Brasil terá 7 milhões a mais de mulheres em 2050, revela IBGE

Celso Martins para o Hoje em Dia

Daqui a 42 anos, o Brasil terá 6,8 milhões de mulheres a mais que homens. Para cada grupo de 100, o país terá 93,9 pessoas do sexo masculino. Hoje essa proporção é de 96,4. A população brasileira com mais de 65 anos, que atualmente é de 12,4 milhões, deve chegar em 2050 a 48,9 milhões. Essas são algumas das conclusões do Instuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ontem divulgou a projeção da população 1980/2050. A população de Minas passará de 19,8 milhões para 22,5 milhões, 13,6% a mais, enquanto a do país crescerá 14,5%. Uma das conclusões do IBGE é de que, em 2039, o Brasil terá taxa de crescimento zero.

A expectativa de vida das mulheres, que na década de 80 era de 65,69 anos, passará para 84,54 anos. A dos homens chegará a 78,16, uma década de vida a mais em relação à expectativa deste ano. Com as mulheres vivendo mais, a Região Metropolitana de Belo Horizonte, que hoje tem 100 pessoas do sexo feminino para 93,2 homens, deve seguir a tendëncia nacional de crescimento. No Estado, essa proporção é de 96,5 para cada uma centena de mulheres.

Para o analista do IBGE em Minas, Antônio Braz de Oliveira Silva, a projeção da população idosa deve servir de alerta para que o país planeje a assistência às pessoas com mais de 65 anos. A taxa de crescimento dos brasileiros nesta faixa etária será de 294% em 42 anos. O Brasil terá mais gasto para pagar a aoposentadoria, além do aumento das despesas para dar assistência médica e hospitalar para os idosos”, analisou Antônio Braz.

Apesar de o IBGE não ter feito a projeção populacional de Minas até 2050, Antônio Braz acredita que no Estado a taxa zero de crescimento deverá ocorrer antes de 2039. Enquanto no país a população aumentou 1,05%, a de Minas cresceu 0,99% neste ano em relação a 2007. Ele explica que a projeção é feita com base nos censos anteriores e nos números de registros de nascimento e de morte.

No início de 2050, o Brasil terá 6,8 milhões de mulheres do que de homens em relação a este ano. Neste ano, as pessoas do sexo femino são 3,4 milhões a mais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são 180 mil a mais e em Minas 356 mil. Para Antônio Braz, o aumento se dará em função das mortes dos homens entre 18 e 30 anos provocadas por acidentes e homicídios, que apresentam crescimento a cada ano no Brasil.

“As mulheres estão cada vez mais tendo menos filho e mais tarde. Essse comportamento é em função de mais acesso a informação e a facilidade de evitar a gravidez”, explicou a socióloga Suzana Aguiar Santos, 45 anos, especialista em estudos demográficos.

A estudante Carolina de Souza Amaral, 22 anos, moradora de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirma que só pretende ter um filho quando completar 30 anos. “Quero concluir meu curso de enfermagem para depois pensar em casar”, declarou. Apesar de ainda ter planos para namorar, a estudante ilustra bem a pesquisa do IBGE. Ela afirma que nos bares e festa que freqüenta o número de mulheres chega ser o dobro da quantidade de homens.

O aposentado Antônio Vilaça Amaral, 68 anos, de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, já sente as dificuldades de quem vive da aposentadoria.

“Recebo um salário de R$ 1.200, mas todo ano preciso fazer empréstimo para comprar remédio e para pagar plano de saúde”, reclamou.

A população de Minas, que hoje representa 10,5% em relação à do país, passará para 10,4% em 2031. Em relaço ao número de habitantes do Sudeste, o percentual permacerá em 24,8%.

Minas tem queda na população jovem
Outra constatação do IBGE é a redução da população jovem no Brasil. Atualmente, o Estado tem 26,5% de pessoas entre 0 e 14 anos e em 2050 esse percentual vai cair para 13,2%. O instituto não fez essa projeção para Minas, mas tendência é de que o Estado siga a tendência nacional. na faixa etária entre 0 e 14 anos o Estado tem 4,8 milhões de pessoas, 24,4% da população.

Segundo o IBGE, a população com idades de ingresso no mercado de trabalho entre 15 a 24 anos passa pelo máximo de 34 milhões de pessoas no país, número que deve diminir.

“O aproveitamento desta oportunidade demográfica proporcionaria o dinamismo e o crescimento econômico, mas a maioria dos jovens que deixa a escola não está preparado para o mercado de trabalho”, analisou o economista Marcelo Amaral Bueno, 32 anos, especialista no treinamento da mão de obra.

E foi por falta de um curso de especialização que o vendedor Flávio Souza, 31 anos, não conseguiu um emprego de supervisor em uma empresa de telemarketing.

Idosos chegarão a 13,8 milhões
Por outro lado, o número de pessoas com mais de 80 anos, que em 2000 era de 1,6 milhão, em 2050 deverá chagar 13,8 milhões . O economista Marcelo Amaral afirma que a profissão de cuidador de idoso deve ser a mais procurada na próxima década.

“Hoje está difícil encontrar profissionais para atender os pedidos, uma média de três por dia em Belo Horizonte. No ano passado tínhamos dificuldade de conseguir uma vaga para quem concluía o curso de técnico de enfermagem”, afirmou. Para uma jornada de seis horas por dia, um cuidador de idoso recebe a partir de R$ 1 mil por mês.

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