Archive for the ‘Absurdo’ Category

Luta segue noite adentro em Gaza; aumenta número de mortos

Soldados israelenses com apoio da artilharia aérea disputavam território nesta segunda-feira, 5, com combatentes do Hamas dentro da Faixa de Gaza, apesar dos apelos internacionais por um cessar-fogo.

Segundo oficiais da ONU e autoridades da saúde de Gaza, mais de 550 palestinos morreram e cerca de 2,5 mil ficaram feridos desde o início da ofensiva israelense, há dez dias, que já vitimou mais de 200 civis. Em discurso em uma rádio nesta noite, Abu Ubaida, porta-voz militar do Hamas, conclamou os combatentes a lutarem “em cada rua, em cada beco” e ameaçou disparar ainda mais foguetes contra Israel.

Os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, que foi ao Oriente Médio tentar mediar a crise, e dos EUA, George W. Bush, a 15 dias do fim de seu mandato, fizeram um apelo por um cessar-fogo. Mas as discordâncias sobre quem vai parar de atirar primeiro e quais seriam os termos da trégua tornam essa hipótese remota.

AP

Cidade de Gaza é atacada por Israel durante a noite. Foto: AP

Falta comida, água e energia em Gaza. Entre as vítimas desta segunda-feira estão 13 integrantes de uma família palestina cuja casa, num campo de refugiados, foi atingida num bombardeio, segundo fontes médicas.

Cinco das oito linhas que fornecem eletricidade à faixa vindo de Israel e do Egito foram destruídas pelos ataques israelenses, que também inutilizaram a única central elétrica desse território palestino, o que lhe deixou sem 75% da provisão de energia que precisa. Além disso, a grande maioria de poços funciona com bombas a motor, e por isso sem eletricidade não há água.

O Exército de Israel disse já ter matado dezenas de combatentes do Hamas desde o início da incursão terrestre, no sábado, depois de uma semana de bombardeios por mar e ar. Israel lançou a ofensiva depois do fim de uma trégua de seis meses, em dezembro, quando o Hamas intensificou o uso de foguetes em resposta contra as ações militares e o bloqueio ao território, que esteve sob ocupação israelense entre 1967 e 2005.

Os combates desta segunda-feira entraram pela noite. Militantes usam morteiros, granadas e minas, e tentam atrair os soldados para áreas densamente urbanizadas, segundo testemunhas. A Força Aérea de Israel bombardeou dezenas de alvos, inclusive casas de membros do Hamas usadas como depósitos de armas.

Ao anoitecer, os soldados tentavam capturar um morro com vista para a cidade de Jabaliya e um campo de refugiados, mas enfrentavam a forte resistência dos combatentes islâmicos, segundo testemunhas. Israel concentrava sua artilharia e sua aviação nessa área.

O avanço militar de Israel na Faixa de Gaza, que tem 40 quilômetros de comprimento, separou o território. A Cidade de Gaza está sob cerco. A divisão da faixa em três partes sem comunicação pelas forças invasoras israelenses faz com seja “extremamente perigosa” a passagem de um lado a outro, o que dificulta o trabalho das agências humanitárias, incapazes de chegar aos mais de um milhão de pessoas que dependem delas para sobreviver.

Não há também sacos de cadáveres para todas as vítimas do conflito. Israel deixou passar nesta segunda um caminhão com ajuda humanitária e 200 mil litros de combustível, mas o fornecimento não chegou ao outro lado em função dos incessantes ataques do Exército israelense.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que a operação ainda pode ficar mais difícil. De acordo com ele, o Hamas sofreu um golpe, “mas não podemos dizer que sua capacidade de combate tenha sido afetada”. “O Hamas não buscou o confronto direto com as nossas forças e quer atraí-las para áreas urbanas. Há momentos difíceis pela frente nesta operação, e o principal teste ainda pode estar por vir.”

A chanceler de Israel, Tzipi Livni, rejeitou as propostas européias para o envio de observadores internacionais à Faixa de Gaza, e sugeriu o envio de equipes que ajudem a localizar e lacrar túneis que possam ser usados pelo Hamas para o contrabando de armas. Na ONU, países árabes estão redigindo uma resolução – com poucas perspectivas de aprovação – que exige um fim imediato à “agressão israelense.”

Prefeitos derrotados atrapalham trabalho das equipes de transição

Luiz Ribeiro para o Estado de Minas 

A Assembléia Legislativa de Minas aprovou este ano uma lei que obriga a criação de comissões de transição dos governos municipais. Na prática, o objetivo é garantir aos futuros prefeitos o acesso às contas públicas, programas, convênios e outras questões da administração. Mas em várias cidades do estado a lei não está sendo cumprida, por causa da rivalidade política. Quem está prestes a sair sonega informações a quem vai entrar na prefeitura em 1º de janeiro. É o que ocorre, por exemplo, em Montes Claros, quinta maior cidade do estado, em Ipatinga, Sete Lagoas e Pouso Alegre, entre outras.

“Do jeito que está, vamos tomar posse às cegas, pois até agora não sabemos quantos funcionários realmente tem a prefeitura, qual o valor da folha de pagamento, quais as dívidas que vão vencer a curto prazo. Não sabemos nem mesmo qual o estoque de medicamentos nos postos. A atual administração sonegou as informações. Por isso, estou receoso de que venha ocorrer um prejuízo incalculável para o funcionamento da máquina administrativa”, reclamou Luiz Tadeu Leite (PMDB), prefeito eleito de Montes Claros. Ele derrotou no segundo turno o atual prefeito, Athos Avelino (PPS).

Tadeu Leite e Athos Avelino já foram aliados – oriundos do mesmo grupo político –, sendo que o segundo foi vice-prefeito do primeiro na segunda gestão na prefeitura (1993/1996). Eles romperam em 2004, quando Athos derrotou Tadeu Leite na corrida à prefeitura. Mas o distanciamento se consolidou de vez no segundo turno deste ano, quando Athos adotou um estilo agressivo contra o seu ex-aliado.

As diferenças entre eles interferiram no processo de transição desde o seu começo. No início de novembro, o prefeito eleito criou uma equipe de transição com 16 integrantes. Porém, Athos Avelino anunciou que sua administração só aceitaria dialogar com um grupo de cinco pessoas. A condição foi aceita por Tadeu Leite. O atual prefeito baixou um decreto fixando que as informações solicitadas seriam repassadas até 15 de dezembro.

No entanto, o prefeito eleito diz que até agora sua comissão de transição não teve acesso aos dados mais importantes da prefeitura. Ele afirma que não pretende acionar a Justiça para conseguir os dados, mas que, nos primeiros dias do futuro governo, vai encomendar uma auditoria nos diversos setores da administração e promover um recadastramento para saber o número de servidores, o total de contratados e onde realmente eles estão trabalhando.

Athos Avelino nega que tenha criado qualquer obstáculo para repassar dados da prefeitura. “Pode até ser que alguma informação ainda não esteja disponível, como a questão financeira, pois o exercício será fechado em 31 de dezembro. Mas não houve da minha parte nenhuma ordem para restringir as informações”, disse Avelino, que prometeu dar uma entrevista nesta terça-feira para “prestar contas à comunidade”.

Justiça
Outra cidade do Norte de Minas vive situação bem parecida à de Montes Claros. Em Bocaiúva, o prefeito eleito, Ricardo Veloso (PSDB), disse segunda-feira, a nove dias da posse, que não tinha conhecimento de nada sobre a prefeitura. “Até agora, estou às escuras, sem saber de nada”, afirmou. Ele conta que deveria receber ainda na segunda-feira um relatório da atual administração, do prefeito Alberto Caldeira (PMDB), seu ferrenho adversário. A entrega do documento foi determinada pela Justiça, que acolheu ação impetrada por Ricardo Veloso. “Tive que recorrer à Justiça, pois o atual prefeito simplesmente se negou a fornecer os dados para a nossa comissão de transição”, argumenta Veloso.

O atual prefeito, Alberto Caldeira, disse que o seu adversário teve acesso aos setores da prefeitura. “Mas, aí, por questões políticas, ele decidiu acionar a Justiça, que nos deu prazo até 24 de dezembro para fornecer as informações. E o prazo será atendido”, declarou. Alberto Caldeira acusa Ricardo Veloso de permanecer em cima do palanque. “Na minha opinião, ele tem que descer do palanque e pensar em trabalhar”, alfinetou.

Quase 70% dos cursos com as piores notas no Enade oferecem bolsas do ProUni

prouni 

Por Amanda Cieglinski

De um total de 96 cursos superiores de instituições particulares que obtiveram nota um – a mais baixa possível – no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), 67% deles estão credenciados pelo Ministério da Educação para oferecer bolsas de estudo a alunos de baixa renda no Programa Universidade para Todos (ProUni). É o que aponta levantamento feito pela Agência Brasil. Da lista dos 127 cursos com nota 1 foram excluídas 31 universidades públicas que, por sua natureza, não fazem parte do programa.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o problema acontece porque, de acordo com a lei do ProUni, a instituição só pode ser descredenciada após dois resultados ruins no Enade. Mas como cada área é avaliada de três em três anos, há a possibilidade de os cursos mal avaliados receberam alunos pelo ProUni durante esse período.

“Como o ciclo [avaliativo] foi iniciado com uma portaria em fevereiro de 2007, ele precisa se completar. Essa exigência de qualidade na educação superior ainda está passando por uma transição, mas com um ou dois anos estará sendo aplicada de maneira irreversível. Por enquanto, nós trabalhamos nos limites do marco estabelecido pelo Poder Legislativo”, afirma a secretária de Ensino Superior do ministério, Maria Paula Dallari Bucci.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Romualdo Oliveira, especialista em ensino superior, a lei que regula o programa é falha por não apresentar nenhuma exigência de desempenho mínimo dos cursos credenciados. Em troca da oferta de bolsas integrais e parciais, as instituições privadas de ensino recebem incentivos fiscais por parte do governo. Romualdo defende que o acesso a cursos de má qualidade, por meio do ProUni, pode prejudicar o futuro dos bolsistas.

“É uma contradição porque o governo está financiando cursos de baixa qualidade, o que provavelmente vai resultar em uma exclusão do aluno no futuro em termos de mercado. Você protela o desemprego”, avalia.

A secretária Maria Paula ressalta que as bolsas adicionais que não recebem contrapartida do governo, previstas em portaria do MEC, não podem ser oferecidas por cursos de nota 1 e 2. “A leitura que deve ser feita não é a de que vamos esperar dois ciclos avaliativos de braços cruzados. Ao longo desse tempo, todas as medidas previstas na lei já estão sendo implementadas. Os cursos estão sendo chamados para assumir termos de saneamento e, em alguns casos, com corte de vagas. A exigência de qualidade virá por todos os instrumentos e todas as oportunidades que a lei faculta”, justifica Maria Paula.

Na opinião do professor Oliveira, sem uma cláusula de barreira para garantir a qualidade do ensino oferecido aos alunos, o programa “vende gato por lebre”. “Eu tenho uma crítica ao próprio programa, não acho que seja uma alternativa de viabilização de acesso ao ensino superior justamente porque subsidia cursos de má qualidade. Seria mais eficiente usar esses recursos para a expansão do ensino superior público, porque nesse há garantia de uma boa educação”, defende.

A secretária recomenda aos candidatos de bolsas no ProUni que procurem saber mais sobre a qualidade do curso antes de se inscrever. “Já que a questão econômica está equacionada, o bolsista, ao fazer a sua escolha, não precisa escolher o curso olhando se ele poderá ou não pagar a mensalidade. Ele deve observar se o curso atende à demanda dele e se é qualificado, se informar para saber se aquele é um bom curso, porque é a formação dele que está em jogo”, indica.

Desde a criação do ProUni, em 2005, já foram distribuídas mais de 430 mil bolsas. Para concorrer, o aluno precisa ter cursado todo o ensino médio em escola pública. As bolsas parciais, que custeiam 50% do valor da mensalidade, podem ser pleitadas por estudantes cuja renda per capita familiar é de até três salários mínimos. Já as bolsas integrais são restritas a alunos com renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa.
Na última edição do programa, cujas inscrições encerraram-se na segunda-feira (15) da semana passada, foram oferecidas 56 mil bolsas. A uma semana do término das inscrições, os candidatos passavam de 320 mil.

Fonte: Agência Brasil

PMs são presos por suspeita de roubar de assaltantes

Um sargento e três soldados da Polícia Militar foram presos esta semana, suspeitos de roubar ladrões. A Corregedoria diz que eles perceberam um assalto a um caixa eletrônico, mas resolveram esperar os ladrões saírem. Em seguida, assaltaram os assaltantes, que foram embora de mãos vazias. (veja as imagens)

Os ataques a caixas eletrônicos cresceram 36% em São Paulo. Este ano, já foram 302 casos. A Corregedoria da Polícia ainda não terminou a investigação dos quatro PMs suspeitos de roubar os ladrões.

– São policiais que, se estiverem comprovadamente envolvidos neste fato, esqueceram o juramento que prestaram, a farda que estão honrando, e serão responsabilizados por isso – afirma Marcelo Zanchetta, capitão da PM.

As câmeras dos bancos registram os ataques, mas quase sempre a polícia chega quando já é tarde. Os ladrões agem em bando porque, para atacar um caixa eletrônico, é preciso força e agilidade: cada caixa pesa meia tonelada.

Alguns ladrões montam um cenário para o roubo. Improvisam uma cortina com os cartazes de propaganda o banco. Quando pegam o dinheiro, os anúncios voltam para o lugar. Os bandidos fogem, antes da chegada da polícia.

Os três soldados estão presos na corregedoria e o sargento, no Presídio Romão Gomes, porque também foi flagrado com drogas. O assalto aconteceu na última sexta-feira, dia 12, em Guaianases.

Homem é morto em BH por pisar no pé de PM

Familiares, amigos e vizinhos de Cláudio Eustáquio protestaram contra o crime e pediram justiça

Familiares, amigos e vizinhos de Cláudio Eustáquio protestaram contra o crime e pediram justiça

Pedro Rocha Franco para o Estado de Minas

O assassinato do mecânico Cláudio Eustáquio da Silva, de 39 anos, que segundo testemunhas levou um tiro na barriga por ter pisado no pé de um sargento da Polícia Militar, revoltou parentes e vizinhos dele na Vila São José, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Domingo, durante o sepultamento no Cemitério da Paz, houve protesto. O crime foi às 16h47 de sábado, em um bar da Praça São Vicente com Avenida Ivaí, no Bairro Padre Eustáquio, na mesma região. A primeira versão da PM é de que a vítima tentou assaltar o cabo Ednaldo Nogueira Borges, de 35 anos, que estava em companhia de um sargento, cujo nome não foi divulgado. Borges teria reagido, sacado a arma e atirado. Os militares trabalham no 34º Batalhão da PM e estavam à paisana no bar, bebendo e comendo feijão tropeiro. A própria PM assumiu as investigações do homicídio.

De acordo com uma vizinha da vítima, que pediu para não ser identificada temendo represália, o mecânico era honesto, trabalhador e tinha passado no bar para tomar uma cerveja, depois de receber seu 13º salário. “Era a pessoa mais honesta do mundo, de uma dignidade surpreendente, casado e com dois filhos”, lamentou. Segundo ela, Cláudio comentou com os amigos que ia sair para apostar no jogo do bicho e pisou no pé do policial sem querer. “Ele pediu desculpas, mas o sargento não aceitou. Eles discutiram e o cabo sacou a arma e atirou”, disse a vizinha, que junto a outros moradores fez faixas e cartazes de protesto. Cláudio chegou a ser socorrido no Hospital Alberto Cavalcante e transferido para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), mas não resistiu ao ferimento e morreu.

O comandante do 34º Batalhão da PM, tenente-coronel Cícero Nunes Moreira, disse que o cabo Ednaldo Borges foi preso em flagrante e está recolhido na própria unidade onde trabalha. Para o tenente-coronel, o militar contou que o mecânico entrou no bar meio transtornado e pisou no pé do sargento. “O sargento achou que fosse uma brincadeira e falou alguma coisa com o rapaz, que saiu e voltou logo em seguida, dando uma trombada no sargento e agarrando-o pelo pescoço. O cabo se identificou como policial e mandou o sujeito parar. O homem, que era muito forte e tinha cerca de 1,90m de altura, viu a arma na cintura no cabo e tentou tomá-la. Os dois brigaram pela posse da arma, que disparou acidentalmente”, disse o comandante. O cabo arrolou o sargento e outras duas pessoas do bar como testemunhas, segundo Cícero Nunes.

Ainda de acordo com o tenente-coronel, o mecânico conseguiu sair do bar e caiu na rua, sendo socorrido pelos próprios PMs, que pediram uma ambulância. “O sargento tentou reanimar o mecânico, fazendo massagens cardíacas”, disse o comandante, ressaltando que foi feito o auto de prisão em flagrante e encaminhado à Justiça Militar. A arma, que pertence à corporação, foi apreendida. O cabo, segundo Cícero Gomes, foi submetido a exames toxicológico, de corpo de delito e residuográfico, para detectar presença de pólvora nas mãos. “Ednaldo reagiu em defesa do colega. Ele mesmo declara que o tiro foi acidental”, disse Cícero. 
 
Foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Destaque do Dia: De madrugada, Senado cria 7.343 vagas de vereador

senado

Em votação concluída às duas e meia da madrugada desta quinta (18), o Senado aprovou o projeto que cria 7.343 novas cadeiras de vereador no país.

Foi ao lixo uma conquista de 2004. Naquele ano, nas pegadas de uma decisão do STF, o TSE reduzira o número de vereadores no Brasil de 59.267 para 51.924.

Os senadores votaram sob pressão das galerias, apinhadas de suplentes de vereadores. Suplentes que, convertidos em titulares, assumem em janeiro.

Um dos argumentos usados pelos senadores para recriar as vagas foi o de que o Judiciário reduzira o número de vereadores, mas não mexera nos gastos.

Um problema que seria facilmente solucionado se, em vez de ressuscitar vereadores, o Congresso reduzisse o percentual de gastos das câmaras municipais.

Deu-se, porém, o oposto. Na versão aprovada pelos deputados federais, o projeto continha um artigo que podava as despesas das prefeituras com os vereadores.

Atrelava-se o custo das câmaras a percentuais de receita das prefeituras. No Senado, o relator César Borges (PR-BA) passou esse artigo na lâmina.

Alegou que a redução, por expressiva, inviabilizaria o funcionamento de muitas câmaras de vereadores.

Aloizio Mercadante (PT-SP) ainda tentou injetar no projeto uma emenda que limitava os gastos com vereadores ao montante dispendido em 2008.

Seguiu-se uma chiadeira generalizada. Alegou-se ora que a emenda não poderia ser inserida em plenário ora que a modificação devolveria o projeto à Câmara.

E a emenda de Mercadante foi retirada. Diz-se que voltará a ser discutida no ano que vem, depois do recesso natalino do Legislativo.

Em tese, a supressão de um artigo, feita por César Borges, forçaria o retorno da proposta à Câmara. Mas o Senado deu de ombros.

Sob a alegação de que a essência da proposta permaneceu inalterada, decidiu-se promulgá-la já nesta quinta (18), convertendo-a em lei.

Houve outras anomalias. A recriação das cadeiras de vereador veio na forma de uma emenda à Constituição. Coisa que exige votação em dois turnos.

O primeiro turno exigiria a realização de cinco sessões, em dias alternados. O segundo, demandaria a realização de mais três sessões.

Pois bem, mediante acordo de lideranças, os senadores realizaram as oito sessões numa única madrugada, com intervalos de escassos três minutos entre uma e outra.

Alegou-se que a ressurreição dos postos de vereador era um imperativo. Por que? A decisão do Judiciário teria deformado o sistema representativo nos municípios. Lorota.

A inspiração é de outra. Vereador funciona no município como cabo eleitoral de deputados e senadores. Daí o ritmo frenético e o placar generoso.

A exemplo do que ocorrera na Câmara, a proposta passou no Senado com folgas.

No primeiro turno, o placar foi: 54 votos a favor, cinco contra e uma abstenção.

No segundo, a lavada ampliou-se: 58 a favor, cinco contra e uma abstenção.

Está irritado? Pois houve mais: aproveitou-se a madrugada para aprovar o projeto que regulariza a criação de 57 novos municípios.

Vi no blog do Josias / Foto: Lula Marques/Folha

Homem é preso em BH por agredir a mãe de 85 anos

Rafael Passos – Portal Uai 

Um homem foi preso na noite desta quarta feira porque teria batido na própria mãe de 85 anos em Belo Horizonte. O caso de violência doméstica ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Primeiro de Maio, na Região Norte da capital.

Informações do guarda municipal Diógenes Martins dão conta de que Raimundo Francisco Soares, de 50 anos, agrediu Maria Joana de Souza no banheiro da unidade, onde ela está internada há cinco dias. Segundo o agente, funcionários da enfermagem ouviram gritos da mulher e acionaram a Guarda Municipal.

Aos guardas, Raimundo Soares não soube explicar o motivo da ação violenta. Mesmo assim, ele acabou preso. “Encontramos os dois no banheiro. Ela estava sentada em uma cadeira de rodas, com um aranhão no braço esquerdo”, relatou Diógenes Martins.

De acordo com Diógenes, Maria de Souza foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) e sofre de anemia e desidratação. Ela aguarda transferência para um dos hospitais da rede pública de BH.

Raimundo Soares foi conduzido à 7ª Seccional de Venda Nova para prestar depoimento, enquanto a mãe dele permanece na UPA Primeiro de Maio.

Destaque do Dia: RBS TV flagra furto de donativos em Blumenau

 

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

Imagens feitas com microcâmera mostram soldados do Exército levando produtos em mochilas

 Uma reportagem veiculada pela RBS TV na noite deste domingo mostrou voluntários e soldados do Exército que trabalham na Vila Germânica, em Blumenau, no Vale do Itajaí, furtando roupas e mantimentos doados para às vítimas da enchente que atingiu Santa Catarina. As imagens mostraram pessoas saindo com o carro cheio de donativos.Os furtos ocorreram no Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, que é administrado pelo governo catarinense. O local funciona como uma central de triagem de produtos doados do Brasil inteiro.

Havia duas maneira de levar o material destinado aos flagelados das cheias. A primeira ocorria logo que os caminhões chegavam com os donativos. Os soldados descarregavam os produtos e empurravam para um monte. Outro grupo experimentava o material e, se servisse, colocava dentro de mochilas. Em seguida, saíam normalmente com mochilas cheias.

A reportagem gravou o seguinte diálogo entre os soldados:

— O que tu vai fazer com esse sutiã aí, véio? — pergunta um deles.

— Vou levar pra minha mãe. Esse eu peguei pra minha namorada — responde o colega.

O grupo aparece pegando roupas, tênis e outros objetos. Cada um sai com pelo menos duas mochilas cheias. O outro grupo que furtava os donativos eram os voluntários e os conhecidos deles. Eles chegavam de carro e selecionavam o que agradava.

As imagens mostraram uma mulher empurrando um carrinho de supermercados até o automóvel. Enquanto ela descarregava os produtos no porta-malas, o marido chegava com mais mantimentos.

As imagens foram feitas com uma microcâmera na última sexta-feira pelo cinegrafista Edson Silva. Somente os produtos de melhor qualidade eram desviados.

“Estarrecedoras”
O tenente-coronel Edson Rosti, comandante do 23º Batalhão da Infantaria (BI), classificou as imagens como “estarrecedoras” e afirmou que não deixam dúvidas do que aconteceu. Ele declarou que o 23º Batalhão de Infantaria (BI) vai apurar e o relatório será apresentado em 20 dias. Um inquérito policial militar deve ser instaurado.

O secretário de Desenvolvimento Regional de Blumenau, Paulo França, disse que vai mudar a estrutura de trabalho do pavilhão 1 da Vila Germânica para evitar os furtos. Ele falou que, se for preciso, vai contratar pessoas para fazer o serviço.

Para ver a reportagem que foi ao ar clique aqui.

Vi no site do jornal Zero Hora

Cabo absolvido da morte de João Roberto pertenceria à milícia Liga da Justiça

rio_joao_pm

Marcelo Gomes e Marco Antônio Martins – Extra
 
RIO – O cabo PM William de Paula, absolvido pela Justiça na última quarta-feira pelo assassinato do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi indiciado no relatório final da CPI das Milícias da Assembléia Legislativa (Alerj). Além de William, outras 225 pessoas foram incluídas no relatório.

William foi citado por testemunhas ouvidas pela CPI. De acordo com os depoimentos, o cabo pertenceria à milícia “Liga da Justiça”, que atua na Zona Oeste do Rio, principalmente em Campo Grande. Segundo testemunhas, o policial não teria papel de destaque no organograma do grupo.

– Há provas contra todos os 226 indiciados no relatório da CPI, inclusive contra o William. Nem ele, nem todos os outros policiais citados podem continuar trabalhando a serviço do Estado – disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI.

O relatório, que seria votado na Alerj na última quarta-feira, voltará a ser apreciado pelo plenário da Casa nesta terça, às 16h30m. A votação foi adiada porque, na última hora, o deputado Jorge Theodoro, o Dica (PMDB), apresentou uma emenda para retirar da lista dos indiciados o vereador de Caxias Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão (PV).

O relatório é resultado de cinco meses de trabalho da CPI. As provas obtidas contra os indiciados serão encaminhadas ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral, com o pedido de prisão de mais de cem dos suspeitos investigados por formação de quadrilha, extorsão e homicídio.

Grupo é acusado de diversos crimes
A milícia “Liga da Justiça”, que atuaria há pelo menos oito anos na Zona Oeste do Rio, sobretudo em Campo Grande, começou a ser desbaratada em dezembro do ano passado, com a prisão do vereador Jerominho (PMDB). Ele e o irmão, o ex-deputado estadual Natalino (sem partido), que foi preso este ano, são acusados de chefiar o grupo paramilitar, que contaria com a participação de mais de 40 pessoas – a maioria policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários.

A milícia é acusada de diversos crimes, como homicídios; tráfico de drogas e de armas; tortura; ameaças de morte; exploração de máquinas caça-níqueis e de serviços delegados, como televisão a cabo e transporte alternativo.

Fonte: Jornal Extra

Dois crimes com marcas de crueldade chocam MG

Luiz Ribeiro e Fábio Fabrini oara o Estado de Minas 

Dois crimes separados por cerca de 600 quilômetros, mas equiparados em nível de crueldade chocam duas cidades mineiras. Na Região Metropolitana de BH, em um assalto com requintes de covardia, a mãe de um cabo do Corpo de Bombeiros foi queimada, na manhã de sábado, em Brumadinho, depois de ter o corpo encharcado com gasolina. Em Jequitinhonha, a 677 quilômetros da capital, o assassinato de um garoto de 10 anos deixou revoltada a população local e provocou ameaças de linchamento contra o assassino confesso, um adolescente de 17 anos.

No crime registrado na Grande BH, três homens invadiram o sítio em que a vítima passava o fim de semana com o marido, jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo, supostamente para forçá-la a entregar dinheiro arrecadado numa festa religiosa. Até o fim da tarde de sábado, nenhum suspeito havia sido preso.

O crime ocorreu por volta das 6h, numa área de pouco movimento do distrito de Conceição do Itaguá. Os ladrões, armados, arrombaram a casa e renderam o casal Carlos José de Sales, de 58 anos, e Neide Fátima Rezende Fátima, de 54. Enquanto um dos criminosos, encapuzado, vigiava o sítio do lado de fora, os outros dois reviravam tudo. De acordo com a ocorrência da Polícia Militar, eles exigiam o que havia no cofre e a quantia arrecadada na Festa de Nossa Senhora da Conceição, feita pela comunidade católica na segunda-feira. Carlos José ajudou no evento, trabalhando no caixa, mas o dinheiro não tinha sido guardado por ele, tampouco havia cofre na casa.

Frustrado, o homem encapuzado teria achado uma garrafa com dois litros de gasolina e despejado tudo sobre Neide Fátima, com o objetivo de fazer tortura psicológica e descobrir o que procurava. Pouco depois, num momento de maior tensão, ateou fogo à mulher, que teve queimaduras no rosto, costas, braços e peito.

Carlos José e os dois homens que não usavam capuz apagaram o fogo. Mas a ação não parou. Logo depois, as vítimas foram presas no banheiro para que a casa fosse saqueada. Os ladrões levaram duas televisões, um violão, um rádio, dois celulares e jóias de Neide Fátima. Fugiram por uma estrada vicinal, com o Ford Explorer do casal, que pediu socorro a um dos filhos.

Eles foram levados numa viatura da PM para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Até o fim da tarde de sábado, Neide Fátima permanecia internada em estado gravíssimo no centro de terapia intensiva. De acordo com a equipe médica, ela teve queimaduras de terceiro grau e passou por cirurgia para limpar os ferimentos. O marido dela levou coronhadas, mas não precisou ser atendido. Eles são pais do cabo João Carlos de Sales, de 22, que é clarinetista da Banda do Corpo de Bombeiros, em Belo Horizonte.

Confissão
No Vale do Jequitinhonha, a polícia identificou sexta-feira o assassino do garoto Isaac Sena Gil, de 10 anos. Depois de um dia desaparecido, ele foi encontrado morto, à beira do Córrego Labirinto, nas proximidades da área urbana do município de Jequitinhonha. Um adolescente de 17 anos – vizinho da vítima e que, inclusive, havia ajudado nas buscas – foi apontado como o autor e confessou o crime.

O menor está detido na delegacia de Jequitinhonha, onde, revoltados, moradores ameaçaram linchá-lo. Isaac foi estrangulado após ter sido violentado sexualmente. De acordo com as investigações, o autor do crime atraiu a criança para um matagal e teria cometido o assassinato porque o menino disse que denunciaria o abuso.

Tem coisas que a gente não pode deixar passar em branco. Este incidente ecológico, por exemplo: no dia 18 de novembro a empresa Servatis Agro & Fine Chemicals , que fabrica inseticidas, fungicidas e fertilizantes, adquirida pela BASF em 2001, foi a responsável pelo vazamento de pelo menos 1,5 mil litros do inseticida Endosulfan no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio. Em nota publicada na tarde do dia 19/11 no site da Servatis, a empresa tratou de “tranquilizar” a população, afirmando: “O produto em contato com a água entra, imediatamente, em processo de hidrólise (decomposição pela água), não oferecendo nenhum risco de contaminação a seres humanos. De acordo com a gerência de meio ambiente da empresa, análises realizadas nesta quarta-feira apontaram que a concentração do endosulfan no Rio Paraíba do Sul caiu para zero, não oferecendo mais riscos à fauna”. Pelo jeito, a zelosa empresa Servatis esqueceu de avisar os animais da região de que eles já estavam a salvo. Nove dias depois, em 28 de novembro, o blog do professor Roberto Moraes, que mora em Campos dos Goytacazes, publicou fotos de animais encontrados mortos às margens do Rio Paraíba do Sul.

O pesticida Endosulfan, que segundo a Servatis trata-se de um produto que se decompõe com a água, foi banido na União Européia devido ao seu alto potencial tóxico. E a empresa que, diga-se de passagem, é reincidente e já havia sido multada anteriormente em R$ 307 mil há alguns meses pelo vazamento de gases tóxicos, desta vez recebeu uma multa de 33 milhões de reais devido a esse desastre ecológico que matou milhares de peixes e outros animais, deixando ainda várias cidades do Rio sem abastecimento de água potável. A Servatis protestou, como já era de se esperar, dizendo que esse valor comprometerá a existência da empresa. E propôs assinar um “Termo de Ajustamento de Conduta” ao invés de pagar essa multa. É como explicou ironicamente Xico Vargas: “Ou se aceita essa gracinha ou a empresa vai para o beleléu, põe uma penca de empregados na rua, deixa de recolher impostos e aumenta a crise. É mais ou menos como o marido que quebra toda a louça, hospitaliza a mulher de tanta pancada e sugere ao juiz comprar um novo aparelho de jantar e dar umas cestas básicas para alguma casa de caridade”.

Saiba mais sobre os efeitos nocivos do Endosulfan nos sites da Pesticide Action Network North America e da Environment Justica Foundation. Paula Góes escreveu um artigo fundamental sobre o incidente da Servatis no Global Voices em Português. E não se esqueça de enviar o seu recado para que o pessoal do Ministério do Meio Ambiente não deixe passar mais este incidente em branco.

Vi no Pensar Enlouquece, Pense Nisso