Construtora Gautama bancava viagens e prostitutas

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Sandro Lima e Fernanda Odilla para o Correio Braziliense: 
Brasília – Garotas de programa, passagens aéreas e até cirurgia. Depoimentos prestados à ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, responsável pelo inquérito da Operação Navalha, confirmam que a Construtora Gautama gostava de agradar agentes públicos com os mais variados mimos. Na lista de presentes, há também perfumes, para as mulheres, e gravatas, para os homens.

Frente a frente com a ministra, o gerente da empreiteira, Gil Jacó de Carvalho Santos, contou que foi chamado para providenciar garotas de programas em Salvador, em 20 de abril, dia do casamento de Rodolpho Veras, filho do dono da construtora, Zuleido Veras. “O subsecretário e o secretário pediram para o dr. Zuleido arrumar umas meninas de programa”, declarou Gil Jacó, no depoimento ao STJ. As autoridades a quem Gil se refere são Adeilson Teixeira Bezerra, então secretário de Infra-Estrutura de Alagoas, e Denisson de Luna, subsecretário de Infra-Estrutura, presos durante a operação, suspeitos de receber propina para liberar pagamentos à Gautama.

Gil assegurou, no depoimento, que a construtora não pagou o serviço das prostitutas, mas que acionou o próprio irmão para providenciar “três louras”. Contudo, numa conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal, Gil manda dizer às garotas para se dirigirem ao hotel onde estão hospedados os secretários de Alagoas que “daqui a pouco ele (Gil) arranja o cheque”. O funcionário da construtora chegou a fixar um valor máximo para cada garota: R$ 300. Em outro diálogo, Gil avisa que o motorista de Zuleido está levando o cheque. E adverte que “o cara” (o secretário Adeilson) não pode ser mal atendido, “pois vai mandar à Gautama R$ 5 milhões na próxima semana…”, de acordo com o relatório da PF. Adeilson é acusado pela PF de receber propina de R$ 145 mil para liberar pagamento à empreiteira por obras não realizadas no projeto Pratagy (AL).

Ex-prefeito
A Gautama também pagava passagem aérea. Durante o depoimento no STJ, a secretária Tereza Lima revelou que Zuleido lhe pediu para comprar uma passagem aérea para Enéas Alencrastro, então representante do governo de Alagoas em Brasília. A funcionária confirmou também que comprou passagens e reservou hotéis para o empresário baiano Zaqueu de Oliveira Filho e todas as outras pessoas indicadas por ele. Na lista, estava um ex-prefeito do interior baiano.

Até cirurgia a Gautama cogitou pagar. O diretor da empresa no Maranhão, Vicente Vasconcelos Coni, esclareceu no depoimento à ministra que foi levantada a possibilidade de a empresa pagar uma operação de José de Ribamar Hortegal. Ele é fiscal de Obras da Secretaria de Infra-Estrutura do estado e, de acordo com Coni, enfrentava dificuldades financeiras. A cirurgia só não foi paga porque, de acordo com Coni, a construtora não quis. Em depoimento, Hortegal afirmou que gastou R$ 3,8 mil do próprio bolso para pagar as despesas com o hospital.

Foto: Breno Fortes/CB

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