Posts de Dezembro 10th, 2008|Página de posts diários
Manchetes do Dia
Globo: Crise freia país no auge do seu crescimento econômico
Folha: Antes da crise, economia cresce 6,8%
Estadão: PIB surpreende e cresce 6,8%
JB: País cresce, apesar da crise
Correio: Gastem! Lula faz apelo ao consumidor para salvar 2009
Estado de Minas: Governo festeja PIB que escapou da crise
Hoje em Dia: Consumo familiar e salários puxam PIB
Arte de falsário
Muito bom o texto da Eliana Cardoso. Compara todo o problema da bolha financeira americana a um falsário e os idiotas que querem cair no golpe. Leiam e apreciem.
O subprime foi um gigantesco esquema de Ponzi – fraude em que, como na corrente da felicidade, ganha quem joga, até que a pirâmide invertida venha abaixo. Enquanto a bolha imobiliária americana cresceu, credores emitiram hipotecas ao deus-dará, bancos as empacotaram com emissão de títulos, que gestores de recursos compraram com dinheiro emprestado, contabilizando lucros não realizados. Fortunas se criaram e se perderam, mil vezes maiores que os US$ 50 milhões que Van Meegeren ganhou falsificando quadros de Vermeer e vendendo-os a museus na Holanda e a nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Frank Wynne conta essa história em Eu Fui Vermeer.
De Beny Parnes, estrategista-chefe do BBM Investimentos, recebi o livro e a recomendação de traçar paralelos entre os desvarios do mercado financeiro na última década e os do falsário holandês na metade do século 20.
O sucesso do falsário depende de dois elementos: avanço da tecnologia e desejo da vítima de se deixar enganar. O avanço técnico no caso de Meegeren foi a baquelita, primeiro plástico para fins comerciais, que lhe permitiu substituir o óleo vegetal como veículo na pintura. Com ela obteve o endurecimento da tinta, necessário para mantê-la inalterada em testes de autenticidade. No caso do esquema financeiro, a inovação tecnológica combinou derivativos com artimanhas de controle de risco, como a securitização que transformava em títulos AAA empréstimos hipotecários – cuja qualidade era tão ruim que até mesmo Alan Greenspan, depois do desastre consumado, se confessou em estado de choque.
Quanto ao segundo elemento necessário ao seu sucesso, Van Meegeren encontrou-o no desejo dos críticos de descobrir quadros de um período intermediário na obra de Vermeer. Apesar da pequena produção do pintor seiscentista, existe uma disparidade gritante de estilo e tema entre Diana e suas Companheiras (obra do artista jovem) e A Leiteira (o primeiro trabalho da maturidade). No vazio entre um e outro, os críticos imaginaram um Vermeer desaparecido, que uniria as duas fases. O falsário identificou o desejo dos críticos e o realizou.
“Falsificações são um retrato cambiante dos desejos humanos. Cada sociedade falsifica as coisas que mais cobiça”, argumenta Mark Jones em The Art of Deception. No começo do século 21 o desejo era o de uma vida incompatível com os ganhos da economia real. A ganância incitava a crença na ausência de riscos, na morte do ciclo de negócios e no céu como limite para as taxas de crescimento.
Beny Parnes observa: “Os agentes financeiros sabiam o que faziam. Ou quase todos. Com certeza não faltava consciência de seus próprios atos aos empacotadores de hipotecas e aos bancos que colocavam esses pacotes em suas carteiras de investimento. Os compradores dos ativos suspeitavam do que estava acontecendo. Mas o desejo de altos rendimentos gerava a crença em hipóteses bobas sobre risco e o incentivo para entrar no negócio e comprar o Vermeer de Meegeren.” Como dizia Maquiavel, “quem trapaceia sempre encontra quem se deixa trapacear, porque os homens cedem prontamente a desejos momentâneos”.
A diferença entre a experiência dos falsários de hoje e a de Meegeren está na seqüela da trapaça. Meegeren agiu como indivíduo isolado. Preso, e depois absolvido, causou prejuízos e decepção a museus e seus freqüentadores, mas não um desastre econômico. No século 21 a ação coletiva de milhares de investidores produziu uma bolha hipotecária que mudou a alocação de recursos e terminou em catástrofe para o globo.
Nos EUA os economistas esperam a pior recessão desde a década de 1950. A queda da bolsa indica que os investidores apostam numa recessão profunda e severa, ainda pior que a do início da década de 1980. Os gastos dos consumidores apresentaram queda pelo quarto mês consecutivo em outubro. O mercado imobiliário ainda não se estabilizou e os preços das casas são hoje 20% mais baixos do que no pico de 2007. Apenas em novembro de 2008 se perdeu mais de meio milhão de empregos.
Com más notícias se multiplicando a cada dia, como manter a calma? A boa nova é que, pelo menos, o momento mais assustador da crise financeira ficou para trás (embora seus custos recessivos estejam apenas começando). A taxa Libor, que um banco oferece a outro, caiu abaixo do nível de pânico a que chegou logo após a bancarrota do Lehman Brothers. Calcula-se que o valor necessário para resolver os problemas no mercado de CDS (swaps de crédito cujo montante é de US$ 55 trilhões) chegue a 1,5% dessa quantia, ou seja, menos de US$ 1 trilhão. É muito dinheiro. Mas o PIB americano de um mês é maior. Portanto, não é fatal.
No Brasil, duvide de quem lhe promete um PIB crescendo a 4% em 2009. Mas desconfie dos alarmistas também. Parte do pessimismo deriva do sentimento de perda produzido por prejuízos financeiros volumosos, lembrou Oswaldo Assis, sócio do Banco Pactual, em seminário na USP na semana passada. Vale lembrar que o mercado financeiro no Brasil apresenta características muito diferentes das do mercado americano: compulsório alto, crédito imobiliário pequeno, securitização e alavancagem baixas. As operações de balcão não registradas são pequenas. Não há mercado de CDS, as seguradoras são rentáveis. Em resposta à redução do nível de atividade o Banco Central pode cortar a Selic, mesmo que a inflação não fique no centro da meta.
Nos EUA, o Fed anunciou que o encontro de dezembro deve durar dois dias, em vez de um – preparando, talvez, novo plano para ressuscitar o crédito. Dentro de 40 dias os EUA darão posse ao novo presidente, que chega com um pacote fiscal de US$ 700 bilhões em investimentos para reanimar a economia. Torço pelo seu sucesso, pois a evolução desta crise deixou claro que o que acontece por lá repercute aqui.
Eliana Cardoso é professora titular da EESP-FGV
Site: www.elianacardoso.com
Será que este hospital do capeta tem franquias?
Por Raul Juste Lores, na Folha
Manifestantes e ativistas políticos chineses têm sido internados em um hospital psiquiátrico na cidade de Xintai, na Província de Shandong, numa política de calar a dissidência.
Uma reportagem do jornal estatal “The Beijing News” revela que o departamento de segurança pública de Xintai tem internado ativistas que protestam pelos mais variados temas – de moradores que foram desalojados para dar espaço a projetos imobiliários a gente que protesta pela corrupção local.
Alguns entrevistados dizem que ficaram internados por dois anos, outros que foram medicados à força – e só liberados após concordar em deixar seus pleitos de lado.
Um camponês de 57 anos, Sun Fawu, disse que foi internado quando tentava ir a Pequim atrás de indenização para sua terra desapropriada por uma mina de carvão. Antes de apresentar reclamação ao governo central, Sun foi detido em outubro por vinte dias.
Lá ele foi amarrado a uma cama, levou injeções e tomou pílulas que o deixaram zonzo.
Ao reclamar para o médico que o medicava, que não tinha doenças mentais, ouviu: “Não ligo se está doente ou não, o governo local o mandou para cá, tratarei como doente mental”.
O diretor do hospital, Wu Yuzhu, admitiu que alguns de seus 18 pacientes foram levados pela polícia nos últimos anos sem ter problema psíquico, mas precisou interná-los. “O hospital também tinha dúvidas”.
Autoridades de Xintai alegaram economia de dinheiro com a tática (não precisam mandar homens a Pequim atrás dos manifestantes) e evitam “constrangimento” ao governo local.
ABBA
O vídeo abaixo kibado do Jacaré Banguela quase me matou de rir. Não tive o ABBA como uma de minhas bandas preferidas, até porque no auge do ABBA eu era ainda bebê, mas quem nunca foi numa festa e ouviu uma música da banda sueca? Adoro as músicas e confesso que conhecia pouco da estória da banda, especialmente da tensão existentes entre as duas vocalistas, a Frida e a Agnetha. Para simplificar a Frida é a “morena” e a Agnetha a Loura maravilhosa.
No vídeo abaixo a legenda do texto em inglês diz exatamente isto. Do eterno ciúmes que a Frida tinha da Agnetha, tanto de sua beleza quanto de sua voz, que realmente era melhor. Inclusive a Agnetha já era sucesso nacional na Suécia antes de montar o ABBA com o seu marido, Björn, o guitarrista do grupo. O tecladista era o marido da Frida. Tudo em família. Agora assistam ao vídeo e reparem quando o contador chegar em 2:48. A cara dela como que dizendo “Você cheirou sabão em pó estragado?” é impagável.
Corinthians apresenta Ronaldo na 6ª feira, em jogada por valorização
Alexandre Simões para o Hoje em Dia
Numa jogada em que os dois lados buscam a valorização, o Corinthians anunciou ontem a contratação do atacante Ronaldo, de 32 anos, que assina contrato por um ano com o time do Parque São Jorge na próxima sexta-feira, com opção de renovação por mais uma temporada.
Depois de conquistar a Série B do Campeonato Brasileiro, o Corinthians vê na contratação do Fenômeno uma oportunidade de conseguir alavancar patrocínios para que possa brigar, em condições de igualdade, com os grandes clubes do futebol brasileiro.
Para Ronaldo, a volta ao futebol brasileiro é encarada como a última chance de reconquistar espaço na Seleção Brasileira e disputar sua quinta Copa do Mundo, em 2010, na África do Sul, quando terá 33 anos. Além disso, o atacante sabe que perdeu espaço. E sua desvalorização ficou nítida no valor da sua última transferência, quando trocou o Real Madrid, da Espanha, pelo Milan, da Itália.
Os espanhóis, que tinham pago 45 milhões de euros à Internazionale, em 2002, para contar com os gols do artilheiro da Copa do Mundo da Coréia do Sul e Japão, ficaram com 7,5 milhões de euros na transferência do atacante para o Milan, cinco anos depois.
A expectativa era de que Ronaldo voltasse ao futebol brasileiro para defender o Flamengo, seu clube do coração e onde ele passou os últimos meses, se recuperando da operação no joelho esquerdo, sofrida em fevereiro. O atacante tinha ainda uma proposta do Manchester City, da Inglaterra, clube que já conta com os brasileiros Robinho, Elano e Jô.
Nas últimas semanas, a diretoria corintiana e o procurador de Ronaldo, Fabiano Farah, tiveram várias reuniões e o acerto aconteceu na manhã de ontem.
Como a aposta corintiana é faturar com a contratação do Fenômeno, no início da tarde duas lojas oficiais do clube já vendiam a camisa de número 9 com o nome Ronaldo nas costas. O presidente do clube paulista, Andrés Sanchez, garantiu que com a contratação de Ronaldo vai vender espaços publicitários até mesmo no calção usado pelos jogadores. A apresentação de Ronaldo está marcada para a próxima sexta-feira, às 11 horas, no Parque São Jorge. Ainda não há previsão de quando o jogador vai estrear.
O único clube brasileiro defendido por Ronaldo foi o Cruzeiro, clube onde o atacante se revelou. Contratado do São Cristóvão, quando ainda tinha 15 anos, o atacante defendeu o time principal por pouco mais de um ano, entre 1993 e 1994. Com a camisa cruzeirense, Ronaldo já fazia por merecer o apelido de Fenômeno, que só ganhou na Itália. Foi o artilheiro da Supercopa, em 1993, com 8 gols, e do Campeonato Mineiro, em 1994, com 22 gols, no seu primeiro título oficial. O sucesso o levou à Copa do Mundo de 1994, quando fez parte do grupo treinado por Carlos Alberto Parreira que conquistou o tetracampeonato mundial pela Seleção Brasileira.
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