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Exclusivo: PF expõe vísceras do Corinthians/MSI

kiadualib.jpgReportagem de Bob Fernandes e Rogério Lorenzoni:
Por mais que pareça ficção, o que se lerá aqui é uma história verídica, repleta de intrigas, mentiras, mas muitas mentiras mesmo, ciúmes entre homens, deslizes, traições, ameaças e, até, um romance numa alta corte da Justiça fluminense. O enredo passeia, ainda, por gabinetes bem próximos ao do presidente da República, no Palácio do Planalto, além do seu próprio gabinete. Tudo resumido em um relatório da Polícia Federal com 72 páginas, produto de investigações e interceptações telefônicas feitas com autorização judicial. Este Editor-chefe de Terra Magazine e o colunista da Folha de S.Paulo Juca Kfouri tiveram acesso ao material, assim como, pelo menos, um dos advogados de pessoa citada.

Não por acaso, com uma ou outra alteração por questões de estilo ou espaço, o texto das reportagens é, nuclearmente, o mesmo.

Essa história tem nome, como é habitual nas ações da Polícia Federal: Operação Perestroika.

O mote foi a parceria Corinthians/MSI.

Kia, Ricardinho e o milhão
Aqui neste espaço o enredo começa a ser tecido numa conversa entre Kia Joorabchian, o empresário iraniano que representava o fundo MSI (Media Sports Investment), ex-parceiro do Corinthians, e o jogador Ricardinho (agora no Besiktas, na Turquia), na qual o atleta é informado:

– (…) conforme combinaram o dinheiro vai ser pago hoje, mas que acha que só vai ser creditado amanhã, pois está pagando fora do país.

Ricardinho, então, pergunta se será avisado do crédito e Kia diz que sim, ao pedir que ele fale com o advogado da parceria, Alexandre Verri, “para confirmar a transação”.

Kia informa que o crédito é de US$ 1,144 milhão.

Quantias milionárias são o que há de mais comum nas conversas.

No dia 14 de agosto de 2006, por exemplo, às 12h16, a noiva de Kia, a advogada Tatiana Alonso, informa ao homem do futebol da parceria, Paulo Angioni, que conversou com o noivo e este disse que só poderia dar R$ 400 mil por mês para o técnico Emerson Leão – o que derruba a versão de que a MSI não participou da transação por não concordar com ela.

Dinheiro da FPF
Pouco menos de uma hora depois, Angioni liga para Tatiana e conta que Alberto Dualib, então presidente do Corinthians, hoje afastado, se comprometeu a pagar a diferença de R$ 100 mil com dinheiro da Federação Paulista de Futebol.

E, ainda no mesmo dia, Angioni diz a Renato Duprat que Leão pediu R$ 3 milhões no ato da contratação, o mesmo valor dali a um ano e mais R$ 1 milhão se classificar o Corinthians para a Libertadores.

Duprat, por sinal, como se verá, não será mero coadjuvante neste enredo, e impressionará pela capacidade de ludibriar.

Quanto a Duprat, sem cargo formal o braço direito de Dualib depois que Kia se afastou, pode ser explicado com a mesma fórmula que um jornalista russo um dia usou para definir o próprio Kia: “É um ator de negócios”.

No mesmo dia 14 de agosto, por sinal, sem que uma coisa tenha a ver com a outra, Angioni diz a Duprat que Marcelinho tem que sair do clube e Duprat informa já ter acertado a saída dele com Boris Berezovski. Fica claro que, embora também alardeasse ser contrária à contratação do jogador, era a MSI quem pagava o salário e os direitos de imagem de Marcelinho.

Ameaça no celular
No dia seguinte, 15, Angioni relata que a FPF antecipará R$ 2 milhões para pagar Leão a título de um empréstimo que será pago apenas no ano seguinte, em quatro parcelas.

Já no dia 21, Angioni comunica a Nojan Bedroud, diretor da MSI, que está deixando a empresa, porque prefere trabalhar com Kia fora do Corinthians.

Dinheiro, muito dinheiro, por dentro, por fora, emprestado, dinheiro.

Dinheiro que leva Gisele, ex-mulher de Carlos Alberto- que hoje está no clube alemão Werder Bremen-, a deixar uma ameaça gravada em seu celular, exatamente às 11h10 do dia 5 de setembro, dizendo que “vai abrir a boca sobre o depósito do salário que é feito metade aqui e metade na Suíça”. Gisele garante ter comprovante em mãos.

Enquanto isso, de Londres, repetidas vezes Duprat fala com Dualib e promete não só resolver rapidamente o envio de dinheiro para pagar as contas do clube, como a própria sucessão de Kia na MSI, além da garantia de faltar pouco para legalizar a entrada de Berozovski no Brasil.

Mas o agosto corintiano não acaba.

Leão “idiota” e bagunça corintiana
No dia 26, Kia diz para a noiva que Berezovski considera Leão um “idiota” e que o Corinthians é “uma bagunça política”.

Impaciente, Tatiana diz ao noivo que eles estão trabalhando muito no Brasil e que Berezovski está brincando com a vida deles. E apela para que ele saia “dessa bagunça, abandone essa merda”.

Setembro chega, mas a crise permanece.

O casal Kia/Tatiana volta a se falar no primeiro dia do mês e ele se queixa de que o jornal “Financial Times” noticiou seu interesse pela compra do West Ham, o que nega: “Apenas pusemos o Tevez e o Mascherano lá porque não tínhamos outra opção”, explica.

Tatiana devolve, no mesmo telefonema:

-Talvez isso seja um aviso, não quero passar em Londres pelo que estamos passando no Brasil, vamos tocar os negócios do seu pai, porque o Boris é um bilionário que não faz nada na vida, só besteiras, que nem consegue avaliar as conseqüências de suas intervenções idiotas, porque sabe que nada o atinge, diferentemente de pessoas normais com empregos normais. (Ela, Tatiana, e Kia, seriam desse mundo de normalidade).

“100 pau”
Dualib, já em Londres, reclama de falta de dinheiro e manifesta preocupação, no dia 25, ao dizer que a conta do hotel vai ser de “100 pau” e que “100 pau”, no cartão dele, “na hora” o imposto de renda pega.

Desde o “escândalo Ivens Mendes” que o presidente corintiano parece ter problemas com o “um-zero-zero”… Naquele episódio, ao combinar determinada operação, Dualib refere-se ao “um-zero-zero”.

Só que os problemas do futebol brasileiro parecem coisa de criança quando confrontados com os dos parceiros que o Corinthians arrumou, sem nem sequer ter a desculpa de que não sabia com quem estava se metendo.

Nada de Boris
Exemplo disso é o diálogo entre Dualib e Duprat, no dia 8 de outubro, sempre de 2006, precisamente às 17h52, o primeiro em Londres, o segundo em São Paulo.

Duprat revela que o “pessoal de Badri Patarkatsishvili(o empresário georgiano sócio de Berezovski) está preocupado com a situação na Geórgia e que ele está mandando toda sua família para Londres”.

Dualib aconselha que ele saia da Geórgia “antes que o matem” e acrescenta que Andrés Sanchez, que se apresenta como líder da oposição no Parque São Jorge, “está sabendo o que falar na Federal, porque, depois da nota oficial da MSI que desmente a participação de Berezovski na parceria, ninguém mais pode falar em Boris, o Boris acabou, tá fora e se ele (Andrés) falar o que o Boris é, fode com tudo”.

Duprat concorda e diz que “Boris não é, que é o Badri que é”.

Palavras combinadas
Exatos 48 minutos depois dessa conversa, Sanchez quer saber o que Dualib e Nesi Curi, vice-presidente do Corinthians, vão falar na PF, para que ele também fale. A PF já investigava o caso.

Dualib então revela que pedirá adiamento do depoimento e que Andrés Sanchez deve fazer o mesmo, porque é preciso saber antes, com o pessoal em Londres, o que foi que Berezovski disse em seu depoimento quando detido em São Paulo.

Sanchez concorda e acrescenta que mandará seu advogado tentar o adiamento:

-Vou falar o que vocês (Dualib e Curi) falarem.

Sem confiança
Estranhamente, Dualib encerra a ligação com o seguinte comentário:

-Quem acompanhou o depoimento do Berezovski foi o Duprat e eu não estou conseguindo falar com ele…

De fato, ninguém confia em ninguém.

Tanto que, em seguida, Dualib volta a falar com Duprat, para informá-lo do que conversara com Sanchez. Duprat o aconselha a não confiar nele e Dualib argumenta que “se ele foi chamado é porque também está envolvido”.

E pede que “Londres fale com Marco Polo Del Nero” (presidente da FPF e advogado) para que todos recebam a mesma orientação.

Duprat promete falar com Marco Polo.

Esperando Badri
Entre tantas angústias, a maior delas, a falta de dinheiro, continua.

No dia 10 de outubro, Curi, vice-presidente do Corinthians, pergunta a Duprat se o dinheiro já chegou e este diz que o assunto está sendo discutido naquele momento, que Berezovski está na sua frente. Curi fala para Duprat cobrá-lo, porque ele prometera mandar o dinheiro imediatamente, mas Duprat explica que “quem manda dinheiro é o Badri, não o Boris”, e que Badri está por chegar.

São inúmeras, mais de vinte, as conversas semelhantes entre Duprat e a direção corintiana. Sem que o dinheiro chegue.

E ainda não se chegou à novela sobre como Berezovski pretendia voltar a entrar no Brasil, outra vez com Duprat como um dos intermediários.

Verri “quer ferrar o Kia”
O fim da novela é conhecido: Berezovski não voltou ao Brasil e tem agora contra si, assim como Kia, um mandado de prisão e as acusações de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, a exemplo do que acontece, em relação aos dois últimos itens, com Dualib, Curi, Duprat, Angioni e Verri, o advogado da parceria, do escritório Veirano, o mesmo de Tatiana Alonso, agora esposa de Kia.

Mas os capítulos da novela são também interessantes e serão contados mais adiante.

No dia 12 de outubro, Duprat conversa com um homem não identificado e diz que “parece que Verri entregou tudo, fez um estrago em seu depoimento, que a PF até ficou surpresa com tanta informação, parece até que ele quer ferrar o Kia, que ele mostrou direitinho como é a operação, como vem de fora”.

Conta em Nova York
Duprat ainda opina que “a única coisa que parece irregular é a compra de jogadores e que sabe pelo Dualib que o Corinthians tem uma conta em Nova York ainda do tempo da parceria com a Hicks&Muse”.

Ao ser perguntado se sabe quem é que está no inquérito, Duprat responde que é “o Protógenes, o mesmo da outra vez”. (Referência ao delegado da PF Protógenes Queiroz)

Na mesma conversa, Duprat comenta que Dualib despediu o filho do Grondona (Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina e vice-presidente da Fifa):

-(…) que é o cara responsável pela fiscalização de lavagem de dinheiro na Fifa, o que causou mal-estar quando a PF foi à Fifa e mandaram falar exatamente com o Grondona, que até foi questionado por ser o responsável por essa área e o filho estar envolvido com o Corinthians.

Duprat acha que Kia pôs, “estrategicamente”, o filho de Grondona no clube.

“Discurso mentiroso”
Paralelamente a tudo isso, outra história se desenrolou – ou não se desenrolou -, a de Nilmar, tão enrolada como as demais, razão pela qual o leitor dela será poupado.

Porque melhor é a nova conversa mantida entre Dualib e Duprat, no dia 16 de outubro.

O cartola pergunta:

-É para manter o discurso mentiroso sobre o Boris, que ele não tem nada a ver, que é tudo com o Badri?

Duprat diz:

– Tem de falar a verdade, que o Boris nada tem a ver com a MSI.

Diz, e dá risada.

E de repente o Flamengo quase entra na dança.

Operação Flamengo
Kia Joorabchian, no dia 31 de outubro, determina que Paulo Angioni fale com Verri para que este explique como será a entrada deles no clube carioca depois de ouvir que “o Flamengo quer abrir as portas para Kia”.

-Só preciso de um mês para terminar tudo com o Corinthians e começar a investir no Flamengo – assegura Kia.

Novela curta. Melhor, uma minissérie porque rapidamente se esgota.

No dia anterior, ao receber nova cobrança de envio de dinheiro, Duprat diz a Dualib:

-O problema é em Londres, porque eles não têm em nome de quem mandar.

Neta de Dualib
Na verdade, não dá para acreditar numa só palavra de Duprat.

Nem mesmo quando, aparentemente com sensatez, aconselha Dualib a não brigar com Curi, “pois não é hora”.

Só que Dualib está indignado ao telefone neste dia 23 de novembro:

-(…)porque ele não pode fazer o que está fazendo, chamando minha neta de ladra, porque tirei notas, de 14 anos para cá, para poder livrar a cara do Nesi da investigação e se não tivesse feito isso ele estaria enrolado juntamente com o Mello (Carlos Roberto Mello, ex-vice-presidente de finanças do Corinthians).

Novembro termina, dezembro começa, e tudo permanece na mesma.

Dinheiro incerto
No dia 3, Duprat diz a Curi que contratou o centroavante Borges, no Japão. O jogador, como se sabe, de fato veio do futebol japonês, mas para o São Paulo.

No dia 6, Curi diz a Duprat que todas as contratações estão sendo desmentidas na imprensa e Duprat afiança que mandará muito dinheiro a partir do dia 15: primeiro um dinheiro para cobrir o déficit; depois mais US$ 5 milhões e depois mais US$ 10 milhões. E começa a falar sobre a contratação de Cícero, meia do Figueirense.

Este foi parar no Fluminense.

Um pouco mais tarde, no mesmo dia, é Dualib quem cobra Duprat ao dizer que precisa de ao menos US$ 1 milhão. Duprat responde que será esse o valor e que o mandará “amanhã”.

Varig, Kia e o Galo
No dia 22, às 10h01, Duprat voa mais alto. A um interlocutor não identificado, diz que “eles vão comprar mais quatro clubes no Brasil para lavar dinheiro” e diz “que o russo agora é o dono da Varig”.

Berezovski, é verdade, quis montar sua lavanderia, mas não comprou a Varig.

Uma semana depois, Duprat fala a alguém não identificado que é contra o empréstimo do lateral Coelho para o Atlético Mineiro, “porque existe algum esquema entre o Kia, o Nesi e o Atlético”.

Coelho, como sabem até as montanhas das Alterosas, é hoje jogador do Galo.

Duprat onipresente
Mas Duprat não desiste, Duprat insiste, está em todas.

E em conversa com um dos vice-presidentes do Corinthians, Jorge Kalil, manifesta sua surpresa com o fato de a Unimed querer Carlos Alberto emprestado e pagando tudo, salário e direito de imagem:

– Como é que um plano de saúde tira dinheiro do caixa para pagar empréstimo de jogador?- pergunta, provavelmente pela sua experiência com a falida Unicor, que fez papel semelhante no Santos e quebrou.

No mesmo diálogo, Duprat diz a Kalil que Carla Dualib, a neta do presidente, prefere ele, Kalil, como laranja do avô a Edgard Soares, outro vice de Dualib.

“Aquela mulher gorda”
O clima esquenta.

Curi diz a Duprat que “está arranjando uns guardas para bater em Martinez” (diretor de futsal do clube) e pergunta se Berezovski vem mesmo ao Brasil. Duprat diz que sim, “mas se ele não vier já tenho outro judeu” e acrescenta que está tentando pegar Robinho emprestado.

Não é incrível que alguém pudesse acreditar?

Enquanto pululam quimeras, esquentam as negociações para Berezovski vir ao país.

Dualib garante num diálogo com Curi que Duprat já acertou tudo com Brasília.

Nesi garante que “aquela mulher gorda estava atrapalhando” e Dualib a identifica como Clara Arnt, “da ala radical do PT e contra o Boris”.

Clara, secretária pessoal de Lula, confirma à reportagem a tentativa de se fazer Berezoviski chegar ao presidente:

-Fui contra desde sempre que o presidente o recebesse.

No gabinete de Lula
Curi acrescenta que o presidente Lula teria gostado da visita deles – os dirigentes corintianos -, mas que é bom não comentar nada sobre o fato de terem ido falar sobre o Boris, para que ninguém mais trabalhe contra.

Sim, Dualib, Curi e Duprat estiveram com o presidente da República e pediram que ele se esforçasse para eliminar as barreiras que impediam a entrada do bilionário russo no Brasil. (Encontro esse noticiado pelo Blog do Boleiro neste Terra Magazine).

Numa cena constrangedora, Curi até pediu que Lula ligasse na frente deles para Berezovski. Não foi atendido, segundo relata Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência, ouvido sobre o episódio pela reportagem na última quarta-feira, 5 de setembro:

-A pedido da direção do Corinthians, nos limitamos a ver se era possível conseguir a extensão do asilo político dele na Inglaterra para o Brasil e não sabíamos sobre o russo o que sabemos hoje. Agora temos tratado de extradição com a Rússia e é impensável tê-lo aqui. Além do mais, vi Duprat apenas na audiência com o presidente e jamais falei com ele sobre qualquer assunto depois disso-, garante Carvalho embora confirme que houve gestão, na mesma direção, do jornalista Breno Altman, ligado ao ex-ministro José Dirceu.

Em nome de Zé?
Altman chegou a viajar para a Europa para se encontrar com Berezovski e, quando da primeira vinda do russo ao Brasil, organizou reuniões para ele.

A justificativa é simples: o russo queria investir no Brasil em estádios, biodiesel, etanol etc, e estava até disposto a passar parte do ano por aqui.

Dono de uma fortuna avaliada na casa dos US$ 4 bilhões, Berezovski mobilizou diversos segmentos, aí incluída a Assembléia Legislativa de São Paulo, por intermédio do deputado estadual petista Vicente Cândido, um dos articuladores da frustrada vinda do bilionário; segundo o deputado mesmo dizia, sempre em nome de José Dirceu.

Mas a Operação Perestroika -alusão ao processo conduzido por Mikhail Gorbatchev que culminou com a abertura política na Rússia- traz de volta o mesmo nome de um velho personagem da corrupção no futebol brasileiro.

O retorno de Moreira?
Em 1982 a revista Placar desvendou um esquema de manipulação de resultados dos jogos da Loteria Esportiva que se tornou conhecido como a “Máfia da Loteria”. Sobressaía-se, então, um jornalista cearense de nome Flávio Moreira. Ele trabalhava na agência Sport Press e era quem escolhia os 13 jogos da loteca.

Descobriu-se que Moreira fazia a escolha de acordo com os grupos que manipulavam os resultados pelo país afora.

Pois é um tal Flávio Moreira quem procura Duprat -segundo o relatório da PF- para oferecer seus serviços para “classificar” o Corinthians no Campeonato Paulista, nega-se a falar mais pelo telefone e manda tirar suas referências com Paulo Pelaipe, diretor de futebol do Grêmio.

Duprat, surpreendentemente, o dispensa e a conversa não evolui ou, pelo menos, não tem novos registros nas escutas da PF.

Uma fonte ouvida pela reportagem garante que Flávio Moreira é Flávio Moreira.

Futebol, corrupção… e amor
Esta novela, como quase todas, está recheada de histórias de amor. Uma com final feliz em Londres e outra permeada por suspeita de corrupção no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Kia Joorabchian passou pelo Brasil e levou para Londres a bela morena Tatiana, com quem se casou na sexta 7, o dia da Pátria (a nossa…), em luxuosa cerimônia.

O outro caso de amor tem como palco a Cidade Maravilhosa.

Revelado por meio de uma conversa entre o presidente do Flamengo, e dono de cartório no Rio, Márcio Braga, com o ex-juiz de Direito e ex-presidente do Fluminense, atualmente ouvidor da CBF, Francisco Horta.

Ambos tratam de uma ação que corre sobre as eleições na Federação Estadual do Rio de Janeiro.

Vingança de ex-mulher
Braga critica uma liminar concedida por um desembargador e alega que este faz tudo que um outro poderoso desembargador pede.

Horta comenta que o magistrado que concedeu a liminar estaria “emocionalmente quebrado”, pois se separou da mulher e começou a namorar uma juíza, filha de um casal de desembargadores.

Horta revela que foi procurado pela ex-mulher do desembargador que concedeu a liminar. Ela, segundo Horta, queria lhe entregar um dossiê sobre o ex-marido, mas ele não a teria recebido. E comenta:

-Pior que uma traição conjugal é a corrupção, é gente vender sentença.

Braga concorda, acrescenta que atua junto à Justiça há quase 50 anos e que sempre houve corrupção, mas que nos últimos 10 anos eles perderam a vergonha.

Operação abortada
No futebol brasileiro, não é bem assim.

Ao que se sabe, e quanto mais se sabe, mais se demonstra que vergonha nunca houve.

E mais não se sabe desta novela porque, estranhamente, quando a PF mais avançava em suas investigações e se preparava para os capítulos finais da Operação Perestroika, eis que o Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça, o que abortou a seqüência dos trabalhos.
 
Terra Magazine

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Piores filmes

CUT quer centrais em uma campanha chamada “Cansamos” contra o “Cansei”

A direção da CUT (Central Única dos Trabalhadores) enviou um e-mail para outras organizações sindicais hoje propondo uma campanha para reagir ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o já conhecido “Cansei” http://blog.cansei.com.br/ – que reuniu 6.000 pessoas no último fim de semana, em São Paulo.

Abaixo, a íntegra do e-mail da CUT propondo reação ao “Cansei”. Para preservar as fontes, foram retirados os e-mails do remetente (Artur Henrique, presidente da CUT) e dos destinatários:

—–Mensagem original—–
De: Xxxxxxxxxxxxxxxxx

Enviada em: segunda-feira, 30 de julho de 2007 16:40
Para: Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Assunto: para avaliação dass centrais

São Paulo, 30 de julho

Prezados companheiros

Consideramos oportuna e necessária a realização de uma campanha de protesto com a visão dos trabalhadores. A mensagem da campanha deve ser breve, para rápida compreensão e forte apelo. O objetivo maior é ampliar a repercussão – que não precisa de longos textos e argumentações para acontecer.

A campanha será veiculada em nossas páginas de internet, em jornais impressos e programas de rádio de que dispomos. O primeiro passo é a aprovação do texto que enviamos logo abaixo. Assim que as centrais avaliarem o conteúdo do texto e decidirem assiná-lo, passaremos à etapa de elaboração visual e gráfica. Portanto, pedimos que a avaliação do texto aconteça com a maior rapidez possível.

Um grande abraço

Artur Henrique, presidente da CUT

 Vejam, agora, o texto:

CANSAMOS!

· do trabalho escravo

· da sonegação de impostos

· do trabalho infantil

· da mídia que não aborda os movimentos sociais

· das jornadas de trabalho desumanas

· da mídia que criminaliza as lutas populares

· da Justiça que privilegia o poder econômico

· da mídia que só dá espaço aos poderosos

· do lobby das grandes empresas sobre o poder público

· das altas taxas de juros

· dos acidentes de trabalho

· da superexploração da mão-de-obra

· das taxas bancárias

· da precarização das condições de trabalho

· do superávit primário

· dos ataques aos serviços públicos

· da falta de direitos trabalhistas para mais da metade da população

Apesar de tantas razões, não temos tempo para sentir cansaço. Continuaremos lutando. Precisamos de sua participação. Filie-se ao seu sindicato!

Aeroporto de Gibraltar

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 Para aqueles que estão reclamando da proximidade de aeroportos com residências vejam as fotos do Aeroporto de Gibraltar. Óbvio que o perigo é enorme, mas com as devidas normas de segurança respeitadas há como conviver bem com o aeroporto como vizinho. Reparem que o sinal vermelho fecha e interrompe o tráfego de veículos.

aeroporto_gibraltar.jpg

Veja 2: Contagem regressiva

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Reportagem de Alexandre Oltramari:
O senador Renan Calheiros apostava que o recesso parlamentar abrandaria a crise política em que ele está mergulhado há dois meses. Imaginava que, passando algumas semanas longe dos holofotes, ganharia forças para tentar sobreviver à suspeita de que teve contas pessoais pagas por um lobista de empreiteira. A estratégia não deu certo. Na semana passada, a Polícia Federal iniciou a perícia nos documentos que Renan entregou ao Conselho de Ética do Senado. São recibos, notas fiscais e guias de trânsito animal (GTAs) apresentados pelo senador com os quais ele tenta comprovar que não precisava se socorrer de recursos do lobista. Renan, um ex-vendedor de chinelo que tinha um carro velho quando entrou na política, garante que juntou uma pequena fortuna vendendo bois. Antes mesmo do início da perícia, o papelório já começou a produzir desdobramentos comprometedores para o senador. Técnicos do Conselho de Ética que analisaram o material comprovaram que duas empresas que teriam comprado gado de Renan simplesmente não existem. “Se técnicos do próprio Senado atestam que o presidente vendeu bois para empresas de fachada, a situação dele fica ainda mais complicada”, afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS), colega de partido de Renan. 
(…)
Na semana passada, depois de dois meses sem visitar sua base eleitoral, Renan Calheiros finalmente apareceu em Alagoas, estado que o elegeu senador em 2002 com 800.000 votos, mais de 40% do total. Chegou a tempo de acompanhar de perto a movimentação de cerca de 400 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) e a duas de suas dissidências mais raivosas, o Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Elas invadiram uma fazenda do deputado federal Olavo Calheiros, irmão de Renan, mataram quinze bois para fazer churrasco e tinham planos de invadir fazendas do próprio Renan, vizinhas à propriedade do irmão. Olavo, cujo patrimônio declarado saltou de 100.000 reais para 4 milhões nos últimos oito anos, é suspeito de corrupção e de grilagem de terras na região de Murici, berço do clã Calheiros. A invasão, justificada pelos líderes como um protesto contra a grilagem de terras e a corrupção, tirou Renan do sério. Em seis entrevistas a emissoras de televisão e rádio controladas por aliados, duas delas em programas policiais de Alagoas, Renan disse que só sai do cargo enforcado ou queimado. “Vão ter de sacrificar o presidente do Senado. Mas vão ter de assumir a responsabilidade, que é sujar as mãos de sangue”, disse Renan. “Vou resistir até o fim.” A contagem regressiva já começou. Assinante lê mais aqui

Foto: Ed Ferreira(AE)

Brasil é pioneiro em site de relacionamentos para deficientes

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Recentemente divulgamos aqui no blog a notícia de que a Suécia havia criado um site de relacionamentos para deficientes. Ao contrário do que pensavam alguns leitores a matéria nada dizia sobre o ineditismo do fato em relação ao mundo. Apenas que na Suécia era o primeiro site de relacionamentos para deficientes. Resolvida a dúvida nos resta informar que o Brasil também já possui um site deste tipo desde fevereiro de 2000. É o Grandes Encontros criado pela Muriel Elisa Pokk, que também foi a primeira a disponibilizar sala de bate-papo para deficientes.