Archive for the ‘Classe Média’ Category

Destaque do Dia: De madrugada, Senado cria 7.343 vagas de vereador

senado

Em votação concluída às duas e meia da madrugada desta quinta (18), o Senado aprovou o projeto que cria 7.343 novas cadeiras de vereador no país.

Foi ao lixo uma conquista de 2004. Naquele ano, nas pegadas de uma decisão do STF, o TSE reduzira o número de vereadores no Brasil de 59.267 para 51.924.

Os senadores votaram sob pressão das galerias, apinhadas de suplentes de vereadores. Suplentes que, convertidos em titulares, assumem em janeiro.

Um dos argumentos usados pelos senadores para recriar as vagas foi o de que o Judiciário reduzira o número de vereadores, mas não mexera nos gastos.

Um problema que seria facilmente solucionado se, em vez de ressuscitar vereadores, o Congresso reduzisse o percentual de gastos das câmaras municipais.

Deu-se, porém, o oposto. Na versão aprovada pelos deputados federais, o projeto continha um artigo que podava as despesas das prefeituras com os vereadores.

Atrelava-se o custo das câmaras a percentuais de receita das prefeituras. No Senado, o relator César Borges (PR-BA) passou esse artigo na lâmina.

Alegou que a redução, por expressiva, inviabilizaria o funcionamento de muitas câmaras de vereadores.

Aloizio Mercadante (PT-SP) ainda tentou injetar no projeto uma emenda que limitava os gastos com vereadores ao montante dispendido em 2008.

Seguiu-se uma chiadeira generalizada. Alegou-se ora que a emenda não poderia ser inserida em plenário ora que a modificação devolveria o projeto à Câmara.

E a emenda de Mercadante foi retirada. Diz-se que voltará a ser discutida no ano que vem, depois do recesso natalino do Legislativo.

Em tese, a supressão de um artigo, feita por César Borges, forçaria o retorno da proposta à Câmara. Mas o Senado deu de ombros.

Sob a alegação de que a essência da proposta permaneceu inalterada, decidiu-se promulgá-la já nesta quinta (18), convertendo-a em lei.

Houve outras anomalias. A recriação das cadeiras de vereador veio na forma de uma emenda à Constituição. Coisa que exige votação em dois turnos.

O primeiro turno exigiria a realização de cinco sessões, em dias alternados. O segundo, demandaria a realização de mais três sessões.

Pois bem, mediante acordo de lideranças, os senadores realizaram as oito sessões numa única madrugada, com intervalos de escassos três minutos entre uma e outra.

Alegou-se que a ressurreição dos postos de vereador era um imperativo. Por que? A decisão do Judiciário teria deformado o sistema representativo nos municípios. Lorota.

A inspiração é de outra. Vereador funciona no município como cabo eleitoral de deputados e senadores. Daí o ritmo frenético e o placar generoso.

A exemplo do que ocorrera na Câmara, a proposta passou no Senado com folgas.

No primeiro turno, o placar foi: 54 votos a favor, cinco contra e uma abstenção.

No segundo, a lavada ampliou-se: 58 a favor, cinco contra e uma abstenção.

Está irritado? Pois houve mais: aproveitou-se a madrugada para aprovar o projeto que regulariza a criação de 57 novos municípios.

Vi no blog do Josias / Foto: Lula Marques/Folha

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Destaque do Dia: RBS TV flagra furto de donativos em Blumenau

 

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

 Uma reportagem veiculada pela RBS TV na noite deste domingo mostrou voluntários e soldados do Exército que trabalham na Vila Germânica, em Blumenau, no Vale do Itajaí, furtando roupas e mantimentos doados para às vítimas da enchente que atingiu Santa Catarina. As imagens mostraram pessoas saindo com o carro cheio de donativos.Os furtos ocorreram no Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, que é administrado pelo governo catarinense. O local funciona como uma central de triagem de produtos doados do Brasil inteiro.

Havia duas maneira de levar o material destinado aos flagelados das cheias. A primeira ocorria logo que os caminhões chegavam com os donativos. Os soldados descarregavam os produtos e empurravam para um monte. Outro grupo experimentava o material e, se servisse, colocava dentro de mochilas. Em seguida, saíam normalmente com mochilas cheias.

A reportagem gravou o seguinte diálogo entre os soldados:

— O que tu vai fazer com esse sutiã aí, véio? — pergunta um deles.

— Vou levar pra minha mãe. Esse eu peguei pra minha namorada — responde o colega.

O grupo aparece pegando roupas, tênis e outros objetos. Cada um sai com pelo menos duas mochilas cheias. O outro grupo que furtava os donativos eram os voluntários e os conhecidos deles. Eles chegavam de carro e selecionavam o que agradava.

As imagens mostraram uma mulher empurrando um carrinho de supermercados até o automóvel. Enquanto ela descarregava os produtos no porta-malas, o marido chegava com mais mantimentos.

As imagens foram feitas com uma microcâmera na última sexta-feira pelo cinegrafista Edson Silva. Somente os produtos de melhor qualidade eram desviados.

“Estarrecedoras”
O tenente-coronel Edson Rosti, comandante do 23º Batalhão da Infantaria (BI), classificou as imagens como “estarrecedoras” e afirmou que não deixam dúvidas do que aconteceu. Ele declarou que o 23º Batalhão de Infantaria (BI) vai apurar e o relatório será apresentado em 20 dias. Um inquérito policial militar deve ser instaurado.

O secretário de Desenvolvimento Regional de Blumenau, Paulo França, disse que vai mudar a estrutura de trabalho do pavilhão 1 da Vila Germânica para evitar os furtos. Ele falou que, se for preciso, vai contratar pessoas para fazer o serviço.

Para ver a reportagem que foi ao ar clique aqui.

Vi no site do jornal Zero Hora

Montadoras têm 300 mil veículos e R$ 12 bi parados nos pátios

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As fabricantes de automóveis no país vivem, neste final de ano, uma das maiores quedas nas vendas, prejudicadas pela falta de crédito e aumento dos juros. Apesar da produção reduzida, para acompanhar a demanda desaquecida, as montadoras têm 305 mil veículos parados em seus pátios, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Considerando cálculo do mercado de que os veículos representam R$ 40 mil de capital de giro, em média, os pátios cheios representam ao menos R$ 12 bilhões parados. Isso sem contar com os custos de manutenção e as perdas com ausência de financiamentos.

Também em uma conta aproximada, um estoque como esse representa algo em torno de R$ 4 bilhões em impostos.

De acordo com o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o estoque ao final de novembro representava 56 dias, sendo 25 na indústria e outros 31 nas concessionárias.

A última vez que o setor registrou estoque tão alto foi em setembro de 2001, quando bateu 57 dias. Em outubro deste ano, o estoque estava em 38 dias, sendo 13 na indústria e 25 nas concessionárias.

Além da queda de venda e produção, o mês de novembro também registrou outros dados negativos: houve queda nas exportações e as indústrias registraram a primeira redução de postos de trabalho desde dezembro de 2006.

“Ninguém levantou investimento de forma irresposável. A freada foi muito forte e surpreendente”, afirmou Schneider.

Com as quedas consecutivas de outubro e novembro, a Anfavea revisou suas projeções de venda, produção e exportação para o ano.

Fonte: Folha News

Consumidor aproveita prechinchas no comércio

Paula Takahashi e Marinella Castro para O Estado de Minas

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O momento pode ser incerto e o futuro da economia, ainda mais nebuloso, mas de uma coisa o consumidor pode estar certo, o mercado está fazendo o que pode, e, em alguns casos, o que não pode, para manter o aquecimento das compras, seja no comércio, no financiamento habitacional, seja no de carros. Redução em até 50% do valor das mercadorias para quem antecipar as compras, cupons premiados e até a manutenção de parcelamentos estendidos, sem juros, estão valendo para garantir crescimento nas vendas.

“A hora certa de comprar é agora. O dólar subiu 35%, mas a alta não será repassada ao consumidor. As promoções estão mantidas e os prazos também”, anuncia Ricardo Nunes, dono da rede mineira de eletrodomésticos Ricardo Eletro. Ele completa o recado inflamado dizendo que o mesmo não poderá ser mantido para o ano que vem. “Quem pensa que os preços vão cair está enganado. No ano que vem, os reajustes serão inevitáveis”, admite.

As promoções como apelo de vendas vale para todos, independentemente do tamanho do negócio. Marcelo Mazuhy é dono da Villa Kids, loja infantil, localizada nos bairros Buritis e Funcionários. Para não deixar o cliente escapar, a loja lança promoções semanais com produtos diversificados. Esta semana o tênis infantil variando de R$ 37 a R$ 40 pode ser levado por R$ 27,90. “As promoções vão durar até o dia 24”. Na rede de lojas Toulon, especializada no público masculino, quem antecipar as compras pode parcelar a conta por mais vezes e ainda levar alguns itens com até 50% de desconto. Uma estratégia que já começou a funcionar, segundo o gerente Giovani Joaquim da Silva.

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Feliz por realizar o sonho perseguido há um ano e sem preocupações com a crise mundial, a família do auxiliar de produção Elio Rubens da Silva foi ontem comprar a TV Phillips LCD de 32 polegadas. “A TV é o presente de Natal para minha esposa. A criança já ganhou roupas e brinquedos. O dinheiro que sobrou será para a ceia do Natal. Não me preocupo com esta crise porque estou trabalhando”, diz Elio, que dividiu a compra em 12 parcelas fixas de R$ 115. Segundo Ricardo Nunes, as compras acima de 10 parcelas têm taxa de juros média de 3,99% ao mês.

No Magazine Luiza, até o Natal haverá distribuição de cupons que atraem o consumidor com a oferta de prêmios. A loja informa que as linhas de empréstimo pessoal, parcelamento no cartão de crédito e consórcio continuam valendo para quem não pode pagar à vista.

A doméstica Elisete de Fátima comprou ontem o seu presente de Natal, uma TV de 29 polegadas, no valor de R$ 660, que vai pagar em três parcelas. “Ainda vai sobrar R$ 200 para viajar no Natal.” Elisete também não está preocupada com a crise, mas comenta que o risco é a vida ficar mais cara.

Um dos mais afetados pela queda do consumo, o setor automobilístico, além de flexível às negociações e descontos, ainda aumenta o pacote de ofertas de opcionais e cortesias oferecidas ao cliente, tudo para garantir o fechamento do negócio. Mauro Pinto de Moraes, presidente do Sindicato de Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores de Minas Gerais (Sincodiv-MG), explica que as montadoras estão abrindo mão de duas estratégias para chamar a atenção. Uma delas são as taxas de juros subsidiadas. “As taxas estão menores hoje do que estavam em setembro, antes do fortalecimento da crise”, afirma Mauro. Outra medida é a oferta de mais atrativos na mesa de negociações para agradar o cliente. “Tem também as menores entradas no pagamento que chamam a atenção”, ressalta.

Tudo isso sem contar os preços dos veículos, que estão menores do que antes. “Estamos abertos a qualquer negociação. É a chance para fazer um grande negócio”, garante Carlos Alberto Vanselow, diretor de vendas das concessionárias Roma. Oportunidade que a operadora de financiamentos Rita de Cássia não perdeu. “É a primeira vez que compro um carro e ganho tantos benefícios. Para quem está interessado em comprar, este é o momento”, garante Rit,a que comemora os R$ 4 mil de desconto, mais o insulfilm, IPVA e emplacamento que ganhou no momento da compra. “Quando a taxa estava boa, eu nunca teria ganhado tanto desconto e benefícios. No fim das contas, acabei saindo no lucro e ainda fiz um ótimo negócio”, avalia.

Carros de segunda mão, porém, não vivem o seu melhor momento no mercado. “No caso dos usados, a coisa está ainda pior porque eles estão, no mínimo, 20% mais baratos. Para quem compra, é um momento muito propício, mas muitas concessionárias já não aceitam esses veículos na troca porque estão com o pátio cheio”, afirma Mauro.

Fotos: Jorge Gontijo/EM/D.A Press – Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Ceia de Natal fica até 30% mais cara com preços variando em até 309%

Nice Silva, Especial para o Hoje em Dia

A ceia de final de ano deve ficar entre 20% e 30% mais cara, calculam comerciantes. Todos os produtos importados e, portanto, com preços vinculados ao dólar, sofreram com a elevação da moeda norte-americana a partir do mês de setembro. De janeiro a novembro deste ano, o dólar acumula um aumento na cotação de 35,59%. Até as brasileiríssimas castanhas de caju e do Pará, que têm os preços influenciados pelas exportações, aumentaram entre 15% e 20% e se igualaram ao encarecimento das tâmaras, das castanhas chilenas, dos damascos turcos ou do pistache iraniano.

Segundo pesquisa divulgada ontem pelo site Mercado Mineiro, a diferença entre os preços praticados na semana passada e a última semana de novembro de 2007 pode chegar a 61%, caso da ameixa importada. As nozes (35%) e as avelãs (18%) também ficaram mais salgadas.

Mesmo com a alta de preços imposta pela desvalorização do real, no entanto, continua valendo a pena bater perna para pesquisar. O quilo da castanha do Pará, por exemplo, pode variar de R$ 8,90 a R$ 38,99, uma variação de 338,08%, segundo a pesquisa.

No Mercado Central, o bacalhau mais vendido, o saith, tem preços que variam entre R$ 16,90 e R$ 25 o quilo. Já a variedade mais cara, o bacalhau do Porto, pode ser encontrado de R$ 39,90 a R$ 69,80 nas lojas especializadas e supermercados, uma diferença de 78,97%.

Mas o consumidor anda estranhando o sal do bacalhau. O comerciante Geraldo Henrique Lopes, do empório Amanda, diz que há uma semana baixou o preço do corte sem pele e espinhas, de mais de R$ 78 para pouco mais de R$ 70.

Também baixou outro corte mais barato, de R$ 48,90 para R$ 46,90. Ele diz que as medidas tiveram pouco efeito, e o movimento continua fraco , e se queixa também da especulação dos importadores: “eles vendem, mas não entregam”, conta, referindo-se aos atacadistas paulistas dos quais ele compra e que estariam segurando a mercadoria, de olho no vaivém do dólar e na proximidade das festas de fim de ano. Segundo Lopes, o preço do bacalhau pode subir ainda mais nos próximos dez dias.

O comerciante Cleisson Valadares, do Empório Valadares, afina o coro com Lopes. “É claro que eles especulam, porque a cada dia que a gente consulta, o preço sobe acompanhando a cotação do dólar”, observa.

Mas o vendedor Gesivaldo Santiago, da Minas Caju, acha que o preço do bacalhau já se estabilizou. “Os importados variam de acordo com a onda do dólar, mas parece que a moeda já conseguiu uma certa estabilidade, por isso o bacalhau não deve mais subir”, defende.

O gerente do Império dos Cocos, Alexandre Cândido, garante que a crise não elevou o preço do bacalhau que ele vende. “Tinha feito estoques entre julho e agosto e espero manter o preço até encerrar o ano”, diz.
Cândido avalia que o consumo do bacalhau vem passando por mudanças de uns 13 anos para cá. “Atualmente, até restaurantes de comida a quilo têm o bacalhau no cardápio, e o consumo do final de ano que era pequeno há alguns anos, já chega a ser cerca de 80% do que é consumido no período da Quaresma”, explica.

No Império das Azeitonas, as graúdas e as castanhas de caju tiveram elevação de 27% há um mês e meio e ficaram nas alturas. Mas o comprador Dulcinei de Souza Silva não se abala e assegura que a freguesia se mantém fiel. “Não faço estoque. O preço pode estar alto, mas o freguês sabe que aqui ele tem garantia de encontrar mercadorias novas”, diz.

Entre lojas, a variação dos preços justifica, e muito, a pesquisa. O quilo de passas, por exemplo, varia 309,52%, com a preços entre R$ 3,15 e R$12,90. Já o quilo das amêndoas variou de R$ 19,58 até R$ 62,49 na semana passada, uma diferença de 219,15%. entre os estabelecimentos.

Para o quilo das nozes sem casca foram encontrados preços entre R$ 45 e R$93,90, o que representa uma variação de 108,66%. Já o quilo da ameixa seca com caroço registrou uma variação de 74,41%, com o menor preço encontrado a R$ 8,99 e o maior de R$ 15,68 . Confira a pesquisa na íntegra em www.mercadomineiro.com.br. (Colaborou Cássia Eponine)

Pesquisa sobre vitimização em favelas do Rio de Janeiro da Professora Alba Zaluar

zaluar.jpg“Resolvemos comparar duas áreas da cidade que apresentam os maiores contrastes em relação à renda, escolaridade, condições de infra-estrutura urbana, etc. Olhem só os resultados dos crimes assistidos pelos moradores nas suas respectivas vizinhanças: na zona sul, assalto, extorsão de policiais e uso e consumo de drogas é varias vezes superior. As favelas da AP4,( Barra-Jacarepaguá), dominadas por milícias, conseguem o que a segurança privada da zona sul não consegue evitar. Na favela só ganha assassinato de vizinhos e amigos, além dos tiros disparados por PMs. Alguma coisa está profundamente errada na política de segurança da cidade.”

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Rico gasta 10 vezes mais que maioria pobre

A desigualdade ainda é o grande problema nacional. A Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 10% de brasileiros mais ricos gastam 10 vezes mais que os 40% mais pobres. O estudo constata que o brasileiro trabalha para pagar as contas. Em média, 74,69% da renda mensal é usada em habitação, alimentação e transporte. Só depois vêm as despesas com saúde (6,49%) e educação (4,08%). A desigualdade em Minas Gerais é menor do que a média brasileira: os mais ricos gastam 8,9 vezes mais que os pobres.

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Brasil tem nova classe média, diz ‘The Economist’

O Brasil tem uma nova classe média, surgida quase da noite para o dia, segundo uma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist. Essa fatia da população teria se beneficiado da estabilidade e do crescimento econômico no país e também em boa parte da América Latina.

“Tendo deixado a pobreza para trás, a sua incipiente prosperidade está conduzindo o rápido crescimento de um mercado de consumo de massa numa região há muito tempo notória pelo duro contraste entre uma reduzida elite privilegiada e uma maioria pobre. Seu advento promete transformar a política da região”, diz a revista.

A Economist frisa que enquanto é possível medir a pobreza, o termo “classe média” já é mais subjetivo, e esclarece que a reportagem está se referindo àquelas pessoas que poderiam ser descritas como de classe média baixa. Muitas têm pequenos negócios ou trabalham no mercado de serviços.

Consumo

Segundo a reportagem, entre 2000 e 2005, o número de famílias com renda anual entre R$ 12 mil e R$ 45 mil cresceu em 50% no Brasil, enquanto o grupo ganhando menos de R$ 6 mil anuais diminuiu dramaticamente. Outra evidência da chamada “nova classe média” citada pela revista é o nível recorde da venda de carros novos, computadores e eletrônicos no país.

Além disso, de acordo com a Economist, “os sinais de progresso estão em toda parte. Novos prédios de apartamentos, do tipo comum nas partes mais chiques de São Paulo, agora sobressaem por entre as casas do que ainda lembra as favelas”.

Editorial

Em editorial na mesma edição, a revista diz que apesar das notícias sobre “revoluções” populistas ou “socialismo do século 21” na América Latina, a situação em muitos países da região está, na realidade, melhor hoje do que em qualquer outro momento desde a metade dos anos 70.

“O ponto importante é que o caminho tomado pela maioria dos países latino-americanos – o da democracia e das economias de mercado – está finalmente rendendo frutos”, diz o editorial.

Segundo a Economist, as mudanças ainda são frágeis, “mas as lições para os governos são claras. Para impulsionar a nova classe média, é crucial manter a inflação baixa. Assim como melhorar a educação de baixa qualidade oferecida pelas escolas e universidades da região”.

Melhorar a infraestrutura de transportes e retirar o excesso de proteção no mercado também são medidas necessárias, segundo a revista. Assim, “as democracias latino-americanas poderiam virar uma esquina importante, na qual desigualdade, pobreza e populismo dariam lugar a prósperas democracias de classe média onde a maior parte tem interesse na estabilidade”.
 
Fonte: Jornal Estado de Minas

A grande vaia

Um vídeo primoroso feito em cima das vaias dadas ao governo desde a abertura do Pan no Rio de Janeiro até a passeata ocorrida em São Paulo e em outras capitais brasileiras. Vale a pena assistir.

PS: Reparem no rosto de assombro da Dona Marisa Letícia, a “Galega”, diante da vaia.

Golpismo é só retórica

josemurilo.jpgAs vaias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos Jogos Pan-Americanos e o movimento “Cansei” demonstram que acabou a lua-de-mel entre o governo e a classe média. Essa é a avaliação do historiador mineiro José Murilo de Carvalho, 67. O professor da UFRJ diz que o presidente tem dificuldade de aceitar oposição e que, se quiser evitar ainda mais turbulências durante o seu mandato, terá de aplacar a classe média de alguma maneira. O historiador a define como “a senhora da opinião pública”. Abaixo, alguns trechos da entrevista.

FOLHA – As vaias na abertura do PAN, o movimento “Cansei” e o desgaste com o caos aéreo são sinais são sinais de que acabou a lua-de-mel entre Lula e a classe média?
JOSÉ MURILO DE CARVALHO – A lua de mel com a classe média já tinha acabado desde a última eleição. As vaias são a manifestação pública do divórcio.

FOLHA – Quais são as conseqüências para o governo, a curto e médio prazo, da insatisfação? E para o PT?
CARVALHO – Alguém disse muito bem que já se pode ganhar eleição sem classe média, mas é difícil governar sem ela. A classe média não pode ser conquistada com Bolsa Família nem com aumentos de salário mínimo. E ela é a senhora da opinião pública. Se quiser evitar mais turbulência, o governo terá que aplacá-la de algum modo.

FOLHA – O PT e a CUT traçam paralelo entre movimentos insatisfeitos com Lula e organizações apoiadoras do golpe de 1964. Há quem compare o “Cansei” à “Marcha da Família”. O que o sr. acha disso?
CARVALHO – Retórica. Dificuldade de aceitar oposição. Dificuldade de entender que há um Brasil importante entre o povão e os banqueiros.

FOLHA – Há alguma chance de o “Cansei” ganhar força a ponto de se tornar um grupo comparável ao MST durante o governo FHC?
CARVALHO – Não. A classe média foi para as ruas em 1964 movida por razões religiosas e políticas, como o anticomunismo, muito fortes, que tinham respaldo popular. Voltou na campanha das Diretas e na do impeachment do presidente Fernando Collor, também com respaldo popular. Agora, esse respaldo é improvável. O apagão ético e o apagão aéreo ajudam a desmoralizar o governo, mas não despertam a reação das classes mais pobres.

FOLHA – O presidente disse que a oposição está brincando com a democracia e que ele sabe, como ninguém, colocar gente nas ruas. Qual o significado das declarações?
CARVALHO –
É uma ameaça explícita. É o que [o presidente] Hugo Chávez fez e está fazendo na Venezuela.

FOLHA – Lula também disse que só os pobres poderiam estar bravos, já que os ricos ganharam muito dinheiro com seu governo. Isso é uma forma de “getulismo” escancarado?
CARVALHO – As afirmações do presidente nunca primaram pela coerência. A política econômica tem, sim, favorecido, e muito, o setor financeiro e bastante o povão, mas não a classe média, que está espremida entre o tostão e o milhão. E é ela que está mais descontente.

O melô da classe média

Em tempos de classe média golpista vale a pena ver o clipe da música abaixo. A letra é uma delícia.