Archive for the ‘CPI’ Category

Entrevista: Aloízio Mercadante

Impagável a entrevista com Aloizio Mercadante publicada no Estadão desta sexta. Leiam trechos. Por Ana Paula Scinocca e Expedito Filho:

Na sessão de votação pela cassação de Renan Calheiros o sr. chegou a defender a tese de que o julgamento fosse adiado. Por que deixou para propor isso só no dia do julgamento e na sessão secreta?
Eu não cheguei a defender na sessão. Fiz uma ampla consulta para verificar se havia alguma condição política de se chegar a essa conclusão e procurei apresentar os argumentos que me chegaram no momento que me vi diante do fato de ter de decidir se o Renan tinha de ser cassado ou não. Minha leitura foi de que não havia uma prova conclusiva, inquestionável, mostrando que o Renan recebeu recursos da empreiteira Mendes Júnior por meio do lobista (Cláudio Gontijo) para pagar suas despesas pessoais. Porém, ao apresentar sua defesa foram levantados questionamentos, como sua evolução patrimonial, que não configuram, até este momento, um crime que possa levar à cassação de mandato. (…)

Senador, não ficou claro por que o sr. não apresentou a proposta para adiar a sessão antes.
Eu não tinha chegado a essa convicção.

O sr. só se convenceu da necessidade do adiamento no dia da sessão secreta?
Quando eu fui preparando meu pronunciamento e construindo os meus argumentos, me vi diante de uma situação na qual eu não achava uma solução satisfatória para o Senado.
(…)
O voto abstenção é o voto que também arquiva…
Nãooooooo! Se vencesse a abstenção, a matéria não seria arquivada e voltaria para o Conselho de Ética.

Senador, a vitória da abstenção anteontem era tão improvável quanto nós ganharmos na loteria.
É verdade.
(…)
Renan Calheiros deve se licenciar da presidência do Senado?
Eu disse isso a ele. Eu disse: “Renan, eu acho que não podemos mais continuar com essa crise no Senado. Decidida essa questão, você deveria se licenciar.” Não renunciar, porque é um prejulgamento, é uma condenação antecipada. Acho que ele deveria se licenciar para concluir o processo e para que o Senado possa evoluir com tranqüilidade.

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Os senadores do DEM e do PSDB que devem votar pela cassação

Segue abaixo a lista dos favoráveis à cassação, ou seja, aqueles que prometem fazer a coisa certa hoje no plenário do Senado.

DEM
Adelmir Santana (DF)
Antonio Carlos Júnior (BA)
César Borges (BA)
Demostenes Torres (GO)
Efraim Morais (PB)
Eliseu Resende (MG)
Heráclito Fortes (PI)
Jayme Campos (MT)
Jonas Pinheiro (MT)
José Agripino (RN)
Kátia Abreu (TO)
Marco Maciel (PE)
Maria do Carmo Alves (SE)
Raimundo Colombo (SC)
Romeu Tuma (SP)
Rosalba Ciarlini (RN)

PSDB
Alvaro Dias (PR)
Arthur Virgílio (AM)
Cícero Lucena (PB)
Eduardo Azeredo (MG)
Flexa Ribeiro (PA)
Lúcia Vânia (GO)
Marconi Perillo (GO)
Mário Couto (PA)
Marisa Serrano (MS)
Papaléo Paes (AP)
Sérgio Guerra (PE)
Tasso Jereissati (CE)

Julgamento de Renan: 41 senadores dizem à “Folha” que votarão pela cassação

Da Folha de S. Paulo, hoje:
“Na véspera da votação que vai definir o futuro do presidente do Senado, Renan Calheiros, 41 senadores declararam à Folha que votarão pela cassação hoje. Para que a perda do mandato ocorra é preciso o voto de no mínimo 41 dos 81 senadores -maioria absoluta, independentemente do quórum. No entanto, como o voto é secreto, são esperadas traições e mudanças de lado a lado.

Amparados no sigilo do voto, 29 senadores (35% da Casa) se recusaram a revelar como pretendem se posicionar.

O PT, que sempre defendeu o voto aberto, tem o maior número de senadores que não revelam a decisão -8 dos 12 petistas na Casa. “A gente não pode prejulgar, tem que ouvir a defesa até o final”, disse Aloizio Mercadante (PT-SP).

Além dele, não declararam seus votos os petistas Delcídio Amaral (MS), Eduardo Suplicy (SP), Fátima Cleide (RO), Ideli Salvatti (SC), Serys Slhessarenko (MS), Sibá Machado (AC) e Tião Viana (AC).

Na enquete, apenas dez senadores saíram em defesa aberta do presidente do Senado, afirmando que votarão contra o pedido de cassação”.

Renan tem de 8 a 12 votos em aberto

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Aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) e líderes da oposição afirmam que os votos do PT e o tamanho da “traição” nas bancadas do PSDB e do DEM serão definitivos no resultado da votação da cassação do presidente do Senado, na quarta. Em ambos os lados, a avaliação é similar, embora nem sempre os nomes coincidam: há, hoje, uma margem de 8 a 12 votos em aberto, que podem mudar o jogo na última hora.

A contabilidade dos aliados de Renan, que já foi otimista ao prever a repetição do placar que o elegeu presidente da Casa (51 a 28), hoje aponta vitória apertada. As planilhas contam com votos de até sete senadores do DEM e três do PSDB. Constam da lista elaborada por líderes do PMDB os senadores do DEM: Efraim Morais (PB), Edison Lobão (MA), Adelmir Santana (DF), Romeu Tuma (SP), Heráclito Fortes (PI), ACM Júnior (BA) e Maria do Carmo (SE).

No PSDB: Flexa Ribeiro (PA), Papaléo Paes (AP) e João Tenório (AL). Nas contas dos peemedebistas, somente 2 dos 12 senadores do PT não ficarão ao lado de Renan: Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR). “A margem para a absolvição será de oito ou dez votos. Ninguém tem a convicção de culpabilidade dele’’, afirma o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO).

Desfecho
O desfecho do caso está marcado para as 11h de quarta-feira, em sessão e votação secretas no plenário. Para que seja aprovada a perda do mandato são necessários 41 dos 81 votos. Pela previsão da oposição, só na bancada do PT são esperados cinco ou seis votos pela cassação: Suplicy, Botelho, Delcídio Amaral (MS), Flávio Arns (PR), Paulo Paim (RS) e Aloizio Mercadante (SP), cujo discurso é considerado dúbio. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), descartam uma “traição’’ expressiva em suas bancadas.

Pressionados, Papaléo e Flexa declararam que não vão contrariar o partido. Outro fator que pode influenciar são as pressões regionais e o desgaste de participar de uma operação para salvar o mandato de Renan. Nos bastidores, predomina o argumento que este é apenas o primeiro dos três processos que ainda estão pela frente, ou seja, a crise ainda estaria longe do final.

“Houve uma mudança de posição depois do 11 a 4 (pela cassação) no Conselho de Ética. Muita gente viu como uma sinalização, foi a primeira manifestação pública do Senado, afirmou Agripino. A lista da oposição enumera senadores que já foram pró-Renan mas que mudaram de lado: Magno Malta (PR-ES), Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Expedito Júnior (PR-RO).

No caso de Malta, ele enfrentou pressão e perdeu espaço no Estado para o relator Renato Casagrande (PSB-ES), novato na Casa e defensor da cassação de Renan. Garibaldi Alves inclinou-se ao aliado José Agripino. E Expedito Júnior deve ir para o PSDB. Na quarta, Renan fará um discurso de defesa. Ele dividirá seu tempo com o advogado Eduardo Ferrão. (Folhapress)
 
Foto: José Cruz(Agência Senado)

Lyra apresentou ’16 provas’ contra Renan no Senado

De Expedito Filho em O Estado de S. Paulo, hoje:
“A três dias do julgamento em plenário por quebra de decoro parlamentar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sabe que nem mesmo a absolvição da acusação de uso de dinheiro de um lobista para pagar as despesas da jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha fora do casamento) é garantia de um final feliz para sua agonia. Repleta de indícios e provas, a representação do DEM e do PSDB que o acusa de ter sido dono oculto de rádios em Alagoas, avaliadas em R$ 2,5 milhões, é o caso mais espinhoso que o senador tem pela frente.

Os senadores e técnicos que já manusearam a documentação ficaram impressionados com o número de provas e indícios. Orgulhoso de seu nome e sobrenome, Renan evitou colocá-los nos empreendimentos. Preferiu o amparo de laranjas e prepostos, como atestam os documentos encaminhados pelo usineiro João Lyra, ex-sócio e agora adversário político. O Estado teve acesso às 16 provas organizadas pelo usineiro e apresentadas ao Senado. Nelas constam um roteiro de como a transação foi efetuada e também os indícios de que o presidente do Senado se utilizou de terceiros para ser dono oculto de veículo de comunicação.

O negócio começou em 1998, quando os empresários alagoanos Nazário Pimentel e Luiz Carlos Barreto procuraram João Lyra e Renan com a proposta de venda de uma rádio e um jornal. Em dezembro daquele ano, Pimentel apresentou proposta ao senador. A compra da Editora O Jornal e da Rádio Manguaba foi feita logo em seguida. Detalhe: os recibos de pagamentos foram efetuados por Tito Uchoa, preposto de Renan, ao empresário Pimentel.

Na papelada, constam também recibos de pagamento do diretor do grupo de comunicação a Tito Uchoa. Os recibos correspondem a 50% do valor pago pela compra da rádio. O restante se deu através de aporte de João Lyra. Os depósitos eram feitos pelo usineiro e o jornal e a rádio emitiam notas promissórias e cheques em garantia do pagamento realizado. Segundo Lyra, “o assunto era tratado no próprio gabinete do senador Renan Calheiros”. Como prova, ele apresentou uma página timbrada do gabinete do presidente do Senado na qual os valores dos pagamentos são relacionados.

O usineiro conta que, no período compreendido entre os anos de 1999 e 2002, o jornal teria sido administrado por assessores dele e de Renan. A parte do presidente do Senado no negócio teria sido paga diretamente, em espécie, a João Lyra.

Em maio de 2002, a rádio Manguaba passa a ser administrada por José Queiroz, assessor de Renan, e José Carlos Paes, assessor de João Lyra. Como o negócio era temporário, já que a rádio seria somente de Renan, o nome do usineiro não teria figurado em O Jornal. A suspeita dos senadores é que João Lyra, da mesma forma que Renan, usou Paes como seu laranja no negócio, já que é pouco provável que somente o presidente do Senado tenha utilizado terceiros na operação.

Renan e João Lyra acabaram desfazendo a sociedade oculta. A rádio Manguaba ficou para Renan; O Jornal, para o usineiro. Ainda assim, depois de formalização na junta comercial, João Lyra diz que Renan se encarregou de renovar a licença da rádio Paraíso, outra emissora adquirida pelo usineiro na mesma época. Na versão de João Lyra, a renovação só se daria mediante pagamento de R$ 500 mil. O dinheiro teria sido entregue a Tito Uchoa, segundo uma das provas obtidas e encaminhada pelo usineiro.

E o pior: feita a renovação o fato é comunicado pelo próprio senador, no período do pagamento e alguns dias depois de uma visita de João Lyra a Renan no Palácio do Planalto. O peemedebista despachava no Palácio em razão de ter assumido interinamente a Presidência da República. Todas as provas constam de um volumoso dossiê à disposição dos senadores. É por isso que o caso das rádios é um complicador da agonia de mais de 100 dias por que passa o senador alagoano”.

Por 11 a 4, Conselho recomenda a cassação de Renan

O Conselho de Ética do Senado aprovou nesta quarta-feira (5), por 11 votos a 4, relatório que pede a cassação do mandato do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A decisão ainda depende de aprovação em plenário.

Calheiros é acusado, neste processo, de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Agora, o caso será remetido à comissão de Constituição e Justiça, que analisará a constitucionalidade da decisão. Em seguida, segue para votação no plenário. A cassação do mandato depende de aprovação por maioria dos senadores.

Embora o próprio Renan tenha defendido que a votação fosse secreta, os votos foram abertos. Veja abaixo como votou cada senador do Conselho de Ética.

A favor da cassação:
Augusto Botelho (PT-RR)
João Pedro (PT-AM)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Jefferson Péres (PDT-AM)
Romeu Tuma (DEM-SP)
César Borges (DEM-BA)

Contra a cassação:
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Gilvam Borges (PMDB-AP)

Deslealdade
Antes da votação, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) leu voto em separado pedindo absolvição de Renan e afirmou que a suposta quebra de decoro parlamentar da qual Renan é acusado “pode ter partido da própria relatoria”. “Pelo simples manuseio do processo, encontrei os documentos que os relatores dizem não ter encontrado, o que me faz acreditar na deslealdade do parecer.”

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), uma das relatoras do processo contra Renan rebateu as insinuações de que teria mentido no conteúdo do relatório que pede a cassação do mandato do senador.

“Quando a gente faz um relatório, a emissão de um parecer não pode parecer deslealdade, não é mentira. Não acho que fui desleal com o senador Renan Calheiros”, disse Marisa Serrano.

A senadora respondeu reafirmando que Renan não provou, em nenhum momento, que tinha recursos para arcar com os pagamentos feitos à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Renan é acusado de ter usado o lobista Cláudio Gontijo, representante da empreiteira Mendes Júnior, para pagar a pensão e o aluguel de Mônica. “Estou tranqüila”, disse.

“Nosso relatório é técnico, a maior parte da análise foi feita com base em perícia da Polícia Federal e complementado por avaliações nossas”, completou o outro relator, Renato Casagrande (PSDB-ES).

Casagrande disse ainda que, com base nos valores declarados, chegaram à conclusão de que Renan “não tem condições, com a fonte de renda que tem, de arcar com as despesas, incluindo a pensão da jornalista Mônica Veloso”.

Aliado
O terceiro relator do processo, senador Almeida Lima (PMDB-SE), aliado do presidente do Senado que havia apresentado seu relatório pedindo arquivamento do caso, elogiou Salgado.

“Dissecou no seu voto item por item que foi objeto de esteio para o pedido de cassação”, afirmou Lima. “Eu pediria às suas excelências que confrontem os documentos para saber se Renan Calheiros agiu dessa forma. Posso afirmar, alguém ou mentiu ou está equivocado”, disse, referindo-se ao relatório que pede a cassação.

Apoio tucano
Os senadores do PSDB que integram o Conselho de Ética demonstraram solidariedade à correligionária Marisa Serrano. O líder tucano, Arthur Virgílio (AM), saudou a solidez dos argumentos utilizados por Marisa e por Renato Casagrande no relatório que sugere a cassação de Renan. Ele disse que partido está convicto em favor da cassação do presidente do Senado.

O senador Marconi Perillo (GO) classificou o voto separado de Wellington Salgado de superficial. “É um relatório sem argumento substantivo. É apenas retórico, aprisiona-se em argumentos que tentam refutar o irrefutável”, disse o tucano.

Defesa
Nesta quarta vence o prazo para que o senador apresente sua defesa formal sobre as acusações de favorecimento à cervejaria Schincariol, de acordo com a assessoria de imprensa do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Além desse processo por ter recebido ajuda de lobista votado nesta quarta, Renan Calheiros responde a outros dois processos por quebra de decoro parlamentar no Conselho. Em reunião na terça (4), o PSOL decidiu que pedirá ao Conselho de Ética do Senado a inclusão das novas denúncias referentes à arrecadação de dinheiro em ministérios liderados pelo PMDB no processo referente à cervejaria.

“Se por acaso o pedido de aditamento ao conselho não encontrar acolhimento, seremos obrigados a fazer uma quarta representação para que essas novas denúncias sejam apuradas”, disse o senador José Nery (PA).

Confiante
Na chegada ao Congresso Nacional, de acordo com a Agência Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) havia afirmado estar confiante em relação à votação do relatório que pede a cassação de seu mandato. “Vamos ganhar. É [só] ter calma”, disse.

“Peguei R$ 3 milhões”

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O nome do senador Renan Calheiros (PMDB) aparece em uma nova história que envolve acusações sobre cobrança de propina, desvio de dinheiro público e chantagem. A denúncia foi feita no ano passado em depoimento à Polícia Civil de Brasília pelo advogado Bruno Miranda Ribeiro Brito Lins, afilhado de casamento de Renan, e está sendo investigada pela Polícia Federal. De acordo com Bruno, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, seu ex-sogro, montou um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado em ministérios chefiados por pessoas indicadas pelo PMDB, como a Previdência Social e a Saúde. Bruno disse à polícia – e confirmou em duas conversas gravadas com ÉPOCA – que, em pelo menos seis ocasiões, foi pessoalmente buscar o dinheiro da suposta propina.

Embora feitas à polícia do Distrito Federal, as acusações de Bruno despertaram o interesse da Polícia Federal por citar contas de Luiz Carlos Garcia Coelho em bancos no exterior, supostamente usadas para lavagem de dinheiro. Segundo Bruno, bancos que receberam autorização do INSS para operar crédito consignado pagaram, entre o final de 2004 e março de 2005, propinas para Renan e outros políticos do PMDB. À ÉPOCA Bruno disse que normalmente quem buscava o dinheiro vivo para Renan era Everaldo França, assessor de confiança do presidente do Senado, envolvido em outras denúncias contra o senador. “Tinha vez que tinha muito dinheiro. Depois parava, vinha pouquinho. Que eu tive acesso o maior foi de R$ 3 milhões, no BMG. Peguei numa sacola”, diz Bruno, literalmente, numa conversa gravada por ÉPOCA. Por meio de sua assessoria, o BMG afirmou não ter conhecimento das declarações prestadas por Bruno nem de novas investigações “alegadamente realizadas pela Polícia Federal”.

As acusações de Bruno merecem credibilidade? Casado durante seis anos com Flávia Garcia – filha de Luiz Coelho e assessora de Renan no Senado –, Bruno tinha condições de assistir e participar dos eventos que descreve. Ele diz que, em setembro do ano passado, procurou o delegado João Kleiber Ésper – atual diretor da Divisão Anti-Seqüestro da Polícia de Brasília – para prestar o depoimento. Procurou Ésper por ser amigo de sua família. Afirma que sua intenção não era denunciar o esquema, mas se garantir contra ameaças que estaria recebendo do ex-sogro depois da separação litigiosa com Flávia. “O Luiz Carlos sempre evitou aparecer ao lado de Renan em eventos públicos. Para não ser visto, ele costuma ir a casa do senador bem cedo para conversas durante o café da manhã”, diz Bruno.

As três páginas do depoimento de Bruno permaneceram durante sete meses na gaveta do delegado Ésper, sem que fossem investigadas. “Não tinha autoridade para investigar as denúncias contra autoridades federais”, diz Esper. A Corregedoria da polícia abriu sindicância para apurar por que o delegado demorou tanto para passar adiante um assunto que não era de sua competência. Investiga também se o depoimento teria sido usado em uma tentativa de chantagem contra o empresário Luiz Carlos Coelho e o senador Renan Calheiros. A polícia investiga a informação de que o delegado Ésper e um amigo, o empresário Orlando Rodrigues da Cunha Filho, presidente da Hípica de Brasília, foram a um escritório de advogacia para tentar a extorsão. “Estive lá com o Orlando, sim. Até falamos sobre o depoimento, mas não pedi dinheiro”, afirma o delegado.

De acordo com Bruno Miranda, também freqüentavam o escritório de Luiz Carlos Coelho na empresa Grupo de Assessoria Ltda., o lobista Cláudio Gontijo – acusado de pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan teve uma filha — e o empresário Tito Uchoa, suspeito de ser testa-de-ferro de Renan Calheiros em vários negócios em Alagoas. Assim como Cláudio Gontijo, que comprou um flat de Renan, Luiz Coelho também fez uma transação imobiliária com o senador. Na declaração do Imposto de Renan consta que, em 2004, ele vendeu por R$ 600 mil ao Grupo Assessoria Ltda. uma casa no Lago Sul, área nobre de Brasília. “Sou amigo de Renan há muitos anos, minha relação com ele é pessoal, mas nunca tivemos negócios”, disse Luiz Coelho por e-mail à ÉPOCA. Ele confirmou que comprou a casa do amigo Renan.

A empresa de Luiz Coelho já tinha aparecido em escândalos do passado. Nas investigações sobe o esquema PC Farias, nos anos 90, a Polícia Federal descobriu um cheque do Grupo Assessoria Ltda em uma das contas fantasmas movimentadas pelo ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor. Luiz Coelho também chegou a ser denunciado pelo Ministério Público, junto com a ex-primeira-dama Rosane Collor, por suposto superfaturamento na compra de leite em pó pela LBA, a entidade de assistência social no governo Collor. Rosase e Coelho foram absolvidos.

Luiz Coelho atribui as denúncias do ex-genro a “elucubrações de uma pessoa desempregada e desesperada”, que está tentando prejudicar sua filha, com quem tem um processo litigioso na Justiça. Ele nega que tenha contas no exterior e tenha ajudado bancos que tinham concessões do INSS para operar com crédito consignado Sua assessoria enviou a ÉPOCA um dossiê intitulado “Roteiro da chantagem de Bruno Miranda contra Flávia Garcia”. Nele há registros de ocorrência em delegacias de supostas ameaças feitas por Bruno à ex-mulher e um laudo pericial sobre mensagens recebidas por Flávia em seu celular. Em uma delas, às 23h30m do dia 14 de setembro de 2006, Bruno diz que acaba de sair da delegacia onde prestou depoimento contra Luiz Coelho.

Nas conversas com ÉPOCA, Bruno disse que teria e-mails que poderiam comprovar algumas denúncias. Mas não os apresentou. ÉPOCA procurou Renan para ouvi-lo sobre as novas acusações. Sua assessoria disse que ele foi informado sobre o conteúdo da reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

As acusações de Bruno pioram uma situação que já era bastante complicada. Renan é acusado de ter contas pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior, de comprar uma rádio e um jornal em nome de laranjas e de ter usado notas frias para comprovar renda.

Na semana passada, um parecer conjunto apresentado pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano ( PSDB-MS) propôs a cassação do mandato de Renan por quebra de decoro parlamentar. Depois de um longa e tensa reunião, o Conselho de Ética decidiu por dez votos a cinco que o parecer contra Renan será decidido por voto aberto na próxima quarta-feira. Até os aliados do senador admitem que o pedido de cassação será aprovado pelos conselheiros. Resta a Renan a esperança de escapar da punição pelo voto secreto em plenário. 

Copiado do site da Revista Época

Fotos: Felipe Barra/Ag. Istoé e Aílton de Freitas/Ag. O Globo 

Votação fica para 4ª; voto secreto cai por 10 a 5

A votação do relatório que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ocorrerá na próxima quarta-feira (5), às 10h. O adiamento se deve ao pedido de vista de dois aliados de Renan, Wellington Salgado (PMDB-MG) e Gilvam Borges (PMDB-AP).

O plenário do Conselho de Ética derrubou, por 10 votos a 5, a determinação do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) de que a votação deveria ser secreta. Neste primeiro processo, Renan Calheiros tenta provar que não recebeu ajuda de um lobista para pagar despesas com a filha de três anos que teve com a jornalista Mônica Veloso.

Um dos relatores do documento a ser votado na próxima quarta, Renato Casagrande (PSB-ES) comemorou a vitória. “Agora, não passa de quarta-feira”, acredita. Já o relator que divergiu de Casagrande e Marisa Serrano (PSDB-MS), Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, lamentou a vitória do voto aberto. “Espero que eles [oposição] não mudem de opinião em votações futuras”, ironizou.

Ainda há a possibilidade de aliados do presidente do Senado recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança para que a Corte decida se a votação do relatório deve ser aberta ou secreta.

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PS: No bate-boca ocorrido ontem entre os Senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Almeida Lima (PMDB-SE) sobrou uma frase interessante dita pelo primeiro: “Palhaço”. “Cala a boca, boneca”.

Renan foi até Lula para pedir ajuda

De Gerson Camarotti em O Globo, hoje:
“Diante da possibilidade de uma derrota expressiva, que se anunciava no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reviu a estratégia de levar logo o caso ao plenário — onde acredita que será absolvido pelo voto secreto. Na tentativa de conquistar mais votos, pediu o apoio do próprio presidente Lula, na noite de anteontem. A manobra de adiar a votação de ontem foi para ganhar tempo e tentar obter votos, principalmente os do PT. Lula se solidarizou com Renan, mas não garantiu os votos.

O que está em jogo são os votos de Augusto Botelho (PT-RR) e João Pedro (PT-AM), já que o de Eduardo Suplicy (PT-SP) é dado como perdido. O encontro com Lula aconteceu no Palácio do Planalto e foi intermediado pelo senador José Sarney (PMDB-AP), que participou da reunião, mas ontem já tinha embarcado para o exterior.

Na conversa com Lula, Renan e Sarney apresentaram uma situação que implicaria prejuízo para o Planalto. Falaram em uma articulação da oposição para impor dificuldades em votações. Renan foi sutil ao expressar a necessidade de o PT estar unido em sua defesa.”

Mensalão: Recordar é viver

Relembre a fala do Arnaldo Jabor no Jornal Nacional em setembro do ano passado. Hilária.

Veja 2: Caso Renan – Só falta a degola

Por Otávio Cabral na VEJA deste fim de semana:

Resultado da perícia feita pela Polícia Federal demole a defesa de Renan e mostra que ele mentiu e deu papéis falsos aos senadores.

“A Polícia Federal encaminha ainda nesta semana ao Conselho de Ética os resultados da perícia feita nos documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros. O material examinado demole o frágil mas alardeado álibi do senador, com o qual ele queria demonstrar ter os recursos financeiros necessários para pagar suas despesas pessoais sem ter de recorrer aos préstimos de um lobista de empreiteira. As conclusões da polícia são devastadoras para Renan. Os peritos concluíram que não há evidência de que os recursos para pagar a pensão alimentícia da filha do senador saíram das suas contas bancárias.

Aos olhos da polícia, a documentação apresentada fica aquém de comprovar a origem da fortuna de Renan Calheiros e não confirma sua alegada arrecadação de 1,9 milhão de reais com a venda de bois. Entre os papéis de defesa do senador, segundo a polícia, há notas fiscais frias, recibos falsos e comprovantes de transações com empresas fantasmas. A perícia era a única peça de convencimento que faltava para o conselho concluir o relatório final e pedir a cassação de Renan Calheiros por quebra de decoro parlamentar. Não falta mais nada.

Na semana passada, dois dos relatores do caso Renan Calheiros no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), estiveram na sede da Polícia Federal, em Brasília. Reuniram-se reservadamente com Clênio Guimarães Belluco, diretor do Instituto Nacional de Criminalística, e com peritos que analisaram os documentos de Renan. Ouviram dos peritos que não há conexão entre as datas dos pagamentos de pensão feitos à jornalista Mônica Veloso, mãe da filha de Renan, e os saques na conta do senador. Ouviram que os documentos apresentados por Renan para justificar sua fortuna agropecuária não são idôneos, por envolver empresas e funcionários fantasmas e notas fiscais frias.

Ouviram finalmente que há dúvidas até se o presidente do Congresso foi realmente dono do milionário rebanho bovino que diz ter vendido a frigoríficos que não existem. Depois da reunião na Polícia Federal, um dos relatores resumiu assim o pensamento dele e dos colegas do Conselho de Ética: “Apresentar documentos falsos aos pares do Senado é uma clara quebra de decoro parlamentar. Usar um lobista para pagar despesas pessoais é uma clara quebra de decoro parlamentar. A única possibilidade é pedir a cassação de Renan”.

O laudo técnico confirma um relatório preliminar feito pela própria PF no fim de junho. Ele foi dividido em quatro partes. Na primeira, são apresentadas a estrutura do trabalho e as questões levantadas pela perícia. Na segunda, faz-se um histórico do primeiro laudo e detalha-se seu cruzamento com o segundo. Na terceira parte, listam-se os documentos analisados. Por fim, os peritos dão resposta técnica a cada uma das trinta perguntas feitas pelo Conselho de Ética sobre as negociações de gado do presidente do Senado. Dois terços das respostas são fatais para a defesa de Renan e envergonhariam qualquer cidadão honesto.

Depois de tomarem conhecimento das informações periciais, os senadores encarregados de determinar o futuro do processo em curso contra Renan descrevem como iminente o desenlace do caso. Até o senador Almeida Lima, do PMDB, terceiro relator do caso, nomeado com o claro propósito de garantir a absolvição de Renan, já aceita a tese da punição do aliado. Almeida Lima gostaria de circunscrever a punição a uma advertência, mas deve ser levado a aceitar o pedido de suspensão de mandato. O próprio senador já dá como certa a aprovação do relatório com o pedido de sua cassação na votação do Conselho de Ética. Renan aposta tudo agora na votação em plenário, em que o voto secreto permitiria a seus simpatizantes salvar-lhe o pescoço sem se expor ao escárnio público”. Assinante da VEJA leia mais aqui