Archive for the ‘Brasileiros’ Category

2008 em frases

Janeiro

– “Rezem para mim. O negócio está feio. Estou saindo satisfeito porque sou assim mesmo, mas que a coisa é preta, é.” (Vice- presidente José Alencar, na saída do hospital Sírio-Libanês, depois de sessões de quimioterapia contra o câncer).

Fevereiro

– “Transparência, no governo Lula, é como lingerie de bordel: o que revela é sempre um escândalo.” (Roberto Jefferson, presidente do PTB).

– “Um homem negro não ficaria muito tempo na posição de presidente dos Estados Unidos. Provavelmente o matariam.” (Doris Lessing, escritora britânica, Nobel de Literatura, referindo-se ao então pré-candidato democrata Barack Obama).

Março

– “Nossa economia é resistente e, a longo prazo, confio que continuará crescendo, porque seus fundamentos são sólidos”. (George Bush, risonho, discorrendo sobre o futuro no instante em que a crise engolia o presente. O dos EUA e o do resto do mundo).

– “Sabemos que estamos em forte desaceleração.” (Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, em locução premonitória).

– “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição.” (Lula, irritado com o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que enxergara propósitos eleitoreiros no programa Territórios da Cidadania).

– “O que eu disse, repito: no ano eleitoral não podemos ter incremento, alargamento de programas sociais. O programa pode ser elogiável, mas tem época em que não deve ser implantado. As regras jurídicas não são de fachada. Paga-se um preço por viver em uma democracia.” (Marco Aurélio Mello, dando de ombros para a irritação de Lula).

– “Nós estamos em estol. Nessa velocidade, qualquer coisa que sair errada te leva para o chão.” (Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, valendo-se de uma analogia aeronáutica -“perda total da sustentação”- para fazer soar os tambores da crise americana).

Abril

– “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC”. (Lula, num pa©mício no Rio, exibindo a munição da candidata à sua sucessão).

– “Vim para mostrar o aumento do PIB e para botar o PIB na mesa.” (Guido Mantega, posando de macho em encontro com economistas de agências de avaliação do risco-país, nos EUA).

– “Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente que hoje animam, sem dúvida, este comício.” (Dilma Rousseff, a dodói de Lula, trocando as bolas em cerimônia oficial do PAC, em Belo Horizonte).

Maio

– “Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo nem má-fé. Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado.” (José Aparecido Nunes Pires, ex-funcionário da Casa Civil, com dificuldades para explicar como o arquivo com o dossiê anti-FHC foi parar na caixa de e-mails de André Fernandes, assessor do tucano senador Alvaro Dias).

– “Ele só falava para mim que foi a Erenice [Guerra] que preparou um dossiê. Ele usou um banco de dados seletivo. Ele me contou que no dia 8 de fevereiro foi chamado para fazer isso.” (André Fernandes, arrastando a secretária executiva da Casa Civil, lugar-tenente de Dilma, para o centro da encrenca do dossiê).

– “Não estou certo do que vou fazer depois de deixar a Presidência. Logo após o seu mandato, o vice-presidente Al Gore ganhou um Oscar e um Prêmio Nobel. Quem sabe eu poderia ganhar um prêmio. A loteria, por exemplo.” (O presidente George Bush, fazendo piada para jornalistas na fase pré-crise).

Junho

– “Nós estaremos juntos de qualquer forma. Se não for agora, de imediato, será daqui a noventa dias. Por isso, trago esta saudação ao companheiro Geraldo Kassab.” (Goldman, no mesmo discurso, trocando as bolas pela segunda vez).

– “Eles adotaram aquilo que o comunicador de Hitler, Joseph Goebbels, dizia: uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade. E como mentem. Eles agora querem inventar trocando as letras, chamando de CSS.” (O senador Mão Santa, do PMDB piauiense, erguendo barricadas contra a recriação da CPMF, que acabaria empacada na Câmara).

– “Ninguém que tiver cometido algum erro vai ser protegido por nós, não vamos salvar a pele de ninguém.” (José Serra, o governador tucano de São Paulo, prometendo isenção na apuração do esquema de pagamento de propinas da multinacional Alstom, que fez negócios durante o governo Covas).

– “A causa é maior que o cargo, que está a serviço da causa” (Marina Silva, explicando a razão do desembarque do ministério do Meio Ambiente).

– “O Minc já falou em uma semana mais do que a Marina falou em cinco anos e meio.” (Lula, na posse de Carlos Minc, realçando as diferenças do sucessor de Marina).

Julho

– “Espero que Daniel Dantas tenha o mais amplo direito de defesa, que consiga provar que é inocente.” (Tarso Genro, na fase em que a PF ainda não transformara o investigador Protógenes em investigado).

– “Saí do país usando meu passaporte, com carimbo e tudo.” (O sem-banco Salvatore Cacciola, tentando negar que fugira do Brasil para a Itália).

– “É ilusão pensar que inflação elevada não vá levar à redução da atividade econômica. Já conhecemos essa história no Brasil.” (O presidente do BC, Henrique Meirelles, justificando a política de juros lunares como tática de combate à inflação).

– “Se eles nos congelarem, não haverá mais petróleo para os EUA. E o preço do petróleo vai a US$ 300 o barril.” (O companheiro Hugo Chávez, numa fase em que não lhe passava pela cabeça que a cotação do petróleo roçaria os US$ 50).

Agosto

– “Da mesma forma que a gente faz a reforma agrária na terra, vamos fazer uma reforma aquária, na água.” (Lula, justificando a inacreditável proposta de converter a Secretaria da Pesca em ministério).

– “Se fosse por importância econômica, seria melhor criar o ministério da Banana, que movimenta 7 milhões de toneladas por ano.” (O líder tucano José Aníbal (SP), expondo o ridículo do projeto, que seria, depois, retirado pelo Planalto).

– “Agora posso dizer o que quiser; xingar, se eu quiser; dizer que amo, dizer que odeio. Não preciso ser politicamente correto, no sentido da ética pública.” (Gilberto Gil, depois de bater em retirada do ministério da Cultura).

– “Temos de fazer uma lei adequada ao nosso país. Não adianta querer fazer lei de país civilizado porque este país não o é.” (O juiz da Satiagraha, Fausto Martin De Sanctis, num rasgo de sinceridade na CPI dp Grampo).

– “Toda polícia do mundo usa algemas. Temos que garantir a integridade do preso, do policial e de terceiros.” (O diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, abespinhado com a decisão do Supremo que limitou o uso de algemas em operações policiais).

– “O importante é que cumpram as decisões do Supremo. Se ele cumpre de bom humor, de mau humor, se cumpre rindo ou se cumpre chorando, essa é uma outra questão.” (Gilmar Mendes, o presidente do STF, dando de ombros para os queixumes da PF).

– “Não sou amarelão.” (O ginasta Diego Hypólito, justificando a queda que converteu em fiasco uma das esperanças de ouro da delegação brasileira nas olimpíadas de Pequim).

Setembro

– “Vayanse al carajo yankees de mierda, que aqui hay um pueblo digno”. (Hugo Chávez, valendo-se de um linguajar que transforma o ‘sifu’ de Lula em vocábulo de criança).

– “Que crise? Vai perguntar pro Bush!” (Lula, em resposta a jornalista que lhe perguntaram o que achava da crise).

– “Todos os que achavam que havia uma luz no fim do túnel agora se dão conta de que é uma locomotiva, que vem em sua direção.” (Peer Steinbrueck, ministro das Finanças da Alemanha).

– “Para mim, o modelo é contínuo. Um modelo sem a presença de ilhas. Os índios brasileiros são visceralmente avessos a qualquer idéia de nichos, guetos, cercas, muros, viveiros.” (Carlos Ayres Britto, ao relatar o processo da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol).

Outubro

– “Graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico.” (Lula, em nova demonstração de otimismo surreal).

– “Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha.” (Lula, proferindo aquela que teria potencial para vencer qualquer concurso de frase do ano).

– “É um empréstimo de mais de 200 milhões de dólares para um projeto que não presta.” (Rafael Correa, presidente do Equador, mostrando os dentes pela primeira vez ao BNDES, às voltas com o risco de calote).

– “Escreve aí: a Marta vai ganhar.” (Lula, numa demonstração de que se sai melhor como presidente do que como vidente).

– “Agora vamos vencer a máquina estadual, a federal e a Universal.” (Fernando Gabeira, antes de ser vencido pelas máquinas estadual e federal).

Novembro

– “O PT não perdeu na capital. Deixou de ganhar.” (Aloizio Mercadante, o senador petista).

“Quem vence em São Paulo vence as eleições.” (Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, pegando carona na vitória da parceria Serra-Kassab).

– “Ninguém falou mal do governo, ninguém falou mal do presidente Lula.” (Lula, faturando o refresco que lhe deram os candidatos a prefeito de todos os partidos).

– “Yes, we can” (Barack Obama, já eleito, repisando o bordão de sua campanha).

– “Se Obama fracassar, a frustração será tão grande que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos.” (Lula).

 – “Obama é jovem, bonito e também bronzeado.” (Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, festejando, à maneira dele, a eleição de Barack Obama).

– “O presidente eleito, Obama, será presidente de todos os americanos. O fato de ele ser negro vem em segundo plano, mesmo que isso confira à sua eleição um caráter histórico.” (Colin Powell, republicano, negro, ex-secretário de Estado da gestão Bush, soltando fogos pela vitória do democrata Obama, a quem manifestara apoio).

Dezembro

– “Não dá para identificar de onde vem essa força. Há diversos colaboradores do bandido Daniel Dantas com a tentativa de produzir provas por meio de investigações. E isso durante todo o processo”. (Protógenes Queiroz, enigmático, falando sobre as pressões que diz ter recebido enquanto esteve à frente da Satiagraha). 

– “Vamos usar todos os mecanismos para repudiar esta dívida ilegítima e corrupta.” (Rafael Correa, presidente do Equador, renegando o financiamento do BNDES).

– “A questão da dívida externa dos países da região é um tema que já está instalado na agenda internacional.” (Fernando Lugo, presidente do Paraguai, dando sinais de que é a próxima encrenca companheira).

– “Na medida em que todo mundo fala em crise, toma café de crise, almoça crise, janta crise, dorme com crise e acorda com crise, isso vai criando um determinado pânico na sociedade, e as pessoas começam a se retrair.” (Lula, agora já impressionado com o vulto da marolinha).

– “Em 2010, 2011, não estarei mais aqui [em São Paulo]. Meu mandato termina em 2010.” (José Serra, deixando claro que o que lhe interessa não é a reeleição para o Bandeirantes, mas a eleição para o Planalto).

– “Ganhamos musculatura e acumulamos força para o período mais difícil.” (Guido Mantega, festejando o PIB de 6,8% do terceiro trimestre e admitindo, finalmente, que haverá tempos difíceis).

– “É melhor reduzir temporariamente a jornada e os salários do que perder o emprego.” (Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, alvejando os direitos da CLT).

– “Não sei o que o sujeito disse, só vi seus sapatos. Se querem saber, eram 42.” (George Bush, riso amarelo, reagindo às sapatadas de que foi alvo no Iraque).

– “Gente, por favor. Ninguém tire os sapatos porque, aqui, como é muito calor, a gente vai perceber antes de alguém decidir jogá-lo, por causa do chulé.” (Lula, na entrevista da cúpula da América Latina e do Caribe, fazendo piada com a desgraça alheia).

Fonte: Blog do Josias

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Franklin Martins e a definição de assalto = “expropriação”

franklin

Por Letícia Sander, na Folha

Um dos principais auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) era visto pelos órgãos repressivos da ditadura militar (1964-1985) como um dos líderes estudantis de maior evidência, um indivíduo de “grande periculosidade” que, “sempre armado, não vacila em atirar”.

O texto, que provoca risos do hoje ministro, foi assinado por Newton Costa (da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos) em 4 de setembro de 1969 e integra um calhamaço sobre sua atuação no período, em poder do Arquivo Nacional.

Os documentos, aos quais a Folha teve acesso, incluem uma espécie de ficha do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações) datada de 1974, na qual ele é acusado de ter participado de toda ordem de subversão, de assaltos contra bancos e à residência de um deputado, a seqüestros e roubos.

Fatos, em sua maioria, negados pelo ministro. Do teor das acusações listadas, Franklin confirma duas participações: foi ele quem, em 4 de setembro de 1969, estava na direção do Volkswagen azul que bloqueou a passagem do carro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, ponto inicial de uma ação que virou símbolo do combate à ditadura militar.

O ministro também confirma ter feito a “segurança” da operação de assalto à casa do então deputado Edgard Magalhães de Almeida, político ligado às artes que tinha cerca de U$ 70 mil no cofre de casa, dinheiro que foi levado pelos militantes na ação, descrita ainda hoje pelo ministro como de “expropriação”, e não roubo.

“Exímio atirador”, de acordo com os militares, Franklin é irônico ao se referir à própria periculosidade. “É um conceito subjetivo”, diz, acrescentando: “De alta periculosidade eu acho que era o general que comandava o país naquele momento”.

O ministro fez curso de guerrilha em Cuba, período em que foi treinado para o uso de armamentos e explosivos, além de táticas de selva e condicionamento físico. Hoje, ele reconhece que a luta armada não foi um instrumento eficaz no combate à ditadura, mas não se arrepende disso.

PMs são presos por suspeita de roubar de assaltantes

Um sargento e três soldados da Polícia Militar foram presos esta semana, suspeitos de roubar ladrões. A Corregedoria diz que eles perceberam um assalto a um caixa eletrônico, mas resolveram esperar os ladrões saírem. Em seguida, assaltaram os assaltantes, que foram embora de mãos vazias. (veja as imagens)

Os ataques a caixas eletrônicos cresceram 36% em São Paulo. Este ano, já foram 302 casos. A Corregedoria da Polícia ainda não terminou a investigação dos quatro PMs suspeitos de roubar os ladrões.

– São policiais que, se estiverem comprovadamente envolvidos neste fato, esqueceram o juramento que prestaram, a farda que estão honrando, e serão responsabilizados por isso – afirma Marcelo Zanchetta, capitão da PM.

As câmeras dos bancos registram os ataques, mas quase sempre a polícia chega quando já é tarde. Os ladrões agem em bando porque, para atacar um caixa eletrônico, é preciso força e agilidade: cada caixa pesa meia tonelada.

Alguns ladrões montam um cenário para o roubo. Improvisam uma cortina com os cartazes de propaganda o banco. Quando pegam o dinheiro, os anúncios voltam para o lugar. Os bandidos fogem, antes da chegada da polícia.

Os três soldados estão presos na corregedoria e o sargento, no Presídio Romão Gomes, porque também foi flagrado com drogas. O assalto aconteceu na última sexta-feira, dia 12, em Guaianases.

Definição sobre vereadores vai ficar para 2009

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão

Os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vão passar as festas de fim de ano sem uma decisão final sobre a emenda constitucional que cria 7.343 vagas de vereadores no País, motivo de grave atrito entre as duas Casas desde a semana passada. O Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual Garibaldi recorreu para garantir o aumento das vagas, informou por meio de sua assessoria que o mérito do mandado de segurança será decidido depois do recesso do Judiciário, que termina em 31 de janeiro.

Nos últimos minutos de sexta-feira, o ministro do Supremo Celso de Mello pediu informações à Câmara e não atendeu ao pedido de liminar feito por Garibaldi, para imediata promulgação da emenda, com o argumento de que esgotaria a questão antes das alegações de Chinaglia. Na quinta-feira passada, a Mesa Diretora da Câmara decidiu não promulgar a emenda constitucional, por considerar que ela foi modificada no Senado e deixou de limitar os gastos das câmaras municipais, apesar do aumento de vereadores. A promulgação da emenda deveria ser conjunta, da Câmara e do Senado. Na sexta, Garibaldi impetrou um mandado de segurança no Supremo.

Durante o recesso, o caso ficará sob responsabilidade do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e dificilmente será concedida a liminar pedida por Garibaldi. “Se a liminar não for dada, realmente não acredito que isso seja resolvido este ano. Estou defendendo uma prerrogativa do Senado. Eu esperava um fim de ano sem esse problema. Durante 2008 tivemos um entendimento salutar entre Senado e Câmara”, lamentou Garibaldi, ontem.

O relator do mandado de segurança será o ministro Carlos Alberto Direito, que na sexta-feira já tinha viajado em férias. Coube então a Mello, o decano do STF, a providência de pedir mais informações a Chinaglia. Com Mello também em férias, caberá agora a Gilmar Mendes tomar qualquer decisão até o fim de janeiro.

Chinaglia informou ontem que o setor jurídico Câmara providenciará as respostas ao Supremo, assim que receber o despacho do ministro. “Não vou deixar isto para a outra Mesa Diretora”, afirmou o deputado, que sairá da presidência no início de fevereiro, quando será eleita uma nova Mesa.

Homem é morto em BH por pisar no pé de PM

Familiares, amigos e vizinhos de Cláudio Eustáquio protestaram contra o crime e pediram justiça

Familiares, amigos e vizinhos de Cláudio Eustáquio protestaram contra o crime e pediram justiça

Pedro Rocha Franco para o Estado de Minas

O assassinato do mecânico Cláudio Eustáquio da Silva, de 39 anos, que segundo testemunhas levou um tiro na barriga por ter pisado no pé de um sargento da Polícia Militar, revoltou parentes e vizinhos dele na Vila São José, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Domingo, durante o sepultamento no Cemitério da Paz, houve protesto. O crime foi às 16h47 de sábado, em um bar da Praça São Vicente com Avenida Ivaí, no Bairro Padre Eustáquio, na mesma região. A primeira versão da PM é de que a vítima tentou assaltar o cabo Ednaldo Nogueira Borges, de 35 anos, que estava em companhia de um sargento, cujo nome não foi divulgado. Borges teria reagido, sacado a arma e atirado. Os militares trabalham no 34º Batalhão da PM e estavam à paisana no bar, bebendo e comendo feijão tropeiro. A própria PM assumiu as investigações do homicídio.

De acordo com uma vizinha da vítima, que pediu para não ser identificada temendo represália, o mecânico era honesto, trabalhador e tinha passado no bar para tomar uma cerveja, depois de receber seu 13º salário. “Era a pessoa mais honesta do mundo, de uma dignidade surpreendente, casado e com dois filhos”, lamentou. Segundo ela, Cláudio comentou com os amigos que ia sair para apostar no jogo do bicho e pisou no pé do policial sem querer. “Ele pediu desculpas, mas o sargento não aceitou. Eles discutiram e o cabo sacou a arma e atirou”, disse a vizinha, que junto a outros moradores fez faixas e cartazes de protesto. Cláudio chegou a ser socorrido no Hospital Alberto Cavalcante e transferido para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), mas não resistiu ao ferimento e morreu.

O comandante do 34º Batalhão da PM, tenente-coronel Cícero Nunes Moreira, disse que o cabo Ednaldo Borges foi preso em flagrante e está recolhido na própria unidade onde trabalha. Para o tenente-coronel, o militar contou que o mecânico entrou no bar meio transtornado e pisou no pé do sargento. “O sargento achou que fosse uma brincadeira e falou alguma coisa com o rapaz, que saiu e voltou logo em seguida, dando uma trombada no sargento e agarrando-o pelo pescoço. O cabo se identificou como policial e mandou o sujeito parar. O homem, que era muito forte e tinha cerca de 1,90m de altura, viu a arma na cintura no cabo e tentou tomá-la. Os dois brigaram pela posse da arma, que disparou acidentalmente”, disse o comandante. O cabo arrolou o sargento e outras duas pessoas do bar como testemunhas, segundo Cícero Nunes.

Ainda de acordo com o tenente-coronel, o mecânico conseguiu sair do bar e caiu na rua, sendo socorrido pelos próprios PMs, que pediram uma ambulância. “O sargento tentou reanimar o mecânico, fazendo massagens cardíacas”, disse o comandante, ressaltando que foi feito o auto de prisão em flagrante e encaminhado à Justiça Militar. A arma, que pertence à corporação, foi apreendida. O cabo, segundo Cícero Gomes, foi submetido a exames toxicológico, de corpo de delito e residuográfico, para detectar presença de pólvora nas mãos. “Ednaldo reagiu em defesa do colega. Ele mesmo declara que o tiro foi acidental”, disse Cícero. 
 
Foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Sindicatos já admitem abrir mão de direitos

Por Cleide Silva e Paulo Justus, no Estadão

Sindicatos de trabalhadores já aceitam abrir mão de direitos na tentativa de evitar possível onda de demissões no início de 2009. Diante da perspectiva de um começo de ano desaquecido, várias empresas estudam medidas a serem adotadas em janeiro, quando os funcionários voltam das férias coletivas.

Por enquanto, as medidas estão sendo aceitas por sindicatos de menor porte. São iniciativas previstas na Constituição, desde que acertada entre patrões e trabalhadores, como a redução de jornada e salários. Mas grandes companhias, como a Volkswagen, já anunciaram que vão negociar medidas para adequar a produção à demanda, o que colocará o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos mais fortes do País, novamente no foco das discussões sobre flexibilização de direitos trabalhistas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Embu Guaçu (SP) fez acordo com fábricas de autopeças para corte da jornada e dos salários. “Desde 1º de dezembro os metalúrgicos trabalham quatro dias por semana, mas têm garantia do emprego”, diz o dirigente Jorge Rodrigues.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Bragança Paulista (SP) concordou em reduzir a jornada e o salário dos trabalhadores da fabricante de eletroeletrônicos Tyco. Com isso, obteve três meses de garantia de emprego, a partir de janeiro. “As demissões já estão acima do normal e estamos com medo de janeiro, quando os funcionários voltam das férias”, diz José Machado, vice-presidente da entidade. Assinante lê mais aqui.

Destaque do Dia: De madrugada, Senado cria 7.343 vagas de vereador

senado

Em votação concluída às duas e meia da madrugada desta quinta (18), o Senado aprovou o projeto que cria 7.343 novas cadeiras de vereador no país.

Foi ao lixo uma conquista de 2004. Naquele ano, nas pegadas de uma decisão do STF, o TSE reduzira o número de vereadores no Brasil de 59.267 para 51.924.

Os senadores votaram sob pressão das galerias, apinhadas de suplentes de vereadores. Suplentes que, convertidos em titulares, assumem em janeiro.

Um dos argumentos usados pelos senadores para recriar as vagas foi o de que o Judiciário reduzira o número de vereadores, mas não mexera nos gastos.

Um problema que seria facilmente solucionado se, em vez de ressuscitar vereadores, o Congresso reduzisse o percentual de gastos das câmaras municipais.

Deu-se, porém, o oposto. Na versão aprovada pelos deputados federais, o projeto continha um artigo que podava as despesas das prefeituras com os vereadores.

Atrelava-se o custo das câmaras a percentuais de receita das prefeituras. No Senado, o relator César Borges (PR-BA) passou esse artigo na lâmina.

Alegou que a redução, por expressiva, inviabilizaria o funcionamento de muitas câmaras de vereadores.

Aloizio Mercadante (PT-SP) ainda tentou injetar no projeto uma emenda que limitava os gastos com vereadores ao montante dispendido em 2008.

Seguiu-se uma chiadeira generalizada. Alegou-se ora que a emenda não poderia ser inserida em plenário ora que a modificação devolveria o projeto à Câmara.

E a emenda de Mercadante foi retirada. Diz-se que voltará a ser discutida no ano que vem, depois do recesso natalino do Legislativo.

Em tese, a supressão de um artigo, feita por César Borges, forçaria o retorno da proposta à Câmara. Mas o Senado deu de ombros.

Sob a alegação de que a essência da proposta permaneceu inalterada, decidiu-se promulgá-la já nesta quinta (18), convertendo-a em lei.

Houve outras anomalias. A recriação das cadeiras de vereador veio na forma de uma emenda à Constituição. Coisa que exige votação em dois turnos.

O primeiro turno exigiria a realização de cinco sessões, em dias alternados. O segundo, demandaria a realização de mais três sessões.

Pois bem, mediante acordo de lideranças, os senadores realizaram as oito sessões numa única madrugada, com intervalos de escassos três minutos entre uma e outra.

Alegou-se que a ressurreição dos postos de vereador era um imperativo. Por que? A decisão do Judiciário teria deformado o sistema representativo nos municípios. Lorota.

A inspiração é de outra. Vereador funciona no município como cabo eleitoral de deputados e senadores. Daí o ritmo frenético e o placar generoso.

A exemplo do que ocorrera na Câmara, a proposta passou no Senado com folgas.

No primeiro turno, o placar foi: 54 votos a favor, cinco contra e uma abstenção.

No segundo, a lavada ampliou-se: 58 a favor, cinco contra e uma abstenção.

Está irritado? Pois houve mais: aproveitou-se a madrugada para aprovar o projeto que regulariza a criação de 57 novos municípios.

Vi no blog do Josias / Foto: Lula Marques/Folha

Avô devolve os R$ 20 mil encontrados em casaco doado, em Santa Catarina

Daniele Maria Annater, de 5 anos, encontrou R$ 20 mil na manga de um casaco doado às vítimas das chuvas e enchentes que assolaram Santa Catarina há mais de dois meses. O avô da menina devolveu o valor. O caso aconteceu em novembro, mas só foi revelado ontem, por meio de reportagem do “Jornal de Santa Catarina”.

Segundo a reportagem, a garota estava abrigada com a família em Ilhota (SC). Ela encontrou o valor na manga do casaco de couro e pele em meio aos donativos que foram distribuídos às vítimas. Ela e a família moravam no Alto do Baú, uma das localidades devastadas pela chuva.

O responsável pela doação é um morador da cidade de Concórdia, também em Santa Catarina. O avô da garota, um agricultor, procurou o doador e descobriu que se tratava de um namorado de uma sobrinha dele. Ao encontrá-lo, o jovem disse que é costume da família guardar economias desta maneira. O valor só seria utilizado em caso de emergência, e, devido a isso, ninguém se deu conta de que ele havia sido entregue no meio dos donativos.

No dia 24 de novembro o agricultor perdeu quatro netos e um irmão devido a um deslizamento de um morro que atingiu a casa onde eles estavam. O avô da garota, Daniel Manoel da Silva, fez questão de ficar com o casaco. Como recompensa pela devolução, recebeu R$ 1 mil.

Chuvas em SC
A Defesa Civil de Santa Catarina afirmou na tarde de ontem que mais três municípios tiveram registros de prejuízos causados pelas chuvas que atingem o Estado desde domingo. O número de desabrigados também aumentou em decorrências das chuvas. Conforme o último balanço divulgado, os mortos somam 128 e 22 pessoas permanecem desaparecidas. Além disso, 32.973 pessoas continuam fora de suas casas, sendo que 5.737 estão desabrigadas e 27.236 desalojadas, ou seja, estão hospedadas em casas de amigos e parentes.

Em todo o Estado, agora são pelo menos nove municípios com registros de problemas causados pelas chuvas dos últimos dias. Segundo a Defesa Civil, a cidade de Fraiburgo registra 70 casas danificadas pela chuva de granizo que atingiu a região na segunda-feira.

O granizo também prejudicou plantações do município de Tangará. Segundo a Defesa, estão comprometidas as plantações de pêssego, maçã, milho, feijão e cebola. Já em Itapoá, as chuvas provocaram enxurradas e inundações, deixando pelo menos 100 pessoas desalojadas e 25 desabrigadas.

Outras seis cidades também já tinham registros de deslizamentos e enchentes devido às chuvas dos últimos dias. Segundo registro do Departamento Estadual de Defesa Civil, o município mais afetado continua sendo Palhoça, onde o número de bairros alagados ou com deslizamentos de terra subiu ontem para dez.

Outros alagamentos e deslizamentos também foram registrados nas cidades de Itajaí, São José, Santo Amaro de Imperatriz e Passa Vinte. Neste último, 32 famílias tiveram que deixar suas casas por medida de segurança, seis delas foram encaminhadas a abrigos públicos.

No morro do Baú, em Ilhota, a Defesa Civil mantém suspensos os trabalhos de busca de vítimas, além de interromper os trabalhos de reconstrução e obstrução de ruas. Em Joinville, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar afirmaram ter 7 mil residências danificadas e três totalmente destruídas. Os órgãos afirmam que o número de desalojados já somam 20 mil pessoas.

A Defesa Civil manteve ontem o alerta contra novos deslizamentos e alagamento em Santa Catarina devido às chuvas atingem o Estado desde domingo. A previsão é de tempo instável e chuvas fracas em todo o Estado.

As doações feitas em dinheiro às vítimas das chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina chegaram a R$ 26.001.245,71 ontem, informou a Defesa Civil. Além das doações em dinheiros, a Defesa Civil também contabiliza o recebimento de donativos que já chegam a 4.300 toneladas de alimentos, 2,5 milhões de litros de água, 1.000 toneladas de roupas, além de brinquedos, materiais de higiene pessoal e outros.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

Destaque do Dia: RBS TV flagra furto de donativos em Blumenau

 

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

 Uma reportagem veiculada pela RBS TV na noite deste domingo mostrou voluntários e soldados do Exército que trabalham na Vila Germânica, em Blumenau, no Vale do Itajaí, furtando roupas e mantimentos doados para às vítimas da enchente que atingiu Santa Catarina. As imagens mostraram pessoas saindo com o carro cheio de donativos.Os furtos ocorreram no Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, que é administrado pelo governo catarinense. O local funciona como uma central de triagem de produtos doados do Brasil inteiro.

Havia duas maneira de levar o material destinado aos flagelados das cheias. A primeira ocorria logo que os caminhões chegavam com os donativos. Os soldados descarregavam os produtos e empurravam para um monte. Outro grupo experimentava o material e, se servisse, colocava dentro de mochilas. Em seguida, saíam normalmente com mochilas cheias.

A reportagem gravou o seguinte diálogo entre os soldados:

— O que tu vai fazer com esse sutiã aí, véio? — pergunta um deles.

— Vou levar pra minha mãe. Esse eu peguei pra minha namorada — responde o colega.

O grupo aparece pegando roupas, tênis e outros objetos. Cada um sai com pelo menos duas mochilas cheias. O outro grupo que furtava os donativos eram os voluntários e os conhecidos deles. Eles chegavam de carro e selecionavam o que agradava.

As imagens mostraram uma mulher empurrando um carrinho de supermercados até o automóvel. Enquanto ela descarregava os produtos no porta-malas, o marido chegava com mais mantimentos.

As imagens foram feitas com uma microcâmera na última sexta-feira pelo cinegrafista Edson Silva. Somente os produtos de melhor qualidade eram desviados.

“Estarrecedoras”
O tenente-coronel Edson Rosti, comandante do 23º Batalhão da Infantaria (BI), classificou as imagens como “estarrecedoras” e afirmou que não deixam dúvidas do que aconteceu. Ele declarou que o 23º Batalhão de Infantaria (BI) vai apurar e o relatório será apresentado em 20 dias. Um inquérito policial militar deve ser instaurado.

O secretário de Desenvolvimento Regional de Blumenau, Paulo França, disse que vai mudar a estrutura de trabalho do pavilhão 1 da Vila Germânica para evitar os furtos. Ele falou que, se for preciso, vai contratar pessoas para fazer o serviço.

Para ver a reportagem que foi ao ar clique aqui.

Vi no site do jornal Zero Hora

Chuva alaga e faz pelo menos 2 mortos em BH

 


A forte chuva que atingiu a Região Metropolitana de Belo Horizonte entre a noite de domingo e a manhã de ontem deixou pelo menos duas vítimas – as primeiras em decorrência das águas deste período. Pelo menos mais uma morte pode estar ligada à precipitação, que deixou o trânsito travado nas principais vias da RMBH. O Ribeirão do Onça subiu em vários trechos, e invadiu as casas no Bairro São Tomaz, Noroeste de BH. Além dos engarrafamentos, a chuva também trouxe problemas para quem queria chegar ou sair da capital de avião.

Em Confins, dos 72 vôos programados, 47 (63,3%) tiveram atrasos de mais de uma hora, e 18 (25%) foram cancelados. Na Pampulha, dos 27 previstos, 18 (25%) tiveram atrasos e seis (22%) foram cancelados. Entre os principais pontos de engarrafamento do cidade está a Avenida Cristiano Machado, inaugurada na semana passada, onde vários pontos de inundação colaboraram para um verdadeiro nó no trânsito.

A previsão é de mais chuvas para RMBH e grande parte do Estado até amanhã. De acordo com o Inmet, só entre a noite de sexta-feira e ontem foram registrados 120 milímetros, a metade do esperado para todo o mês. Há 20 anos a capital não via tanto volume de água em tão pouco tempo.

Fontes: Estado de Minas e Hoje em Dia

Fotos: Euler Júnior/EM/D.A Press / Renato Weil/EM/D.A Press

Processos ameaçam 15 prefeitos eleitos em MG

Chico Ferramenta (PT), de Ipatinga, é um dos 15 prefeitos eleitos que podem ser diplomados com restrições
Chico Ferramenta (PT), de Ipatinga, é um dos 15 prefeitos eleitos que podem ser diplomados com restrições

Márcio de Morais para o Estado de Minas 

Em 15 municípios de Minas a diplomação do prefeito, a ser feita até quinta-feira, será apenas um prenúncio de que alguns eleitos podem até ganhar o documento oficial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas não levar o mandato. Em outras duas, é o vice-prefeito que corre o risco de perder o cargo.

O caso mais conhecido é do petista Chico Ferramenta, de Ipatinga (Vale do Aço), que, apesar de ter sido o mais votado na sua cidade, responde a ação de impugnação de registro de candidatura, inelegibilidade e rejeição das contas do município, relativas a mandatos anteriores. A diplomação é de responsabilidade dos 349 juízes eleitorais que atuam nas comarcas de todo o estado. Em Nova Serrana, o prefeito eleito Paulo César Freitas (PDT) deveria ter sido diplomado. Por causa de pendências junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a cidade pode ter que realizar novas eleições.

O objetivo da diplomação é tornar o candidato apto a assumir, no próximo dia 1º de janeiro, o mandato político de quatro anos para o qual foi escolhido pelos eleitores. Entre os candidatos que estão com a diplomação sob risco, há casos, como o da cidade de Mendes Pimentel, em que o prefeito eleito, José Carmo de Souza, responde por faltas cometidas na “vida pregressa”. O resumo do processo disponibilizado pelo TRE não informa que falta é ou qual a sua gravidade.

Em Divisa Alegre, tanto prefeito quanto seu vice respondem também por “abuso de direito” e substituição de candidatura, em que o registro foi indeferido por troca de candidato às vésperas da eleição.

Nos 17 municípios, os prefeitos ou vices podem ser diplomados pelo TRE com restrições e a posse definitiva no cargo, não acontecer. O mandato de cada um deles está na condicional – podem não ser confirmados pela Justiça Eleitoral. Seus diplomas podem até sair, mas estão sub judice e poderão ainda ser retirados dos seus titulares, caso os processos que respondem na Justiça Eleitoral não lhes sejam favoráveis. Por ser a diplomação um processo descentralizado, o TRE não sabe informar, por exemplo, quantos vereadores estão sob risco de não obter diploma e assumir o mandato.

O TRE explicou na segunda-feira que, para um candidato ser diplomado, o seu registro tem de obter a devida aprovação (deferimento) do tribunal. Esse deferimento pode ser provisório e, estando sub judice, ser cassado pela Justiça a qualquer tempo, até mesmo momentos antes da diplomação. O indeferimento do registro implica, de acordo com orientações do TSE encaminhadas ao TRE na última semana, na não-diplomação do eleito. Mas, por princípios constitucionais que asseguram direito de defesa, uma sentença provisória (liminar) ou mesmo definitiva, de última instância, poderá restabelecer o direito de diplomação a um candidato indeferido, dando-lhe condições legais de assumir o mandato até mesmo fora da data oficial do calendário eleitoral.

Para evitar que os prefeitos cujos mandatos estão sob discussão judicial não sejam previamente condenados pela opinião pública, o TRE afirmou que não informa a situação atual do registro de cada um, se foram deferidos, se o deferimento ainda depende de confirmação ou se foram indeferidos. “A situação pode ser revertida com uma liminar e, mesmo indeferido pelo TRE, o eleito obter o direito à diplomação”, explicou ao Estado de Minas um observador credenciado do processo eleitoral em Minas.

Opções
Segundo o TRE, há várias alternativas possíveis para esses processos. A primeira é a não-diplomação. Se um candidato obtém menos de 50% dos votos válidos, o TSE impede a diplomação. Nesse caso não são contabilizados os votos nulos das urnas. O tribunal tem a opção de diplomar o segundo colocado. Outra opção é a posse do presidente da Câmara Municipal, no caso de a chapa (prefeito e vice) mais votada ser integralmente impugnada. Isso só será feito, no entanto, após a posse dos vereadores e a conseqüente escolha do novo presidente do Poder Legislativo local.

Caso nenhuma dessas opções seja possível, cabe ao TRE convocar novas eleições no prazo de 20 a 40 dias. “Como não há agenda para a convocação de novas eleições este mês, uma nova eleição só vai acontecer no ano que vem”, esclareceu o mesmo observador.

Em pelo menos um município mineiro, no entanto, a Justiça Eleitoral já decidiu que haverá novas eleições majoritárias, antes mesmo de proclamar os eleitos. É a cidade de Fronteira dos Vales (entre o Jequitinhonha e o Mucuri). Por quatro votos a um, o TRE mineiro decidiu semana passada pela realização de novo pleito em Fronteira dos Vales.

A data não foi confirmada, pois depende da aprovação do calendário eleitoral pelo TRE. Os candidatos a prefeito e vice locais tiveram seus registros cassados pelo juiz da 4ª Zona Eleitoral de Águas Formosas, Emerson Chaves Motta, sob acusação de distribuição de brindes e promoção de churrasco para os eleitores. 
 
Foto: Cristina Horta/EM/D.A press(26/5/08)