Posts de Dezembro 8th, 2008|Página de posts diários

Manchetes do Dia

Globo: Paes diz que Cesar deixa rombo de até 400 milhões

Folha: Serra amplia vantagem para 2010 e Dilma sobe

Estadão: Empréstimo de bancos a emergentes vai a US$ 4,9 tri

JB: As pedras no caminho de Paes

Correio: Plano Piloto tem quatro cracolândias

Charge(s) do Dia

Excepcionalmente hoje publicarei 02 charges impagáveis. Deixar para amanhã não teria o mesmo efeito.

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Ex-doméstica troca cidade por assentamento do MST

A última edição da revista Piauí traz o relato em primeira pessoa da ex-empregada doméstica Marta de Sousa P. da Silva. Deixou com os filhos uma casa própria de alvenaria na capital Campo Grande por um barraco de assentamento no município de Sindrolândia, nos fundões do Mato Grosso do Sul. Abaixo segue um pequeno resumo, mas não deixe de ler a estória completa no site da Revista Piauí, clicando aqui.

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A vida de Maria começou a virar em 2005. O marido, Izaías, cismou de voltar para o campo. Trabalhava como motorista da Brahma havia 13 anos.

Fez as trouxas e agregou-se a um acampamento do MST. De início, Maria torceu o nariz: “Largou uma casa boa na cidade para ficar acampado no meio do nada”.

Uma dúvida passou a aquecer-lhe os miolos: Ficar na casa de Campo Grande, que dividia com dois dos três filhos, ou juntar-se ao marido para viver num fim de mundo sem água nem luz? Preferiu abraçar a primeira opção.

Izaías vendeu o caminhão. Comprou uma caminhonete F-1000 usada. Esticou uma lona na carroceria. No acampamento do MST, era essa a sua moradia.

Ele não participara de nenhuma invasão. Quando chegara à fazenda de Sindolândia, a propriedade já estava apinhada de gente acampada.

No finalzinho de 2006, Izaías ganhou, finalmente, um lote do Incra. Maria passou a visitá-lo aos finais de semana. Depois, acabou se juntando ao marido.

“Minha casa na cidade tem tudo do bom e do melhor, mas eu não trouxe nada de lá, só a minha cama de casal e o colchão”, ela conta.

Deixou a casa com os filhos. E não se arrepende. Ao contrário: “Isso aqui é uma maravilha [...]. Não volto mais para a cidade. Aqui só tenho o que preciso, e não aquilo que eu quero”.

Pressionando aqui, você chega ao relato integral da saga de Maria, nas páginas da Piauí. Vale a leitura.

Maria é uma lulista de mostruário. “Acho uma beleza o governo dividir essas terras que estão sobrando e as pessoas poderem trabalhar no campo…”

“…Não entendo muito de política, mas votei no Lula nas duas vezes que ele foi presidente, e se pudesse votar nele novamente, votaria…”

“…Acho que tudo que ele fez pelo povo foi perfeito. Na minha idade, até hoje, nunca vi uma pessoa que tivesse ajudado tanto o povo como ele ajudou…”

“…A maioria das pessoas aqui no sítio recebe o Bolsa Família. Eu e meu marido não recebemos porque, graças a Deus, não precisamos”

Fotos: Elis Regina Nogueira/Piauí

Vi a dica no Blog do Josias

A imagem da corrupção em Januária

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Ezequiel Fagundes para O Tempo

O documento mais forte do Ministério Público (MP) de Minas Gerais que serviu de base para a Justiça afastar do cargo o prefeito de Januária, Sílvio Joaquim Aguiar (PMDB), saiu do computador pessoal do próprio prefeito.

Acusado de montar um esquema de compra de apoio político de vereadores para impedir a cassação de seu mandato, Aguiar virou alvo de uma operação de busca e apreensão em sua casa no último dia 20 de novembro. A pedido do MP, o juiz Cássio Azevedo Fontenele autorizou a realização do pente fino. Aguiar é o sexto prefeito desde 2004.

As buscas se estenderam também à casa do superintendente da prefeitura, Vandeth Mendes Júnior, e ao gabinete dos dois na prefeitura. Na residência de Aguiar, foram apreendidos documentos, dois computadores, CDs, DVDs e um vídeo de 41 minutos – contendo cenas de corrupções -, que foi obtido na íntegra por O TEMPO. Não há áudio no vídeo.

As imagens mostram o prefeito Sílvio Joaquim Aguiar, o advogado Vandeth e os vereadores Weber Abreu dos Santos (PP), Weber Ribeiro de Oliveira (PP), Mário Silvério Viana (PV), Geraldo Eustáquio Nunes Dias (PPS) e João Gomes Teixeira (PSC).

O MP solicitou também o afastamento imediato dos cinco vereadores, no entanto, o magistrado ainda não julgou a liminar do pedido.

Os vídeos foram gravados em um mesmo lugar, na sala da casa do prefeito Aguiar, onde a mesa de jantar serviu de palco para os negociadores. Nas imagens, Vandeth Júnior aparece acertando a negociata com os parlamentares, combinando valores e fazendo o pagamento da propina, em maços de notas de R$ 100.

Apontado, dentro das investigações, como o principal colaborador do prefeito no esquema, Vandeth está em todas as imagens no vídeo. Ele divide as cenas com outra pessoa, que aparece sempre sentada ao seu lado. Segundo informações de bastidores, essa pessoa, ainda não identificada, seria filho de Sílvio Aguiar.

Nas primeiras cenas, Vandeth – usando óculos e cavanhaque – aparece comandando uma reunião em conjunto com cinco vereadores. Ele aparece gesticulando e mostrando documentos aos parlamentares. Com o maço de dinheiro nas mãos, o advogado Vandeth expõe as dezenas de cédulas diante dos vereadores durante as negociações.

Segundo o MPE, foram oferecidos R$ 15 mil para cada um dos cinco parlamentares de Januária. O dinheiro tem origem desconhecida. As imagens mostram ainda que, depois do primeiro contato, os vereadores se reuniram separadamente com Vandeth. O vereador Weber Abreu – trajando camisa pólo com listras azuis e brancas — é filmado mostrando boletos bancários que, segundo o MP, na realidade são alguns de seus débitos na cidade. Em seguida, Abreu se levanta, coloca um maço de dinheiro no bolso da calça e deixa a sala.

Orgia em sítio leva 24 pessoas à delegacia

Juscelino Ferreira para a TV Alterosa 

Uma festa regrada a drogas, bebida e sexo terminou com todos os convidados na delegacia em Mário Campos, na Região Central de Minas, segundo a Polícia Militar. De acordo com o sargento Rômulo Vicente Papa, 24 pessoas participavam da orgia realizada em um sítio da cidade na noite desse domingo. Entre os convidados estavam sete adolescentes, com idades de 13 a 16 anos, sendo seis garotas e um rapaz.

A PM chegou ao local por volta das 23h, depois de uma denúncia anônima. Os militares foram recebidos no portão pelo dono do sítio, Tiago Rezende Laudares, de 34 anos, que barrou a entrada dos militares. Ainda na entrada do local, os policiais viram um corre-corre de pessoas nuas, inclusive uma das adolescentes. Diante da situação, a PM conseguiu adentrar a residência.

Além dos detidos, no local foram apreendidos muita bebida alcoólica, buchas de maconha, papelotes de cocaína, pedras de crack, um cachimbo e um ítem que chamou a atenção, um colete da Polícia Civil. Segundo o sargento Papa, o colete estava jogado no quintal e, até o momento, o dono não apareceu. Ainda de acordo com a PM, somente uma adolescente não é de Mario Campos. A garota infomou que foi convidada por uma mulher que também estava na festa.

Tiago Rezende Laudares mora no local com uma namorada, que não estava na comemoração. Ele é separado e tem dois filhos. Tiago contou que recebeu R$ 100 para receber as pessoas, mas cada um levou o que consumiria.

Todos os envolvidos, pais dos menores e conselheiros tutelares foram para a delegacia de Mário Campos. Os depoimentos começaram no inicio desta manhã e devem entrar pela tarde.

A imaginação que Deus me deu é coisa do Diabo

Walter Navarro escreve para o jornal O Tempo (BH). Adoro humor presente em suas crônicas. Abaixo segue um bom exemplo.

Sábado ouvi do galináceo Jayme Reis frase deliciosa: “Só os que desistem conseguem”. Aí peguei carona com outro amigo, Roberto Brant, ensinando o caminho de um restaurante à linda Ana de Castro que, meio perdida, o seguia: “Mulher que não sabe o caminho já é meio caminho andado”. Genial também, né? Só discordo da definição. Aninha, filha do grande Amilcar de Castro, é uma escultura ambulante; não é só uma mulher44, mas enorme área de lazer, perfeito parque de diversões. É o que imagino… Só imagino. Tô mais perdido que calcinha em missa de sétimo dia, quer dizer, em suruba. Sem inspiração, vivo mendigando frases alheias: “Ei você aí, me dá uma piada aí…”. Quem sou eu pra chegar perto de Aninha e suas amigas! A última mulher que penetrei foi a estátua da Liberdade. Mentira, nunca fui a Nova York. A última mulher que peguei me deu um papelzinho e acrescentou: “Tá sem os 10%…”.

Mentira, nunca fui ao Café Photo de São Paulo. A única coisa que faço ultimamente é comprar frango. E ver TV. Já repararam que, em todo filme, na cena de enterro, o padre fala a mesma coisa? “Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e teu cajado me consolam”… É ruim, heim! Que papo é esse, meu? Vara, cajado consolando na sombra? Tô fora! Ando tão down que outro dia, conversando com um Prozac, ele começou a chorar. Corro tão masoquista que hoje à noite vou pra Blumenau, mas só se chover. E tem aquela ótima do masoquista que suplica: “Me bate!”. E o sádico: “Não!”. Só dói quando eu rio. Aí morri de rir e de dor com o hino e o bordão daquela propaganda da Embratel: “Empresário masoquista, resista!”. Não cheguei a trocar a banda larga da Internet pelo telefone e as filas, mas ainda chego lá e vou pedir: “Isso, bate mais, bate mais forte, Dona Lurdinha!”. E aquele comercial do novo Voyage, com o Sepultura cantando Bossa Nova? “O coquinho caiu na areia da praia, um dia levou-o pra dentro do mar…”. Melhor, só goteira de esgoto na cabeça.

Sofrimento maior e melhor, só esperar Godot, esperar e-mail que não chega; mensagens com um lacônico “oi”, telefonemas mudos ou dizendo que “foi engano”, aviso de caixa-postal cheia, cartão-postal do Robinson Crusoé saudoso. Melhor, só e-mail com tantas palavras ocas, fora de si, de um suburbano coração: “C’est fini; c’est fini”. Tantas palavras, que eu conhecia e já não falo mais, jamais. Quantas palavras, que ela adorava, saíram de cartaz. Nós aprendemos palavras duras, como dizer perdi, perdi, palavras tontas, nossas palavras. Quem falou não está mais aqui. Ainda bem que não estou sozinho neste vale de lágrimas, vejam o que meu amigo Chico disse pra ex-namorada: “Dei prá maldizer o nosso lar. Pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso, só pra mostrar que ainda sou teu”. Que delícia! Martelada no polegar! Injeção na testa!

Pau no liquidificador! Hummm… Mas podia ser pior: “Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei e me arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu peito, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, sem carinho, sem coberta, no tapete atrás da porta”. Além de descobrir que a “ex” tá nem aí pra ele, o infeliz ainda percebe que os cabelos eram peruca, o peito, de silicone, o pijama, do Ricardão, e o tapete tava cheio de poeira e pêlos. É como ter as unhas arrancadas por alicate no filme “O Albergue”. Um deleite. Mas tem coisa pior: discutir peça e orçamento de carro com mecânico. Pedir segunda via em repartição púbica. Ou então o beijo de Judas, da Mulher-Aranha ou com gosto de cebola… Melhor só a mão nas costas subindo as escadas, a punhalada final de Brutus, o bafo quente na nuca, a unha no calcanhar, um torturante band-aid no guaraná, a vara, o cajado nas sombras.

Qual a pior tortura? A fila que anda ou a do SUS? O lacônico “oi” ou a tese final, fatal dentro de uma garrafa nadando no mar a caminho da nossa Guantánamo de cada dia, a ilha de “Lost” sem Papillon? Reza a lenda que numa bela tarde de 1472, em Florença, Leonardo da Vinci deixou seu ateliê e foi à praça principal comprar frango. Lá chegando, deparou-se com multidão incontável. Todos querendo frango. Leonardo, baixa estatura, mas mentalmente da altura dos píncaros, começou a pular e a gritar, levantando o indicador: “Um frango, eu quero um frango”. Num átimo de segundo, o gênio renascentista mudou de idéia: “Não, um não, eu quero dois, dois frangos”. PS: Judia de mim, Dona Lurdinha!