Posts de Dezembro 11th, 2008|Página de posts diários
A notícia das próximas 72 horas no Brasil: “Morre ex-marido de Suzana Vieira”
Duas coisas a se pensar antes de publicar as matérias dos jornais online: 1) O cara era tão conhecido que mesmo depois de falecido é chamado nas manchetes, antes de seu nome, de o ex-marido de Suzana Vieira; 2) Me lembrem de nunca brigar com a Ana Maria Braga, a mulher pediu dias atrás que o cara desaparecesse da face da terra, ao vivo, no programa Mais Você.

Agencia Estado
Ex-marido de Susana Vieira pode ter morrido de overdose
Pedro DantasA polícia investiga a hipótese de overdose no caso da morte do ex-policial militar Marcelo Silva, de 38 anos, ex-marido da atriz Susana Vieira encontrado morto na manhã de hoje no apart-hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. O cadáver não apresentava ferimentos ou sinais aparentes de envenenamento. Os funcionários do hotel informaram que o ex-PM morava no local com a atual companheira, a estudante Fernanda Cunha, de 24 anos. Amigos do casal já estiveram no local, mas não falaram com os jornalistas.
Folha Online
Ex-marido de Susana Vieira é encontrado morto no RioO ex-marido da atriz Susana Vieira e ex-policial militar Marcelo Silva foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira em frente a um flat na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).
Marcelo Silva e Susana Vieira, em 2007; Marcelo foi encontrado morto hoje, no Rio. Há suspeita de overdose, segundo a assessoria da Polícia Militar. As causas da morte, no entanto, ainda serão investigadas.
Susana e Marcelo se casaram em setembro de 2006. Em novembro deste ano o casal se separou, depois de a atriz receber uma ligação da estudante Fernanda Cunha, amante de Marcelo.
Polêmico
De acordo com a coluna Zapping, recém-separado, Marcelo foi entrevistado por Sônia Abrão, na RedeTV!, e disse que traiu a esposa com Fernanda apenas porque não queria ser chamado de gay. No programa, ele disse que processaria Fernanda.A estudante chegou a prestar duas queixas contra Marcelo em Goiânia (GO), por agressão e ameaça de morte.
Depois disso, os dois assumiram o namoro e Marcelo foi morar com Fernanda em um flat na Barra da Tijuca.
Em junho deste ano, a Polícia Militar retirou Marcelo Silva da corporação, na época, ele e Vieira não comentaram o caso, já que estavam no exterior.
O Globo
Ex-marido de Suzana Vieira morreu dentro do carro
Ronaldo BragaO ex-PM Marcelo Silva morreu dentro do carro na garagem do Hotel Transamérica onde está hospedada sua atual namorada, Fernanda Cunha. Ele havia chegado ao local sozinho num Pólo prata por volta das 7h e não saiu do veículo. Funcionários do hotel, percebendo que havia algo de errado acionaram o Samu. Quando os para-médicos dos bombeiros chegaram constataram que ele já estava morto. Peritos estão no local.
Senadores aprovam farra de vereadores: Falta de compostura
Empresas demitem funcionários, empresas dão férias coletivas a seus empregados. Empresas reajustam seus planos futuros para se adaptar aos novos tempos.
Mesmo os governos se debruçam sobre suas propostas orçamentárias para 2009, de modo a ajustá-los a tempos de incerteza que vêm aí.
Não se conhece ainda a magnitude da crise, não se especula ainda sobre sua duração. O que se sabe é que é a pior crise do sistema capitalista desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Como e quando o mundo vai se recuperar é que são elas.
Enquanto isso, nada parece abalar a marcha da insensatez que tomou conta do Congresso Nacional.
Olímpicos, indiferentes ao que se passa no mundo exterior, os senadores aprovaram hoje, na Comissão de Constituição e Justiça da casa, proposta de emenda constitucional que cria 7.343 novas vagas de vereador no país inteiro.
Todas remuneradas, naturalmente. Com dinheiro público, naturalmente. Dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto.
Vamos aos fatos. Em 2004, a Justiça Eleitoral disciplinou a distribuição das vagas de vereador em todos os municípios brasileiros, porque havia casos flagrantes de abuso. Municípios com um número de vereadores inteiramente desproporcional à população.
(Mas como não faz lei, apenas interpreta, o TSE não determinou a redução correspondente dos recursos destinados às Câmaras que tiveram que reduzir o número de vereadores. Resultado: a gastança foi inesquecível.)
Com sua tradição de correr atrás, depois que a Justiça Eleitoral aponta a inação do Legislativo, a Câmara aprovou, em maio, uma PEC aumentando novamente o número de vereadores.
(Este aumento não valeu para as eleições de outubro de 2008, porque o Senado deixou para analisar a PEC agora, no final do ano.)
Mas acontece que o mundo não é mais o mesmo desde outubro. A crise chegou rapidamente ao Brasil, e com uma intensidade inesperada.
Não é possível que suas Excelências, os senhores senadores, não tenham percebido que um aumento no número de vereadores, a esta altura, é, não só politicamente inoportuno, como financeiramente desastroso, e eticamente indefensável.
Onde será que essas pessoas estão com a cabeça?!
Manchetes do Dia
Globo: STF: terra é de índios, sem fazendeiros
Estadão: STF mantém reserva indígena de Roraima
Folha: Apesar de pressões, BC mantém juros
JB: BC sustenta juros altos
Correio: Imposto menor para combater a crise
Estado de Minas: Justiça barra 13º para vereadores
Hoje em Dia: Leão pode poupar salário
Ensaio sobre a surdez

Não quero ouvir os tiros.
Também não quero ouvir a indignação.
Não se choquem com esse flagrante pornográfico da violência urbana. Por favor, não façam um relatório. Não chamem a Anistia Internacional. Não acionem os burocratas. Não transformem minha dor num projeto de lei.
Estou bem na foto. Estou protegendo os meus sentidos.
Se na próxima passagem desse revólver pela porta da minha casa acontecer o pior, talvez vocês nem fiquem sabendo. É normal que não sintam a minha falta. Também não sentirei falta da indignação de vocês. Se ela morrer, assim como eu, tanto faz.
Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, faça uma boa ação. Delete um email de solidariedade hipócrita, sem passá-lo adiante. Deixe um pregador “progressista” falando sozinho. Salve alguém de ler um paper da ONU.
Não assista ao show de algum artista decadente em benefício das criancinhas da África.
Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, desconfie da indústria da indignação e da comiseração. Não compre pacotes prontos de bondade. Desempregue um despachante da dor alheia.
Tente fazer ou, ao menos, sentir alguma coisa você mesmo, sem intermediários. Se não conseguir, não faça nada. Será melhor.
Discurso imaginário de uma criança no morro da Mangueira, Rio de Janeiro, fotografada por MICHEL FILHO em 5/12/2008.
Guilherme Fiúza, Jornalista.
Vasco na 2ª Divisão: gozações
Começaram as gozações na internet com os vascaínos. Depois do fiasco do time dentro de campo, o torcedor tem de sofrer ainda com as gozações que pipocam na internet.


Júri recompensa a incompetência de PMs que mataram João

Sofri na mão de leitores tecnicistas quando critiquei a decisão do Ministério Público estadual, que pediu em 28 de junho a absolvição de um PM que matou o estudante Daniel Duque, numa briga na porta de uma boate em Ipanema, no Rio. Eu apenas defendia que essa atitude abriria a porta para outros atos de impunidade. Não deu outra, seis meses depois.
Agora há pouco o Júri acabou de absolver o PM William de Paula da acusação de homicídio do menino João Roberto, de apenas 3 anos, que foi morto depois que o policial e um colega confundiram o carro dirigido pela mãe dele com um veículo com bandidos em fuga. O Júri condenou o policial militar apenas por lesão corporal, por ter ferido a mãe e um irmão do menino. A pena: um ano de serviços comunitários.
Novamente tudo indica que a absolvição aconteceu em função da atuação do Ministério Público, que acusou o PM de homicídio doloso (quando há intenção). Ninguém tem dúvida de que os PMs não mataram intencionalmente o menino. Tanto assim que o PM admitiu ontem que cometeu o erro ao confundir o carro. Portanto, os jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar a criança.
Só que a incompetência dos PMs, que custou a vida de uma criança, foi recompensada com a absolvição do homicídio. Se o Ministério Público tivesse acusado o policial de homicídio culposo, talvez o Júri entendesse melhor como poderia contribuir para a redução da impunidade no Rio.
Agora será mais uma família a lidar com a sensação de que seu parente é morto mais uma vez. E quantas famílias ainda estarão expostas a erros graves como esses, cometidos por agentes do Estado?
Kibado do blog do Jorge Antônio Barros
Foto: Hipólito Pereira/ Agência O GLOBO
Equador busca apoio internacional para dar calote no Brasil
Por Ruth Costas, no Estadão
O Equador qualificou ontem de “lamentáveis” e resultado de “uma prática política condenável” as declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, sobre a decisão de Quito de levar à arbitragem internacional uma dívida com o BNDES. Amorim disse que a medida foi “um tiro no pé” porque o Brasil seria uma das poucas fontes de crédito dos equatorianos.
“Nosso Estado é soberano e tem o direito de ir a arbitragens quando considerar que um contrato afeta seu interesse nacional”, disse o ministro de Segurança equatoriano, Gustavo Larrea. “Se um país condiciona suas fontes de financiamento a que o Equador não tenha direito de exigir seus interesses, não nos interessa. Essa é uma prática política condenável.”
Quito não quer pagar 30% de sua dívida externa de US$ 10 bilhões. Desse montante, US$ 242,9 milhões correspondem a recursos emprestados pelo BNDES para financiar obras da Odebrecht. Quito começou na terça-feira uma campanha internacional para conseguir apoio. Seus enviados já estão na Argentina e no Chile e devem viajar para os EUA e o Peru.
Outros governos, como o do venezuelano Hugo Chávez, já manifestaram sua solidariedade a Quito. “Esse é um caso típico de colonialismo econômico”, disse Chávez num encontro com líderes da região em novembro, quando foi anunciado que Venezuela e Bolívia também poderiam “auditar” suas dívidas.
O Brasil endureceu o tom. Chamou de volta seu embaixador em Quito e ameaçou não financiar mais obras de infra-estrutura em países que seguissem o caminho equatoriano. A polêmica, porém, já havia lançado o País no que parece ser uma nova e delicada fase das relações com os países vizinhos.
O Paraguai agora quer o “perdão” de US$ 19 bilhões referentes às obras da hidrelétrica binacional de Itaipu. E Caracas deu uma resposta vaga a uma consulta do Itamaraty sobre se a “auditoria” da sua dívida poderia atingir interesses brasileiros.
Copom mantém taxa básica de juros em 13,75% ao ano, apesar da crise
Por Eduardo Cucolo, na Folha Online
O Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) decidiu hoje manter a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano. Essa foi a última reunião do Copom neste ano. Agora, os diretores do BC só voltam a se reunir nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009.
“Tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento”, afirmou em comunicado.
“O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir, tempestivamente, os próximos passos de sua estratégia de política monetária”, complementou.
Os efeitos da crise internacional de crédito no Brasil não foram suficientes para convencer o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros. O BC, tampouco, decidiu atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do governo, que queriam uma redução da Selic.
A decisão do BC já era esperada pela maioria dos analistas econômicos. No final de novembro, o presidente da instituição, Henrique Meirelles, já havia dito que o BC não iria se esquecer do combate à inflação, apesar da crise que ameaça o crescimento do país.
Neste ano, o BC realizou oito reuniões. Em janeiro e março, manteve a Selic em 11,25% ao ano. Em abril começou a subir os juros. Foram quatro aumentos, que fizeram a Selic chegar a 13,75% ao ano em setembro. Com a piora na crise, o BC optou por manter a taxa inalterada nas duas últimas reuniões de 2008.
Um dos fatores que influenciaram a decisão do BC foi a divulgação do crescimento de quase 7% no PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) do terceiro trimestre. Com esse resultado, mesmo que o país não cresça nada no final deste ano, já está garantida uma expansão de 4,8% para 2008, próxima da previsão oficial do governo de até 5,5%.
Ontem, após a divulgação do PIB, Meirelles afirmou que os números do IBGE mostram que a desaceleração econômica do Brasil será mais curta e de menor intensidade que em outros países.
Durante uma audiência de prestação de contas ao Congresso em novembro, Meirelles chegou a ser questionado sobre o fato de o Brasil estar mantendo a taxa de juros elevada em um momento em que as taxas caem nos países desenvolvidos.
Na época, o presidente do BC disse que o corte dos juros era um remédio para a crise que estava sendo adotado apenas nas economias ameaçadas pela recessão econômica, como EUA e União Européia. No Brasil, segundo Meirelles, não havia esse risco.
Nem mesmo a queda da inflação convenceu o BC a cortar os juros. O índice oficial medido pelo IBGE, o IPCA, recuou em novembro e deve fechar o ano dentro do limite da meta do governo, que é de até 6,5% (meta de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais). Também caíram as previsões do mercado financeiro para 2009, que espera uma inflação de 5,20%. O BC quer, no entanto, trazer a inflação para o centro da meta (4,5%).
2009
Segundo a pesquisa semanal feita pelo BC com o mercado financeiro, os economistas prevêem agora a manutenção dos juros no patamar atual até setembro de 2009. A taxa só voltaria a cair nas duas últimas reuniões do Copom no próximo ano, para 13,50% ao ano em outubro e 13,25% ao ano em dezembro.
Ministério Público: TJ capixaba é um ‘balcão de negócios’
O inquérito número 589-DF (2008/0084533-0) do Ministério Público Federal (MPF), que culminou na prisão do presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Espírito Santo, Frederico Guilherme Pimentel, e mais seis pessoas ligadas à cúpula da Justiça estadual , relatado pela juíza Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e obtido pelo GLOBO, afirma que o TJ do Espírito Santo se transformou em “um balcão de negócios”. É o que mostra reportagem de Bruno Dalvi nesta quinta-feira.
“…o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo transformou-se, pelo menos na gestão de seu atual presidente, desembargador Frederico Guilherme Pimentel, num balcão de negócios em que os jurisdicionados podem garantir o êxito de suas demandas se estiverem dispostos a pagar propina ou, quando menos, trocar favores lícitos ou ilícitos com os alvos que têm o papel de intermediários na organização criminosa”, relata o inquérito.
O grupo é acusado de participar de um esquema de venda e manipulação de sentença em troca de favores e vantagens pessoais.
As investigações, feitas pelo MPF e a Polícia Federal, começaram em 2007 e apontam que o TJ foi usado para negócios em família e entre amigos. Há parentesco entre os presos na Operação Naufrágio, da Polícia Federal de Brasília. “A ganância dos familiares e agregados do presidente do tribunal para se locupletarem da coisa pública não conhece limites. Não se contentam com os favores ilícitos até então concedidos”, diz o inquérito.
Num dos trechos de conversas telefônicas gravadas com autorização do STJ, o filho do presidente do TJ fala com a cunhada sobre a criação de um cartório na Grande Vitória. Eles se referem a um “bolo” a ser repartido. Segundo o inquérito, é dinheiro proveniente do Cartório do 1 Ofício da cidade de Cariacica, criado por uma resolução do presidente do TJ. O MPF afirma que criação e o loteamento de cartórios era um instrumento que a família usava para a repartição indevida de lucros.
Diálogos gravados (como estão no inquérito):
Em 11/10/2008 às 13h17BÁRBARA: “Oh, no meu, bolo tá ‘descompleto’, tá! Meu bolo de chocolate”FRED: “Lá tem 89 pedaços de bolo”BÁRBARA: “E por que… não pode ser 100, não?”FRED: “Não, não é… é sempre o mesmo número para cada irmão!”BÁRBARA: “Menino, mas tá faltando o completo?”
Em 23/6/2008 às 11h48 PEDRO: “Ele dobrou as forças em todo o tribunal, porque ele é atacado pelo PAPA. Mas o PADRE está negociando com o Cardeal. O filho do PAPA que é PADRE tá negociando com o CARDEAL, isso é mole!”
Em 30/6/2008 às 17h16 PEDRO: “…autorizei o CARDEAL a chegar pro cara e propor 50% em caso do pedido de suspeição, daí você negocia com o ‘fdp’ pro cara a pagar R$ 500 mil por mês pois daí não quebra o cara e um desses pagamentos seria para o ‘fdp’ do CARECA e pro ALIBABÁ se ele quiser.”
Em 21/7/2008, às 14h57 PEDRO: “O PAPA é que ficou com a inquisição…você é CARDEAL, o PAPA ficou com a inquisição.”JOSENIDER: “Ele ficou com o processo? Não tinha que mandar pro pleno?”PEDRO: “Não…é o tal negócio… ele primeiro joga prá um CARDEAL prá depois ir pra lá…quer dizer…ele botou mesmo…”JOSENIDER: “Ah é? E pode voltar” PEDRO: “Ele tem prerrogativa (…)”JOSENIDER: “Prá você é uma boa né?”PEDRO: “Porra, pelo amor de Deus, é o PAPA mesmo me dando a extrema unção.”
Em 15/10/2008, às 17h47 JOSENIDER: “Recebi 20 mil hoje. Eles iam me dá sabe quanto? Os 43 que estavam faltando, aí me entregaram 20 hoje e disseram que os 23 a semana que vem me entregam, então… tudo bem. Depois eu converso com você pessoalmente, porque telefone já viu, né!”
Leia a reportagem completa na edição digital do GLOBO (somente para assinantes)
Fonte: Jornal O Globo
Como diz Lula, “Acho que o Obama Sifu”
Por Andrea Murta, na Folha
O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pediu ontem a renúncia do governador do Estado de Illinois, Rod Blagojevich, um dia após ele ser detido por promotores federais sob acusações de corrupção. Segundo a investigação, Blagojevich tentou vender a vaga de Obama no Senado -os opositores do presidente eleito tentam implicá-lo no escândalo.
“Se tornou difícil para o governador fazer seu trabalho com eficiência e servir ao povo de Illinois”, disse em comunicado um porta-voz de Obama.
“O presidente eleito acredita que a Assembléia [do Estado] deva (…) estabelecer um processo para selecionar um novo senador, que tenha a confiança do povo de Illinois.”
Democrata como Obama, Blagojevich, solto sob fiança, ainda é o governador em exercício e mantém o direito de indicar o sucessor do presidente eleito no Senado. Além de leiloar a vaga, o governador foi acusado de pedir propinas e de pressionar o grupo do jornal “Chicago Tribune” a demitir funcionários críticos a ele.
Investigadores afirmam ter gravado conversas de Blagojevich que comprovam as acusações, mas o governador nega qualquer ação ilegal. Ao mesmo tempo, Obama, que não foi implicado na investigação, está enfrentando crescente especulação sobre suas relações com esquemas de corrupção em Chicago.
O presidente eleito negou qualquer contato com a equipe de Blagojevich para discutir seu substituto no Senado. Mas a negativa contraria declarações anteriores de seu assessor sênior, David Axelrod, que, no mês passado, disse que Blagojevich e Obama discutiram nomes para a vaga. Na terça, Axelrod disse em nota que “se enganou” e que “eles não discutiram o assunto na época nem em qualquer outra ocasião”.
As explicações, por enquanto, não acabaram com os ataques de opositores do eleito. “A seriedade dos crimes listados pelos promotores federais levanta questões sobre as interações entre o governador Blagojevich, (…) Obama e outros funcionários de alto escalão que trabalharão para o futuro presidente”, disse o deputado republicano Eric Cantor.
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