Archive for the ‘Bandido’ Category

Jornalista iraquiano joga sapatos em Bush, mas erra o alvo

Um jornalista iraquiano jogou neste domingo seus sapatos contra o presidente americano, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva realizada em Bagdá junto ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

Quando Bush se dirigia aos jornalistas foi interrompido na terceira fila pelo correspondente do canal de televisão Al Baghdadi, que se levantou com um sapato na mão e se o jogou enquanto, aos gritos, chamava de “cão” o presidente americano, que conseguiu se esquivar. Imediatamente depois, o jornalista iraquiano lhe jogou seu outro sapato — e de novo errou o alvo.

Após o ataque, os membros da equipe de segurança renderam o agressor, o detiveram e o tiraram da sala, segundo testemunhas presentes na entrevista coletiva.

— Este tipo de fato não me preocupa, quem os faz quer chamar a atenção — disse Bush após o incidente.

No Iraque, como em grande parte do mundo árabe, jogar um sapato é uma das maiores ofensas que se pode cometer contra outra pessoa, da mesma forma que chamá-lo “cão”.

Fonte: Agência EFE

Anúncios

Cabo absolvido da morte de João Roberto pertenceria à milícia Liga da Justiça

rio_joao_pm

Marcelo Gomes e Marco Antônio Martins – Extra
 
RIO – O cabo PM William de Paula, absolvido pela Justiça na última quarta-feira pelo assassinato do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi indiciado no relatório final da CPI das Milícias da Assembléia Legislativa (Alerj). Além de William, outras 225 pessoas foram incluídas no relatório.

William foi citado por testemunhas ouvidas pela CPI. De acordo com os depoimentos, o cabo pertenceria à milícia “Liga da Justiça”, que atua na Zona Oeste do Rio, principalmente em Campo Grande. Segundo testemunhas, o policial não teria papel de destaque no organograma do grupo.

– Há provas contra todos os 226 indiciados no relatório da CPI, inclusive contra o William. Nem ele, nem todos os outros policiais citados podem continuar trabalhando a serviço do Estado – disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI.

O relatório, que seria votado na Alerj na última quarta-feira, voltará a ser apreciado pelo plenário da Casa nesta terça, às 16h30m. A votação foi adiada porque, na última hora, o deputado Jorge Theodoro, o Dica (PMDB), apresentou uma emenda para retirar da lista dos indiciados o vereador de Caxias Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão (PV).

O relatório é resultado de cinco meses de trabalho da CPI. As provas obtidas contra os indiciados serão encaminhadas ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral, com o pedido de prisão de mais de cem dos suspeitos investigados por formação de quadrilha, extorsão e homicídio.

Grupo é acusado de diversos crimes
A milícia “Liga da Justiça”, que atuaria há pelo menos oito anos na Zona Oeste do Rio, sobretudo em Campo Grande, começou a ser desbaratada em dezembro do ano passado, com a prisão do vereador Jerominho (PMDB). Ele e o irmão, o ex-deputado estadual Natalino (sem partido), que foi preso este ano, são acusados de chefiar o grupo paramilitar, que contaria com a participação de mais de 40 pessoas – a maioria policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários.

A milícia é acusada de diversos crimes, como homicídios; tráfico de drogas e de armas; tortura; ameaças de morte; exploração de máquinas caça-níqueis e de serviços delegados, como televisão a cabo e transporte alternativo.

Fonte: Jornal Extra

Tem coisas que a gente não pode deixar passar em branco. Este incidente ecológico, por exemplo: no dia 18 de novembro a empresa Servatis Agro & Fine Chemicals , que fabrica inseticidas, fungicidas e fertilizantes, adquirida pela BASF em 2001, foi a responsável pelo vazamento de pelo menos 1,5 mil litros do inseticida Endosulfan no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio. Em nota publicada na tarde do dia 19/11 no site da Servatis, a empresa tratou de “tranquilizar” a população, afirmando: “O produto em contato com a água entra, imediatamente, em processo de hidrólise (decomposição pela água), não oferecendo nenhum risco de contaminação a seres humanos. De acordo com a gerência de meio ambiente da empresa, análises realizadas nesta quarta-feira apontaram que a concentração do endosulfan no Rio Paraíba do Sul caiu para zero, não oferecendo mais riscos à fauna”. Pelo jeito, a zelosa empresa Servatis esqueceu de avisar os animais da região de que eles já estavam a salvo. Nove dias depois, em 28 de novembro, o blog do professor Roberto Moraes, que mora em Campos dos Goytacazes, publicou fotos de animais encontrados mortos às margens do Rio Paraíba do Sul.

O pesticida Endosulfan, que segundo a Servatis trata-se de um produto que se decompõe com a água, foi banido na União Européia devido ao seu alto potencial tóxico. E a empresa que, diga-se de passagem, é reincidente e já havia sido multada anteriormente em R$ 307 mil há alguns meses pelo vazamento de gases tóxicos, desta vez recebeu uma multa de 33 milhões de reais devido a esse desastre ecológico que matou milhares de peixes e outros animais, deixando ainda várias cidades do Rio sem abastecimento de água potável. A Servatis protestou, como já era de se esperar, dizendo que esse valor comprometerá a existência da empresa. E propôs assinar um “Termo de Ajustamento de Conduta” ao invés de pagar essa multa. É como explicou ironicamente Xico Vargas: “Ou se aceita essa gracinha ou a empresa vai para o beleléu, põe uma penca de empregados na rua, deixa de recolher impostos e aumenta a crise. É mais ou menos como o marido que quebra toda a louça, hospitaliza a mulher de tanta pancada e sugere ao juiz comprar um novo aparelho de jantar e dar umas cestas básicas para alguma casa de caridade”.

Saiba mais sobre os efeitos nocivos do Endosulfan nos sites da Pesticide Action Network North America e da Environment Justica Foundation. Paula Góes escreveu um artigo fundamental sobre o incidente da Servatis no Global Voices em Português. E não se esqueça de enviar o seu recado para que o pessoal do Ministério do Meio Ambiente não deixe passar mais este incidente em branco.

Vi no Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

fotomenino
Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.

Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.

Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.

Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.

Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?

Kibado do blog do Jorge Antônio Barros

Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO

A imagem da corrupção em Januária

januaria
Ezequiel Fagundes para O Tempo

O documento mais forte do Ministério Público (MP) de Minas Gerais que serviu de base para a Justiça afastar do cargo o prefeito de Januária, Sílvio Joaquim Aguiar (PMDB), saiu do computador pessoal do próprio prefeito.

Acusado de montar um esquema de compra de apoio político de vereadores para impedir a cassação de seu mandato, Aguiar virou alvo de uma operação de busca e apreensão em sua casa no último dia 20 de novembro. A pedido do MP, o juiz Cássio Azevedo Fontenele autorizou a realização do pente fino. Aguiar é o sexto prefeito desde 2004.

As buscas se estenderam também à casa do superintendente da prefeitura, Vandeth Mendes Júnior, e ao gabinete dos dois na prefeitura. Na residência de Aguiar, foram apreendidos documentos, dois computadores, CDs, DVDs e um vídeo de 41 minutos – contendo cenas de corrupções -, que foi obtido na íntegra por O TEMPO. Não há áudio no vídeo.

As imagens mostram o prefeito Sílvio Joaquim Aguiar, o advogado Vandeth e os vereadores Weber Abreu dos Santos (PP), Weber Ribeiro de Oliveira (PP), Mário Silvério Viana (PV), Geraldo Eustáquio Nunes Dias (PPS) e João Gomes Teixeira (PSC).

O MP solicitou também o afastamento imediato dos cinco vereadores, no entanto, o magistrado ainda não julgou a liminar do pedido.

Os vídeos foram gravados em um mesmo lugar, na sala da casa do prefeito Aguiar, onde a mesa de jantar serviu de palco para os negociadores. Nas imagens, Vandeth Júnior aparece acertando a negociata com os parlamentares, combinando valores e fazendo o pagamento da propina, em maços de notas de R$ 100.

Apontado, dentro das investigações, como o principal colaborador do prefeito no esquema, Vandeth está em todas as imagens no vídeo. Ele divide as cenas com outra pessoa, que aparece sempre sentada ao seu lado. Segundo informações de bastidores, essa pessoa, ainda não identificada, seria filho de Sílvio Aguiar.

Nas primeiras cenas, Vandeth – usando óculos e cavanhaque – aparece comandando uma reunião em conjunto com cinco vereadores. Ele aparece gesticulando e mostrando documentos aos parlamentares. Com o maço de dinheiro nas mãos, o advogado Vandeth expõe as dezenas de cédulas diante dos vereadores durante as negociações.

Segundo o MPE, foram oferecidos R$ 15 mil para cada um dos cinco parlamentares de Januária. O dinheiro tem origem desconhecida. As imagens mostram ainda que, depois do primeiro contato, os vereadores se reuniram separadamente com Vandeth. O vereador Weber Abreu – trajando camisa pólo com listras azuis e brancas — é filmado mostrando boletos bancários que, segundo o MP, na realidade são alguns de seus débitos na cidade. Em seguida, Abreu se levanta, coloca um maço de dinheiro no bolso da calça e deixa a sala.

Nigeriano é preso por matar 110 “crianças bruxas”

O homem, que afirma ser o “bispo” Sunday Ulup-Aya, revelou a uma equipe de filmagem de um documentário que ele “livrou” as crianças de um espírito demoníaco que as possuía.

Mas, após sua prisão, ele teria dito à polícia que “apenas matou as bruxas que viviam dentro das crianças e não as próprias crianças”.

Duas crianças foram encontradas quando a polícia invadiu a casa onde ele estava, mas não foram encontradas provas de que ocorreram assassinatos no local.

Ativistas de defesa dos direitos infantis no país afirmam que muitos menores são abandonados, agredidos e até assassinados porque suas famílias acreditam que estas crianças são bruxas.

Pessoas que afirmam ser “pastores” conseguem extorquir dinheiro dessas famílias com a promessa de exorcizar as crianças, mas até agora ninguém havia sido preso ou processado.

A prisão de Ulup-Aya ocorreu depois que um ativista se fingiu interessado em um exorcismo e negociou o preço do ato com ele, que não sabia que havia policiais presentes.

Ele agora deve ser processado por assassinato.
Cinco outras pessoas também foram presas desde o fim de semana, e o governo do Estado de Akwa Ibom disse que planeja realizar novos flagrantes.

Crença
Sam Ikpe-Itauma, da organização Rede para os Direitos Infantis e Reabilitação (CRARN, na sigla em inglês), afirma que trabalha há seis anos para chamar a atenção do governo do Estado de Akwa Ibom para a questão das crianças abandonadas, vendidas a traficantes ou assassinadas.

Mas, a prisão só foi feita depois que uma equipe de documentaristas da Grã-Bretanha mostrou o filme no mês de novembro. “Tantas pessoas aqui acreditam que crianças possam ser possuídas por demônios que são raras as ações contra aqueles que alegam que podem libertar as crianças em exorcismos violentos”, disse.

A organização de Ikpe-Itauma cuida de 170 crianças que foram abandonadas ou sofreram abusos depois de serem acusadas de serem bruxas.

Segundo Ikpe-Itauma outros “pastores” que alegavam libertar crianças da possessão demoníaca em exorcismos violentos foram presos, mas então libertados discretamente pela polícia.

“Agora eu temo pela minha vida”, afirmou. O porta-voz do governo do Estado de Akwa Ibom, Aniekan Umanah, negou que as autoridades tenham sido constrangidas e obrigadas a agirem para a prisão de Ulup-Aya.

“Ninguém sabia a respeito dele, ele mora em um vilarejo muito remoto”, afirmou. Umanah acrescentou que o governo estadual cuida de crianças vítimas de abuso, mas não consegue encontrar os responsáveis por este abuso devido à “falta de documentação”. 
 
Fonte: BBC Brasil

Para criminalistas a condenação de Dantas é exacerbada

Criminalistas consideraram “exacerbada” a sentença do juiz Fausto Martin De Sanctis. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira diz que “foi correta” a decisão de permitir que Daniel Dantas recorra em liberdade, mas considerou “elevada” a pena de dez anos de prisão, multa de R$ 1,425 milhão e reparação de R$ 12 milhões.

Na sua opinião, Daniel Dantas não criou nenhum embaraço para o processo: “Não é um crime confirmado, mas uma tentativa de corrupção”, afirma Mariz de Oliveira.

Segundo o criminalista Tales Castelo Branco, a decisão foi “emocionalmente incendiária”. “À primeira vista, é uma sentença para chamar a atenção”, diz o advogado.

O advogado Adriano Salles Vanni afirma que “já esperava a pena tão exacerbada”. “Acredito piamente que essa decisão será reformada.” Ele diz que De Sanctis usou “agravantes genéricos”. “O juiz deve ter feito uma ginástica muito grande para aplicar uma reparação de R$ 12 milhões”, afirma Vanni.

O criminalista Romualdo Sanches Calvo Filho entende que a sentença “não surpreendeu”. Para ele, é normal que Dantas responda em liberdade.

Já congressistas integrantes da CPI dos Grampos comemoraram a condenação. O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) disse que a justiça “tarda, mas não falha”, e ressaltou a importância da CPI que expôs as ações do banqueiro.

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) acredita que a condenação não será anulada, havendo uma diminuição da pena. “O juiz calibrou uma pena alta para que [Dantas] não seja absolvido, mas a condenação tem que entrar para a história para mostrar que não há uma blindagem contra ninguém.” Assinante da Folha lê mais aqui.

Condenado nos EUA casal de bispos da Renascer

condenados.jpg

 Do Jornal do Brasil, ontem:
“Os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, apóstolo Estevam Hernandes Filho, de 53 anos, e sua mulher, bispa Sônia Haddad Moraes Hernandes, de 48, foram condenados ontem pela Justiça americana a 140 dias de reclusão, mais cinco meses de prisão domiciliar e mais dois anos de liberdade condicional.

Estevam vai começar a cumprir o período de reclusão na segunda-feira. Já Sônia começou, desde ontem, a cumprir prisão domiciliar. O juiz americano Federico Moreno decidiu por esse tipo de sentença para que um dos mebros do casal possa cuidar da família enquanto o outro estiver cumprindo o período de reclusão. Além disso, a Justiça decidiu que cada um deverá pagar uma multa de US$ 30 mil.

Durante o anúncio da sentença, o casal pediu, chorando, misericórdia por diversas vezes. Estevam e Sônia são acusados pelos crimes de contrabando de dinheiro e conspiração para contrabando de dinheiro”.

PS: E Deus mostrou que existe para esses infiéis.

Editorial: A gota d’água para Calheiros

Os bois voadores do presidente do Senado, Renan Calheiros, são bezerrinhos que mal se sustêm nas patas perto do que acaba de vir a público sobre as múltiplas atividades do “coronel” alagoano. Tentando provar que tinha recursos próprios de sobra para arcar com os seus gastos extramatrimoniais – sem depender, portanto, de aportes do bom amigo Cláudio Gontijo ou da empreiteira Mendes Júnior da qual este é lobista -, o senador embrulhão invocou mirabolantes vendas de cabeças de gado, que lhe teriam rendido R$ 1,9 milhão. As reses negociadas fariam parte dos rebanhos apascentados nas suas fabulosamente rentáveis fazendas de criação, em Murici, a uns 40 quilômetros de Maceió. Calheiros apresentou documentos das transações que não resistiram nem à primeira e rápida perícia da Polícia Federal, a pedido do Conselho de Ética do Senado.

A segunda devassa nesses e em outros papéis do parlamentar processado por quebra de decoro pode dar num beco sem saída, à falta de outros documentos ainda. Eles corroborariam, ou não, as ladinas alegações do presidente “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, como passou a ser conhecido desde que se acorrentou à cadeira de mais alto espaldar da Mesa do Senado. Com o que têm em mãos, os peritos não conseguirão responder à maioria das 30 questões a eles formuladas pelo Conselho. Dificilmente, por exemplo, será possível checar se os saques efetuados por Calheiros de sua conta bancária se destinavam a pagar a pensão alimentícia à filha que teve com a sua namorada. Nada impediria, por exemplo, que entesourasse as retiradas – feitas para inglês ver – e que o dinheiro a ela entregue pelo lobista viesse ou da empresa para a qual trabalha ou do caixa 2 do senador, de cuja existência ninguém duvida.

Afinal, o que veio a público – numa circunstanciada reportagem da revista Veja – mostra a fartura de recursos não contabilizados de que dispõe o senador alagoano, o que, aliás, não surpreende ninguém. Isso, aliás, não é o que a publicação traz de mais comprometedor: o dinheiro de que a Receita nunca ouviu falar foi só um meio ilícito para um fim mais ilícito ainda. A gota d’água que faltava para entornar de vez as chances de Calheiros sair incólume das evidências de má conduta que já se empilhavam contra ele é a revelação de que pagou R$ 1,3 milhão, cash, em moeda nacional e em dólares, para se tornar sócio – acobertado por laranjas – de duas estações de rádio e de um jornal em Alagoas (do qual já se desfez). O seu parceiro – hoje seu desafeto – foi o usineiro João Lyra, sogro de Pedro Collor, o primeiro a denunciar os podres da patota do irmão presidente – da qual Calheiros era membro distinguido.

A lei proíbe a deputados e senadores, sob pena de perda de mandato, ter vínculo com empresas concessionárias de serviço público – a exemplo de órgãos de mídia eletrônica. Levantamentos demonstraram que pelo menos 1 em 10 deputados e pelo menos 1 em 4 senadores controlam, direta ou indiretamente, concessões de rádio ou TV. À primeira vista, a ilicitude compartilhada poderia servir a Calheiros como tábua de salvação. Mas, somando-se aos fios em que se enredou, essa nova denúncia parece empurrá-lo definitivamente para além do ponto de não-retorno. Quanto mais não fosse, pelo “pequeno detalhe” de ele ter recorrido a um assessor legislativo, Everaldo França Ferro, identificado na reportagem como “funcionário de confiança do gabinete do senador”, para pagar R$ 700 mil em parcelas ao sócio João Lyra, que havia adiantado a Calheiros a sua parte no negócio.

Ferro, segundo a revista, é o responsável pela agenda política do chefe junto ao primeiro escalão da administração federal. Ele é também suspeito de tratar com o notório Zuleido Veras, da Gautama, velho amigo do senador, da liberação de verbas para uma obra fictícia em Alagoas. Uma representação do DEM ao Conselho de Ética para a abertura de outro processo por quebra de decoro contra Calheiros é a primeira conseqüência prática da descoberta de que o presidente do Senado, além de cultivar relações promíscuas com um lobista de empresa prestadora de serviços para a área estatal e de ser um pecuarista inverossimilmente bem-sucedido, entrou para o ramo da comunicação, juntando-se ao coronelato eletrônico da política nacional.

Jornal “O Estado de São Paulo”

MySpace tira do ar 29 mil perfis de agressores sexuais

logodotcom.gif

O site de relacionamentos MySpace registrou um aumento de quatro vezes no número de pessoas condenadas por crimes sexuais que usam o serviço.

A empresa descobriu que 29 mil pessoas condenadas por crimes sexuais nos Estados Unidos têm perfis no site. Esse número é quatro vezes maior que o calculado pela empresa em maio, de 7 mil pessoas. Esses perfis foram retirados do site pela empresa.

Os novos números foram divulgados por autoridades dos Estados americanos de Carolina do Norte e Connecticut, que vinham pressionando o MySpace a revelar dados de agressores sexuais que usam o site.

“Esse número inclui apenas agressores que se registraram no site com seus nomes verdadeiros. Não estão incluidos aqueles que usaram nomes falsos ou que ainda não foram condenados”, disse o secretário de Justiça da Carolina do Norte, Roy Cooper.

“O explosivo número de agressores sexuais com perfis no MySpace – 29 mil até agora – exige ação”, afirmou o secretário de Justiça de Connecticut, Richard Blumenthal.

O secretário de Justiça da Carolina do Norte quer a criação de uma lei estadual que exija permissão dos pais para que uma criança possa criar um perfil em sites como o MySpace. Os sites seriam obrigados a verificar a identidade dos pais antes de permitirem que as crianças criassem o perfil.

Segundo Cooper, uma lei assim significaria “menos crianças em risco, porque haverá menos crianças nesses sites”. Pelas leis atuais, os usuários do MySpace devem ter idade mínima de 14 anos.

O MySpace divulgou um comunicado oficial sobre a informação. “Estamos satisfeitos por ter identificado e removido de nosso site agressores sexuais e esperamos que outros sites de relacionamento façam o mesmo”, diz a nota.

Há cerca de 600 mil agressores sexuais nos Estados Unidos, segundo cálculos das autoridades. Mais de 80 milhões de pessoas têm páginas no MySpace. Em 2005, o site site foi comprado pelo grupo News Corp, de Rupert Murdoch, por US$ 580 milhões. Críticos do MySpace e de outros sites desse tipo dizem que é necessário ter leis mais rígidas para que sejam seguros para crianças. 
 
Fonte: BBC Brasil

Onde só havia bandido

De Marcelo Rocha no Correio Braziliense, hoje:
“O suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), Gim Argello (PTB-DF), aparece na condição de investigado no inquérito da Operação Aquarela, apuração do Ministério Público e da Polícia Civil do Distrito Federal contra esquema de desvio de dinheiro do Banco de Brasília (BRB). Procurado ontem pelo Correio, o juiz Roberval Belinati, da 1ª Vara Criminal, onde tramita o caso, confirmou a informação, mas se negou a comentar o teor do que existe contra Gim. Restringiu-se a dizer que houve menção ao nome do suplente em escutas telefônicas colhidas durante a investigação.

Belinati pediu aos promotores de Justiça e policiais encarregados do caso uma varredura nos documentos e computadores apreendidos durante a Operação Aquarela. São pelo menos 300 caixas de papéis e 150 computadores, recolhidos no dia 14 de junho e levados para a Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) da polícia, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Com a ajuda de técnicos do Judiciário, as autoridades procuram no material qualquer referência sobre o ex-distrital.

Sabe-se de pelo menos uma até o momento. Monitorado pela polícia e pelo MP, o empresário Nilson Wanderlei — um dos 20 presos durante a operação — conversou por telefone, em 9 de março, com Deodomiro Alves Silva, a quem chamou de Miro, sobre encontro para discutir algo de interesse comum. Na conversa, Deodomiro disse que se a Polícia Federal fosse ao escritório prenderia a todos porque ali só “tinha bandido”, numa referência a Gim Argello e ao empresário Nenê Constantino”.