Archive for the ‘Diplomacia’ Category

Luta segue noite adentro em Gaza; aumenta número de mortos

Soldados israelenses com apoio da artilharia aérea disputavam território nesta segunda-feira, 5, com combatentes do Hamas dentro da Faixa de Gaza, apesar dos apelos internacionais por um cessar-fogo.

Segundo oficiais da ONU e autoridades da saúde de Gaza, mais de 550 palestinos morreram e cerca de 2,5 mil ficaram feridos desde o início da ofensiva israelense, há dez dias, que já vitimou mais de 200 civis. Em discurso em uma rádio nesta noite, Abu Ubaida, porta-voz militar do Hamas, conclamou os combatentes a lutarem “em cada rua, em cada beco” e ameaçou disparar ainda mais foguetes contra Israel.

Os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, que foi ao Oriente Médio tentar mediar a crise, e dos EUA, George W. Bush, a 15 dias do fim de seu mandato, fizeram um apelo por um cessar-fogo. Mas as discordâncias sobre quem vai parar de atirar primeiro e quais seriam os termos da trégua tornam essa hipótese remota.

AP

Cidade de Gaza é atacada por Israel durante a noite. Foto: AP

Falta comida, água e energia em Gaza. Entre as vítimas desta segunda-feira estão 13 integrantes de uma família palestina cuja casa, num campo de refugiados, foi atingida num bombardeio, segundo fontes médicas.

Cinco das oito linhas que fornecem eletricidade à faixa vindo de Israel e do Egito foram destruídas pelos ataques israelenses, que também inutilizaram a única central elétrica desse território palestino, o que lhe deixou sem 75% da provisão de energia que precisa. Além disso, a grande maioria de poços funciona com bombas a motor, e por isso sem eletricidade não há água.

O Exército de Israel disse já ter matado dezenas de combatentes do Hamas desde o início da incursão terrestre, no sábado, depois de uma semana de bombardeios por mar e ar. Israel lançou a ofensiva depois do fim de uma trégua de seis meses, em dezembro, quando o Hamas intensificou o uso de foguetes em resposta contra as ações militares e o bloqueio ao território, que esteve sob ocupação israelense entre 1967 e 2005.

Os combates desta segunda-feira entraram pela noite. Militantes usam morteiros, granadas e minas, e tentam atrair os soldados para áreas densamente urbanizadas, segundo testemunhas. A Força Aérea de Israel bombardeou dezenas de alvos, inclusive casas de membros do Hamas usadas como depósitos de armas.

Ao anoitecer, os soldados tentavam capturar um morro com vista para a cidade de Jabaliya e um campo de refugiados, mas enfrentavam a forte resistência dos combatentes islâmicos, segundo testemunhas. Israel concentrava sua artilharia e sua aviação nessa área.

O avanço militar de Israel na Faixa de Gaza, que tem 40 quilômetros de comprimento, separou o território. A Cidade de Gaza está sob cerco. A divisão da faixa em três partes sem comunicação pelas forças invasoras israelenses faz com seja “extremamente perigosa” a passagem de um lado a outro, o que dificulta o trabalho das agências humanitárias, incapazes de chegar aos mais de um milhão de pessoas que dependem delas para sobreviver.

Não há também sacos de cadáveres para todas as vítimas do conflito. Israel deixou passar nesta segunda um caminhão com ajuda humanitária e 200 mil litros de combustível, mas o fornecimento não chegou ao outro lado em função dos incessantes ataques do Exército israelense.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que a operação ainda pode ficar mais difícil. De acordo com ele, o Hamas sofreu um golpe, “mas não podemos dizer que sua capacidade de combate tenha sido afetada”. “O Hamas não buscou o confronto direto com as nossas forças e quer atraí-las para áreas urbanas. Há momentos difíceis pela frente nesta operação, e o principal teste ainda pode estar por vir.”

A chanceler de Israel, Tzipi Livni, rejeitou as propostas européias para o envio de observadores internacionais à Faixa de Gaza, e sugeriu o envio de equipes que ajudem a localizar e lacrar túneis que possam ser usados pelo Hamas para o contrabando de armas. Na ONU, países árabes estão redigindo uma resolução – com poucas perspectivas de aprovação – que exige um fim imediato à “agressão israelense.”

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Charge do Dia

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Equador busca apoio internacional para dar calote no Brasil

Por Ruth Costas, no Estadão

O Equador qualificou ontem de “lamentáveis” e resultado de “uma prática política condenável” as declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, sobre a decisão de Quito de levar à arbitragem internacional uma dívida com o BNDES. Amorim disse que a medida foi “um tiro no pé” porque o Brasil seria uma das poucas fontes de crédito dos equatorianos.

“Nosso Estado é soberano e tem o direito de ir a arbitragens quando considerar que um contrato afeta seu interesse nacional”, disse o ministro de Segurança equatoriano, Gustavo Larrea. “Se um país condiciona suas fontes de financiamento a que o Equador não tenha direito de exigir seus interesses, não nos interessa. Essa é uma prática política condenável.”

Quito não quer pagar 30% de sua dívida externa de US$ 10 bilhões. Desse montante, US$ 242,9 milhões correspondem a recursos emprestados pelo BNDES para financiar obras da Odebrecht. Quito começou na terça-feira uma campanha internacional para conseguir apoio. Seus enviados já estão na Argentina e no Chile e devem viajar para os EUA e o Peru.

Outros governos, como o do venezuelano Hugo Chávez, já manifestaram sua solidariedade a Quito. “Esse é um caso típico de colonialismo econômico”, disse Chávez num encontro com líderes da região em novembro, quando foi anunciado que Venezuela e Bolívia também poderiam “auditar” suas dívidas.

O Brasil endureceu o tom. Chamou de volta seu embaixador em Quito e ameaçou não financiar mais obras de infra-estrutura em países que seguissem o caminho equatoriano. A polêmica, porém, já havia lançado o País no que parece ser uma nova e delicada fase das relações com os países vizinhos.

O Paraguai agora quer o “perdão” de US$ 19 bilhões referentes às obras da hidrelétrica binacional de Itaipu. E Caracas deu uma resposta vaga a uma consulta do Itamaraty sobre se a “auditoria” da sua dívida poderia atingir interesses brasileiros.

Juiz decide hoje se Cacciola fica preso

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 Por Maria Luiza Rabello e Lorenna Rodrigues, na Folha desta segunda:
Está marcada para hoje, às 11h (horário de Brasília), a primeira audiência judicial do ex-banqueiro Salvatore Cacciola em Mônaco, foragido da Justiça brasileira desde 2000. Tanto o governo brasileiro quanto o advogado de Cacciola no Brasil, Carlos Ely Eluf, consideram a sessão de hoje decisiva para um eventual processo de extradição do ex-banqueiro. O juiz pode decidir por prendê-lo para fins de extradição, pode liberar Cacciola por entender que os crimes dos quais é acusado no Brasil não foram cometidos em Mônaco ou ainda mantê-lo detido para dar um prazo maior para que as autoridades brasileiras justifiquem o pedido de extradição. Cacciola está detido em um comissariado (delegacia) em Mônaco, sob responsabilidade da Interpol, desde anteontem.

Foto: Estadão

Ação contra jornal alarma Equador

As recentes pressões do presidente equatoriano, Rafael Correa, contra a imprensa de seu país revelam um quadro preocupante no que se refere à liberdade de imprensa em mais uma nação latino-americana. As relações entre o presidente equatoriano e os meios de comunicação estão estremecidas desde maio, quando ele resolveu abrir um processo contra o diretor-presidente do jornal La Hora, Francisco Vivanco, por um editorial que dizia que Correa governava com ‘tumultos, pedras e paus’. ‘Esse processo mostra uma escalada de violência por parte do governo, que vem desqualificando permanentemente os meios de comunicação no país’, afirmou Vivanco, por telefone, ao Estado. De acordo com o presidente do La Hora, toda a imprensa equatoriana viu o episódio como uma ameaça clara à liberdade de expressão no Equador.

O Estado de São Paulo

O turbante negro do Itamaraty: voto do Brasil na ONU ajuda o Irã

Por Jamil Chade, no Estadão desta terça:
Em meio a uma das crises políticas mais sérias dos últimos anos envolvendo o Irã, o Brasil decidiu ontem na Organização das Nações Unidas (ONU) abster-se em uma votação secreta sobre as violações dos direitos humanos pelo governo de Teerã. O debate ocorreu em Genebra e tinha como base dezenas de alegações de violações de direitos humanos que a ONU recebeu nos últimos meses em relação ao Irã, acusando o governo de violações “sistemáticas e massivas”.O Estado teve acesso ao resultado da votação e apurou que Teerã conseguiu escapar de uma condenação e evitou que as investigações prosseguissem. Para não criar problemas diplomáticos para os governos, o conteúdo das acusações e mesmo as votações são mantidos em sigilo pela ONU e pelos diplomatas.Parte da vitória iraniana deveu-se ao voto de Cuba, Rússia e de alguns países africanos e asiáticos pelo arquivamento do processo. Os países do Ocidente, em sua grande maioria, votaram pela continuação das investigações, entre eles a Argentina e outros latino-americanos. Mas o Irã acabou favorecido pelas abstenções de países como Brasil, Equador, Japão e Coréia do Sul. Diplomatas estrangeiros que estiveram dentro da sala de reuniões revelaram que o Brasil não se deu o trabalho sequer de explicar sua abstenção.

Charge do dia

Paredão BBB

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Por que Bush veio ao Brasil

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Do americano Joseph Stiglitz, 64, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, em entrevista à Folha de S.Paulo, hoje:
“Por que o presidente Bush de repente “descobriu” a América Latina e a questão do álcool?
JOSEPH STIGLITZ –
Não me surpreenderia se ele tiver percebido que está perdendo a batalha para conquistar corações e mentes no planeta. Isso é mais visível na América Latina. Ele apoiou a tentativa de derrubada de [Hugo] Chávez. E a vitória de Chávez e o resultado no Equador sugerem que o tipo de política que ele tem empreendido tem sido rejeitada.

E a questão energética? Por que seria Bush o presidente a tentar reduzir a dependência americana de petróleo?
STIGLITZ –
Primeiro, Bush se convenceu dos riscos da dependência energética. Foi forçado a reconhecer o aquecimento global, e algo precisa ser feito. A combinação dessas duas coisas o levou a perceber que suas políticas passadas falharam. Entretanto, se você olhar suas políticas, elas refletem sua falta de compreensão do mecanismo econômico básico por conta de sua manipulação por grupos de interesse. Então, ele finalmente começou a falar sobre biocombustível. Ele continua a ter uma taxa de US$ 0,50 sobre o álcool brasileiro. E, se quer menos dependência em relação ao Oriente Médio, ele poderia mudar isso rapidamente eliminando a tarifa sobre o álcool brasileiro. Em vez disso, mantém a tarifa e continua a subsidiar o álcool americano, feito de milho, que é muito ineficiente.

O senador Richard Lugar acaba de apresentar proposta para reduzir a tarifas sobre o álcool brasileiro. Qual as chance de isso ocorrer?
STIGLITZ – É muito difícil dizer, porque há duas forças conflitantes. Uma é o grupo ambientalista, preocupado em reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis. Combinado a isso, há quem ache que devemos ser coerentes em nossa retórica de mercados livres e justos. Por outro lado, um sentimento protecionista continua na base agrícola. Mais do que os produtores de milho, a atuação real nisso é feita por meio de agribusiness como a Archer Daniels Midland, que é a maior produtora de álcool e que sabe que não pode competir com o álcool brasileiro. É uma grande doadora para os dois partidos. Assim, não sei a resposta para sua pergunta. Espero que os que acreditam em princípios e os que estão preocupados com o ambiente consigam superar os doadores de campanha, mas não tenho certeza disso.

Essa viagem de Bush e a agenda a seguir, com Lula indo aos EUA, significam mudança real na política em relação à AL?
STIGLITZ – Acho que a mudança na política da América Latina cada vez mais significa que Lula aparenta ser um moderado. Então, ele é a pessoa a quem vão dedicar mais atenção política, que é visto mais como estando no centro do espectro político da América Latina.”