Tragédia de Congonhas: Especialistas avaliam as causas do acidente

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De O Globo/O Globo Online:
“Dificuldade de frear na pista molhada e uma tentativa desesperada de voltar a levantar vôo, que acabou resultando no choque com um prédio. Segundo especialistas, essa a explicação mais plausível para o acidente envolvendo o Airbus 340. A dificuldade na frenagem, apontam, pode estar relacionada à falha humana ou à falta de ranhuras na pista de pouso, o que teria provocado acúmulo de água e dificuldades de aderência dos pneus .

— É evidente que a pista é, ao menos em parte, responsável pelo acidente — afirma o piloto e escritor Ivan Sant’Anna, autor do livro “Caixa preta”, sobre acidentes aéreos.

Especialista em controle de emergências da Coppe/UFRJ, Moacyr Duarte diz que o piloto pode não ter conseguido frear e, por isso, tentou arremeter — ou seja, voltar a subir. Se ele tivesse simplesmente derrapado na pista, teria atravessado a Washington Luís, derrubando a mureta central, deixando marcas na rua e arrastando carros no caminho, o que aparentemente não ocorreu.

— O que está parecendo é que ele tentou arremeter — afirmou o especialista. — Percebeu que não ia conseguir frear e tentou levantar de novo. Então acabou atingindo o prédio.

Um consultor aeronáutico com 43 anos de experiência em vôo e mais de mil pousos em Congonhas concorda. Ele se diz convencido de que o Airbus fez uma tomada longa (pousou bem depois do ponto de toque na pista) e tentou arremeter sem sucesso, se chocando com o hangar.

— Para ter entrado daquela maneira, o avião tocou no solo, mas o piloto viu que não havia pista suficiente e tentou arremeter.

Ivan Sant’Anna também é partidário dessa teoria:

— Na minha opinião, ele arremeteu. Mas estava no pior dos mundo. Tinha velocidade demais para parar e velocidade de menos para levantar.

A dificuldade na frenagem pode ser decorrente de falha humana (o piloto teria calculado mal o momento do toque), mas pode também estar ligada aos problemas estruturais na pista de pouso de Congonhas.

— Está claro que essa pista não pode ser usada em dia de chuva, isso é uma tragédia anunciada, ontem (anteontem) mesmo um outro avião derrapou — afirmou Sant’Anna. — Não dá para pousar ali com chuva, é arriscado demais, os pilotos falam isso o tempo todo. Os pneus surfam na água da pista, freio não consegue o atrito.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse esperar que a investigação comece com a as condições meteorológicas (camada de chuva) da pista. Para Respício, pode ter acontecido uma aquaplanagem ou hidroplanagem.

— Pelo visto a reforma na pista não adiantou nada — disse Sant’Anna. — É evidente que o acidente foi causado, pelo menos em parte, pela deficiência da pista.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos, Uébio José da Silva, disse que recebeu reclamações de pilotos sobre as condições da pista principal do aeroporto de Congonhas, reaberta no final de junho sem o grooving – ranhuras que aumentam a aderência dos pneus das aeronaves. Segundo o sindicalista, pilotos disseram que a pista não apresentava condições de pouso e ‘estava lisa como sabão’.

A frenagem de um avião não depende somente da aderência da roda, lembram os especialistas, mas também da reversão da turbina.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse que o maior problema do Aeroporto de Congonhas não está relacionado à infra-estrutura ou ao congestionamento de vôos.

— O problema é a cidade, que engoliu o aeroporto. Não foram respeitadas as distância de segurança em torno do dele — disse.

Respício disse que considera difícil a hipótese de problema com a aeronave:

— O Airbus 320 é topo de linha, usado pelas melhorar e maiores empresas do mundo. Os componentes aeronáuticos tem confiabilidade muito grande e as tripulações são extremamente treinadas. Voam em qualquer lugar do mundo. Eles devem ter feito e fez alguma coisa para evitar”.

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