Lula manda montar operação para salvar Mares Guia

Por Vera Rosa, no Estadão Online:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ontem de Nova York para o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia – citado no relatório da Polícia Federal que trata do mensalão mineiro – e pediu a ele que mantivesse a tranqüilidade. “Toca para a frente e faça seu trabalho”, recomendou. Por ordem de Lula, o governo começou ontem mesmo a montar uma operação para salvar Mares Guia. A estratégia para os próximos dias inclui até declarações públicas de dirigentes do PT – que reúne hoje sua Executiva Nacional – a favor do articulador político do Planalto. O fim do fogo amigo foi exigido por Lula para estancar a crise e evitar que o caso do mensalão mineiro – suposto esquema de caixa 2, a partir de desvio de dinheiro público, para a campanha de 1998 do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador – atrapalhe a votação de projetos de seu interesse. A prioridade, agora, é a emenda que estica a validade da CPMF até 2011.

Mares Guia recebe solidariedade de deputados aliados

Pelo menos quatro deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniram-se com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, simplesmente para prestar solidariedade ao “chefe”.

Os líderes do governo, José Múcio (PTB-PE), do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), do PR, Luciano Castro (RR) e o vice-líder do governo Henrique Fontana (PT-RS) foram ao encontro de Mares Guia, responsável pela articulação do governo no Congresso, no começo da noite desta terça (25).

Nas palavras do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), que esteve com Mares Guia logo após o almoço: o ministro está tranqüilo e continua desempenhando a função de articulador do governo mesmo respondendo às supostas acusações. “Ele está tranqüilo (…) Ele me ligou ontem [segunda-feira] e me ligou várias vezes hoje. Ele está trabalhando”, disse.

Azeredo abre o bico e envolve até FHC

Pivô do escândalo que colocou o PSDB sob suspeita de ter se beneficiado do valerioduto, o senador Eduardo Azeredo (MG) afirmou que prestações de contas de campanhas políticas, no passado, eram mera “formalidade”, que não “existia rigor”. Azeredo disse que teve “problemas” ao prestar contas, mas que a campanha envolvia outros cargos e partidos.

Disse que contou na eleição para o governo de Minas, em 1998, com o apoio do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), inclusive na captação de recursos. Segundo o senador, Walfrido não tinha o papel de coordenador, mas participava de tudo.

Azeredo afirmou ainda que o dinheiro arrecadado para sua campanha -oficialmente foram gastos R$ 8,5 milhões- foi usado para campanhas de deputados e senadores da sua coligação e, até mesmo, do então candidato à Presidência Fernando Henrique. “Ele não foi a Minas, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.”  (Folha de São Paulo)

Aécio vê diferenças entre mensalões

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), insistiu ontem em que o mensalão mineiro não tem “paralelo” com o escândalo que veio à tona no primeiro governo Lula. “Na minha avaliação, há uma diferença muito grande entre aquilo que ocorreu no plano federal e os problemas que ocorreram na campanha do então candidato Eduardo Azeredo. Acho que com serenidade e muita transparência Azeredo terá tempo de apresentar seus argumentos e demonstrar que não há paralelo entre uma questão e outra”, afirmou. (O Estado de São Paulo)

Não ha comentários

Leave a reply