Consumidor aproveita prechinchas no comércio

Paula Takahashi e Marinella Castro para O Estado de Minas

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O momento pode ser incerto e o futuro da economia, ainda mais nebuloso, mas de uma coisa o consumidor pode estar certo, o mercado está fazendo o que pode, e, em alguns casos, o que não pode, para manter o aquecimento das compras, seja no comércio, no financiamento habitacional, seja no de carros. Redução em até 50% do valor das mercadorias para quem antecipar as compras, cupons premiados e até a manutenção de parcelamentos estendidos, sem juros, estão valendo para garantir crescimento nas vendas.

“A hora certa de comprar é agora. O dólar subiu 35%, mas a alta não será repassada ao consumidor. As promoções estão mantidas e os prazos também”, anuncia Ricardo Nunes, dono da rede mineira de eletrodomésticos Ricardo Eletro. Ele completa o recado inflamado dizendo que o mesmo não poderá ser mantido para o ano que vem. “Quem pensa que os preços vão cair está enganado. No ano que vem, os reajustes serão inevitáveis”, admite.

As promoções como apelo de vendas vale para todos, independentemente do tamanho do negócio. Marcelo Mazuhy é dono da Villa Kids, loja infantil, localizada nos bairros Buritis e Funcionários. Para não deixar o cliente escapar, a loja lança promoções semanais com produtos diversificados. Esta semana o tênis infantil variando de R$ 37 a R$ 40 pode ser levado por R$ 27,90. “As promoções vão durar até o dia 24”. Na rede de lojas Toulon, especializada no público masculino, quem antecipar as compras pode parcelar a conta por mais vezes e ainda levar alguns itens com até 50% de desconto. Uma estratégia que já começou a funcionar, segundo o gerente Giovani Joaquim da Silva.

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Feliz por realizar o sonho perseguido há um ano e sem preocupações com a crise mundial, a família do auxiliar de produção Elio Rubens da Silva foi ontem comprar a TV Phillips LCD de 32 polegadas. “A TV é o presente de Natal para minha esposa. A criança já ganhou roupas e brinquedos. O dinheiro que sobrou será para a ceia do Natal. Não me preocupo com esta crise porque estou trabalhando”, diz Elio, que dividiu a compra em 12 parcelas fixas de R$ 115. Segundo Ricardo Nunes, as compras acima de 10 parcelas têm taxa de juros média de 3,99% ao mês.

No Magazine Luiza, até o Natal haverá distribuição de cupons que atraem o consumidor com a oferta de prêmios. A loja informa que as linhas de empréstimo pessoal, parcelamento no cartão de crédito e consórcio continuam valendo para quem não pode pagar à vista.

A doméstica Elisete de Fátima comprou ontem o seu presente de Natal, uma TV de 29 polegadas, no valor de R$ 660, que vai pagar em três parcelas. “Ainda vai sobrar R$ 200 para viajar no Natal.” Elisete também não está preocupada com a crise, mas comenta que o risco é a vida ficar mais cara.

Um dos mais afetados pela queda do consumo, o setor automobilístico, além de flexível às negociações e descontos, ainda aumenta o pacote de ofertas de opcionais e cortesias oferecidas ao cliente, tudo para garantir o fechamento do negócio. Mauro Pinto de Moraes, presidente do Sindicato de Concessionários e Distribuidores de Veículos Automotores de Minas Gerais (Sincodiv-MG), explica que as montadoras estão abrindo mão de duas estratégias para chamar a atenção. Uma delas são as taxas de juros subsidiadas. “As taxas estão menores hoje do que estavam em setembro, antes do fortalecimento da crise”, afirma Mauro. Outra medida é a oferta de mais atrativos na mesa de negociações para agradar o cliente. “Tem também as menores entradas no pagamento que chamam a atenção”, ressalta.

Tudo isso sem contar os preços dos veículos, que estão menores do que antes. “Estamos abertos a qualquer negociação. É a chance para fazer um grande negócio”, garante Carlos Alberto Vanselow, diretor de vendas das concessionárias Roma. Oportunidade que a operadora de financiamentos Rita de Cássia não perdeu. “É a primeira vez que compro um carro e ganho tantos benefícios. Para quem está interessado em comprar, este é o momento”, garante Rit,a que comemora os R$ 4 mil de desconto, mais o insulfilm, IPVA e emplacamento que ganhou no momento da compra. “Quando a taxa estava boa, eu nunca teria ganhado tanto desconto e benefícios. No fim das contas, acabei saindo no lucro e ainda fiz um ótimo negócio”, avalia.

Carros de segunda mão, porém, não vivem o seu melhor momento no mercado. “No caso dos usados, a coisa está ainda pior porque eles estão, no mínimo, 20% mais baratos. Para quem compra, é um momento muito propício, mas muitas concessionárias já não aceitam esses veículos na troca porque estão com o pátio cheio”, afirma Mauro.

Fotos: Jorge Gontijo/EM/D.A Press – Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

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