Archive for 3 de junho de 2007|Daily archive page

Charge do dia

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Veja 6 – “Luz Para Todos” de Lula virou “Grana para Alguns”

Por José Edward e Leonardo Coutinho:
O Luz para Todos – versão em alta voltagem do Luz no Campo do governo FHC – foi um dos carros-chefe da campanha à reeleicão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lançado em 2004, o programa surgiu com uma meta ambiciosa: tirar da escuridão 12 milhões de brasileiros que vivem no campo e não têm acesso a energia elétrica. Há duas semanas, a Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal, mostrou o lado sombrio do programa. O ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau demitiu-se por causa da denúncia de que teria acobertado fraudes em obras do Luz para Todos encomendadas pela Companhia Energética do Piauí (Cepisa) à empreiteira Gautama – aquela gatunagem de Zuleido Veras. A Polícia Federal acusa Rondeau de ter recebido uma propina de 100.000 reais em troca do favor. O coordenador nacional do Luz para Todos, José Ribamar Santana, acusado de ser conivente com essas irregularidades, também caiu. Assinante lê mais aqui

Veja 5 – Renan: “O meu amigo Cláudio Gontijo”

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De Policarpo Jr.:
– “Nos dois contratos de aluguel de Mônica Veloso, o fiador é sempre o lobista. O primeiro contrato foi firmado em 16 de março de 2004 e se referia ao aluguel de uma ampla casa, com quatro quartos, piscina e churrasqueira, localizada no Lago Norte, um dos bairros nobres de Brasília. O aluguel saía por 4.500 reais. Mônica e a filha do senador residiram nessa casa por um ano apenas, de março de 2004 a março de 2005 – e o aluguel foi pago adiantado, numa parcela só, em torno de 40 000 reais. O segundo contrato, assinado em 3 de março de 2005, é de um apartamento. O aluguel, nesse caso, é de 4.000 reais. O lobista deixou de pagar o aluguel do apartamento em novembro de 2005, um mês antes do início da contagem oficial do senador para o período em que diz ter como comprovar que o dinheiro era seu. Desde então, tendo o lobista deixado de bancar o aluguel, o assunto foi parar na Justiça. Mônica responde a uma ação de despejo, mas ainda mora no imóvel.”

– Em 2002, em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, Renan informou que era proprietário do flat de número 1014 no mesmo hotel Blue Tree, em Brasília. O empreendimento foi construído pela empresa Paulo Octavio. Uma certidão obtida em cartório mostra que o flat 1014 pertence ao lobista Cláudio Gontijo desde 19 de maio do ano passado. O aspecto misterioso, interessante é que, pelos documentos de cartório, a empreiteira vendeu o flat diretamente ao lobista, por 183.000 reais. Isso significa que Renan não chegou a colocar o imóvel em seu nome e, para efeitos oficiais, a venda foi diretamente da construtora para o lobista

– Em agosto de 2004, quando Mônica passou a temer por sua segurança e de sua filha, então recém-nascida, depois que seu automóvel foi alvejado por um tiro, foi Cláudio Gontijo quem, a pedido do senador, mais uma vez se ocupou de pagar por serviços a Mônica. O contrato de segurança foi feito com a empresa Artec, que, apesar de se classificar como “construtora”, controla uma empresa de segurança. Custava 2.800 reais por mês. Mônica assinou o contrato, mas quem bancava a conta era o lobista.

– “Para garantir a versão do senador, seus advogados chegaram a procurar o advogado de Mônica no sábado 26. Propuseram que ela assinasse uma declaração dizendo que o lobista era apenas intermediário do dinheiro, mas não o dono dos recursos. A jornalista se recusou a participar da farsa”

– “Foram oito envelopes pardos dentro dos quais o dinheiro foi entregue [a Mônica Veloso]. Num deles, por exemplo, consta o nome da empreiteira (“Mendes Júnior Trading e Engenharia”) e uma anotação manuscrita do destinatário (“Mônica Veloso”). No verso do envelope, também manuscrito, um valor (“12.000,00”). Há outros envelopes com valores diferentes, sugerindo que talvez os pagamentos não fossem feitos com rigor de datas e valores.

– “Sabe-se que, no decorrer das negociações mais tensas entre Renan e Mônica no passado, o lobista sempre aparecia com propostas ousadas de conciliação, a ponto de ela se queixar disso ao senador e a seu advogado. Mas isso, por enquanto, não vem ao caso do dinheiro.” Assinante lê íntegra da reportagem aqui

Foto Celso Junior/AE

Veja 4 – Diogo Mainardi: a Gautama do éter

“A TV Pública é a Gautama do éter. Assim como a Gautama faz obras que custam caro e ninguém vê, a TV Pública custará caro e ninguém a verá. A Gautama deu dinheiro a um monte de lulistas. A TV Pública dará dinheiro a outros tantos. O pessoal da Gautama foi parar na cadeia. Minha torcida é para que, futuramente, por algum motivo, o pessoal da TV Pública tenha o mesmo fim.

O que diferencia a Gautama da TV Pública é o preço. O da TV Pública é mais alto. Muito mais alto. O butim foi calculado inicialmente em 250 milhões de reais por ano. Agora, como diria Zuleido Veras, o contrato já foi aditado. De acordo com o assessor de imprensa informal de Franklin Martins, que despacha regularmente na Folha de S.Paulo, a TV Pública receberá 350 milhões de reais por ano. Se continuar nesse ritmo, logo mais a TV Pública terá de ser chamada de Andrade Gutierrez do éter ou de Mendes Júnior do éter.” Assinante lê mais aqui

Veja 3 – Matéria de capa: raça não existe!

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Por Rosana Zakabi e Leoleli Camargo:
Um absurdo ocorrido em Brasília veio em boa hora. Ele é o sinal de que o Brasil está enveredando pelo perigoso caminho de tentar avaliar as pessoas não pelo conteúdo de seu caráter, mas pela cor de sua pele. No início de maio, o estudante Alan Teixeira da Cunha, de 18 anos, e seu irmão gêmeo, Alex, foram juntos à Universidade de Brasília (UnB) para se inscrever no vestibular. Visto que têm pele morena, eles optaram por disputar o concurso por meio do sistema de cotas raciais. Desde 2004, a UnB – e outras 33 universidades do país – reserva 20% de suas vagas a alunos negros e pardos que conseguem a nota mínima no exame. Alan e Alex são gêmeos univitelinos, ou seja, foram gerados no mesmo óvulo e, fisicamente, são idênticos. Eles se inscreveram no sistema de cotas por acreditar que se enquadram nas regras, já que seu pai é negro e a mãe, branca. Seria de esperar que ambos recebessem igual tratamento. Não foi o que aconteceu. Os “juízes da raça” olharam as fotografias e decidiram: Alex é branco e Alan não.

Alan, que quer prestar vestibular para educação física, foi classificado como preto na subcategoria dos pardos e pode se beneficiar do sistema de cotas. Alex, que pretende cursar nutrição, foi recusado. “Não sei como isso é possível, já que eu e meu irmão somos iguais e tiramos a foto no mesmo dia”, diz Alex, que recorreu da decisão. A UnB informa que o recurso está sendo analisado e o resultado sairá nesta quarta-feira. A avaliação divergente dos irmãos Alan e Alex pela UnB é uma prova dos perigos de tentar classificar as pessoas por critério racial. Em todas as partes onde isso foi tentado, mesmo com as mais sólidas justificativas, deu em desastre. Os piores são as loucuras nazistas e as do apartheid na África do Sul. Ambas causaram tormentos sociais terríveis com a criação de campos de concentração e guetos. Os nazistas exterminaram milhões de pessoas, principalmente judeus, em nome da purificação da raça.

Biologicamente as raças são chamadas de subespécies e definidas como grupos de pessoas – ou animais – que são fisiológica e geneticamente distintos de outros grupos. São da mesma raça os indivíduos que podem cruzar entre si e produzir descendentes férteis. Esse é o conceito científico assentado há décadas. Recentemente, porém, esse conceito foi refinado. Pode haver mais variação genética entre pessoas de uma mesma raça do que entre indivíduos de raças diferentes. Isso significa que um sueco loiro pode ser, no íntimo de seus cromossomos, mais distinto de outro sueco loiro do que de um negro africano. Em resumo, a genética descobriu que raça não existe abaixo da superfície cosmética que define a cor da pele, a textura do cabelo, o formato do crânio, do nariz e dos olhos. Como os seres humanos e a maioria dos animais baseiam suas escolhas sexuais na aparência, a raça firmou-se ao longo da evolução e da história cultural do homem como um poderoso conceito. Em termos cosméticos sempre será assim, mas tentar explicar as diferenças intelectuais, de temperamento ou de reações emocionais pelas diferenças raciais é não apenas estúpido como perigoso. Assinante lê mais aqui

Foto: Anderson Schneider/WPN

Veja 2 – Fala o homem que teve a sua TV roubada pelo tirano

marcel_granier.jpgPor Fábio Portela:
Até a semana passada, a Rádio Caracas Televisão era a maior emissora da Venezuela. Fundada em 1953, alcançou o primeiro lugar em audiência investindo em entretenimento, especialmente novelas e programas humorísticos. A RCTV, como se tornou conhecida, também transmitia os mais respeitados telejornais do país. Sob o comando do empresário Marcel Granier, noticiou, desde o fim dos anos 90, as constantes investidas do presidente Hugo Chávez contra a democracia venezuelana. No início, Granier liderou outros empresários do setor de comunicação. Neste ano, ficou isolado. Outras emissoras que se opunham a Chávez capitularam, e a RCTV passou a formar, junto com a Globovisión, a última trincheira a defender a sociedade dos atentados do governo contra as instituições democráticas. “Refletíamos o que ocorria no país. Defendíamos a democracia, a liberdade, o pluralismo e o intercâmbio de opiniões”, diz Granier. No último fim de semana, ele perdeu sua emissora. Por determinação direta de Chávez, a RCTV saiu do ar. Uma onda de protestos tomou conta de Caracas, a capital venezuelana. Talvez seja o último suspiro da democracia naquele país. Granier falou a VEJA.

Veja – Por que o presidente Hugo Chávez fechou a RCTV?
Granier – Ele não estava satisfeito com a linha editorial da emissora. Deixou claro que a decisão de fechar a RCTV teve motivação política e caráter retaliativo. Chávez não gosta de ouvir opiniões diferentes das dele, sobretudo quando são divulgadas pela emissora líder de audiência. Algum tempo atrás, ele teve problemas com outra estação, nossa concorrente. Pressionou essa emissora até que a linha editorial fosse alterada. Quando conseguiu o que queria, manifestou publicamente seu contentamento. No nosso caso, o presidente disse com todas as letras que gostaria de ver alterações em nossa linha editorial. Queria uma TV menos crítica. Nós nos recusamos a obedecer a essa imposição. A RCTV foi fechada por isso.

Veja – Como a Justiça se posicionou?
Granier – A Justiça apoiou o governo, mas é fácil entender por quê. O Poder Judiciário na Venezuela está sofrendo um violento processo de intervenção. Se um juiz decide contra os interesses chavistas, é destituído e substituído por outro favorável ao governo. Chávez ameaça e mantém os juízes em uma situação contínua de insegurança. Para se ter uma idéia do que se passa, um grupo de advogados analisou 6 000 decisões tomadas pela câmara política do Tribunal Supremo de Justiça, que julga os casos em que o governo é parte. Das 6 000 decisões, somente seis foram contrárias ao governo – e os juízes que tomaram essas decisões foram substituídos.

Veja – O governo confiscou equipamentos da RCTV?
Granier – Por ordem desse mesmo tribunal, o governo tomou nossa rede de antenas retransmissoras, que é a maior do país e cobre mais de 90% da Venezuela. Oficialmente, não é um confisco. Mantemos a propriedade das antenas. Só não podemos usá-las. O tribunal nos obrigou a ceder seu uso ao governo, que as utiliza sem pagar nada.
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Veja 1 – O movimento estudantil que quer democracia, à diferença do nosso

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Por Duda Teixeira, de Caracas:
Há bastante tempo se esvaneceu qualquer dúvida de que o presidente Hugo Chávez está a meio caminho de instalar uma ditadura personalista na Venezuela. O projeto autoritário que move o coronel, no poder há oito anos, culminou com o fechamento da RCTV, o canal de televisão de maior audiência no país, na noite do domingo 27. Era uma das duas únicas emissoras a exercer um jornalismo independente do governo. O decreto que tirou o canal do ar – e o substituiu por outro, controlado pelo governo – tinha tudo para ser apenas mais um dos abusos de poder que Chávez cometeu sem enfrentar resistência. Desta vez foi diferente. Durante cinco dias consecutivos, na semana passada, milhares de estudantes de universidades públicas e privadas saíram às ruas das cidades venezuelanas para protestar. Ao contrário dos universitários paulistanos que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo por motivos paroquiais, os jovens venezuelanos tinham uma causa nobre: a defesa da liberdade de expressão. “Estamos nas ruas para defender um direito humano”, disse a VEJA Rosa Benitez, 21 anos, estudante de nutrição da Universidade Central da Venezuela, em Caracas. Vestida de preto, a cor escolhida pelos universitários para as manifestações da sexta-feira, ela resumiu assim sua motivação: “Não somos políticos nem golpistas, somos apenas estudantes defendendo a liberdade de dizer o que pensamos”. Assinante lê mais aqui

Foto: Gregorio Marreo/AP

Capa da Veja (03/06)

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Fazenda dos Calheiros está em nome de doméstica morta. Primo acusa Renan e irmão de comprarem terras em nome de laranjas

Alan Gripp para O Globo:
Primo e irmão adotivo do presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Dimário Cavalcante Calheiros causou alvoroço ao denunciar ao Ministério Público Federal que foi usado como laranja pela própria família na compra da Fazenda Cocal, em Murici, berço político dos Calheiros. Agora, novas evidências lançam suspeitas sobre a negociação.

Uma escritura da propriedade de mesmo nome, emitida pelo cartório de imóveis do município, em janeiro de 2006, diz que as terras pertenciam, naquele ano, à agricultora Marlene Gomes da Silva. Mas documentos obtidos pelo GLOBO revelam que Marlene, na verdade, era uma ex-empregada doméstica da fazenda, morta nove anos antes, em 1997.

A Cocal é uma faz propriedades adquiridas pelos Calheiros e anexadas à principal fazenda da família, a Santa Rosa. Na entrevista ao GLOBO da última terça-feira, o gerente das fazendas da família afirmou que a Cocal pertence a Renan Calheiros, embora, oficialmente, não faça parte da declaração de bens do senador.

Também em entrevista ao jornal, Dimário Caheiros disse que Renan participou diretamente da negociação e deu a ordem para a compra da Cocal. Ex-gerente das fazendas da família, Dimário descobriu, em 2005, que era dono, no papel, da propriedade de 108 hectares. Ele denunciou o Ministério Público que nunca a adquiriu. Outro primo de Renan, Antônio Gomes Vasconcelos, acusou Renan e seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), de usarem laranjas para adquirirem fazendas e, com o auxílio do cartório de Murici, “aumentarem” o tamanho das terras.
(…)
A certidão que atribui a propriedade da Fazenda Cocal a Marlene Gomes da Silva foi emitida meses depois das primeiras denúncias feitas por Dimário. Contrariando o padrão dos registros de bens, o documento não traz informações sobre o tamanho e os limites da propriedade, nem o valor do negócio. Procurada na terça-feira, a tabeliã Maria de Lourdes Ferreira, que assinou a certidão, não foi encontrada no cartório.
(…)
As suspeitas de que laranjas foram transformados em donos de grandes pedaços de terra surgiu depois que o Ibama iniciou um levantamento da situação fundiária da Estação Ecológica do Murici, que fica em região de Mata Atlântica. O órgão ambiental pretende desapropriar fazendas para executar plano de recuperação ambiental da reserva. Para isso, pagará indenizações milionárias.

Diante do registro nebuloso das propriedades, o trabalho do Ibama foi interrompido.

Procurado, Renan não retornou a ligação. Durante a semana, a assessoria do senador informou que os bens dele estão todos declarados no Imposto de Renda.

Manchetes do Dia (03/06)

Jornal de Notícias: Ainda sem o inquérito

O Tempo: Gol no fim, pênalti perdido e frustração

Hoje em Dia: Minas lidera patentes de escolas federais

Estado de Minas: Criança vira mercadoria no mundo do futebol