Veja 4: Médicos e monstros

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Os primeiros homens-bomba do Oriente Médio deram origem a um estereótipo equivocado do terrorista islâmico. Ele foi inicialmente descrito como um jovem pobre, solitário e pouco instruído. O martírio seria sua forma de alcançar algum grau de prestígio social, ainda que póstumo, em sua comunidade. Esse perfil partia do pressuposto de que só alguém sem perspectivas sociais seria capaz de acabar com a própria vida num atentado. O ataque contra o aeroporto de Glasgow, na Escócia, no sábado 30, e os atentados frustrados com dois carros-bomba no dia anterior, em Londres, mostram uma dinâmica psicológica mais fugidia. Os oito presos pela polícia britânica por envolvimento na conspiração terrorista têm alto nível educacional e desfrutavam um bom padrão de vida – as oportunidades profissionais eram cortesia da Inglaterra, país cujos cidadãos pretendiam massacrar. Seis deles eram empregados do serviço inglês de saúde pública.
(…)
A presença de diplomas universitários na guerra santa islâmica não chega a surpreender. Mohamed Atta, líder dos atentados de 11 de setembro de 2001, acabara de concluir pós-graduação em planejamento urbano numa universidade alemã. A participação de engenheiros e médicos no terrorismo islâmico é alta. O número 2 da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, é médico. Ele já disse considerar vantajoso recrutar militantes nessas duas carreiras. Não apenas por mostrarem habilidade no planejamento de atentados complexos como pela facilidade com que são aceitos nos países do Primeiro Mundo. “O fato de serem inteligentes ou bem-sucedidos não os impede de se sentirem motivados pelo mesmo tipo de ressentimento de outros fanáticos islâmicos”, disse a VEJA o especialista em terrorismo Bill Durodié, da Universidade Cranfield, na Inglaterra. O terrorismo islâmico alimenta-se de uma salada de idéias. A mais significativa é o sentimento de que eles são as vítimas de uma conspiração ocidental para mantê-los pobres e destruir o Islã. Misturam-se a essa convicção totalmente descolada da realidade elementos inerentes ao islamismo – como a crença na superioridade absoluta de sua religião. Assinante lê mais aqui

Fotos: Reuters e Simon Dawson/AP

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