Archive for the ‘Assassinato’ Category

Cabo absolvido da morte de João Roberto pertenceria à milícia Liga da Justiça

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Marcelo Gomes e Marco Antônio Martins – Extra
 
RIO – O cabo PM William de Paula, absolvido pela Justiça na última quarta-feira pelo assassinato do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi indiciado no relatório final da CPI das Milícias da Assembléia Legislativa (Alerj). Além de William, outras 225 pessoas foram incluídas no relatório.

William foi citado por testemunhas ouvidas pela CPI. De acordo com os depoimentos, o cabo pertenceria à milícia “Liga da Justiça”, que atua na Zona Oeste do Rio, principalmente em Campo Grande. Segundo testemunhas, o policial não teria papel de destaque no organograma do grupo.

– Há provas contra todos os 226 indiciados no relatório da CPI, inclusive contra o William. Nem ele, nem todos os outros policiais citados podem continuar trabalhando a serviço do Estado – disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI.

O relatório, que seria votado na Alerj na última quarta-feira, voltará a ser apreciado pelo plenário da Casa nesta terça, às 16h30m. A votação foi adiada porque, na última hora, o deputado Jorge Theodoro, o Dica (PMDB), apresentou uma emenda para retirar da lista dos indiciados o vereador de Caxias Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão (PV).

O relatório é resultado de cinco meses de trabalho da CPI. As provas obtidas contra os indiciados serão encaminhadas ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral, com o pedido de prisão de mais de cem dos suspeitos investigados por formação de quadrilha, extorsão e homicídio.

Grupo é acusado de diversos crimes
A milícia “Liga da Justiça”, que atuaria há pelo menos oito anos na Zona Oeste do Rio, sobretudo em Campo Grande, começou a ser desbaratada em dezembro do ano passado, com a prisão do vereador Jerominho (PMDB). Ele e o irmão, o ex-deputado estadual Natalino (sem partido), que foi preso este ano, são acusados de chefiar o grupo paramilitar, que contaria com a participação de mais de 40 pessoas – a maioria policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários.

A milícia é acusada de diversos crimes, como homicídios; tráfico de drogas e de armas; tortura; ameaças de morte; exploração de máquinas caça-níqueis e de serviços delegados, como televisão a cabo e transporte alternativo.

Fonte: Jornal Extra

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Dois crimes com marcas de crueldade chocam MG

Luiz Ribeiro e Fábio Fabrini oara o Estado de Minas 

Dois crimes separados por cerca de 600 quilômetros, mas equiparados em nível de crueldade chocam duas cidades mineiras. Na Região Metropolitana de BH, em um assalto com requintes de covardia, a mãe de um cabo do Corpo de Bombeiros foi queimada, na manhã de sábado, em Brumadinho, depois de ter o corpo encharcado com gasolina. Em Jequitinhonha, a 677 quilômetros da capital, o assassinato de um garoto de 10 anos deixou revoltada a população local e provocou ameaças de linchamento contra o assassino confesso, um adolescente de 17 anos.

No crime registrado na Grande BH, três homens invadiram o sítio em que a vítima passava o fim de semana com o marido, jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo, supostamente para forçá-la a entregar dinheiro arrecadado numa festa religiosa. Até o fim da tarde de sábado, nenhum suspeito havia sido preso.

O crime ocorreu por volta das 6h, numa área de pouco movimento do distrito de Conceição do Itaguá. Os ladrões, armados, arrombaram a casa e renderam o casal Carlos José de Sales, de 58 anos, e Neide Fátima Rezende Fátima, de 54. Enquanto um dos criminosos, encapuzado, vigiava o sítio do lado de fora, os outros dois reviravam tudo. De acordo com a ocorrência da Polícia Militar, eles exigiam o que havia no cofre e a quantia arrecadada na Festa de Nossa Senhora da Conceição, feita pela comunidade católica na segunda-feira. Carlos José ajudou no evento, trabalhando no caixa, mas o dinheiro não tinha sido guardado por ele, tampouco havia cofre na casa.

Frustrado, o homem encapuzado teria achado uma garrafa com dois litros de gasolina e despejado tudo sobre Neide Fátima, com o objetivo de fazer tortura psicológica e descobrir o que procurava. Pouco depois, num momento de maior tensão, ateou fogo à mulher, que teve queimaduras no rosto, costas, braços e peito.

Carlos José e os dois homens que não usavam capuz apagaram o fogo. Mas a ação não parou. Logo depois, as vítimas foram presas no banheiro para que a casa fosse saqueada. Os ladrões levaram duas televisões, um violão, um rádio, dois celulares e jóias de Neide Fátima. Fugiram por uma estrada vicinal, com o Ford Explorer do casal, que pediu socorro a um dos filhos.

Eles foram levados numa viatura da PM para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Até o fim da tarde de sábado, Neide Fátima permanecia internada em estado gravíssimo no centro de terapia intensiva. De acordo com a equipe médica, ela teve queimaduras de terceiro grau e passou por cirurgia para limpar os ferimentos. O marido dela levou coronhadas, mas não precisou ser atendido. Eles são pais do cabo João Carlos de Sales, de 22, que é clarinetista da Banda do Corpo de Bombeiros, em Belo Horizonte.

Confissão
No Vale do Jequitinhonha, a polícia identificou sexta-feira o assassino do garoto Isaac Sena Gil, de 10 anos. Depois de um dia desaparecido, ele foi encontrado morto, à beira do Córrego Labirinto, nas proximidades da área urbana do município de Jequitinhonha. Um adolescente de 17 anos – vizinho da vítima e que, inclusive, havia ajudado nas buscas – foi apontado como o autor e confessou o crime.

O menor está detido na delegacia de Jequitinhonha, onde, revoltados, moradores ameaçaram linchá-lo. Isaac foi estrangulado após ter sido violentado sexualmente. De acordo com as investigações, o autor do crime atraiu a criança para um matagal e teria cometido o assassinato porque o menino disse que denunciaria o abuso.

A notícia das próximas 72 horas no Brasil: “Morre ex-marido de Suzana Vieira”

Duas coisas a se pensar antes de publicar as matérias dos jornais online: 1) O cara era tão conhecido que mesmo depois de falecido é chamado nas manchetes, antes de seu nome, de o ex-marido de Suzana Vieira; 2) Me lembrem de nunca brigar com a Ana Maria Braga, a mulher pediu dias atrás que o cara desaparecesse da face da terra, ao vivo, no programa Mais Você.

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Agencia Estado
Ex-marido de Susana Vieira pode ter morrido de overdose
Pedro Dantas

A polícia investiga a hipótese de overdose no caso da morte do ex-policial militar Marcelo Silva, de 38 anos, ex-marido da atriz Susana Vieira encontrado morto na manhã de hoje no apart-hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. O cadáver não apresentava ferimentos ou sinais aparentes de envenenamento. Os funcionários do hotel informaram que o ex-PM morava no local com a atual companheira, a estudante Fernanda Cunha, de 24 anos. Amigos do casal já estiveram no local, mas não falaram com os jornalistas.

Folha Online
Ex-marido de Susana Vieira é encontrado morto no Rio

O ex-marido da atriz Susana Vieira e ex-policial militar Marcelo Silva foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira em frente a um flat na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

Marcelo Silva e Susana Vieira, em 2007; Marcelo foi encontrado morto hoje, no Rio. Há suspeita de overdose, segundo a assessoria da Polícia Militar. As causas da morte, no entanto, ainda serão investigadas.

Susana e Marcelo se casaram em setembro de 2006. Em novembro deste ano o casal se separou, depois de a atriz receber uma ligação da estudante Fernanda Cunha, amante de Marcelo.

Polêmico
De acordo com a coluna Zapping, recém-separado, Marcelo foi entrevistado por Sônia Abrão, na RedeTV!, e disse que traiu a esposa com Fernanda apenas porque não queria ser chamado de gay. No programa, ele disse que processaria Fernanda.

A estudante chegou a prestar duas queixas contra Marcelo em Goiânia (GO), por agressão e ameaça de morte.

Depois disso, os dois assumiram o namoro e Marcelo foi morar com Fernanda em um flat na Barra da Tijuca.

Em junho deste ano, a Polícia Militar retirou Marcelo Silva da corporação, na época, ele e Vieira não comentaram o caso, já que estavam no exterior.

O Globo
Ex-marido de Suzana Vieira morreu dentro do carro
Ronaldo Braga

O ex-PM Marcelo Silva morreu dentro do carro na garagem do Hotel Transamérica onde está hospedada sua atual namorada, Fernanda Cunha. Ele havia chegado ao local sozinho num Pólo prata por volta das 7h e não saiu do veículo. Funcionários do hotel, percebendo que havia algo de errado acionaram o Samu. Quando os para-médicos dos bombeiros chegaram constataram que ele já estava morto. Peritos estão no local.

Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

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Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.

Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.

Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.

Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.

Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?

Kibado do blog do Jorge Antônio Barros

Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO

Montes Claros: Homicídio n.º 81 em 2008

Moradores da zona rural de Montes Claros, acostumados com a tranqüilidade, temem pelo aumento da insegurança após o registro de mais um homicídio na tarde de domingo, 30 de novembro.

O jovem Pedro Elton dos Reis Silveira, de 16 anos foi assassinado, por volta das 17h30, com dois tiros, sendo um no pescoço e outro nas costas. O crime ocorreu no distrito de Ermidinha, distante 40 quilômetros do perímetro urbano da cidade.

Dois suspeitos, um deles conhecido pela alcunha de “Ney”, em um veículo Vectra, de cor verde, estão sendo procurados pela polícia. Segundo a PM, os desconhecidos são apontados por testemunhas como sendo os autores do homicídio.

A Visita
Testemunhas informaram aos investigadores da polícia que, os criminosos chegaram à casa da vítima e gritaram pelo seu nome. Ao sair para atender a visita indesejada, o jovem adolescente foi surpreendido com um tiro no pescoço. Ferido, ele tentou retornar para dentro de casa, mas foi acertado com outro tiro nas costas. Pedro Elton não resistiu aos ferimentos e morreu na porta de sua moradia.

Consumado o crime, os atiradores fugiram do local. Os motivos e autoria do homicídio são desconhecidos, mas a polícia suspeita de vingança. De acordo com levantamentos feitos na cena do crime, a vítima teria agredido um outro adolescente na região há cerca de seis meses.

O corpo de Pedro Elton foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), após levantamento realizado pela perícia técnica da Polícia Civil. O Boletim de Ocorrência (BO) lavrado pela PM foi entregue na delegacia de plantão da PC que irá instaurar inquérito policial para apurar o assassinato.

Controvérsia
Apesar dos 81 homicídios registrados em Montes Claros, a Policia Civil insiste em desconsiderar os assassinatos ocorridos na zona rural do município. Deste total, segundo a PC, apenas 79 homicídios fazem parte das estatísticas de crimes torpes registrados na cidade.

Kibado do Blog Bastidores do Crime

80ª pessoa assassinada em Montes Claros neste ano

Na tarde desta terça-feira 18, mais uma pessoa foi executada em Montes Claros. A vítima foi um homem de 29 anos, Renilson Antunes dos Santos, conhecido como Guinha, morador da Rua C, no Bairro Ciro dos Anjos.

Xu Medeiros

Ele foi executado com dois tiros, segundo informações, a vítima teria dado uma carona para uma mulher ainda não identificada, até o fórum da cidade, ao sair do local o carro de Guinha, um Corsa de cor vermelha, foi cercado por uma moto, o passageiro teria feito os disparos.

No local nove cápsulas deflagradas foram encontradas, de acordo com os peritos a arma usada no homicídio foi uma pistola modelo 380. No carro marca de tiros podem ser vistas por toda à parte. Há suspeitas que o crime tenha ligação com o tráfico de drogas. 

Mulher
A esposa da vítima esteve no local, Ana Paula Fernandes Silva, disse aos policias que não têm suspeitas de quem possa ter cometido o crime.

Entre os pertences da vítima foram encontrados R$ 1.159,00 além de um aparelho celular e documentos pessoais. O rapaz foi executado na esquina das Ruas General Carneiro com João Souto, centro, por volta das 15h.

Ligações
Durante os trabalhos da polícia o aparelho celular da vítima não parou de tocar. De acordo com os policias as ligações recebidas podem ajudar nas investigações. Eles afirmam ainda que em poucos dias os suspeitos possam ser presos.

Homicídios
Durante todo o ano de 2007 o número de homicídios chegou a 79, faltando um mês e 11 dias para o fim de 2008, esse índice foi superado. Em Montes Claros Renilson foi à vítima de número 80 este ano. Apesar de ações conjuntas entre polícia civil e militar o crime não para.

Xu Medeiros

Moradores vizinhos da cena do crime afirmam que o local é tranqüilo e lamentam que a insegurança esteja por toda à parte.

Fotos: Xu Medeiros

Kibado do blog Xu Medeiros

Índios pedem justiça contra assassinato

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Tristeza, revolta e, principalmente, apelo por justiça. São os sentimentos que marcam a comunidade indígena xacriabá de São João das Missões, no Norte de Minas, onde vivia o índio Avelino Nunes Macedo, de 35 anos (detalhe), espancado até a morte por três jovens, em Miravânia, na madrugada de domingo. Avelino ficara viúvo há um ano e dois meses e agora deixou totalmente órfão seu único filho, João Marcos, de 5 anos (E). Edson Gonçalves Costa, de 18 anos; e os menores V. S. e G. P., ambos de 16 (D), que confessaram o crime, estão detidos na delegacia de Manga. Eles alegam que queriam apenas assustar o índio.

Pesquisa sobre vitimização em favelas do Rio de Janeiro da Professora Alba Zaluar

zaluar.jpg“Resolvemos comparar duas áreas da cidade que apresentam os maiores contrastes em relação à renda, escolaridade, condições de infra-estrutura urbana, etc. Olhem só os resultados dos crimes assistidos pelos moradores nas suas respectivas vizinhanças: na zona sul, assalto, extorsão de policiais e uso e consumo de drogas é varias vezes superior. As favelas da AP4,( Barra-Jacarepaguá), dominadas por milícias, conseguem o que a segurança privada da zona sul não consegue evitar. Na favela só ganha assassinato de vizinhos e amigos, além dos tiros disparados por PMs. Alguma coisa está profundamente errada na política de segurança da cidade.”

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Marine revela que recebeu ordem para executar mulheres e crianças

frank_wuterich.jpgUm cabo dos fuzileiros americanos disse nesta quinta-feira que recebeu ordem para atirar contra mulheres e crianças no povoado iraquiano de Hadiya, durante a audiência preliminar contra um sargento acusado de liderar o massacre, em 2005. Na abertura da audiência sobre o caso contra o sargento Frank Wuterich, em Camp Pendleton (200 km ao sul de Los Angeles), o cabo Humberto Mendoza contou que após a explosão de uma bomba em uma estrada próxima a Hadiya, que matou um marine, o sargento Wuterich ordenou que seu grupo atirasse contra casas que supostamente abrigavam rebeldes.

Segundo o cabo Mendoza, horas após a explosão da bomba o sargento Wuterich liderou uma operação contra os rebeldes e determinou que se atirasse em qualquer pessoa que abrisse a porta após o chamado dos marines.

“Ele disse: só esperem a porta abrir e atirem”, revelou Mendoza, admitindo que disparou contra um homem adulto.

Dentro de uma casa, Mendoza disse que recebeu ordem de outro marine, Stephen Tatum, para atirar contra sete mulheres e crianças que estavam escondidas em um quarto: “Quando abri a porta, havia apenas mulheres e crianças (…) e depois de poucos segundos, percebi que não eram uma ameaça (…) pareciam assustados”.

Logo após sair do quarto, Mendoza encontrou Tatum e relatou que lá só havia mulheres e crianças, mas mesmo assim recebeu ordem de atirar.

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O cabo revelou que ainda tentou argumentar com Tatum, dizendo que “eram apenas mulheres e crianças”, mas o outro marine ficou calado. Algum tempo depois, quando estava diante da casa, Mendoza ouviu um forte barulho e quando voltou ao quarto, encontrou todos mortos.

Um investigação paralela realizada pelo major Haytham Faraj encontrou uma menina que sobreviveu ao massacre e que afirma que Mendoza foi o homem que atirou contra o grupo no quarto, no dia 19 de novembro de 2005.

Rico gasta 10 vezes mais que maioria pobre

A desigualdade ainda é o grande problema nacional. A Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 10% de brasileiros mais ricos gastam 10 vezes mais que os 40% mais pobres. O estudo constata que o brasileiro trabalha para pagar as contas. Em média, 74,69% da renda mensal é usada em habitação, alimentação e transporte. Só depois vêm as despesas com saúde (6,49%) e educação (4,08%). A desigualdade em Minas Gerais é menor do que a média brasileira: os mais ricos gastam 8,9 vezes mais que os pobres.

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Festival em Tiradentes revela gastronomia democrática

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 Reportagem de Eduardo Tristão Girão para o Estado de Minas: 
No segundo dia, o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes deu mostras de que sua proposta democrática está consolidada. De jantares sofisticados a cursos gratuitos nas praças, a programação do evento, em sua 10ª edição, atraiu muita gente para a cidade histórica mineira. Além de almoços e jantares de todos os preços, o público poderá conferir, até o próximo domingo, várias atividades (muitas delas gratuitas), entre cursos de culinária, debates, degustações, shows e exposições.

A manhã de sábado foi marcada por um dos eventos mais tradicionais, o preparo da paella no Largo das Forras. Gente de todas as idades acompanhou passo a passo a receita do mais famoso prato espanhol, ensinada pelo chef Eduardo Maya. Acompanhada pelos pais, Luís e Teresa, a pequena Bruna Macknight, de 7 anos, é uma das primeiras a experimentar o prato, assim que ele começou a ser oferecido ao público presente. “Ela ama azeite de oliva”, comenta sua mãe.

“Antes, íamos mais aos festins. Desta vez, estamos acompanhando mais os eventos abertos ao público. Eles são mais democráticos, mais importantes. Uma verdadeira aula”, afirma Luís. É a sexta vez que o casal, vindo da cidade paulista de Sorocaba, visita Tiradentes em razão do festival. “Devemos voltar na semana que vem”, ele diz. Neste domingo haverá curso gratuitos de vinagretes e marinadas e de risotos, no Largo das Forras. No Largo da Rodoviária, serão feitas degustações de pães finos e cafés a partir das 12h.

Também no Largo das Forras, o bar oficial do Comida di Buteco é outra prova de que a programação de apelo mais popular é um dos pontos altos do festival. Quatro bares de Belo Horizonte marcaram presença no local: Família Paulista, Köbes, Bar do Véio e Bar do João. Cada um serviu seu próprio petisco, com preços variando entre R$ 10 e R$ 17. “Boteco também faz parte da gastronomia. O público do festival é de alto nível, gente que também freqüenta boteco”, avalia Nicola Vizioli, proprietário do bar Família Paulista. Apesar de a cozinha ter encerrado suas atividades por volta de 1h, a clientela permaneceu no bar além das 2h.

“Sempre tivemos preocupação com variedade de culinárias e preço. A comida dos botequins é de qualidade e é brasileira. Atende desde a pessoa que só pode pagar por um petisco até gente mais sofisticada”, diz Ralph Justino, um dos organizadores do evento. Ele também comemora a procura pelos festins (jantares especiais), já que os ingressos de alguns deles foram esgotados já no mês passado. “Há dois anos não acontecia isso”, revela.

Um dos destaques foi o festim do projeto Sabor e Saber, comandado pelos chefs André de Melo e Lucas Neri, belo-horizontino e argentino, respectivamente, que trabalham em restaurantes de Barcelona, na Espanha. Eles encantaram o público na noite de sexta-feira, com cardápio sintonizado com a moderna cozinha feita na região espanhola da Catalunha. Ingredientes de alta qualidade (chocolate com grande concentração de cacau, por exemplo), combinações inusitadas (como licor de nozes e rabo de boi) e produtos peculiares (embutido catalão e azeite de carvão, entre outros) marcaram o jantar. “A Catalunha é privilegiada por ter mar e montanha. Por isso, tem tanta diversidade de produtos”, afirma André.