O “Drible da Foca”

Nesta semana, junto com os comentários políticos sobre Renan Calheiros e CPMF, um assunto ficou em evidência em todas as rodas, jornais, internet e mesas de debate na TV: o “drible da foca”, aplicado pelo jogador Kerlon, do Cruzeiro, quando tentou entrar área adentro do Atlético quicando a bola na cabeça. No momento do drible, sofreu dura falta por parte do jogador atleticano Coelho.
Esperei exatamente uma semana para me posicionar, depois de ouvir muitas opiniões.
Muitos se posicionaram a favor, enquanto muitos outros contrários.
Uns alegaram que se o time estivesse perdendo ele não faria o drible, outros questionavam se era jogada producente ou não. Várias enquetes foram feitas.
Entre os que aprovavam o drible, a alegação de que a jogada era futebol arte. Já entre os que reprovavam, a alegação de que era provocação, que o jogador estaria humilhando seus colegas. Alguns até defenderam o direito de “arregaçar”, como disse o jogador Luiz Alberto do Fluminense. Vários jogadores e vários comentaristas, alegando ser provocação, justificaram a entrada mais dura do lateral atleticano: existe um código de ética entre os jogadores e eles não aceitam provocações, não aceitam humilhação.
O técnico do Flamengo, Joel Santana, desaprovou a atitude do cruzeirense Kerlon. O mesmo Joel Santana que foi flagrado pelas câmeras de TV, na partida contra o Santos, mandando seus jogadores darem “porrada” caso os santistas abusassem de jogadas de efeito.
Curiosamente, ao contrário do que muitos escreveram, a ética das peladas não é nem um pouco complacente com quem sai dando porrada porque levou um drible “humilhante”. Pelo contrário, esse cara provavelmente seria expulso da pelada.
E a questão principal não é saber se a jogada era producente, se é futebol arte, se é provocação ou humilhação.
Não sou cruzeirense e nem atleticano, torço pro América, dos poucos que ainda restaram depois de várias campanhas medíocres. Mas levar um drible é ser humilhado? Dá o direito de responder com violência?
Pois ainda que fosse provocação ou humilhação, nada justifica uma entrada violenta por outro jogador. Os jogadores são os responsáveis pelo espetáculo e devem incentivar a paz, e não a violência.
Aos que alegaram que a provocação merece mesmo uma entrada mais dura, então o que dizer das duas torcidas que passam todo o jogo fazendo provocações uma à outra? Pelo mesmo critério justifica então os atos de violência entre elas?
Não, não justifica.
De acordo com alguns comentários que ouvi, parece que agora é proibido rir no futebol. Pois eu quero mais é gargalhar, como na jogada de Edilson em Mascherano, do Romário sobre o Amaral, do Ronaldinho, do Pelé, do Garrincha, das pedaladas do Robinho. Em outros tempos, jogadas como estas eram chamadas de espetáculo. Agora está virando crime!
E se a jogada está autorizada pela lei, se está na regra, então pode fazer, e quem fizer falta que seja punido. Se for violenta, deve ser expulso. Se intencionalmente violenta “para recuperar a honra perdida”, isto é, se “arregaçar”, deve ser suspenso por muito tempo.
Ou então, que se mude a lei!

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