Veja 2 – Fala o homem que teve a sua TV roubada pelo tirano

marcel_granier.jpgPor Fábio Portela:
Até a semana passada, a Rádio Caracas Televisão era a maior emissora da Venezuela. Fundada em 1953, alcançou o primeiro lugar em audiência investindo em entretenimento, especialmente novelas e programas humorísticos. A RCTV, como se tornou conhecida, também transmitia os mais respeitados telejornais do país. Sob o comando do empresário Marcel Granier, noticiou, desde o fim dos anos 90, as constantes investidas do presidente Hugo Chávez contra a democracia venezuelana. No início, Granier liderou outros empresários do setor de comunicação. Neste ano, ficou isolado. Outras emissoras que se opunham a Chávez capitularam, e a RCTV passou a formar, junto com a Globovisión, a última trincheira a defender a sociedade dos atentados do governo contra as instituições democráticas. “Refletíamos o que ocorria no país. Defendíamos a democracia, a liberdade, o pluralismo e o intercâmbio de opiniões”, diz Granier. No último fim de semana, ele perdeu sua emissora. Por determinação direta de Chávez, a RCTV saiu do ar. Uma onda de protestos tomou conta de Caracas, a capital venezuelana. Talvez seja o último suspiro da democracia naquele país. Granier falou a VEJA.

Veja – Por que o presidente Hugo Chávez fechou a RCTV?
Granier – Ele não estava satisfeito com a linha editorial da emissora. Deixou claro que a decisão de fechar a RCTV teve motivação política e caráter retaliativo. Chávez não gosta de ouvir opiniões diferentes das dele, sobretudo quando são divulgadas pela emissora líder de audiência. Algum tempo atrás, ele teve problemas com outra estação, nossa concorrente. Pressionou essa emissora até que a linha editorial fosse alterada. Quando conseguiu o que queria, manifestou publicamente seu contentamento. No nosso caso, o presidente disse com todas as letras que gostaria de ver alterações em nossa linha editorial. Queria uma TV menos crítica. Nós nos recusamos a obedecer a essa imposição. A RCTV foi fechada por isso.

Veja – Como a Justiça se posicionou?
Granier – A Justiça apoiou o governo, mas é fácil entender por quê. O Poder Judiciário na Venezuela está sofrendo um violento processo de intervenção. Se um juiz decide contra os interesses chavistas, é destituído e substituído por outro favorável ao governo. Chávez ameaça e mantém os juízes em uma situação contínua de insegurança. Para se ter uma idéia do que se passa, um grupo de advogados analisou 6 000 decisões tomadas pela câmara política do Tribunal Supremo de Justiça, que julga os casos em que o governo é parte. Das 6 000 decisões, somente seis foram contrárias ao governo – e os juízes que tomaram essas decisões foram substituídos.

Veja – O governo confiscou equipamentos da RCTV?
Granier – Por ordem desse mesmo tribunal, o governo tomou nossa rede de antenas retransmissoras, que é a maior do país e cobre mais de 90% da Venezuela. Oficialmente, não é um confisco. Mantemos a propriedade das antenas. Só não podemos usá-las. O tribunal nos obrigou a ceder seu uso ao governo, que as utiliza sem pagar nada.
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