Archive for the ‘Criança’ Category

Menino de 9 anos salva a mãe de estupro ao morder orelha do agressor

Reprodução/TV Tem Orelha machucada após mordida de criança em Bauru

Foto: Reprodução/TV Tem Orelha machucada após mordida de criança em Bauru

A coragem de um menino de 9 anos salvou a mãe dele de um estupro na última segunda-feira (5) em Bauru, a 329 km de São Paulo. Segundo testemunhas e a Polícia Militar, a vítima apanhou muito e só não foi estuprada porque o filho a defendeu. O menino pulou nas costas do agressor e mordeu a orelha dele, até que o homem largasse a mãe.

O homem teria invadido a casa no Jardim Araruna e tentado estuprar a dona da residência. O suspeito, de 35 anos, já tinha passagem na polícia por lesão corporal e direção perigosa. Ele foi socorrido no Pronto-Socorro central, onde levou dez pontos na orelha e fez exame de HIV.

A família e os vizinhos passaram a tarde desta segunda prestando depoimento. No fim da tarde, o suspeito também foi ouvido na delegacia do município.

Fonte: Portal G1

Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

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Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.

Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.

Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.

Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.

Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?

Kibado do blog do Jorge Antônio Barros

Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO

Charge do Dia

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Nigeriano é preso por matar 110 “crianças bruxas”

O homem, que afirma ser o “bispo” Sunday Ulup-Aya, revelou a uma equipe de filmagem de um documentário que ele “livrou” as crianças de um espírito demoníaco que as possuía.

Mas, após sua prisão, ele teria dito à polícia que “apenas matou as bruxas que viviam dentro das crianças e não as próprias crianças”.

Duas crianças foram encontradas quando a polícia invadiu a casa onde ele estava, mas não foram encontradas provas de que ocorreram assassinatos no local.

Ativistas de defesa dos direitos infantis no país afirmam que muitos menores são abandonados, agredidos e até assassinados porque suas famílias acreditam que estas crianças são bruxas.

Pessoas que afirmam ser “pastores” conseguem extorquir dinheiro dessas famílias com a promessa de exorcizar as crianças, mas até agora ninguém havia sido preso ou processado.

A prisão de Ulup-Aya ocorreu depois que um ativista se fingiu interessado em um exorcismo e negociou o preço do ato com ele, que não sabia que havia policiais presentes.

Ele agora deve ser processado por assassinato.
Cinco outras pessoas também foram presas desde o fim de semana, e o governo do Estado de Akwa Ibom disse que planeja realizar novos flagrantes.

Crença
Sam Ikpe-Itauma, da organização Rede para os Direitos Infantis e Reabilitação (CRARN, na sigla em inglês), afirma que trabalha há seis anos para chamar a atenção do governo do Estado de Akwa Ibom para a questão das crianças abandonadas, vendidas a traficantes ou assassinadas.

Mas, a prisão só foi feita depois que uma equipe de documentaristas da Grã-Bretanha mostrou o filme no mês de novembro. “Tantas pessoas aqui acreditam que crianças possam ser possuídas por demônios que são raras as ações contra aqueles que alegam que podem libertar as crianças em exorcismos violentos”, disse.

A organização de Ikpe-Itauma cuida de 170 crianças que foram abandonadas ou sofreram abusos depois de serem acusadas de serem bruxas.

Segundo Ikpe-Itauma outros “pastores” que alegavam libertar crianças da possessão demoníaca em exorcismos violentos foram presos, mas então libertados discretamente pela polícia.

“Agora eu temo pela minha vida”, afirmou. O porta-voz do governo do Estado de Akwa Ibom, Aniekan Umanah, negou que as autoridades tenham sido constrangidas e obrigadas a agirem para a prisão de Ulup-Aya.

“Ninguém sabia a respeito dele, ele mora em um vilarejo muito remoto”, afirmou. Umanah acrescentou que o governo estadual cuida de crianças vítimas de abuso, mas não consegue encontrar os responsáveis por este abuso devido à “falta de documentação”. 
 
Fonte: BBC Brasil

Uma em cada 10 crianças sofre abuso nos países ricos, diz estudo

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A cada ano, uma em cada 10 crianças de países desenvolvidos é vítima de algum tipo de abuso, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica The Lancet.

De acordo com a pesquisa, compilada a partir de vários estudos anteriores realizados em países da América do Norte, Europa e Oceania, entre esses abusos estão negligência, agressão física, atos sexuais e abuso emocional. Além disso, segundo os autores, apenas 10% dos casos de abuso são acompanhados pelas autoridades.

Os resultados mostram que o problema é mais grave do que se acreditava nas nações desenvolvidas.

Prejuízos a longo prazo
O estudo mostra que durante a infância, de 5% a 10% das meninas e até 5% dos meninos são expostos a atos sexuais com penetração – e até o triplo disso é exposto a qualquer tipo de abuso sexual. O casos de agressão física afetam de 4 a 16% das crianças.

Em entrevista à BBC Brasil, a coordenadora da pesquisa, Ruth Gilbert, do Instituto de Saúde Infantil da University College London, alerta que a exposição a vários e repetidos episódios de maus-tratos contribui para a mortalidade infantil, e traz prejuízos que podem perdurar até a fase adulta, como problemas emocionais e mentais, abuso de álcool e drogas, comportamento sexual arriscado, tendência ao crime e até obesidade.

Segundo Gilbert, os serviços de proteção e atenção à criança estão falhando em detectar os casos de abuso, ja que muitos não são levados às autoridades por escolas, médicos e outros profissionais de saúde infantil.

“Seria impossível reportar todos os casos. Mas as autoridades têm que ter recursos para intervir o quanto antes, principalmente em histórias de abusos graves e freqüentes – antes mesmo de avaliar a gravidade da situação” afirmou a cientista.

A pesquisa vem à tona em meio a um grande debate sobre a competência dos serviços de assistência social da Grã-Bretanha, depois que um menino de 1 ano e 5 meses, conhecido apenas como “Bebê P.”, foi morto violentamente pela mãe, seu namorado e um vizinho.

Ele vinha sofrendo abuso meses antes, mesmo com o conhecimento de autoridades. Gilbert disse que a publicação do estudo exatamente neste momento foi uma coincidência. 
 
Fonte: BBC Brasil

Vendedor é preso e confessa ter molestado ao menos 200 crianças

Redação Aqui 

Um vendedor de picolé de 45 anos foi preso em Elói Mendes, Sul de Minas, acusado de abusar sexualmente de pelo menos 200 crianças, segundo ele próprio confessou à Polícia Civil local. Dois garotos, de 8 e 11 anos, foram ouvidos pelo delegado Josias Moreira Giffoni e disseram que recebiam de R$ 0,50 a R$ 1 para praticar atos libidinosos com o vendedor, que teve a sua prisão temporária decretada pela Justiça.

A polícia já tinha recebido diversas denúncias contra o ambulante, que foi preso na manhã de segunda-feira. No dia anterior, ele teria pulado o muro de uma casa e foi flagrado seminu pela proprietária. O homem tirava a roupa da filha dela, de dois anos. O acusado foi preso na manhã seguinte, vendendo picolés naturalmente, próximo à delegacia. Vários menores, a maioria do sexo masculino, disseram ter sofrido abusos.

O acusado é solteiro e mora sozinho. Segundo a polícia, ele aliciava as crianças e as levava para a sua casa, oferecendo picolés e dinheiro para ser gasto em lan-house. Há relatos de que ele tenha consumado relação sexual com algumas das vítimas, mas somente exames de corpo de delito confirmarão ou não isso.

O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça. Enquanto isso, o vendedor permanecerá recolhido na cadeia pública local. O preso já tem passagens pela polícia, também por atentado violento ao pudor, em 1984. Ele foi liberado uma semana depois.

Capa da Veja

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Especial Veja: A vida atrás das grades

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Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá completam neste sábado, dia 22, 200 dias de prisão preventiva. No curso de quase sete meses, o casal acusado do assassinato da menina Isabella, filha de Nardoni e enteada de Anna Carolina, amargou uma sucessão de derrotas processuais (teve negados nove pedidos de soltura, dos quais o último na semana passada, pelo Supremo Tribunal Federal), viu os filhos no máximo três vezes e experimentou a sensação de ser hostilizado pelos piores entre os piores – já que a brutalidade do crime os coloca na mais infame das categorias da cadeia, aquela que é desprezada até mesmo pelos párias. Para saber como vivem hoje o pai e a madrasta de Isabella, VEJA ouviu ao longo de um mês 28 pessoas, entre pais, amigos e advogados dos acusados, além de parentes de detentos e funcionários das prisões onde eles se encontram.

Nardoni e Anna Carolina estão em cadeias vizinhas, em Tremembé, no interior de São Paulo. Ele está mais gordo e bem mais à vontade do que na sua primeira, e traumática, noite na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado. Na ocasião, presos prepararam para ele uma recepção inesquecível. à meia-noite, passaram a repetir um refrão em uníssono: “Pára, pai! Pára, pai! Pára, pai!”. A frase havia sido relatada à polícia por vizinhos dos Nardoni, que disseram tê-la ouvido de uma criança que estava no apartamento do casal, pouco antes da morte de Isabella. Trancafiado em sua cela e com o coro dos presos, que durou um minuto, martelando-lhe os ouvidos, Nardoni caiu em prantos.

Atualmente, ele divide a cela – equipada com televisão, rádio, três beliches duplos e chuveiro frio – com mais quatro presos. Um deles, de quem ficou mais próximo, é o advogado Jerônymo Ruiz Andrade Amaral, detido por tentar levar celulares para clientes presos, ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Ao contrário da maioria das prisões paulistas, superlotadas e com número insuficiente de vagas de trabalho, a penitenciária de Tremembé, considerada modelo, tem leitos de sobra e emprego para tantos quantos queiram trabalhar. Mas a atividade é obrigatória apenas para os presos condenados. Entre os provisórios, trabalha quem quer. Alexandre, até hoje, não quis. Por causa disso, sua rotina é um pouco diferente da dos demais. A maioria dos detentos acorda às 6 da manhã, quando é feita a contagem dos presos, toma café, segue para o trabalho nas oficinas e, mais tarde, para alguma aula (de línguas, música ou computação). Entre 16 e 17 horas, eles vão para o banho de sol, quando aproveitam para jogar bola. Depois disso, é jantar e cama. Como Nardoni não trabalha nem estuda (vez ou outra comparece às aulas de música), continua na cama até por volta das 10 da manhã. Quando vai para o banho de sol, não participa das peladas: fica sentado na arquibancada, sozinho ou acompanhado do amigo Jerônymo. Muitas vezes, dispensa uma das refeições, já que recebe comida de sobra dos pais, que o visitam semanalmente. Antonio Nardoni e a mulher chegam carregados com uma caixa e sacolas de frutas, bolachas, chocolates, refrigerantes e outras guloseimas para o filho dividir com a cela toda. Também deixam remédios, pasta de dentes, repelente contra insetos (a prisão fica em uma área repleta de mata, o que atrai pernilongos) e revistas, que Nardoni pouco lê. Ele prefere ver TV, o que faz praticamente o dia todo.

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A rotina de Anna Carolina na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, a quinze minutos da cadeia de Nardoni, é um pouco mais movimentada. A madrasta de Isabella divide a cela com quatro detentas e trabalha na limpeza e na distribuição de alimentos. Dias antes da sua chegada, a direção da cadeia achou por bem deixar as presas sem ver televisão. Temia que, diante da repercussão do crime, elas reagissem mal à presença da mulher. Ao contrário do marido, Anna Carolina não enfrentou demonstrações barulhentas, mas teve de engolir a frieza de algumas presas que até hoje viram o rosto à sua passagem. Para aumentar as chances de uma estada sem maiores sobressaltos, ela adotou o expediente ao qual costumam recorrer acusados de crimes malvistos na cadeia (tais como estupro, no caso dos homens, e assassinato de crianças, no caso dos homens e mulheres): buscou abrigo na ala dos evangélicos. Nas prisões, os “convertidos”, pelo fato de ficarem de fora dos grupos que disputam o poder e de serem considerados “café-com-leite”, ganham uma espécie de escudo contra agressões. Anna Carolina passou a freqüentar cultos e a cantar no coral. Chegou a pedir ao pastor da cadeia para ser batizada. O pedido foi negado: o pastor respondeu que era cedo demais. Apesar da sua recém-professada fé evangélica, a madrasta de Isabella, que antes da prisão se dizia católica, gosta de ler autores espíritas, como Chico Xavier e Zibia Gasparetto.

No mês passado, Anna Carolina e Nardoni receberam pela primeira vez a visita dos filhos, Pietro, de 3 anos, e Cauã, de 1. Uma amiga de infância de Anna Carolina contou a VEJA que, a princípio, ela não queria que os meninos fossem vê-la. “Dizia que cadeia não era ambiente para crianças.” Mas, à medida que os pedidos de soltura foram sendo negados e a saudade foi aumentando, Anna Carolina mudou de idéia. Seus advogados conseguiram, então, uma decisão judicial autorizando as visitas dos meninos em dias de semana, para poupá-los do assédio da imprensa. Em 29 de outubro, uma quarta-feira, Pietro e Cauã reviram o pai e a mãe pela primeira vez em quase seis meses. “Foi um momento de muita alegria e emoção”, disse Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina. Depois de tanto tempo sem ver os pais, Cauã, que vai completar 2 anos em abril, já estava ficando um pouco confuso. Quem conta é Antonio Nardoni, pai de Alexandre: “Ele está perdendo a referência. Às vezes, chama minha filha de mãe e meu genro, de pai. Outras vezes, chama minha mulher de mãe e a mim, de pai”. Amigos da família disseram que as crianças, que sempre tiveram um comportamento difícil, estão um tanto agressivas. Segundo eles, os conhecidos dos avós são freqüentemente recebidos com beliscões e, certa vez, até com tapa no rosto.

Cauã ainda não vai à escola e Pietro mudou de colégio depois da morte de Isabella. Para ficar anônimo, o menino usa um dos sobrenomes menos divulgados da família. Salvo os professores e a direção, ninguém na escola sabe quem são seus pais. De vez em quando, o menino fala da irmã. “Ele acha que a Isabella virou uma estrelinha”, conta Alexandre Jatobá. “Às vezes, vai à janela à noite, aponta para o céu e diz: ‘Olha a Isa lá, vovô!’”. Como, por ocasião do crime, tanto o pai de Anna Carolina quanto o pai de Nardoni deram entrevistas na TV, eles são freqüentemente reconhecidos – e, por vezes, hostilizados – nas ruas. Por causa disso, os avós quase nunca passeiam com as crianças. Alexandre Nardoni, por seu turno, desperta reações de outro tipo de público na cadeia: os filhos dos presos. A mãe de um detento conta que, ao levar a neta de 6 anos para ver o pai na penitenciária de Tremembé, ouviu da menina o comentário: “Olha, vó, é o homem que jogou a Isabella pela janela!”.

A prisão em que está Nardoni reúne um número recorde de “celebridades” do mundo do crime. Estão lá Marcos Valério, o ex-carequinha do mensalão, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, assassinos confessos dos pais de Suzane von Richthofen, e Mateus da Costa Meira, o estudante que matou três pessoas num cinema em São Paulo. O nome mais recente na galeria dos bandidos tristemente famosos de Tremembé chegou no mês passado: é Lindemberg Alves, o assassino da jovem Eloá Pimentel. A penitenciária de Anna Carolina também tem uma hóspede notória, além dela própria: a ex-estudante Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais. Embora estejam na mesma ala, as duas não são amigas e nem mesmo se falam.

Ao contrário do marido, que, nos domingos de visita, ganha enormes “jumbos” (como os presos chamam os alimentos e provisões trazidos pela família), Anna Carolina recebe de seus pais pacotes bem mais modestos. No último dia 9, por exemplo, quando completou 25 anos, teve de se contentar em comemorar a data com um singelo bolo Pullman, que ela enfeitou com uma mistura de creme de leite e chocolate em pó. O pai de Anna Carolina sempre teve uma vida financeira instável – e uma coleção de pendências com a Justiça. Atualmente, responde a três processos criminais, sendo um por furto de energia, outro por estelionato e um terceiro por importunação ofensiva ao pudor. Pouco depois do crime, com problemas de crédito, Jatobá pediu a uma amiga que lhe “emprestasse” o nome para que pudesse financiar a compra de um carro e, assim, poder visitar mais facilmente a filha na prisão. Condoída com a situação, a amiga aceitou ajudá-lo e hoje está às voltas com cobranças de parcelas atrasadas e um automóvel que não pode ser devolvido porque Jatobá o bateu. Atualmente, ele circula com veículos alugados, embora nem sempre tenha dinheiro para pagar a locação. No último dia 12, depois de conversar com VEJA, pediu à repórter 5 reais para completar o pagamento da diária de 39 reais. Diante da negativa, pendurou a dívida e pediu carona à reportagem.

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No clã dos Nardoni, os problemas são de outra ordem. Cerca de dez dias antes da morte de Isabella, veio à tona na família a revelação de que o pai de Alexandre havia tido um relacionamento com a concunhada e que, dessa relação, nascera um menino hoje com 3 anos. Alexandre Nardoni confirmou o episódio em interrogatório diante do juiz Maurício Fossen, em maio. Perguntado sobre quantos irmãos tinha, ele, inicialmente, citou apenas Cristiane. Em seguida, acrescentou que tinha mais um, “um menino que meu pai teve fora do casamento”. Corre em segredo de Justiça um processo amigável para que Antonio Nardoni reconheça a paternidade da criança.

O pai de Alexandre Nardoni e o pai de Anna Carolina têm uma relação tensa. Quando Antonio Nardoni vai pegar os netos na casa de Jatobá, recusa-se a subir ao apartamento: fica esperando pelas crianças na garagem do subsolo. Quando é Jatobá quem vai pegar os meninos com Antonio Nardoni, e se atrasa, o pai de Alexandre telefona reclamando, o que deixa Jatobá irritado. Apesar das implicâncias mútuas, as famílias se esforçam para preservar a relação, já que a dinâmica estabelecida entre elas interessa a ambas: os Jatobá, com mais tempo livre, cuidam das crianças, e os Nardoni, com mais dinheiro no bolso, pagam a escola de Pietro e as despesas com os advogados do casal. Entre Alexandre e Anna Carolina, dizem seus pais, tudo vai às mil maravilhas – na medida em que pode ir às mil maravilhas uma relação na situação dos dois. Seus pais afirmam que eles trocam cartas semanalmente e que o tom das mensagens é carinhoso. A amiga de infância de Anna Carolina ouvida por VEJA disse, porém, que, nas cartas trocadas entre elas, a madrasta de Isabella nunca menciona o marido.

Na próxima semana, a defesa do casal vai recorrer da sentença de pronúncia que determinou que os acusados devem ir a júri popular. As chances de reverter a decisão são ínfimas. Mantida a pronúncia, o plenário do júri deve ocorrer no ano que vem. Fará parte da estratégia da acusação uma apresentação do perfil psicológico de ambos, traçado pelo Ministério Público com a ajuda da pesquisadora criminal Ilana Casoy. O promotor Francisco Cembranelli tentará provar que a personalidade de Nardoni e a de Anna Carolina são compatíveis com a dinâmica da tragédia por ele descrita: de que a madrasta asfixiou a menina e o pai a arremessou pela janela (veja a versão da acusação). No plenário, Cembranelli sustentará que Nardoni é um jovem fracassado e frustrado, dependente do pai e incapaz de tomar decisões para evitar problemas – só reage quando eles já estão criados. Anna Carolina será descrita como alguém que age de forma impulsiva e nutre uma agressividade crescente e descontrolada. A promotoria também pretende levar ao júri pelo menos duas explicações inéditas: as circunstâncias da briga que o casal teve na noite do crime e o motivo pelo qual acredita que a esganadura da menina foi provocada pela madrasta. Se forem considerados culpados, Nardoni e Anna Carolina poderão sentir saudade dos tempos da prisão provisória. Não porque deverão ir para uma penitenciária pior – é provável que continuem no mesmo lugar. Mas, nesse caso, saberão que será por muito, muito tempo.

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Mãe diz que jogou bebê pela janela

Reportagem de Patricia Giudice para O Tempo:
A mãe da criança abandonada no ribeirão Arrudas na tarde de domingo foi presa ontem pela Polícia Civil e encaminhada para um hospital. Elisabete Cordeiro dos Santos tem 25 anos, é solteira e mora com a mãe na Vila Dom Bosco, em Contagem. No momento da prisão, que ocorreu na casa dela, Elisabete não mostrou arrependimento de ter jogado a filha no rio, segundo o delegado Anderson Pires Bahia, da 4ª seccional. “Não alegou motivo para fazer isso. Ela disse que queria abortar. Conversou normalmente, assumiu o fato e está tranqüila. Não se arrependeu”, afirmou.

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Segundo o delegado, a mãe falou que jogou a menina pela janela da casa dela. Até o início da noite de ontem, a criança permanecia internada no Hospital Municipal de Contagem, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A mãe foi levada para o Instituto Médico-Legal (IML), onde passou mal. Depois foi conduzida para um hospital em Belo Horizonte onde também vai ficar internada. O delegado informou que pediu que fossem realizados exames de lesão corporal, puerpério e sanidade mental.

Nas explicações iniciais dadas à polícia, ela afirmou que cometeu o aborto dentro do banheiro de sua casa, após tomar um medicamento. A mãe teria colocado o bebê em uma sacola e jogado pela janela. A parte de trás da casa onde mora coincide com um barranco que dá para o ribeirão. Mas a polícia desconfia que a mãe pode ter colocado a criança na beira do rio. São cerca de 2 m de altura da residência até a água e a sacola pode ter percorrido cerca de 10 m até o local onde foi encontrada.

Funcionários do hospital onde Elisabete está internada informaram que ela apresentou uma hemorragia uterina e pode estar com depressão pós-parto. Ela iria passar a noite no hospital com escolta policial. A instituição divulgou um boletim no início da noite informando que ela foi internada às 11h40, submetida a uma curetagem, passava bem e não tinha previsão de receber alta médica. A mãe foi presa em flagrante e pode pegar de cinco a 13 anos de prisão. De acordo com o delegado, trata-se de uma tentativa de homicídio com o agravante de ser contra uma pessoa indefesa. O inquérito deve ser concluído em dez dias.

Elisabete é conhecida como Tuca e estava em casa no domingo quando ocorreu toda a movimentação da imprensa e curiosos. Moradores da região contaram que enquanto a bebê era resgatada, Elisabete observava a ação pela janela, mas não saiu de casa.

A mãe da criança disse ontem aos policiais que teve um relacionamento rápido com o pai do bebê e, com vergonha, acabou escondendo a gravidez. Os agentes estão tentando localizar o pai. Ele mora no bairro Paulo 6º, na região Noroeste de Belo Horizonte, e não sabia da gravidez. Depois que sair do hospital, Elisabete vai prestar depoimento oficial na delegacia e ser encaminhada para uma penitenciária.

A notícia de que ela havia sido presa pegou de surpresa os parentes e amigos. Vaneide dos Santos também é vizinha da mulher e contou que nunca percebeu que ela tivesse grávida. A vendedora disse que Elisabete sempre foi muito magrinha e não tinha barriga. “Ela não era de sair muito e quando saía sempre se comportava muito bem. Ela não devia estar em um estado normal para fazer isso”, lamentou.

MySpace tira do ar 29 mil perfis de agressores sexuais

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O site de relacionamentos MySpace registrou um aumento de quatro vezes no número de pessoas condenadas por crimes sexuais que usam o serviço.

A empresa descobriu que 29 mil pessoas condenadas por crimes sexuais nos Estados Unidos têm perfis no site. Esse número é quatro vezes maior que o calculado pela empresa em maio, de 7 mil pessoas. Esses perfis foram retirados do site pela empresa.

Os novos números foram divulgados por autoridades dos Estados americanos de Carolina do Norte e Connecticut, que vinham pressionando o MySpace a revelar dados de agressores sexuais que usam o site.

“Esse número inclui apenas agressores que se registraram no site com seus nomes verdadeiros. Não estão incluidos aqueles que usaram nomes falsos ou que ainda não foram condenados”, disse o secretário de Justiça da Carolina do Norte, Roy Cooper.

“O explosivo número de agressores sexuais com perfis no MySpace – 29 mil até agora – exige ação”, afirmou o secretário de Justiça de Connecticut, Richard Blumenthal.

O secretário de Justiça da Carolina do Norte quer a criação de uma lei estadual que exija permissão dos pais para que uma criança possa criar um perfil em sites como o MySpace. Os sites seriam obrigados a verificar a identidade dos pais antes de permitirem que as crianças criassem o perfil.

Segundo Cooper, uma lei assim significaria “menos crianças em risco, porque haverá menos crianças nesses sites”. Pelas leis atuais, os usuários do MySpace devem ter idade mínima de 14 anos.

O MySpace divulgou um comunicado oficial sobre a informação. “Estamos satisfeitos por ter identificado e removido de nosso site agressores sexuais e esperamos que outros sites de relacionamento façam o mesmo”, diz a nota.

Há cerca de 600 mil agressores sexuais nos Estados Unidos, segundo cálculos das autoridades. Mais de 80 milhões de pessoas têm páginas no MySpace. Em 2005, o site site foi comprado pelo grupo News Corp, de Rupert Murdoch, por US$ 580 milhões. Críticos do MySpace e de outros sites desse tipo dizem que é necessário ter leis mais rígidas para que sejam seguros para crianças. 
 
Fonte: BBC Brasil

Charge do Dia

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