As fitas de Mônica: situação de Renan piorou muito

(Síntese da reportagem do Jornal Nacional, 27/06)

O Conselho de Ética do Senado recebeu hoje cópias de gravações de conversas entre a jornalista Mônica Veloso e o lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. O presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, é suspeito de ter as despesas com a pensão da filha que tem com a jornalista pagas pelo lobista.

O advogado da jornalista Mônica Veloso entregou os cinco CDs e a transcrição das gravações ao Conselho de Ética. O material teve a autenticidade comprovada pelo perito Aidano Faria.

Segundo o advogado, as gravações foram feitas para ser usadas num processo de reconhecimento de paternidade. Para Pedro Calmon, um dos diálogos gravados mostra que o senador Renan Calheiros recorria ao lobista da construtora Mendes Junior, Claudio Gontijo, quando ele precisava de dinheiro para a campanha.

A conversa foi gravada por Mônica Velloso na sede da Mendes Júnior, em março de 2005. Mônica escondeu um gravador na bolsa e, durante meia hora, conversou com Cláudio Gontijo sobre suas dificuldades financeiras. Em um dos trechos, Gontijo diz a Mônica que Renan Calheiros recorreu a ele para resolver dívidas de campanha. No diálogo, segundo Calmon, Gontijo se refere a Renan como ‘esse cara’.

“Pra que não haja mais especulações sobre o assunto, que seja revelado a existência das fitas e do laudo verdadeiro, que foi uma solicitação da minha cliente pra liquidar com esse assunto de uma vez por todas”, disse Pedro Calmon.

Cláudio Gontijo não foi encontrado. A empresa Mendes Júnior informou que ele está em licença médica, se recuperando de uma cirurgia. Renan Calheiros não pôde comentar as gravações porque está presidindo a sessão do Senado. No Conselho de Ética, a renúncia do presidente Sibá Machado, do PT do Acre, aprofundou a crise.

A renúncia de Sibá Machado desencadeou várias reuniões, dentro e fora do Congresso. Renan Calheiros foi ao Planalto conversar com o presidente Lula sobre a crise política. Ao chegar ao Congresso, criticou o Conselho de Ética.

“Não adianta o Conselho de Ética fingir que está cumprindo seu papel ou tentar cumprir o seu papel e não fazê-lo na plenitude e ficar essa zona cinzenta”, afirmou o presidente do Senado.

O vice no Conselho é Adelmir Santana, do Democratas, a quem cabe convocar eleição para novo presidente. E o PSDB resolveu disputar o cargo.

“Eu vou lançar a candidatura. Não tem ninguém que me impeça. Então se alguém achar que minha candidatura não é conveniente, que reúna forças pra derrotá-la”, disse o senador Arthur Virgílio.

Virgílio até já sugeriu um relator: Aloizio Mercadante, do PT, que não aceitou a missão. Mas o Democratas encampou a idéia.

“A candidatura de Arthur Virgílio é aplaudida pelos democratas”, se animou o senador José Agripino.

O investigado Renan Calheiros também aprovou. “O Arthur Virgílio é um grande quadro, um grande amigo, um dos maiores oradores do Senado Federal. Ele reúne todas as condições para exercer qualquer cargo no Senado”, comemorou Renan.

No plenário, o clima era de um grande acordo entre todos os líderes.

Anoiteceu e o Senado ainda estava tomado por reuniões e acertos de bastidores. O PMDB, de Renan Calheiros, não concordou com a proposta do PSDB. E avisou que vai disputar o comando do Conselho.

A sessão do Conselho de Ética ainda não começou. O PMDB pode apoiar a efetivação do senador Adelmir Santana, do Democratas, na presidência, ou indicar o senador Leomar Quintanilha, do PMDB de Tocantins.

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