Archive for 27 de junho de 2007|Daily archive page

Charge do dia

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Entrevista da Folha de São Paulo com o pai de um dos agressores de Sirlei Pinto, no Rio de Janeiro

Folha – O sr. acredita na acusação contra seu filho?
Ludovico Ramalho Bruno – Eles não são bandidos. Tem que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa nisso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham, presos. É desnecessário, vai marginalizar lá dentro. Foi uma coisa feia que eles fizeram? Foi. Não justifica o que fizeram. Mas prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos…Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores.

Folha – O sr. já falou com ele?
Bruno – Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.

PS: Num país coalhado de notícias de escândalos políticos, corrupção e tráfico de drogas o Sr. Ludovico Ramalho Bruno conseguiu produzir a entrevista da semana. Coitado.

Em um bilhete, Renan pede socorro a Arthur Virgílio

Num pequeno bilhete, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lançou nessa terça-feira um pedido de socorro a integrantes da oposição e aumentou o tom dos ataques contra os que defendem a sua punição pela Casa. Pela manhã, enquanto comandava a sessão solene de comemoração dos 40 anos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Renan rabiscou em um pedaço de papel um recado para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM): “Precisamos resistir ao esquadrão da morte moral.” E pedia ajuda nesse processo.

Ao chegar ao Senado, Renan acusara diretamente o PSOL de ser o “esquadrão da morte moral”, por tomar a iniciativa de lançar uma campanha popular batizada de “Fora Renan”, propondo a sua cassação.

Depois de guardar o bilhete no bolso, Virgílio desconversou, mudou de assunto e, em seguida, escreveu um recado para Renan. Como comandaria a sessão solene no lugar do presidente do Senado perguntou num bilhete quais deputados fariam discursos – a sessão do Senado, excepcionalmente, foi aberta também para pronunciamentos de parlamentares da bancada da região Amazônica na Câmara.

Na verdade, Renan se preocupou em pedir ajuda ao tucano justamente pelo comportamento duro do PSDB no Conselho de Ética, que o investiga pela acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Os tucanos cobraram a ampliação das investigações e deixaram claro que não pretendiam apoiar o pedido de arquivamento do processo no conselho. Por seus laços de amizade com Virgílio, Renan tenta reverter essa posição e trazer os senadores do PSDB para seu lado.

“Pilantropia” na mira

“Atentai, bem”, como gosta de dizer o senador Mão Santa (PMDB-PI): o Ministério Público Federal e a Polícia Federal atacam em breve as “filantrópicas” das áreas de Educação e Saúde.

Deu ontem na coluna do Cláudio Humberto. Olha a carapuça… 

Operação no Norte de Minas desmonta quadrilha que matava jovens

prisaomoc.jpgReportagem de Luiz Ribeiro para o Estado de Minas: 
Vinte e uma pessoas foram presas nesta terça-feira durante a “Operação Bumerangue”, realizada pela Polícia Federal em Montes Claros (Norte de Minas), com o apoio da Polícia Militar. De acordo com o delegado Marcelo Eduardo Freitas, chefe da Delegacia da PF em Montes Claros, foi desmontada uma quadrilha, que foi investigada há um ano. Os líderes da quadrilha foram apontados como os responsáveis por ordenar a matança de jovens envolvidos com o tráfico de drogas na cidade, o que foi comprovado por intermédio de escutas telefônicas (ouça aqui – MP3) feitas durantes as investigações, mediante autorização judicial. Em uma das escutas, um dos integrantes do grupo, Arilson Catrink, o “Alemão” conversa com um outro homem, não identificado, que relata o assassinato de um rapaz, com uma submetralhadora. “Ele virou uma peneira?”, pergunta Alemão, tendo a resposta positiva do interlocutor.

Nos primeiros seis meses de 2007, foram registrados 42 assassinatos em Montes Claros. Segundo a Polícia Militar, pelo menos 60% das mortes está ligada ao tráfico de drogas. O delegado Marcelo Eduardo Freitas revelou que a PF apurou que a quadrilha preparava mais assassinatos para o próximo fim de semana. Ainda conforme o policial, em um ano, houve a apreensão de cerca de 1,2 mil quilos de entorpecentes em Montes Claros.

A “Operação Bumerangue”, iniciada às 4 horas de ontem, contou com a participação 100 policiais federais e 120 policiais militares. Além dos mandados de prisão temporária, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Milton Lívio Lemos Salles, da Primeira Vara Criminal de Montes Claros. Foi cumprindo um mandado coletivo no Conjunto Cristo Rei, conhecido como “Feijão Semeado”, área que vinha sendo dominada por traficantes na cidade. Também foram desenvolvidas ações em São Paulo e Mato Grosso do Sul, tendo em vista que a cocaína e a maconha distribuídas no Norte de Minas vêm daqueles estados, informou a Polícia Federal.

Além de “Alemão, foi detido ontem outro elemento apontado como um dos chefes do tráfico no Norte de Minas: Erivelton Ferreira de Souza, o “Veto”. Mas, um dos “chefões” da distribuição de entorpecentes na região, Waldemir Tavares da Silva Filho, o “Malboro”, conseguiu escapar.

Várias das pessoas detidas pela PF são reincidentes e haviam sido presas anteriormente. Mas, facilidades legais, foram liberadas e voltaram a cometer crimes. Esta é a razão pelo fato de a operação ter recebido a denominação de “Bumerangue”, esclareceu Marcelo Freitas.

Durante a operação foram apreendidas diversas armas, munição, drogas computadores e equipamentos eletrônicos, além de uma quantia em dinheiro. Houve também a apreensão de vários carros, motos e um caminhão, que estavam em poder dos suspeitos e, segundo a polícia, foram adquiridos com dinheiro do tráfico.

Ainda conforme o delegado Marcelo Freitas, a operação vai prosseguir até o fim de semana. “O nosso objetivo é acabar com o tráfico de drogas em Montes Claros e na região”, afirmou. 

Foto: Samarone Xavier/Especial para o EM

Telefone fixo muda a partir de sexta-feira em MG

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De Karla Mendes para o Estado de Minas:
A partir de sexta-feira, começa a ser implantado o novo sistema de tarifação das ligações locais originadas de telefones fixos em Minas Gerais. A cobrança por pulso deixará de existir e será substituída pelo sistema de minutos até 31 de julho. A mudança é compulsória, ou seja, não existe a possibilidade de permanecer no sistema antigo de cobrança. As primeiras contas em minutos chegarão entre julho e agosto, de acordo com a data de vencimento e o ciclo de faturamento de cada cliente.

O valor da assinatura mensal paga pelos usuários permanece o mesmo: R$ 38,14. Porém, o cliente poderá escolher entre dois planos que a Oi está obrigada a oferecer: o plano básico, indicado para quem faz ligações mais curtas e não usa internet discada, e o Plano Alternativo de Serviço de Oferta Obrigatória (Pasoo), recomendado para o cliente que faz ligações mais longas e usa internet discada. Quem não fizer a opção antes da mudança será encaixado no plano básico automaticamente.

No caso do plano básico em minutos, a franquia de 100 pulsos será substituída por 200 minutos, ou seja, cerca de 6,5 minutos por dia. No Pasoo, a franquia é de 400 minutos, ou 13 minutos diários. Porém, engana-se quem acredita que o Pasoo, por ter uma franquia maior, será sempre mais vantajoso. O alerta é para a cobrança da tarifa de completamento, equivalente a quatro minutos, independente do tempo de duração da ligação, além da tarifação dos minutos falados. Assim, quem fizer uma escolha errada vai sentir o impacto direto na conta.

Para quem não sabe qual o seu perfil de consumo, a recomendação de Marcelo Barbosa, coordenador do Procon Assembléia, é esperar a primeira conta antes de tomar qualquer decisão. “A maioria dos consumidores que atendemos aqui não sabe qual o seu perfil. Por isso, o ideal é permanecer no básico. Se a conta ficar mais cara, o usuário deve procurar a operadora e os órgãos de defesa do consumidor para se orientar”, afirma. No Procon Municipal, a orientação é traçar o perfil tomando como base que um pulso equivale a 1,6 minuto. “A pessoa faz a média das suas contas. Se o valor ultrapassar 190 minutos, ela deve optar pelo Pasoo”, explica a advogada Maria Laura Santos.

Apesar do benefício da transparência do sistema de cobrança, que permite o detalhamento das ligações locais efetuadas, Marcelo Barbosa teme que a conta dos consumidores fique mais cara com a mudança. “Convencionou-se que um pulso equivale a cerca de dois minutos. E o pulso aleatório, que chegava a equivaler a quatro minutos?”, observa. “O ideal é que a franquia mínima fosse de 270 ou 300 minutos. Se a mudança onerar o consumidor, a conversão deve ser refeita”, afirma.

Escola culpa aluno que não aprende

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Matéria de Carolina Coutinho para Agência Estado:
O mau aprendizado da criança se deve, em maior parte, por culpa dela mesma, na opinião de professores, pais, diretores, coordenadores e até do próprio estudante. É o que aponta o estudo “Repensando a Escola: um Estudo sobre os Desafios de Aprender, Ler e Escrever”, realizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A pesquisa, divulgada na última segunda, foi feita por amostragem em dez Estados brasileiros, apenas em escolas públicas, com alunos da quarta série do ensino fundamental.

Entre os professores ouvidos, cerca de 40% consideram que, se um aluno não passa de ano, a culpa é do próprio estudante. Outros 24% acreditam que a culpa é dos pais e apenas 2% reconhecem algum tipo de responsabilidade. Cerca de um terço dos diretores e técnicos também considera que a culpa é do aluno, mas metade deles acredita que a escola é a verdadeira responsável.

A gerente de coordenação de política pedagógica e de formação da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, Marília de Sousa, disse não ser possível creditar o desempenho do aluno a apenas uma pessoa. Segundo ela, condições de estudo, capacidade dos educadores, estrutura e incentivo familiar e interesse próprio do estudante são elementos que juntos contribuem para o resultado final.

Pais
De acordo com o estudo, a maior parte dos professores também culpa pais e mães pelo fracasso escolar do filho e considera que não há participação suficiente ou, pelo menos, acha que o aluno não irá adiante porque a família não tem como ajudar. O estudo mostra, porém, que, na maioria dos casos, é na família que a criança encontra ajuda quando precisa. A escola aparece apenas em quarto lugar. Para Marília de Souza, os pais têm o dever de cobrar qualidade da escola e também devem cobrar resultados de seus filhos.

Já o papel da escola, segundo Marília, é identificar o motivo da falha do aluno e oferecer alternativas para o mesmo. Os educadores devem também manter diálogo com a família do estudante para que o problema possa ser verificado mais facilmente e proporcionar um maior tempo dentro da escola. “Para os alunos com dificuldades ou baixo desempenho, a escola deve propor atividades diferenciadas, que dêem mais oportunidade dele aprender. Aulas de reforço também podem ser uma opção”, disse.

PS: Não conheço as bases da pesquisa, mas acho que a mesma não considerou a falta de estrutura, falta de tecnologia e de professores capazes de transmitir corretamente o conhecimento no universo educacional brasileiro. Na minha opinião os alunos são mais vítimas do que culpados.

Pai de acusado de agredir doméstica é baleado no RJ

O empresário Ludovico Ramalho Bruno, pai de um dos rapazes acusados de agredir a doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, de 32 anos, na madrugada de sábado, foi um dos alvos da violência que se espalhou pela Ilha do Governador, durante o dia de hoje. Bruno chegava à 37.ª Delegacia de Polícia, para buscar informações sobre o filho, no momento em que traficantes fizeram disparos contra a fachada da instituição.

O carro em que o empresário estava foi um dos alvejados pelos criminosos, que cometeram o ataque em represália à operação policial no Morro do Dendê. A bala atravessou o vidro do carro e Bruno ficou ferido de raspão no braço esquerdo. Bruno seguiu até a delegacia porque seu filho, o estudante de direito Rubens Arruda Bruno, de 19 anos, havia sido preso pela manhã, na Ilha do Governador.

Morador da Barra da Tijuca, Rubens estava escondido na casa de um amigo, que pode ser indiciado por favorecimento pessoal. Ele é o quarto suspeito preso. O estudante de turismo Rodrigo Vassalo permanece foragido. Os cinco acusados são de classe média.

Segundo a polícia, os jovens presos confessaram terem espancado Sirlei, que estava num ponto de ônibus. Eles disseram ainda que agrediram outras duas mulheres, que também aguardavam condução. O delegado Carlos Augusto Pinto, da 16.ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca, na zona oeste), fez um apelo para que as vítimas se apresentem à polícia e prestem queixa contra os jovens. Ele pediu ainda que o taxista que testemunhou o crime e anotou a placa do carro compareça à delegacia para depor.

Sirlei ainda sente fortes dores na cabeça e no corpo. Ela teve febre durante a madrugada e passará por nova avaliação médica. A doméstica estava no ponto de ônibus em frente ao condomínio em que trabalha, quando os cinco jovens chegaram num Gol preto. Eles tomaram a bolsa de Sirlei e a agrediram com chutes e socos na cabeça. Um taxista viu a cena e anotou a placa do carro. Felippe Macedo Nery Neto, de 20 anos, dono do carro, foi o primeiro a ser localizado, ontem. Ele confessou o crime e delatou os comparsas. No mesmo dia foram presos Leonardo de Andrade, de 20 anos, e Júlio Junqueira, de 21.

Manchetes do Dia (27/06)

Jornal de Notícias: Guerra ao tráfico

O Tempo: Brasil consome mais drogas ilícitas

Hoje em Dia: Carro sem documento 2007 agora dá multa

Estado de Minas: Lixo de BH custa R$ 2,1 bi