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Livro didático e propaganda política

Estou virando fã do Ali Kamel, apesar de discordar muitas vezes do enfoque que a Globo dá a certas reportagens. Mais uma vez ele se volta contra os livros didáticos (sic) adquiridos e distribuídos pelo MEC (leiam artigo anterior do Ali Kamel aqui). Vejam aonde já chegou a literatura petista: aos livros de nossos filhos.

Livro didático e propaganda política

alikamel.jpgAinda os livros didáticos, um problema mais grave do que eu imaginava. Para 2008, o MEC me informa que já comprou mais de um milhão de exemplares do livro de história “Projeto Araribá, História, Ensino Fundamental, 8”, a ser distribuído na rede pública a partir de janeiro. Para ser exato, 1.185.670 exemplares a um custo de R$ 5.631.932,50. É agora o campeão de vendas.

Sem dúvida, o livro tem mais compostura que o “Nova História Crítica”, que analisei aqui há 15 dias, mas, em essência, apresenta os mesmos defeitos e um novo, gravíssimo: faz propaganda político- eleitoral do PT. Na unidade 3, “A primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa”, o livro diz o seguinte, logo na abertura, sob o título “Um sonho que mudou a história”: “Em 1 de janeiro de 2003, o governo federal apresentou o programa Fome Zero. Segundo dados do IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Em nenhum país do planeta existem tantos pobres vivendo entre pessoas tão ricas . No mundo, segundo o relatório do Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas vivem com uma renda inferior a 1 dólar por dia, cifra que deve chegar a 1,9 bilhão em 2015. Por que, apesar de tantos avanços tecnológicos, pessoas continuam morrendo de fome? É possível mudar essa situação? Os revolucionários russos de 1917 acreditavam que sim. Seguros de que o capitalismo era o responsável pela pobreza, eles fizeram a primeira revolução socialista da história. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo. Hoje, passado quase um século, o capitalismo retornou à Rússia, e a União Soviética, que nasceu da Revolução Russa de 1917, não existe mais. Valeu a pena? É difícil responder. Mas como dizia um membro daquela geração de revolucionários, é preciso acreditar nos sonhos.”

Entenderam a sutileza? Os alunos são levados a acreditar que não há país no mundo com mais pobres do que o nosso (os autores esqueceram-se da Índia, para citar apenas um?). E que o Fome Zero seria o sonho de 1917 revivido.

O livro prossegue com pequenos tópicos sobre os principais acontecimentos mundiais, a revolução russa e seus antecedentes: grande pobreza no campo, extrema exploração dos operários. Vitoriosos os revolucionários, seus primeiros feitos são assim descritos: “Estradas de ferro e bancos foram nacionalizados, as terras foram divididas e distribuídas entre os camponeses e a produção nas indústrias passou a ser controlada pelos operários. As medidas revolucionárias do novo governo feriram os interesses da burguesia e das grandes empresas que atuavam no país.” Segue-se um breve resumo da guerra civil — a burguesia e a aristocracia, apoiados pelos EUA e Grã-Bretanha, contra os revolucionários liderados por Lênin e Trotsky — e um pequeno verbete intitulado “A ditadura de Stálin”. Nele, lê-se que a URSS foi governada de 1924 a 1953 por Stálin, como um ditador. “As liberdades individuais foram suprimidas e os adversários do regime , inclusive os líderes da revolução, acabaram presos ou assassinados pelo regime.” Parece honesto, mas não é: omitir os detalhes da monstruosa ditadura de Stálin, que levou milhões à morte, é esconder dos alunos o mal que o socialismo real provocou. Especialmente porque os autores não se esqueceram de destacar o “bem” que Stálin proporcionou: “O Estado promoveu o desenvolvimento da indústria de base, como energia elétrica e metalurgia, investiu em educação e na qualificação de mão de obra e formou cooperativas agrícolas (…) para ampliar a produção no campo.”

Bonito, não? No fim do capítulo, nas atividades propostas aos alunos, fica estabelecida a distinção entre capitalismo e socialismo: “Os anos 1920, nos EUA, caracterizaram-se por consolidar a sociedade de consumo. Numa cultura de consumo, grande parte do tempo e das energias humanas está voltado (sic) para a aquisição de bens materiais. Sob a orientação do seu professor, debatam os seguintes aspectos: a) dados que comprovam o caráter consumista da sociedade atual; b) os efeitos negativos da cultura do consumo para o indivíduo e a sociedade.”

A orientação socialista do livro fica patente em muitas passagens. Veja por exemplo como os autores definem o Welfare State europeu: “Apesar de ter sido elaborado, no contexto da Guerra Fria, para afastar a ameaça representada pelo prestígio que o socialismo despertava no Ocidente, o Welfare State serviu, também, para concretizar antigas reivindicações do movimento sindical (…).” O livro se apressa a dizer que o Welfare State durou pouco, graças à crise do petróleo de 1973 (sic): “Nos anos 1980, os governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra (sic), e de Ronald Reagan, nos EUA, adotaram o modelo econômico de livre mercado, tornando nula (sic) a intervenção do Estado na economia (…).” Os alunos devem achar que viver naqueles dois países é um horror.

E Mao? Este parece ser um fetiche dos autores de livros didáticos. O livro conta que Mao derrotou o capitalismo na China e relata dois episódios, sem referência aos milhões de mortos que os dois eventos provocaram. “Em 1958, a fim de aumentar a produção, foram criadas cooperativas rurais e novas indústrias também. Essas iniciativas econômicas foram conhecidas como o ‘Grande salto para a frente’. Preocupado com a influência de valores ocidentais na China, Mao iniciou a Revolução Cultural, uma campanha oficial marcada por intensa doutrinação e repressão.” E mais não se diz.

Deixando de lado a História Universal, o que mais espanta no livro é a sua novidade: a propaganda político-eleitoral. Depois de relatar o sucesso do Plano Real no Governo Itamar, o livro explica assim a vitória de FH sobre Lula nas eleições de 1994: “Uma habilidosa propaganda política transformou o candidato do governo, Fernando Henrique, no pai do Plano Real.” Sobre os resultados do primeiro governo FH, o livro contraria tudo o que os especialistas dizem sobre os efeitos imediatos do Plano Real: “A inflação foi controlada, mas a um preço muito elevado. O desemprego cresceu, principalmente na indústria, elevando a miséria, a concentração de renda e a violência no país.” Herança maldita é pouco.

Depois de contar como o governo foi obrigado a desvalorizar o real, o livro diz que o segundo mandato de FH trouxe duas conquistas no campo social, como ampliar as matrículas no ensino fundamental e reduzir a mortalidade infantil. Mas o capítulo termina assim: “O PT chegou ao poder com a responsabilidade de vencer um enorme desafio: manter a inflação sob controle e combater a desigualdade social no Brasil, onde 54 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza.” Como os autores disseram no início, o sonho não acabou.

O livro termina com oito páginas sobre a fome no mundo e no Brasil. Há afirmações assim: “Há mais pessoas desnutridas na Nigéria, um país de 120 milhões de habitantes, do que na China, onde vive mais de 1,2 bilhão de pessoas.” A China é socialista, certo? As causas da fome, apontadas pelo livro, são as dificuldades de acesso à terra, o aumento do desemprego e a divisão desigual da renda. Depois de repetir que “o nosso país tem fome” o livro “esclarece”: “O combate à fome é o principal objetivo do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003. Para isso, o governo lançou o Programa Fome Zero. A implantação do programa tem como referência o Projeto Fome Zero _ uma proposta de política de segurança alimentar para o Brasil, um documento que reúne propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001. Leia agora parte desse documento.”

E as crianças são expostas a 52 linhas do documento de propaganda partidária elaborado em 2001 pelo Instituto da Cidadania, do PT. E a nenhum outro. O Fome Zero, que não conseguiu sair do papel, vira História. Tudo isso distribuído gratuitamente pelo governo federal a mais de um milhão de alunos. Isso é possível? Isso é republicano?

Não acredito que o presidente Lula aceite que propaganda política de um único partido seja distribuída com o uso de dinheiro público como se fosse aula de história. Não acho também que o MEC concorde com isso. Fica aqui o alerta.

Ali Kamel

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Aeronáutica culpa controladores por acidente da Gol

Por Eliane Cantanhêde, na Folha desta terça:
Antes mesmo do anúncio do relatório técnico final das investigações sobre o choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, que matou 154 pessoas, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, encaminhou à Justiça Militar o IPM (Inquérito Policial Militar) indiciando cinco controladores de vôo por “materialidade e indícios de autoria de crime” no acidente. O resultado do IPM, ao qual a Folha teve acesso, indica por que falharam as mais de 20 tentativas de comunicação entre o avião e o controle aéreo de Brasília: a freqüência que o Legacy usava, 125.05 MHz, não funcionava no setor aeronáutico em que o avião voava na região do acidente.

O IPM só indicia controladores e poderá influenciar o processo na Justiça comum que irá determinar as responsabilidades pelo acidente e a discussão sobre indenizações. O comportamento dos pilotos do Legacy, apontado até aqui como um dos fatores principais do acidente, é citado, mas sem conseqüências legais, pois trata-se de um inquérito militar. O texto, confidencial, foi enviado por Saito à juíza auditora da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, Zilah Petersen, em 19 de julho passado. O encarregado do IPM foi o coronel aviador Luiz Claudio Ribeiro da Silva.

Os cinco controladores indiciados estão sujeitos a enquadramento no Código Penal Militar e, portanto, a prisão, suspensão e expulsão da carreira. São eles os sargentos Felipe dos Santos Reis, Jomarcelo Fernandes dos Santos, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José dos Santos Barros, do Cindacta-1 (o controle aéreo de Brasília), além do suboficial João Batista da Silva, de São José dos Campos (SP), de onde decolou o Legacy.

O que ensinam às nossas crianças

Artigo do jornalista Ali Kamel, no Globo de hoje, está gerando o merecido barulho.

Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série” distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.

Sobre o que é hoje o capitalismo: “Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.”

Sobre o ideal marxista: “Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.” Sobre Mao Tse-tung: “Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador.”

Sobre a Revolução Cultural Chinesa: “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (…) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (…) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (…) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes “politicamente esclerosados”. (…) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: “Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.” As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”

Sobre a Revolução Cubana e o paredão: “A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular.” Sobre as primeiras medidas de Fidel: “O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%.” Essas medidas eram justificadas assim: “Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde.”

Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: “Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (…) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?”

Sobre os motivos da derrocada da URSS: “É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (…) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas… Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (…) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (…) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (…) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?”

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?

Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

Valerioduto mineiro será denunciado em breve

De Alan Gripp em O Globo, hoje:
“A equipe do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, já trabalha na redação final da denúncia que será oferecida nos próximos dias à Justiça contra os envolvidos no chamado valerioduto mineiro — esquema que teria injetado recursos milionários de caixa dois na campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas, em 1998, como mostrou reportagem do GLOBO em 2005.

Já é dado como certo que Antonio Fernando denunciará Azeredo, Marcos Valério (o mesmo do mensalão do PT) e dezenas de beneficiários do dinheiro distribuído por intermédio de agências de Valério. Caso o procurador leve em consideração o conteúdo integral do relatório da Polícia Federal, também poderá fazer parte dessa lista o atual ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia.

No documento da PF, Walfrido é acusado de movimentar, através da Samos Participações Ltda, às vésperas das eleições de 2002, somas de dinheiro incompatíveis com a capacidade financeira da empresa, de sua propriedade. Parte desses recursos (R$ 507 mil) foi usada para saldar uma suposta dívida da campanha de Azeredo, herdada de 1998, com Marcos Valério. Por intermédio da Samos, Walfrido contraiu um empréstimo no Banco Rural — acusado de financiar tanto o valerioduto tucano quanto o petista, montado a partir de 2003. A PF pede a quebra de sigilo da empresa para rastrear a origem do dinheiro.”

Calheiros: confira como votaram os senadores

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O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi absolvido do processo de cassação do mandato, na tarde desta quarta-feira, após votação secreta no Plenário do Senado. O resultado divulgado pela Casa apontou que 40 senadores votaram pela absolvição, 35 pela cassação, enquanto outros seis se abstiveram. Ouvidos pelo Terra, no entanto, 41 senadores disseram que votaram a favor da perda de mandato.

Apenas nove senadores confirmaram o voto a favor de Calheiros. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o próprio Renan Calheiros disseram que se abstiveram da votação. Outros 23 parlamentares não abriram o voto e nove não foram encontrados.

Confira como votaram os senadores:

Cassação
Adelmir Santana (Democratas-DF)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Augusto Botelho (PT-RR)
César Borges (Democratas-BA)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Demóstenes Torres (Democratas-GO)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Efraim Morais (Democratas-PB)
Eliseu Resende (Democratas-MG)
Flávio Arns (PT-PR)
Flexa Ribeiro (PSDB – PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gerson Camata (PMDB-ES)
Heráclito Fortes (Democratas-PI)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Jayme Campos (Democratas-MT)
Jonas Pinheiro (Democratas-MT)
José Agripino (Democratas-RN)
José Nery (Psol-PA)
Kátia Abreu (Democratas-TO)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Mão Santa (PMDB-PI)
Marco Maciel (Democratas-PE)
Mário Couto (PSDB-PA)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Osmar Dias (PDT-PR)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Patrícia Saboya (PSB-CE)
Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Raimundo Colombo (Democratas-SC)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Romeu Tuma (Democratas-SP)
Rosalba Ciarlini (Democratas-RN)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Absolvição
Almeida Lima (PMDB-SE)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Euclydes Mello (PTB-AL)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
João Tenório (PSDB-AL)
José Maranhão (PMDB-PB)
Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG)

Abstenção
Aloizio Mercadante (PT-SP)
Renan Calheiros (PMDB-AL)

Não abriu o voto
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Delcidio Amaral (PT-MS)
Edison Lobão (Democratas-MA)
Fátima Cleide (PT-RO)
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
João Ribeiro (PR-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
José Sarney (PMDB-AP)
Leomar Quintanilha (PMDB-TO)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo Alves (Democratas-SE)
Neuto De Conto (PMDB-SC)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Roseana Sarney (PMDB-MA)
Sibá Machado (PT-AC)
Tião Viana (PT-AC)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Valter Pereira (PMDB-MS)

Não foi encontrado
Antonio Carlos Júnior (Democratas-BA)
Expedito Júnior (PR-RO)
Jefferson Peres (PDT-AM)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Serys Slhessarenko (PT-MT)

Foto: Arquivo

TF já tem parecer sobre lei que restringe atuação do MP em Minas

Reportagem de Isabella Souto para o Estado de Minas:
Já está pronto o relatório do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello sobre a lei mineira que limita a atuação do Ministério Público. O parecer foi apresentado na tarde de segunda-feira à Mesa Diretora para julgamento. Haverá sessão plenária quarta e quinta-feira, mas por enquanto a ação direta de inconstitucionalidade (adin) que questiona a legislação não está incluída. Ajuizada pelo procurador-geral Antônio Fernando de Souza, a ação pede liminar para suspender a vigência da lei. O conteúdo do relatório do ministro só é revelado aos outros ministros durante o julgamento.

No mês passado, em entrevista ao site Terra Magazine, o ministro Marco Aurélio Mello disse que o foro privilegiado já existente em Minas é “suficiente” e comentou que qualquer legislação não pode “ressoar como um privilégio”. A declaração foi feita para uma pergunta sobre o ponto mais polêmico da lei: a delegação exclusiva ao procurador-geral de Justiça para instaurar inquérito civil público envolvendo 1.981 autoridades mineiras: governador e vice, membros da Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas, advogado-geral do Estado e defensor público-geral.

As alegações da Procuradoria-Geral da República na adin são de que a lei traria “intensa e profunda mudança” na organização do MP, o que justificaria a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto. A adin diz ainda que as alterações propostas na legislação mineira deveriam ser de iniciativa do próprio MP e que ela cria um “distinção” entre agentes políticos sem “propósito ou razão legítima” – baseando-se no artigo que veda a promotores a investigação de autoridades.

Expectativa

Os argumentos foram feitos com base em estudo feito pelo MP mineiro. Na segunda-feira, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, disse aguardar com expectativa a decisão do STF. Enquanto não há uma decisão do Judiciário, Jarbas Soares aguarda informações dos cerca de 400 ofícios encaminhados a promotorias do estado com pedido de levantamento de dados sobre todos os inquéritos civis já em andamento envolvendo as autoridades descritas na lei.

Assim que as informações estiverem completas, o procurador vai definir qual medida tomar: delegação da tarefa, criação de uma procuradoria especializada ou mesmo assumir os trabalhos. “Já temos um grande número de respostas e as informações estão sendo separadas. Vou analisar ainda quais serão os próximos passos”, afirmou Jarbas Soares, sem adiantar o conteúdo dos dados já repassados à Procuradoria-Geral.

A lei que restringe a ação do Ministério Público foi promulgada depois de muita polêmica. As emendas dos deputados estaduais foram feitas em um projeto de lei complementar apresentado pelo MP no início deste ano, prevendo reorganização de algumas comarcas e criando uma gratificação de cerca de R$ 3 mil para promotores que acumulam funções ou trabalham nos fins de semana. Durante as discussões, foram apresentadas 70 emendas, das quais muitas retiradas em plenário. Aprovada em dois turnos, a proposta foi vetada pelo governador Aécio Neves (PSDB). Mas, dias depois, o veto foi rejeitado por 60 deputados estaduais durante votação em plenário.

Cortesia no primeiro encontro

O presidente da Assembléia, deputado Alberto Pinto Coelho (PP), e o procurador-geral do estado, Jarbas Soares Júnior, se encontraram segunda-feira pela primeira vez após a promulgação da Lei Complementar 99, que restringiu a atuação dos promotores mineiros. Em evento promovido pelo Legislativo justamente para discutir a elaboração de leis, o clima foi de cordialidade. Apesar de não falar em erro por parte da Assembléia, que tornou exclusiva do procurador-geral a prerrogativa de investigar 1.981 autoridades no estado, Jarbas disse esperar uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal na ação direta de inconstitucionalidade para derrubar a norma. Alberto Pinto Coelho, por sua vez, acredita que a lei continuará valendo e que veio para trazer mais eficácia ao MP. O presidente da Assembléia disse que representará o Legislativo no encerramento da semana do Ministério Público, sexta-feira.

Exclusivo: PF expõe vísceras do Corinthians/MSI

kiadualib.jpgReportagem de Bob Fernandes e Rogério Lorenzoni:
Por mais que pareça ficção, o que se lerá aqui é uma história verídica, repleta de intrigas, mentiras, mas muitas mentiras mesmo, ciúmes entre homens, deslizes, traições, ameaças e, até, um romance numa alta corte da Justiça fluminense. O enredo passeia, ainda, por gabinetes bem próximos ao do presidente da República, no Palácio do Planalto, além do seu próprio gabinete. Tudo resumido em um relatório da Polícia Federal com 72 páginas, produto de investigações e interceptações telefônicas feitas com autorização judicial. Este Editor-chefe de Terra Magazine e o colunista da Folha de S.Paulo Juca Kfouri tiveram acesso ao material, assim como, pelo menos, um dos advogados de pessoa citada.

Não por acaso, com uma ou outra alteração por questões de estilo ou espaço, o texto das reportagens é, nuclearmente, o mesmo.

Essa história tem nome, como é habitual nas ações da Polícia Federal: Operação Perestroika.

O mote foi a parceria Corinthians/MSI.

Kia, Ricardinho e o milhão
Aqui neste espaço o enredo começa a ser tecido numa conversa entre Kia Joorabchian, o empresário iraniano que representava o fundo MSI (Media Sports Investment), ex-parceiro do Corinthians, e o jogador Ricardinho (agora no Besiktas, na Turquia), na qual o atleta é informado:

– (…) conforme combinaram o dinheiro vai ser pago hoje, mas que acha que só vai ser creditado amanhã, pois está pagando fora do país.

Ricardinho, então, pergunta se será avisado do crédito e Kia diz que sim, ao pedir que ele fale com o advogado da parceria, Alexandre Verri, “para confirmar a transação”.

Kia informa que o crédito é de US$ 1,144 milhão.

Quantias milionárias são o que há de mais comum nas conversas.

No dia 14 de agosto de 2006, por exemplo, às 12h16, a noiva de Kia, a advogada Tatiana Alonso, informa ao homem do futebol da parceria, Paulo Angioni, que conversou com o noivo e este disse que só poderia dar R$ 400 mil por mês para o técnico Emerson Leão – o que derruba a versão de que a MSI não participou da transação por não concordar com ela.

Dinheiro da FPF
Pouco menos de uma hora depois, Angioni liga para Tatiana e conta que Alberto Dualib, então presidente do Corinthians, hoje afastado, se comprometeu a pagar a diferença de R$ 100 mil com dinheiro da Federação Paulista de Futebol.

E, ainda no mesmo dia, Angioni diz a Renato Duprat que Leão pediu R$ 3 milhões no ato da contratação, o mesmo valor dali a um ano e mais R$ 1 milhão se classificar o Corinthians para a Libertadores.

Duprat, por sinal, como se verá, não será mero coadjuvante neste enredo, e impressionará pela capacidade de ludibriar.

Quanto a Duprat, sem cargo formal o braço direito de Dualib depois que Kia se afastou, pode ser explicado com a mesma fórmula que um jornalista russo um dia usou para definir o próprio Kia: “É um ator de negócios”.

No mesmo dia 14 de agosto, por sinal, sem que uma coisa tenha a ver com a outra, Angioni diz a Duprat que Marcelinho tem que sair do clube e Duprat informa já ter acertado a saída dele com Boris Berezovski. Fica claro que, embora também alardeasse ser contrária à contratação do jogador, era a MSI quem pagava o salário e os direitos de imagem de Marcelinho.

Ameaça no celular
No dia seguinte, 15, Angioni relata que a FPF antecipará R$ 2 milhões para pagar Leão a título de um empréstimo que será pago apenas no ano seguinte, em quatro parcelas.

Já no dia 21, Angioni comunica a Nojan Bedroud, diretor da MSI, que está deixando a empresa, porque prefere trabalhar com Kia fora do Corinthians.

Dinheiro, muito dinheiro, por dentro, por fora, emprestado, dinheiro.

Dinheiro que leva Gisele, ex-mulher de Carlos Alberto- que hoje está no clube alemão Werder Bremen-, a deixar uma ameaça gravada em seu celular, exatamente às 11h10 do dia 5 de setembro, dizendo que “vai abrir a boca sobre o depósito do salário que é feito metade aqui e metade na Suíça”. Gisele garante ter comprovante em mãos.

Enquanto isso, de Londres, repetidas vezes Duprat fala com Dualib e promete não só resolver rapidamente o envio de dinheiro para pagar as contas do clube, como a própria sucessão de Kia na MSI, além da garantia de faltar pouco para legalizar a entrada de Berozovski no Brasil.

Mas o agosto corintiano não acaba.

Leão “idiota” e bagunça corintiana
No dia 26, Kia diz para a noiva que Berezovski considera Leão um “idiota” e que o Corinthians é “uma bagunça política”.

Impaciente, Tatiana diz ao noivo que eles estão trabalhando muito no Brasil e que Berezovski está brincando com a vida deles. E apela para que ele saia “dessa bagunça, abandone essa merda”.

Setembro chega, mas a crise permanece.

O casal Kia/Tatiana volta a se falar no primeiro dia do mês e ele se queixa de que o jornal “Financial Times” noticiou seu interesse pela compra do West Ham, o que nega: “Apenas pusemos o Tevez e o Mascherano lá porque não tínhamos outra opção”, explica.

Tatiana devolve, no mesmo telefonema:

-Talvez isso seja um aviso, não quero passar em Londres pelo que estamos passando no Brasil, vamos tocar os negócios do seu pai, porque o Boris é um bilionário que não faz nada na vida, só besteiras, que nem consegue avaliar as conseqüências de suas intervenções idiotas, porque sabe que nada o atinge, diferentemente de pessoas normais com empregos normais. (Ela, Tatiana, e Kia, seriam desse mundo de normalidade).

“100 pau”
Dualib, já em Londres, reclama de falta de dinheiro e manifesta preocupação, no dia 25, ao dizer que a conta do hotel vai ser de “100 pau” e que “100 pau”, no cartão dele, “na hora” o imposto de renda pega.

Desde o “escândalo Ivens Mendes” que o presidente corintiano parece ter problemas com o “um-zero-zero”… Naquele episódio, ao combinar determinada operação, Dualib refere-se ao “um-zero-zero”.

Só que os problemas do futebol brasileiro parecem coisa de criança quando confrontados com os dos parceiros que o Corinthians arrumou, sem nem sequer ter a desculpa de que não sabia com quem estava se metendo.

Nada de Boris
Exemplo disso é o diálogo entre Dualib e Duprat, no dia 8 de outubro, sempre de 2006, precisamente às 17h52, o primeiro em Londres, o segundo em São Paulo.

Duprat revela que o “pessoal de Badri Patarkatsishvili(o empresário georgiano sócio de Berezovski) está preocupado com a situação na Geórgia e que ele está mandando toda sua família para Londres”.

Dualib aconselha que ele saia da Geórgia “antes que o matem” e acrescenta que Andrés Sanchez, que se apresenta como líder da oposição no Parque São Jorge, “está sabendo o que falar na Federal, porque, depois da nota oficial da MSI que desmente a participação de Berezovski na parceria, ninguém mais pode falar em Boris, o Boris acabou, tá fora e se ele (Andrés) falar o que o Boris é, fode com tudo”.

Duprat concorda e diz que “Boris não é, que é o Badri que é”.

Palavras combinadas
Exatos 48 minutos depois dessa conversa, Sanchez quer saber o que Dualib e Nesi Curi, vice-presidente do Corinthians, vão falar na PF, para que ele também fale. A PF já investigava o caso.

Dualib então revela que pedirá adiamento do depoimento e que Andrés Sanchez deve fazer o mesmo, porque é preciso saber antes, com o pessoal em Londres, o que foi que Berezovski disse em seu depoimento quando detido em São Paulo.

Sanchez concorda e acrescenta que mandará seu advogado tentar o adiamento:

-Vou falar o que vocês (Dualib e Curi) falarem.

Sem confiança
Estranhamente, Dualib encerra a ligação com o seguinte comentário:

-Quem acompanhou o depoimento do Berezovski foi o Duprat e eu não estou conseguindo falar com ele…

De fato, ninguém confia em ninguém.

Tanto que, em seguida, Dualib volta a falar com Duprat, para informá-lo do que conversara com Sanchez. Duprat o aconselha a não confiar nele e Dualib argumenta que “se ele foi chamado é porque também está envolvido”.

E pede que “Londres fale com Marco Polo Del Nero” (presidente da FPF e advogado) para que todos recebam a mesma orientação.

Duprat promete falar com Marco Polo.

Esperando Badri
Entre tantas angústias, a maior delas, a falta de dinheiro, continua.

No dia 10 de outubro, Curi, vice-presidente do Corinthians, pergunta a Duprat se o dinheiro já chegou e este diz que o assunto está sendo discutido naquele momento, que Berezovski está na sua frente. Curi fala para Duprat cobrá-lo, porque ele prometera mandar o dinheiro imediatamente, mas Duprat explica que “quem manda dinheiro é o Badri, não o Boris”, e que Badri está por chegar.

São inúmeras, mais de vinte, as conversas semelhantes entre Duprat e a direção corintiana. Sem que o dinheiro chegue.

E ainda não se chegou à novela sobre como Berezovski pretendia voltar a entrar no Brasil, outra vez com Duprat como um dos intermediários.

Verri “quer ferrar o Kia”
O fim da novela é conhecido: Berezovski não voltou ao Brasil e tem agora contra si, assim como Kia, um mandado de prisão e as acusações de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, a exemplo do que acontece, em relação aos dois últimos itens, com Dualib, Curi, Duprat, Angioni e Verri, o advogado da parceria, do escritório Veirano, o mesmo de Tatiana Alonso, agora esposa de Kia.

Mas os capítulos da novela são também interessantes e serão contados mais adiante.

No dia 12 de outubro, Duprat conversa com um homem não identificado e diz que “parece que Verri entregou tudo, fez um estrago em seu depoimento, que a PF até ficou surpresa com tanta informação, parece até que ele quer ferrar o Kia, que ele mostrou direitinho como é a operação, como vem de fora”.

Conta em Nova York
Duprat ainda opina que “a única coisa que parece irregular é a compra de jogadores e que sabe pelo Dualib que o Corinthians tem uma conta em Nova York ainda do tempo da parceria com a Hicks&Muse”.

Ao ser perguntado se sabe quem é que está no inquérito, Duprat responde que é “o Protógenes, o mesmo da outra vez”. (Referência ao delegado da PF Protógenes Queiroz)

Na mesma conversa, Duprat comenta que Dualib despediu o filho do Grondona (Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina e vice-presidente da Fifa):

-(…) que é o cara responsável pela fiscalização de lavagem de dinheiro na Fifa, o que causou mal-estar quando a PF foi à Fifa e mandaram falar exatamente com o Grondona, que até foi questionado por ser o responsável por essa área e o filho estar envolvido com o Corinthians.

Duprat acha que Kia pôs, “estrategicamente”, o filho de Grondona no clube.

“Discurso mentiroso”
Paralelamente a tudo isso, outra história se desenrolou – ou não se desenrolou -, a de Nilmar, tão enrolada como as demais, razão pela qual o leitor dela será poupado.

Porque melhor é a nova conversa mantida entre Dualib e Duprat, no dia 16 de outubro.

O cartola pergunta:

-É para manter o discurso mentiroso sobre o Boris, que ele não tem nada a ver, que é tudo com o Badri?

Duprat diz:

– Tem de falar a verdade, que o Boris nada tem a ver com a MSI.

Diz, e dá risada.

E de repente o Flamengo quase entra na dança.

Operação Flamengo
Kia Joorabchian, no dia 31 de outubro, determina que Paulo Angioni fale com Verri para que este explique como será a entrada deles no clube carioca depois de ouvir que “o Flamengo quer abrir as portas para Kia”.

-Só preciso de um mês para terminar tudo com o Corinthians e começar a investir no Flamengo – assegura Kia.

Novela curta. Melhor, uma minissérie porque rapidamente se esgota.

No dia anterior, ao receber nova cobrança de envio de dinheiro, Duprat diz a Dualib:

-O problema é em Londres, porque eles não têm em nome de quem mandar.

Neta de Dualib
Na verdade, não dá para acreditar numa só palavra de Duprat.

Nem mesmo quando, aparentemente com sensatez, aconselha Dualib a não brigar com Curi, “pois não é hora”.

Só que Dualib está indignado ao telefone neste dia 23 de novembro:

-(…)porque ele não pode fazer o que está fazendo, chamando minha neta de ladra, porque tirei notas, de 14 anos para cá, para poder livrar a cara do Nesi da investigação e se não tivesse feito isso ele estaria enrolado juntamente com o Mello (Carlos Roberto Mello, ex-vice-presidente de finanças do Corinthians).

Novembro termina, dezembro começa, e tudo permanece na mesma.

Dinheiro incerto
No dia 3, Duprat diz a Curi que contratou o centroavante Borges, no Japão. O jogador, como se sabe, de fato veio do futebol japonês, mas para o São Paulo.

No dia 6, Curi diz a Duprat que todas as contratações estão sendo desmentidas na imprensa e Duprat afiança que mandará muito dinheiro a partir do dia 15: primeiro um dinheiro para cobrir o déficit; depois mais US$ 5 milhões e depois mais US$ 10 milhões. E começa a falar sobre a contratação de Cícero, meia do Figueirense.

Este foi parar no Fluminense.

Um pouco mais tarde, no mesmo dia, é Dualib quem cobra Duprat ao dizer que precisa de ao menos US$ 1 milhão. Duprat responde que será esse o valor e que o mandará “amanhã”.

Varig, Kia e o Galo
No dia 22, às 10h01, Duprat voa mais alto. A um interlocutor não identificado, diz que “eles vão comprar mais quatro clubes no Brasil para lavar dinheiro” e diz “que o russo agora é o dono da Varig”.

Berezovski, é verdade, quis montar sua lavanderia, mas não comprou a Varig.

Uma semana depois, Duprat fala a alguém não identificado que é contra o empréstimo do lateral Coelho para o Atlético Mineiro, “porque existe algum esquema entre o Kia, o Nesi e o Atlético”.

Coelho, como sabem até as montanhas das Alterosas, é hoje jogador do Galo.

Duprat onipresente
Mas Duprat não desiste, Duprat insiste, está em todas.

E em conversa com um dos vice-presidentes do Corinthians, Jorge Kalil, manifesta sua surpresa com o fato de a Unimed querer Carlos Alberto emprestado e pagando tudo, salário e direito de imagem:

– Como é que um plano de saúde tira dinheiro do caixa para pagar empréstimo de jogador?- pergunta, provavelmente pela sua experiência com a falida Unicor, que fez papel semelhante no Santos e quebrou.

No mesmo diálogo, Duprat diz a Kalil que Carla Dualib, a neta do presidente, prefere ele, Kalil, como laranja do avô a Edgard Soares, outro vice de Dualib.

“Aquela mulher gorda”
O clima esquenta.

Curi diz a Duprat que “está arranjando uns guardas para bater em Martinez” (diretor de futsal do clube) e pergunta se Berezovski vem mesmo ao Brasil. Duprat diz que sim, “mas se ele não vier já tenho outro judeu” e acrescenta que está tentando pegar Robinho emprestado.

Não é incrível que alguém pudesse acreditar?

Enquanto pululam quimeras, esquentam as negociações para Berezovski vir ao país.

Dualib garante num diálogo com Curi que Duprat já acertou tudo com Brasília.

Nesi garante que “aquela mulher gorda estava atrapalhando” e Dualib a identifica como Clara Arnt, “da ala radical do PT e contra o Boris”.

Clara, secretária pessoal de Lula, confirma à reportagem a tentativa de se fazer Berezoviski chegar ao presidente:

-Fui contra desde sempre que o presidente o recebesse.

No gabinete de Lula
Curi acrescenta que o presidente Lula teria gostado da visita deles – os dirigentes corintianos -, mas que é bom não comentar nada sobre o fato de terem ido falar sobre o Boris, para que ninguém mais trabalhe contra.

Sim, Dualib, Curi e Duprat estiveram com o presidente da República e pediram que ele se esforçasse para eliminar as barreiras que impediam a entrada do bilionário russo no Brasil. (Encontro esse noticiado pelo Blog do Boleiro neste Terra Magazine).

Numa cena constrangedora, Curi até pediu que Lula ligasse na frente deles para Berezovski. Não foi atendido, segundo relata Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência, ouvido sobre o episódio pela reportagem na última quarta-feira, 5 de setembro:

-A pedido da direção do Corinthians, nos limitamos a ver se era possível conseguir a extensão do asilo político dele na Inglaterra para o Brasil e não sabíamos sobre o russo o que sabemos hoje. Agora temos tratado de extradição com a Rússia e é impensável tê-lo aqui. Além do mais, vi Duprat apenas na audiência com o presidente e jamais falei com ele sobre qualquer assunto depois disso-, garante Carvalho embora confirme que houve gestão, na mesma direção, do jornalista Breno Altman, ligado ao ex-ministro José Dirceu.

Em nome de Zé?
Altman chegou a viajar para a Europa para se encontrar com Berezovski e, quando da primeira vinda do russo ao Brasil, organizou reuniões para ele.

A justificativa é simples: o russo queria investir no Brasil em estádios, biodiesel, etanol etc, e estava até disposto a passar parte do ano por aqui.

Dono de uma fortuna avaliada na casa dos US$ 4 bilhões, Berezovski mobilizou diversos segmentos, aí incluída a Assembléia Legislativa de São Paulo, por intermédio do deputado estadual petista Vicente Cândido, um dos articuladores da frustrada vinda do bilionário; segundo o deputado mesmo dizia, sempre em nome de José Dirceu.

Mas a Operação Perestroika -alusão ao processo conduzido por Mikhail Gorbatchev que culminou com a abertura política na Rússia- traz de volta o mesmo nome de um velho personagem da corrupção no futebol brasileiro.

O retorno de Moreira?
Em 1982 a revista Placar desvendou um esquema de manipulação de resultados dos jogos da Loteria Esportiva que se tornou conhecido como a “Máfia da Loteria”. Sobressaía-se, então, um jornalista cearense de nome Flávio Moreira. Ele trabalhava na agência Sport Press e era quem escolhia os 13 jogos da loteca.

Descobriu-se que Moreira fazia a escolha de acordo com os grupos que manipulavam os resultados pelo país afora.

Pois é um tal Flávio Moreira quem procura Duprat -segundo o relatório da PF- para oferecer seus serviços para “classificar” o Corinthians no Campeonato Paulista, nega-se a falar mais pelo telefone e manda tirar suas referências com Paulo Pelaipe, diretor de futebol do Grêmio.

Duprat, surpreendentemente, o dispensa e a conversa não evolui ou, pelo menos, não tem novos registros nas escutas da PF.

Uma fonte ouvida pela reportagem garante que Flávio Moreira é Flávio Moreira.

Futebol, corrupção… e amor
Esta novela, como quase todas, está recheada de histórias de amor. Uma com final feliz em Londres e outra permeada por suspeita de corrupção no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Kia Joorabchian passou pelo Brasil e levou para Londres a bela morena Tatiana, com quem se casou na sexta 7, o dia da Pátria (a nossa…), em luxuosa cerimônia.

O outro caso de amor tem como palco a Cidade Maravilhosa.

Revelado por meio de uma conversa entre o presidente do Flamengo, e dono de cartório no Rio, Márcio Braga, com o ex-juiz de Direito e ex-presidente do Fluminense, atualmente ouvidor da CBF, Francisco Horta.

Ambos tratam de uma ação que corre sobre as eleições na Federação Estadual do Rio de Janeiro.

Vingança de ex-mulher
Braga critica uma liminar concedida por um desembargador e alega que este faz tudo que um outro poderoso desembargador pede.

Horta comenta que o magistrado que concedeu a liminar estaria “emocionalmente quebrado”, pois se separou da mulher e começou a namorar uma juíza, filha de um casal de desembargadores.

Horta revela que foi procurado pela ex-mulher do desembargador que concedeu a liminar. Ela, segundo Horta, queria lhe entregar um dossiê sobre o ex-marido, mas ele não a teria recebido. E comenta:

-Pior que uma traição conjugal é a corrupção, é gente vender sentença.

Braga concorda, acrescenta que atua junto à Justiça há quase 50 anos e que sempre houve corrupção, mas que nos últimos 10 anos eles perderam a vergonha.

Operação abortada
No futebol brasileiro, não é bem assim.

Ao que se sabe, e quanto mais se sabe, mais se demonstra que vergonha nunca houve.

E mais não se sabe desta novela porque, estranhamente, quando a PF mais avançava em suas investigações e se preparava para os capítulos finais da Operação Perestroika, eis que o Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça, o que abortou a seqüência dos trabalhos.
 
Terra Magazine

Renan tem de 8 a 12 votos em aberto

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Aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) e líderes da oposição afirmam que os votos do PT e o tamanho da “traição” nas bancadas do PSDB e do DEM serão definitivos no resultado da votação da cassação do presidente do Senado, na quarta. Em ambos os lados, a avaliação é similar, embora nem sempre os nomes coincidam: há, hoje, uma margem de 8 a 12 votos em aberto, que podem mudar o jogo na última hora.

A contabilidade dos aliados de Renan, que já foi otimista ao prever a repetição do placar que o elegeu presidente da Casa (51 a 28), hoje aponta vitória apertada. As planilhas contam com votos de até sete senadores do DEM e três do PSDB. Constam da lista elaborada por líderes do PMDB os senadores do DEM: Efraim Morais (PB), Edison Lobão (MA), Adelmir Santana (DF), Romeu Tuma (SP), Heráclito Fortes (PI), ACM Júnior (BA) e Maria do Carmo (SE).

No PSDB: Flexa Ribeiro (PA), Papaléo Paes (AP) e João Tenório (AL). Nas contas dos peemedebistas, somente 2 dos 12 senadores do PT não ficarão ao lado de Renan: Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR). “A margem para a absolvição será de oito ou dez votos. Ninguém tem a convicção de culpabilidade dele’’, afirma o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO).

Desfecho
O desfecho do caso está marcado para as 11h de quarta-feira, em sessão e votação secretas no plenário. Para que seja aprovada a perda do mandato são necessários 41 dos 81 votos. Pela previsão da oposição, só na bancada do PT são esperados cinco ou seis votos pela cassação: Suplicy, Botelho, Delcídio Amaral (MS), Flávio Arns (PR), Paulo Paim (RS) e Aloizio Mercadante (SP), cujo discurso é considerado dúbio. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), descartam uma “traição’’ expressiva em suas bancadas.

Pressionados, Papaléo e Flexa declararam que não vão contrariar o partido. Outro fator que pode influenciar são as pressões regionais e o desgaste de participar de uma operação para salvar o mandato de Renan. Nos bastidores, predomina o argumento que este é apenas o primeiro dos três processos que ainda estão pela frente, ou seja, a crise ainda estaria longe do final.

“Houve uma mudança de posição depois do 11 a 4 (pela cassação) no Conselho de Ética. Muita gente viu como uma sinalização, foi a primeira manifestação pública do Senado, afirmou Agripino. A lista da oposição enumera senadores que já foram pró-Renan mas que mudaram de lado: Magno Malta (PR-ES), Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Expedito Júnior (PR-RO).

No caso de Malta, ele enfrentou pressão e perdeu espaço no Estado para o relator Renato Casagrande (PSB-ES), novato na Casa e defensor da cassação de Renan. Garibaldi Alves inclinou-se ao aliado José Agripino. E Expedito Júnior deve ir para o PSDB. Na quarta, Renan fará um discurso de defesa. Ele dividirá seu tempo com o advogado Eduardo Ferrão. (Folhapress)
 
Foto: José Cruz(Agência Senado)

Abaixo o preconceito

A prefeitura, veja só, não aceita entre os candidatos do concurso a guardas municipais aqueles que têm menos de 20 dentes na boca – 10 embaixo e outros tantos em cima.

Para o presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas, Eduardo Moiolli, a medida adotada no edital de contratação dos futuros guardas é um absurdo e um ato de exclusão social.

Vi no blog do Ancelmo

Onde Lula aplicou parte de sua grana

bancoop.jpgDe Karla Correia no Jornal do Brasil, hoje:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os três maiores fundos de pensão estatais – Petros, da Petrobras, Previ, do Banco do Brasil e Funcef, da Caixa Econômica – e integrantes do PT decidiram investir, nos últimos quatro anos, em uma cooperativa que, de uma das mais importantes construtoras de imóveis residenciais do Estado de São Paulo, transformou-se, nesse mesmo período, numa empresa com déficit financeiro estimado em R$ 100 milhões investigada por suspeita de desvio de recursos e lavagem de dinheiro. Não bastasse a queda vertiginosa nos negócios de 2003 para cá e os indícios de práticas ilegais, a cooperativa em que Lula, fundos de pensão de estatais e membros do PT aplicam seu dinheiro ainda ameaça tungar o patrimônio de três mil pessoas.

Trata-se da Bancoop, cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, fundada em 1997 pelo hoje presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e comandada desde sempre pelo alto escalão do partido. Em maio de 2005, Lula adquiriu cotas da Bancoop para comprar um luxuoso apartamento dúplex de três quartos em um condomínio – o Mar Cantábrico – de dois edifícios que está em construção na Praia das Astúrias, localizada no balneário do Guarujá (SP), uma das regiões mais valorizadas do litoral paulista no mercado imobiliário. A cota está no nome da primeira-dama, Marisa Letícia, mas consta do patrimônio declarado pelo presidente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado, como candidato à reeleição. Na época, Lula tinha pago um total de R$ 47.695,38 em prestações.

O preço final do imóvel não é revelado pela Bancoop, mas as imobiliárias locais avaliam um apartamento de semelhante perfil em algo em torno de R$ 350 mil a R$ 400 mil. A promessa da cooperativa é entregar seus imóveis a um preço 40% abaixo do praticado pelo mercado – o que por si já chama atenção como um bom negócio – e seria teoricamente impossível ao presidente encontrar um parceiro mais confiável para a empreitada, uma vez que a direção da cooperativa sempre esteve sob a responsabilidade de companheiros de legenda e de trajetória político-sindical.

Contudo, a aparência de companhia sólida escondia um verdadeiro ralo de dinheiro. Com 47 empreendimentos, 15 mil cooperados, a Bancoop começou a parar o andamento de obras por falta de recursos. E passou a exigir de seus associados o pagamento de parcelas adicionais para completar o caixa das empreitadas. Tal prática, na avaliação do Ministério Público de São Paulo, faz com que os imóveis construídos pela cooperativa acabem tendo preço equivalente aos de incorporadoras comuns, que não contam com os benefícios de isenção fiscal de uma cooperativa”.

Charge do dia

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