Mãe diz que jogou bebê pela janela

Reportagem de Patricia Giudice para O Tempo:
A mãe da criança abandonada no ribeirão Arrudas na tarde de domingo foi presa ontem pela Polícia Civil e encaminhada para um hospital. Elisabete Cordeiro dos Santos tem 25 anos, é solteira e mora com a mãe na Vila Dom Bosco, em Contagem. No momento da prisão, que ocorreu na casa dela, Elisabete não mostrou arrependimento de ter jogado a filha no rio, segundo o delegado Anderson Pires Bahia, da 4ª seccional. “Não alegou motivo para fazer isso. Ela disse que queria abortar. Conversou normalmente, assumiu o fato e está tranqüila. Não se arrependeu”, afirmou.

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Segundo o delegado, a mãe falou que jogou a menina pela janela da casa dela. Até o início da noite de ontem, a criança permanecia internada no Hospital Municipal de Contagem, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A mãe foi levada para o Instituto Médico-Legal (IML), onde passou mal. Depois foi conduzida para um hospital em Belo Horizonte onde também vai ficar internada. O delegado informou que pediu que fossem realizados exames de lesão corporal, puerpério e sanidade mental.

Nas explicações iniciais dadas à polícia, ela afirmou que cometeu o aborto dentro do banheiro de sua casa, após tomar um medicamento. A mãe teria colocado o bebê em uma sacola e jogado pela janela. A parte de trás da casa onde mora coincide com um barranco que dá para o ribeirão. Mas a polícia desconfia que a mãe pode ter colocado a criança na beira do rio. São cerca de 2 m de altura da residência até a água e a sacola pode ter percorrido cerca de 10 m até o local onde foi encontrada.

Funcionários do hospital onde Elisabete está internada informaram que ela apresentou uma hemorragia uterina e pode estar com depressão pós-parto. Ela iria passar a noite no hospital com escolta policial. A instituição divulgou um boletim no início da noite informando que ela foi internada às 11h40, submetida a uma curetagem, passava bem e não tinha previsão de receber alta médica. A mãe foi presa em flagrante e pode pegar de cinco a 13 anos de prisão. De acordo com o delegado, trata-se de uma tentativa de homicídio com o agravante de ser contra uma pessoa indefesa. O inquérito deve ser concluído em dez dias.

Elisabete é conhecida como Tuca e estava em casa no domingo quando ocorreu toda a movimentação da imprensa e curiosos. Moradores da região contaram que enquanto a bebê era resgatada, Elisabete observava a ação pela janela, mas não saiu de casa.

A mãe da criança disse ontem aos policiais que teve um relacionamento rápido com o pai do bebê e, com vergonha, acabou escondendo a gravidez. Os agentes estão tentando localizar o pai. Ele mora no bairro Paulo 6º, na região Noroeste de Belo Horizonte, e não sabia da gravidez. Depois que sair do hospital, Elisabete vai prestar depoimento oficial na delegacia e ser encaminhada para uma penitenciária.

A notícia de que ela havia sido presa pegou de surpresa os parentes e amigos. Vaneide dos Santos também é vizinha da mulher e contou que nunca percebeu que ela tivesse grávida. A vendedora disse que Elisabete sempre foi muito magrinha e não tinha barriga. “Ela não era de sair muito e quando saía sempre se comportava muito bem. Ela não devia estar em um estado normal para fazer isso”, lamentou.

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