Archive for the ‘Banco Mundial’ Category

2008 em frases

Janeiro

– “Rezem para mim. O negócio está feio. Estou saindo satisfeito porque sou assim mesmo, mas que a coisa é preta, é.” (Vice- presidente José Alencar, na saída do hospital Sírio-Libanês, depois de sessões de quimioterapia contra o câncer).

Fevereiro

– “Transparência, no governo Lula, é como lingerie de bordel: o que revela é sempre um escândalo.” (Roberto Jefferson, presidente do PTB).

– “Um homem negro não ficaria muito tempo na posição de presidente dos Estados Unidos. Provavelmente o matariam.” (Doris Lessing, escritora britânica, Nobel de Literatura, referindo-se ao então pré-candidato democrata Barack Obama).

Março

– “Nossa economia é resistente e, a longo prazo, confio que continuará crescendo, porque seus fundamentos são sólidos”. (George Bush, risonho, discorrendo sobre o futuro no instante em que a crise engolia o presente. O dos EUA e o do resto do mundo).

– “Sabemos que estamos em forte desaceleração.” (Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, em locução premonitória).

– “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição.” (Lula, irritado com o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que enxergara propósitos eleitoreiros no programa Territórios da Cidadania).

– “O que eu disse, repito: no ano eleitoral não podemos ter incremento, alargamento de programas sociais. O programa pode ser elogiável, mas tem época em que não deve ser implantado. As regras jurídicas não são de fachada. Paga-se um preço por viver em uma democracia.” (Marco Aurélio Mello, dando de ombros para a irritação de Lula).

– “Nós estamos em estol. Nessa velocidade, qualquer coisa que sair errada te leva para o chão.” (Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, valendo-se de uma analogia aeronáutica -“perda total da sustentação”- para fazer soar os tambores da crise americana).

Abril

– “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC”. (Lula, num pa©mício no Rio, exibindo a munição da candidata à sua sucessão).

– “Vim para mostrar o aumento do PIB e para botar o PIB na mesa.” (Guido Mantega, posando de macho em encontro com economistas de agências de avaliação do risco-país, nos EUA).

– “Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente que hoje animam, sem dúvida, este comício.” (Dilma Rousseff, a dodói de Lula, trocando as bolas em cerimônia oficial do PAC, em Belo Horizonte).

Maio

– “Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo nem má-fé. Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado.” (José Aparecido Nunes Pires, ex-funcionário da Casa Civil, com dificuldades para explicar como o arquivo com o dossiê anti-FHC foi parar na caixa de e-mails de André Fernandes, assessor do tucano senador Alvaro Dias).

– “Ele só falava para mim que foi a Erenice [Guerra] que preparou um dossiê. Ele usou um banco de dados seletivo. Ele me contou que no dia 8 de fevereiro foi chamado para fazer isso.” (André Fernandes, arrastando a secretária executiva da Casa Civil, lugar-tenente de Dilma, para o centro da encrenca do dossiê).

– “Não estou certo do que vou fazer depois de deixar a Presidência. Logo após o seu mandato, o vice-presidente Al Gore ganhou um Oscar e um Prêmio Nobel. Quem sabe eu poderia ganhar um prêmio. A loteria, por exemplo.” (O presidente George Bush, fazendo piada para jornalistas na fase pré-crise).

Junho

– “Nós estaremos juntos de qualquer forma. Se não for agora, de imediato, será daqui a noventa dias. Por isso, trago esta saudação ao companheiro Geraldo Kassab.” (Goldman, no mesmo discurso, trocando as bolas pela segunda vez).

– “Eles adotaram aquilo que o comunicador de Hitler, Joseph Goebbels, dizia: uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade. E como mentem. Eles agora querem inventar trocando as letras, chamando de CSS.” (O senador Mão Santa, do PMDB piauiense, erguendo barricadas contra a recriação da CPMF, que acabaria empacada na Câmara).

– “Ninguém que tiver cometido algum erro vai ser protegido por nós, não vamos salvar a pele de ninguém.” (José Serra, o governador tucano de São Paulo, prometendo isenção na apuração do esquema de pagamento de propinas da multinacional Alstom, que fez negócios durante o governo Covas).

– “A causa é maior que o cargo, que está a serviço da causa” (Marina Silva, explicando a razão do desembarque do ministério do Meio Ambiente).

– “O Minc já falou em uma semana mais do que a Marina falou em cinco anos e meio.” (Lula, na posse de Carlos Minc, realçando as diferenças do sucessor de Marina).

Julho

– “Espero que Daniel Dantas tenha o mais amplo direito de defesa, que consiga provar que é inocente.” (Tarso Genro, na fase em que a PF ainda não transformara o investigador Protógenes em investigado).

– “Saí do país usando meu passaporte, com carimbo e tudo.” (O sem-banco Salvatore Cacciola, tentando negar que fugira do Brasil para a Itália).

– “É ilusão pensar que inflação elevada não vá levar à redução da atividade econômica. Já conhecemos essa história no Brasil.” (O presidente do BC, Henrique Meirelles, justificando a política de juros lunares como tática de combate à inflação).

– “Se eles nos congelarem, não haverá mais petróleo para os EUA. E o preço do petróleo vai a US$ 300 o barril.” (O companheiro Hugo Chávez, numa fase em que não lhe passava pela cabeça que a cotação do petróleo roçaria os US$ 50).

Agosto

– “Da mesma forma que a gente faz a reforma agrária na terra, vamos fazer uma reforma aquária, na água.” (Lula, justificando a inacreditável proposta de converter a Secretaria da Pesca em ministério).

– “Se fosse por importância econômica, seria melhor criar o ministério da Banana, que movimenta 7 milhões de toneladas por ano.” (O líder tucano José Aníbal (SP), expondo o ridículo do projeto, que seria, depois, retirado pelo Planalto).

– “Agora posso dizer o que quiser; xingar, se eu quiser; dizer que amo, dizer que odeio. Não preciso ser politicamente correto, no sentido da ética pública.” (Gilberto Gil, depois de bater em retirada do ministério da Cultura).

– “Temos de fazer uma lei adequada ao nosso país. Não adianta querer fazer lei de país civilizado porque este país não o é.” (O juiz da Satiagraha, Fausto Martin De Sanctis, num rasgo de sinceridade na CPI dp Grampo).

– “Toda polícia do mundo usa algemas. Temos que garantir a integridade do preso, do policial e de terceiros.” (O diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, abespinhado com a decisão do Supremo que limitou o uso de algemas em operações policiais).

– “O importante é que cumpram as decisões do Supremo. Se ele cumpre de bom humor, de mau humor, se cumpre rindo ou se cumpre chorando, essa é uma outra questão.” (Gilmar Mendes, o presidente do STF, dando de ombros para os queixumes da PF).

– “Não sou amarelão.” (O ginasta Diego Hypólito, justificando a queda que converteu em fiasco uma das esperanças de ouro da delegação brasileira nas olimpíadas de Pequim).

Setembro

– “Vayanse al carajo yankees de mierda, que aqui hay um pueblo digno”. (Hugo Chávez, valendo-se de um linguajar que transforma o ‘sifu’ de Lula em vocábulo de criança).

– “Que crise? Vai perguntar pro Bush!” (Lula, em resposta a jornalista que lhe perguntaram o que achava da crise).

– “Todos os que achavam que havia uma luz no fim do túnel agora se dão conta de que é uma locomotiva, que vem em sua direção.” (Peer Steinbrueck, ministro das Finanças da Alemanha).

– “Para mim, o modelo é contínuo. Um modelo sem a presença de ilhas. Os índios brasileiros são visceralmente avessos a qualquer idéia de nichos, guetos, cercas, muros, viveiros.” (Carlos Ayres Britto, ao relatar o processo da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol).

Outubro

– “Graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico.” (Lula, em nova demonstração de otimismo surreal).

– “Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha.” (Lula, proferindo aquela que teria potencial para vencer qualquer concurso de frase do ano).

– “É um empréstimo de mais de 200 milhões de dólares para um projeto que não presta.” (Rafael Correa, presidente do Equador, mostrando os dentes pela primeira vez ao BNDES, às voltas com o risco de calote).

– “Escreve aí: a Marta vai ganhar.” (Lula, numa demonstração de que se sai melhor como presidente do que como vidente).

– “Agora vamos vencer a máquina estadual, a federal e a Universal.” (Fernando Gabeira, antes de ser vencido pelas máquinas estadual e federal).

Novembro

– “O PT não perdeu na capital. Deixou de ganhar.” (Aloizio Mercadante, o senador petista).

“Quem vence em São Paulo vence as eleições.” (Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, pegando carona na vitória da parceria Serra-Kassab).

– “Ninguém falou mal do governo, ninguém falou mal do presidente Lula.” (Lula, faturando o refresco que lhe deram os candidatos a prefeito de todos os partidos).

– “Yes, we can” (Barack Obama, já eleito, repisando o bordão de sua campanha).

– “Se Obama fracassar, a frustração será tão grande que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos.” (Lula).

 – “Obama é jovem, bonito e também bronzeado.” (Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, festejando, à maneira dele, a eleição de Barack Obama).

– “O presidente eleito, Obama, será presidente de todos os americanos. O fato de ele ser negro vem em segundo plano, mesmo que isso confira à sua eleição um caráter histórico.” (Colin Powell, republicano, negro, ex-secretário de Estado da gestão Bush, soltando fogos pela vitória do democrata Obama, a quem manifestara apoio).

Dezembro

– “Não dá para identificar de onde vem essa força. Há diversos colaboradores do bandido Daniel Dantas com a tentativa de produzir provas por meio de investigações. E isso durante todo o processo”. (Protógenes Queiroz, enigmático, falando sobre as pressões que diz ter recebido enquanto esteve à frente da Satiagraha). 

– “Vamos usar todos os mecanismos para repudiar esta dívida ilegítima e corrupta.” (Rafael Correa, presidente do Equador, renegando o financiamento do BNDES).

– “A questão da dívida externa dos países da região é um tema que já está instalado na agenda internacional.” (Fernando Lugo, presidente do Paraguai, dando sinais de que é a próxima encrenca companheira).

– “Na medida em que todo mundo fala em crise, toma café de crise, almoça crise, janta crise, dorme com crise e acorda com crise, isso vai criando um determinado pânico na sociedade, e as pessoas começam a se retrair.” (Lula, agora já impressionado com o vulto da marolinha).

– “Em 2010, 2011, não estarei mais aqui [em São Paulo]. Meu mandato termina em 2010.” (José Serra, deixando claro que o que lhe interessa não é a reeleição para o Bandeirantes, mas a eleição para o Planalto).

– “Ganhamos musculatura e acumulamos força para o período mais difícil.” (Guido Mantega, festejando o PIB de 6,8% do terceiro trimestre e admitindo, finalmente, que haverá tempos difíceis).

– “É melhor reduzir temporariamente a jornada e os salários do que perder o emprego.” (Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, alvejando os direitos da CLT).

– “Não sei o que o sujeito disse, só vi seus sapatos. Se querem saber, eram 42.” (George Bush, riso amarelo, reagindo às sapatadas de que foi alvo no Iraque).

– “Gente, por favor. Ninguém tire os sapatos porque, aqui, como é muito calor, a gente vai perceber antes de alguém decidir jogá-lo, por causa do chulé.” (Lula, na entrevista da cúpula da América Latina e do Caribe, fazendo piada com a desgraça alheia).

Fonte: Blog do Josias

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Crescimento zero será bom resultado para o Brasil em 2009

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Por Leandro Modé, no Estadão

O americano Kenneth Rogoff, de 55 anos, é um dos mais respeitados economistas do mundo hoje, o que não significa que seja unanimidade. Suas posições ortodoxas, muitas vezes expressas de uma forma contundente, nem sempre agradam ao interlocutor. Em 2002, quando era economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), envolveu-se em uma polêmica pública com o ex-economista-chefe do Banco Mundial e ganhador do Prêmio Nobel, Joseph Stiglitz. O tema da contenda era globalização. Talvez pelo cargo que tenha ocupado, Rogoff procura manter-se atualizado sobre a economia de vários países. Esse conhecimento dá a ele a certeza de que o mundo está em meio à pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Por isso, avisa: o Brasil deve dar-se por satisfeito se não enfrentar recessão em 2009. Rogoff, que hoje leciona na Universidade Harvard, conversou com o Estado, por telefone, durante uma viagem de trem de Boston para Nova York.

Estadão: Em artigo publicado há duas semanas, o sr. disse que o maior problema dos países ricos é a recessão. Por isso, devem deixar os juros em segundo plano. O que dizer de países emergentes, como o Brasil?
Kenneth Rogoff:
Os países emergentes têm muito menos espaço para políticas contracíclicas do que os Estados Unidos e os efeitos da inflação são mais danosos. Nos EUA, a inflação reduz o valor real das dívidas e pode ser parte da solução dos atuais problemas. O Brasil não tem esse problema. Além disso, como a inflação no Brasil já é elevada, o Banco Central está entre a cruz e a espada.

Estadão: Como assim?
Kenneth Rogoff:
A economia global está apenas entrando na pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. As commodities estão despencando e o mercado de crédito secou. Ou seja, é uma situação extremamente difícil e perigosa. O crescimento no Brasil certamente vai desacelerar. Mas, ao mesmo tempo, a inflação permanece elevada. Isso deixa ao Banco Central um espaço menor para responder como gostaria (à desaceleração). Além disso, o real depreciou-se fortemente. Reduzir a taxa de juros desvaloriza o real à frente. Mas, como os juros estão caindo rapidamente mundo afora, o BC brasileiro acabará reduzindo a taxa.

Estadão: Quando?
Kenneth Rogoff: Em breve (risos). Ainda que o Brasil esteja às voltas com preocupações inflacionárias, a economia global enfrenta o risco de deflação. Isso ocorre nos EUA, na China e na Europa. Os preços das commodities estão despencando e a produção industrial está caindo. O Brasil sentirá tudo isso logo. Quaisquer que sejam as pressões inflacionárias, serão revertidas em breve.

Estadão: O sr. vê risco de recessão no País?
Kenneth Rogoff:
Há grande chance de o Brasil experimentar uma recessão suave. É quase impossível escapar disso, uma vez que se espera uma profunda recessão no mundo. O Brasil vai sofrer como todos os outros, mas não acho que sofrerá mais do que os outros. Todas as mudanças que o Brasil implementou nos últimos anos vão permitir que a reação seja muito melhor do que há 10 anos. É uma situação desastrosa, mas, em termos relativos, o Brasil está melhor do que muitos outros países. Assinante a entrevista completa aqui.

Arte de falsário

Muito bom o texto da Eliana Cardoso. Compara todo o problema da bolha financeira americana a um falsário e os idiotas que querem cair no golpe. Leiam e apreciem.

O subprime foi um gigantesco esquema de Ponzi – fraude em que, como na corrente da felicidade, ganha quem joga, até que a pirâmide invertida venha abaixo. Enquanto a bolha imobiliária americana cresceu, credores emitiram hipotecas ao deus-dará, bancos as empacotaram com emissão de títulos, que gestores de recursos compraram com dinheiro emprestado, contabilizando lucros não realizados. Fortunas se criaram e se perderam, mil vezes maiores que os US$ 50 milhões que Van Meegeren ganhou falsificando quadros de Vermeer e vendendo-os a museus na Holanda e a nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Frank Wynne conta essa história em Eu Fui Vermeer.

De Beny Parnes, estrategista-chefe do BBM Investimentos, recebi o livro e a recomendação de traçar paralelos entre os desvarios do mercado financeiro na última década e os do falsário holandês na metade do século 20.

O sucesso do falsário depende de dois elementos: avanço da tecnologia e desejo da vítima de se deixar enganar. O avanço técnico no caso de Meegeren foi a baquelita, primeiro plástico para fins comerciais, que lhe permitiu substituir o óleo vegetal como veículo na pintura. Com ela obteve o endurecimento da tinta, necessário para mantê-la inalterada em testes de autenticidade. No caso do esquema financeiro, a inovação tecnológica combinou derivativos com artimanhas de controle de risco, como a securitização que transformava em títulos AAA empréstimos hipotecários – cuja qualidade era tão ruim que até mesmo Alan Greenspan, depois do desastre consumado, se confessou em estado de choque.

Quanto ao segundo elemento necessário ao seu sucesso, Van Meegeren encontrou-o no desejo dos críticos de descobrir quadros de um período intermediário na obra de Vermeer. Apesar da pequena produção do pintor seiscentista, existe uma disparidade gritante de estilo e tema entre Diana e suas Companheiras (obra do artista jovem) e A Leiteira (o primeiro trabalho da maturidade). No vazio entre um e outro, os críticos imaginaram um Vermeer desaparecido, que uniria as duas fases. O falsário identificou o desejo dos críticos e o realizou.

“Falsificações são um retrato cambiante dos desejos humanos. Cada sociedade falsifica as coisas que mais cobiça”, argumenta Mark Jones em The Art of Deception. No começo do século 21 o desejo era o de uma vida incompatível com os ganhos da economia real. A ganância incitava a crença na ausência de riscos, na morte do ciclo de negócios e no céu como limite para as taxas de crescimento.

Beny Parnes observa: “Os agentes financeiros sabiam o que faziam. Ou quase todos. Com certeza não faltava consciência de seus próprios atos aos empacotadores de hipotecas e aos bancos que colocavam esses pacotes em suas carteiras de investimento. Os compradores dos ativos suspeitavam do que estava acontecendo. Mas o desejo de altos rendimentos gerava a crença em hipóteses bobas sobre risco e o incentivo para entrar no negócio e comprar o Vermeer de Meegeren.” Como dizia Maquiavel, “quem trapaceia sempre encontra quem se deixa trapacear, porque os homens cedem prontamente a desejos momentâneos”.

A diferença entre a experiência dos falsários de hoje e a de Meegeren está na seqüela da trapaça. Meegeren agiu como indivíduo isolado. Preso, e depois absolvido, causou prejuízos e decepção a museus e seus freqüentadores, mas não um desastre econômico. No século 21 a ação coletiva de milhares de investidores produziu uma bolha hipotecária que mudou a alocação de recursos e terminou em catástrofe para o globo.

Nos EUA os economistas esperam a pior recessão desde a década de 1950. A queda da bolsa indica que os investidores apostam numa recessão profunda e severa, ainda pior que a do início da década de 1980. Os gastos dos consumidores apresentaram queda pelo quarto mês consecutivo em outubro. O mercado imobiliário ainda não se estabilizou e os preços das casas são hoje 20% mais baixos do que no pico de 2007. Apenas em novembro de 2008 se perdeu mais de meio milhão de empregos.

Com más notícias se multiplicando a cada dia, como manter a calma? A boa nova é que, pelo menos, o momento mais assustador da crise financeira ficou para trás (embora seus custos recessivos estejam apenas começando). A taxa Libor, que um banco oferece a outro, caiu abaixo do nível de pânico a que chegou logo após a bancarrota do Lehman Brothers. Calcula-se que o valor necessário para resolver os problemas no mercado de CDS (swaps de crédito cujo montante é de US$ 55 trilhões) chegue a 1,5% dessa quantia, ou seja, menos de US$ 1 trilhão. É muito dinheiro. Mas o PIB americano de um mês é maior. Portanto, não é fatal.

No Brasil, duvide de quem lhe promete um PIB crescendo a 4% em 2009. Mas desconfie dos alarmistas também. Parte do pessimismo deriva do sentimento de perda produzido por prejuízos financeiros volumosos, lembrou Oswaldo Assis, sócio do Banco Pactual, em seminário na USP na semana passada. Vale lembrar que o mercado financeiro no Brasil apresenta características muito diferentes das do mercado americano: compulsório alto, crédito imobiliário pequeno, securitização e alavancagem baixas. As operações de balcão não registradas são pequenas. Não há mercado de CDS, as seguradoras são rentáveis. Em resposta à redução do nível de atividade o Banco Central pode cortar a Selic, mesmo que a inflação não fique no centro da meta.

Nos EUA, o Fed anunciou que o encontro de dezembro deve durar dois dias, em vez de um – preparando, talvez, novo plano para ressuscitar o crédito. Dentro de 40 dias os EUA darão posse ao novo presidente, que chega com um pacote fiscal de US$ 700 bilhões em investimentos para reanimar a economia. Torço pelo seu sucesso, pois a evolução desta crise deixou claro que o que acontece por lá repercute aqui.

Eliana Cardoso é professora titular da EESP-FGV
Site: www.elianacardoso.com

O pior da crise ainda está por vir, diz economista do Banco Mundial

Apesar de considerar que os países emergentes estão em melhor situação diante da crise, o economista-chefe adjunto do Banco Mundial, Alessandro Rebucci, disse nesta quarta-feira que o pior da crise ainda está por vir e pode causar maiores danos na economia global.

Em palestra na edição extraordinária do Fórum Nacional realizado no Rio, Rebucci considerou que é importante que continuem a ser adotadas medidas para evitar que a recessão nos países desenvolvidos se torne uma depressão. Ele criticou a atual arquitetura financeira mundial e afirmou que provavelmente será necessário um redesenho da ordem econômica.

“Achar que o pior já passou não ajuda. Alguma vida foi reinjetada no mercado financeiro. Acho que o pior está por vir com reflexos na economia real, pressão sobre as rendas e orçamentos inclusive nos países que estão em melhor condição”, observou Rebucci.

O economista avaliou que haverá diminuição no ritmo do crescimento do Bric (grupo de economias emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia e China) e acrescentou que a crise terá maiores efeitos em economias que não se fortaleceram e que não se regularam de forma adequada nos últimos anos.

“O Brasil está em posição sólida e sentirá menos os efeitos da crise. As boas políticas econômicas na América Latina estão sobressaindo em meio à crise”, afirmou.

Fonte: FolhaNews

Lá vem a crise…

crise

Para os otimistas de plantão as notícias ontem foram as piores. Nunca vi tanto prenúncio de desastre e mau agouro para a economia juntos. Pelo jeito lá a crise se instalou forte em SP e BA que decidiram prorrogar o pagamento do ICMS. Em SP, José Serra (PSDB) prorrogou o pagamento de 50% do ICMS referente a dezembro. Na Bahia de Jaques Wagner (PT) o governo anunciou que vai parcelar o ICMS em 04 vezes.

No RJ as montadoras e a CSN anunciam férias coletivas de 18 mil funcionários. As montadoras tais como, Volks, Peugeot, Citroën e as empresas CSN e Michelin, elevaram em 30% o número de funcionários em férias coletivas.

Os números do mercado automobilístico referentes a novembro, que devem ser divulgados no começo de dezembro, podem assustar até os mais pessimistas. As vendas no país apresentaram queda de aproximadamente 30% e devem fechar o mês com um total de 170 000 unidades emplacadas. Em outubro, que já apresentou desaceleração. A GM, que enfrenta a pior crise de sua história nos Estados Unidos, foi a montadora que mais perdeu mercado.

Para piorar o mercado divulgou-se também que há pouco mais de três meses as transportadoras rodoviárias faziam fila na porta das montadoras para aumentar sua frota e atender o mercado. A demanda era tão forte que algumas empresas de transporte chegavam a recusar clientes e escolher as cargas mais rentáveis. A crise mudou completamente esse quadro. Hoje, parte da capacidade instalada está ociosa, os planos de investimentos estão sendo revistos e já há pressão para reduzir o preço do frete.

Minas Gerais, estado que concentra cerca de 70% da produção nacional de gusa, foi o mais atingido pela retração do mercado ferro-gusa provocada principalmente pela queda na demanda internacional. Só em Sete Lagoas – município que concentra a maior produção de ferro-gusa da América Latina, com 22 empresas instaladas -, 2,3 mil trabalhadores foram demitidos, ou mais de 40% dos 5,5 mil empregados, diretos e indiretos, das fábricas. Na semana passada, o diretor da mineradora MMX afirmou que nada menos que 103 dos 161 fornos de ferro-gusa existentes no Brasil estavam parados.

Se foram notícias ruins para o país da “marolinha” do presidente Lula, imagina para o mundo. O relatório elaborado e distribuído entre os 375 maiores bancos de 70 países que integram o Instituto de Finanças Internacionais prevê queda de 3,5% no PIB dos EUA e de pelo menos 1,5% no crescimento de Europa e Japão no último trimestre deste ano. o relatório prevê que o Mundo terá o pior trimestre desde 80.

Setores em crise já afetam municípios mineiros

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Marta Vieira para O Estado de Minas 

Redução da produção e do transporte, férias coletivas e demissões começam a mudar o dia-a-dia de cidades que dependem da indústria como âncora da economia nas regiões Central e Oeste de Minas Gerais. Nos bairros tipicamente operários de Interlagos e Luxemburgo, em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, metalúrgicos dispensados por empresas de ferro-gusa (matéria-prima do aço) fazem bico na construção civil ou saem para trabalhar nas lavouras dos municípios vizinhos de Funilândia e Baldim. Placas afixadas às portas de transportadoras avisam que não há vagas para motoristas. Caminhões e carretas estacionados nos pátios são vistos também em Itaúna, distante 85 quilômetros da capital mineira, com a queda da movimentação de insumos e produtos dos setores siderúrgico e de mineração.

Demitido em novembro, num grupo de 180 trabalhadores da indústria do gusa, Arnaldo Garcia havia completado 17 anos de experiência no setor. Desde então, faz trabalhos sem vínculo empregatício como pedreiro para garantir o sustento de quatro filhos, mesma decisão tomada por amigos e colegas, alguns deles forçados a aceitar ofertas de trabalho em fazendas da região. “Já vivemos outras crises , mas esta está mais forte”, diz. Com base no ritmo de homologações de rescisões de contratos de trabalho no sindicato local dos metalúrgicos, o presidente da entidade, Ernane Geraldo Dias, estima em 2,2 mil os empregos cortados nos últimos dois meses em 20 empresas produtoras de gusa. Outros 3,2 mil trabalhadores do setor automotivo estarão em férias ou cumprindo folgas até meados de janeiro.

A situação difícil para as famílias dos metalúrgicos mostra os primeiros reflexos no comércio. As vendas com cartões de crédito recuaram no supermercado Varejão RR, instalado no Bairro Interlagos, indício de que o consumo estaria migrando para o pagamento à vista, avalia o gerente comercial, Edgar Júnior Silva. “Pode ser um sinal de cautela do consumidor para não se endividar”, afirma. A tendência é de que a empresa invista mais nas promoções de preços, diante de um faturamento ancorado em 40% de pagamentos à vista. “Nesta hora de dificuldades, mais que em qualquer outro momento, as pessoas vão buscar as ofertas”, diz Silva.

Há 40 anos no ramo do transporte de carga, a Empreendimentos Rodeiro registrou queda de 50% dos negócios no mês passado. O diretor-presidente da transportadora, Lincoln Lino da Costa, trabalha com a perspectiva de nova redução do faturamento em pelo menos mais 15%, com o encolhimento das atividades de grandes indústrias da mineração e da siderurgia que atende, a exemplo da Votorantim Metais e grupos ArcelorMittal e Gerdau. “Todos os clientes já pediram desconto de 10% nos preços do frete”, conta. Para Costa, as medidas de liberação de crédito adotadas pelo governo não surtiram efeito sobre o setor de transporte de carga. “O que precisamos é redução dos preços dos combustíveis, coerente com a queda das cotações do petróleo, e prazos com carência maior para o pagamento de empréstimos”, afirma. O setor de transporte foi colhido pela crise, depois de um período de seis meses marcados por investimentos.

Conforme recente levantamento divulgado pelo Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer), o ritmo da produção histórica das empresas, de 5 milhões de toneladas anuais, já diminuiu 40% e não há contratos negociados para janeiro a março. O setor, que se viu obrigado a abafar 70% de seus fornos no estado, trabalha, em média, com 90 dias de programação de pedidos. 
 
Foto: Nando Oliveira – Esp. EM – D. A Press

Falha permite piratear e controlar iPhone da Apple

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 Uma falha informática permite piratear e controlar o iPhone do grupo Apple, por exemplo, para copiar a agenda de contatos de seu dono ou para programar o aparelho para fazer chamadas, revelou nesta segunda-feira um instituto especializado.

Pesquisadores do ISE (Independant Security Evaluators) descobriram um código que permite controlar um iPhone se o usuário estiver conectado a uma página na internet que contenha esse código, explicou o ISE em seu site, junto com um vídeo de apoio.

Diferentes métodos podem levar o proprietário do iPhone a se conectar através da internet: um e-mail com o link ou também a partir de fóruns de discussão ou pontos da rede wi-fi.

O pirata poderia então ter acesso a todos os dados pessoais armazenados no iPhone ou programar o aparelho para realizar chamadas ou até mesmo impedir que este funcione normalmente, afirma a empresa.

Uma porta-voz da Apple, Lynn Fox, declarou nesta segunda ao jornal The New York Times – que revelou o caso – que o grupo “leva a segurança muito a sério e está examinando o relatório do ISE”.

O ISE disse ter informado o erro à Apple e sugerido um software para solucionar o problema, e aconselha os usuários a nunca navegar em sites duvidosos.

O Instituto declarou, no entanto, que não verificou se esta falha permitiria que o iPhone pudesse ser usado sem que fosse necessário contratar os serviços da AT&T, operadora exclusiva do aparelho nos EUA.

No início de julho, o programador norueguês Jon Lech Johansen afirmou ter pirateado o iPhone, o que permitiu que ele recebesse música e vídeos, além de navegar na internet, sem o contrato com a AT&T.

Espírito de porco em comercial de seguradora

Criação da DDB para a seguradora holandesa Centraal Beheer, este filme mostra uma situação patética em que a pessoa que a vive tem que ter um seguro.

O filme foi filmado dentro de uma cadeia real em Budapeste, com presos de verdade.

No final, a assinatura: “Basta ligar pra gente”.

Vi no Aletp

Trapalhadas aos montes

Dois fatos isolados ocorridos num espaço de 05 dias refletem bem a competência dos assessores do atual prefeito de Montes Claros.

2º Lista dos 150 nomes

A cerimônia de nomeação da Medalha Urbis com os 150 nomes que fazem a história de Montes Claros estava marcada para o último sábado, 26/05, a partir das 19h00min na Praça da Matriz. Ocorre que a Igreja da Matriz realiza missa às 18h00min e dois casamentos logo após, todo sábado há no mínimo uns 10 anos. Isso demonstra que os assessores do Prefeito, aí incluído todo o seu cerimonial, além de incompetentes são ateus ou agnósticos para desconhecer este fato. Isto foi o responsável pelo atraso do evento em mais de 02h30min. Quando finalmente perceberam que não poderiam aguardar pelo fim do último casamento e que vários dos homenageados, entre eles idosos, havia ido embora resolveram começar a festa. Um fiasco!

Outdoor cara preta

No dia 25/05, sexta-feira, a prefeitura de Montes Claros entregou à população, em parceria com o Estado de Minas Gerais (COHAB) 225 casas no bairro Village do Lago III. Muita festa, alegria e choro das famílias que compraram as casas. Dizendo-se “pais da criança” o atual Deputado Federal e ex-prefeito Jairo Ataíde, junto com sua esposa e Deputada Estadual Ana Maria, espalharam outdoor’s pela cidade. Na propaganda veiculada informam que foram eles que trabalharam pelo convênio destas casas e que o atual prefeito, Dr. Athos Avelino, apenas concluiu o processo assinando o convênio e construindo as unidades habitacionais. Discordando da publicidade o que fez a prefeitura? Simplesmente mandou borrar com spray preto as placas (fotos abaixo). Isto mesmo caro leitor, seus funcionários borraram as placas como se não vivêssemos num Estado de Direito, como se valesse o “Direito Achado na Rua”, síntese da formulação teórica do grande Roberto Lyra Filho. Será o Benedito que o livro de cabeceira desses assessores é alguma obra do Gramsci, teórico italiano e pai do totalitarismo perfeito?

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Toda vez que comento as ações destes “espertos” restam perguntas sem respostas. Mas, fazer o quê? Por que não acionaram a justiça para combater a afronta à legislação eleitoral? Por que simplesmente não colocaram outros outdoor’s ao lado de cada um do casal Jairo e Ana Maria explicando os fatos verdadeiros? Por que a cabeça deles só serve para separar orelhas? Como se conseguiu juntar tanta gente ruim em tão pouco espaço? Por que o MST não ocupa as “terras improdutivas” de algumas secretarias?

Por isto o Didi, se quiser, pode vir aqui e escolher remontar os Trapalhões, pois candidato a Dedé, Mussum e Zacarias é que não faltam.

Fotos: Jaime Tolentino

Auditoria pede multa para Gushiken

luiz_gushiken.jpgDe Lauro Jardim na seção Radar da VEJA deste fim de semana:
“Os técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) terminaram a auditoria sobre a Secom comandada por Luiz Gushiken. Num relatório de mais de 100 páginas, listam uma série de irregularidades na contratação de serviços de publicidade. Os auditores propõem a aplicação de multa para o ex-ministro e para as agências.

No caso específico de Gushiken, os técnicos afirmam que omissões “permitiram a fragilidade nos mecanismos de controle interno”, o que resultou em gestão “temerária da despesa pública”. O relatório ainda não entrou em votação porque o procurador-geral do Ministério Público no TCU, Lucas Furtado, pediu vistas.

Finalmente, uma curiosidade: no processo, o advogado da agência Matisse, acusada de ter apresentado “propostas fraudulentas”, era o atual advogado-geral da União, José Antônio Toffoli”. Assinante da VEJA leia mais aqui

Azar de Wolfowitz

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A mistura do público com o privado pode subtrair do todo-poderoso Paul Wolfowitz (na foto acima) a presidência do Banco Mundial e um salário mensal de US$ 35 mil. Que grave pecado ele cometeu? Nenhum que por estas bandas merecesse o nome de pecado. Wolfowitz simplesmente deu uma forcinha para que sua namorada Shaha Riza ganhasse alguns trocados a mais.

Shaha era funcionária qualificada do Banco Mundial. Foi transferida para o Departamento de Estado em setembro de 2005 pouco depois de Wolfowitz assumir a presidência do banco. Por obra e graça do namorado, ao trocar de emprego ela ganhou um aumento de 40% – míseros US$ 61 mil. Seu salário anual passou então para US$ 193.590 – superior ao da secretária de Estado Condoleezza Rice, que ganha US$ 183.500.

O mundo desabou na cabeça de Wolfowitz assim que o caso foi descoberto, há pouco tempo. Os funcionários do banco exigem a demissão dele. E no último fim de semana não se falou de outra coisa durante a reunião do Fundo Monetário Internacional em Washington. O Banco Mundial é “uma instituição cuja administração e cuja ética devem ser impecáveis”, declarou o ministro das Finanças da França, Thierry Breton.

Oito dos 27 governadores eleitos por aqui no ano passado tomaram posse em janeiro nomeando parentes para cargos estratégicos. A governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT) foi além da conta: empregou sua cabeleireira e a esteticista responsável por sua boa forma. Faz 11 anos que tramita na Câmara dos Deputados um projeto que acaba com o nepotismo em todos os poderes da República. Mas para que tenha chance de virar lei, será abrandado.

Para cargos em comissão ou de confiança, o projeto proíbe a contratação, temporária ou não, de parentes de autoridades até o quarto grau – de filhos, pais e irmãos a sogros, genros e enteados. Alguns desses serão poupados na nova versão do projeto. Dela deverá sumir a proibição da contratação temporária. E também o artigo que estabelece uma espécie de quarentena para que parentes de autoridades ingressem no serviço público.

Sosseguem, porém, os mais aflitos: amantes e namorados escaparão ilesos porque não são considerados parentes. No caso, azar de Wolfowitz que foi nascer no país errado. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, por exemplo, teve a sorte de nascer no país certo, capaz de tolerar que homens públicos submetidos a extenuantes jornadas de trabalho possam relaxar no aconchego de mansões discretas e sob o cuidado de mãos macias.

Sempre tão racional, o azar de Palocci foi ter deixado duas vezes de pensar com a cabeça – a primeira ao decidir freqüentar uma mansão onde também rolavam negócios suspeitos promovidos por ex-assessores dele; a segunda ao se valer da máquina do Estado para esmagar o caseiro que o dedurou. Ali, o PT perdeu seu melhor candidato à sucessão de Lula. E Lula ganhou o direito de sonhar com o terceiro.

Retirado do Blog do Noblat