordo com a denúncia, o esquema capturou mais de R$ 100 milhões, com desvio de verbas de estatais e empréstimos bancários. Oficialmente, a campanha de Azeredo custou R$ 8 milhões. A intermediação entre o núcleo da campanha e os políticos favorecidos ficou a cargo da SMP&B, a agência do publicitário Marcos Valério, que, segundo a polícia, lavou parte do dinheiro com notas fiscais frias. Foi um modo de operar que serviu de laboratório de testes para o que, quatro anos depois, viria a ser o Mensalão Federal.

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Walfrido dos Mares Guia
Reservado a promotores próximos do procurador-geral, aos poucos assessores que freqüentam o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo, e a um grupo seleto de policiais, o documento é demolidor. “Constatou-se a existência de complexa organização criminosa que atuava a partir de uma divisão muito aprofundada de tarefas, disposta de estruturas herméticas e hierarquizadas, constituída de maneira metódica e duradoura, com o objetivo claro de obter ganhos os mais elevados possíveis, através da prática de ilícitos e do exercício de influência na política e economia local”, diz o relatório da PF. Com diversos laudos periciais, extratos bancários e dezenas de depoimentos, o documento põe fim a uma batalha política entre oposição e governo que se arrasta há dois anos, desde que a CPI que apurou o Mensalão federal se recusou a investigar o caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo em Minas.

Com base nas informações reveladas nesse relatório fica fácil entender por que houve tanta pressão dos tucanos e até a complacência do PT para não se abrir uma CPI exclusiva para esse caso. Na ocasião, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que presidia a chamada CPI dos Correios, classificou de “documento apócrifo” a lista elaborada pelo então coordenador financeiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, e que serviu de base para o trabalho da PF. Outra curiosidade: a denúncia da lista tinha sido feita por um companheiro do próprio partido de Delcídio, o então deputado estadual mineiro Rogério Corrêa. Mais curioso ainda: Paulinho Abi-Ackel, o filho do deputado Ibrahim Abi-Ackel, relator da CPI da Compra de Votos (e que também poderia ter investigado o caixa 2 mineiro), recebeu R$ 50 mil do esquema (leia quadro à pág. 32). Ele disse à polícia que prestou serviços de advocacia à campanha.
 
Nos recibos recuperados pela PF a partir da chamada “Lista de Mourão”, fica provado que o dinheiro “não contabilizado” dos tucanos irrigou não só a campanha de reeleição de Azeredo, mas de boa parte da elite da política mineira. O valor total rateado entre ela teria alcançado R$ 10,8 milhões.

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“Em dinheiro vivo” – Com exceção dos 82 deputados federais ou estaduais que receberam, em nome próprio ou de assessores, depósitos feitos diretamente pelas empresas de Marcos Valério, não é possível por enquanto assegurar que os repasses ao restante dos 159 políticos, incluindo o então candidato a deputado federal Aécio Neves, tiveram origem no caixa 2 operado pelo publicitário e pelo núcleo central da campanha de Eduardo Azeredo. “Muitos dos saques foram em dinheiro vivo, o que dificulta o rastreamento”, garante um dos policiais que participaram dos trabalhos. Segundo a investigação da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, a maior parte da derrama aconteceu para a compra de apoio político no segundo turno da eleição de 1998, no qual Azeredo acabou derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco. Leia mais aqui.

Quer ler o relatório da Polícia Federal (170 páginas – PDF) que foi entregue ao Ministro Joaquim Barbosa do STF, clique aqui para baixar (12,9 Mb)

PS: Caso baixe o relatório da PF veja a lista dos partidos e políticos nas páginas 14 e 15 ou clique abaixo e veja a relação (pág. 14 / pág. 15) e o auto de apreensão

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Capa da Isto É

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TF já tem parecer sobre lei que restringe atuação do MP em Minas

Reportagem de Isabella Souto para o Estado de Minas:
Já está pronto o relatório do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello sobre a lei mineira que limita a atuação do Ministério Público. O parecer foi apresentado na tarde de segunda-feira à Mesa Diretora para julgamento. Haverá sessão plenária quarta e quinta-feira, mas por enquanto a ação direta de inconstitucionalidade (adin) que questiona a legislação não está incluída. Ajuizada pelo procurador-geral Antônio Fernando de Souza, a ação pede liminar para suspender a vigência da lei. O conteúdo do relatório do ministro só é revelado aos outros ministros durante o julgamento.

No mês passado, em entrevista ao site Terra Magazine, o ministro Marco Aurélio Mello disse que o foro privilegiado já existente em Minas é “suficiente” e comentou que qualquer legislação não pode “ressoar como um privilégio”. A declaração foi feita para uma pergunta sobre o ponto mais polêmico da lei: a delegação exclusiva ao procurador-geral de Justiça para instaurar inquérito civil público envolvendo 1.981 autoridades mineiras: governador e vice, membros da Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas, advogado-geral do Estado e defensor público-geral.

As alegações da Procuradoria-Geral da República na adin são de que a lei traria “intensa e profunda mudança” na organização do MP, o que justificaria a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto. A adin diz ainda que as alterações propostas na legislação mineira deveriam ser de iniciativa do próprio MP e que ela cria um “distinção” entre agentes políticos sem “propósito ou razão legítima” – baseando-se no artigo que veda a promotores a investigação de autoridades.

Expectativa

Os argumentos foram feitos com base em estudo feito pelo MP mineiro. Na segunda-feira, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, disse aguardar com expectativa a decisão do STF. Enquanto não há uma decisão do Judiciário, Jarbas Soares aguarda informações dos cerca de 400 ofícios encaminhados a promotorias do estado com pedido de levantamento de dados sobre todos os inquéritos civis já em andamento envolvendo as autoridades descritas na lei.

Assim que as informações estiverem completas, o procurador vai definir qual medida tomar: delegação da tarefa, criação de uma procuradoria especializada ou mesmo assumir os trabalhos. “Já temos um grande número de respostas e as informações estão sendo separadas. Vou analisar ainda quais serão os próximos passos”, afirmou Jarbas Soares, sem adiantar o conteúdo dos dados já repassados à Procuradoria-Geral.

A lei que restringe a ação do Ministério Público foi promulgada depois de muita polêmica. As emendas dos deputados estaduais foram feitas em um projeto de lei complementar apresentado pelo MP no início deste ano, prevendo reorganização de algumas comarcas e criando uma gratificação de cerca de R$ 3 mil para promotores que acumulam funções ou trabalham nos fins de semana. Durante as discussões, foram apresentadas 70 emendas, das quais muitas retiradas em plenário. Aprovada em dois turnos, a proposta foi vetada pelo governador Aécio Neves (PSDB). Mas, dias depois, o veto foi rejeitado por 60 deputados estaduais durante votação em plenário.

Cortesia no primeiro encontro

O presidente da Assembléia, deputado Alberto Pinto Coelho (PP), e o procurador-geral do estado, Jarbas Soares Júnior, se encontraram segunda-feira pela primeira vez após a promulgação da Lei Complementar 99, que restringiu a atuação dos promotores mineiros. Em evento promovido pelo Legislativo justamente para discutir a elaboração de leis, o clima foi de cordialidade. Apesar de não falar em erro por parte da Assembléia, que tornou exclusiva do procurador-geral a prerrogativa de investigar 1.981 autoridades no estado, Jarbas disse esperar uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal na ação direta de inconstitucionalidade para derrubar a norma. Alberto Pinto Coelho, por sua vez, acredita que a lei continuará valendo e que veio para trazer mais eficácia ao MP. O presidente da Assembléia disse que representará o Legislativo no encerramento da semana do Ministério Público, sexta-feira.