Posts de Setembro 24th, 2007|Página de posts diários

Charge do dia

A semana de Walfrido

Os próximos dias em Brasília prometem ser dominados pela discussão em torno do “mensalão mineiro” e o principal envolvido no escândalo, o ex-vice-governador de Minas e hoje ministro de Lula Walfrido dos Mares Guia, do PTB. A Polícia Federal pediu a quebra do sigilo bancário de uma empresa de Walfrido, segundo o Estadão. A Folha de sábado traz alguns detalhes da investigação da PF comprometedores para Walfrido, sobretudo duas anotações manuscritas, que teriam sido feitas pelo próprio, de possíveis repasses de caixa-dois a políticos.

Lula já disse a auxiliares que será forçado a substituir -”com dor no coração”- o ministro. O PT já se prepara para reivindicar a vaga. Há inclusive dois nomes para o lugar de Wafrido: Jorge Viana, ex-governador do Acre, e Henrique Fontana, ex-líder do partido na Câmara.

Renan volta a falar

Aos poucos, Renan Calheiros vai saindo do silêncio em que disse nunca ter estado. Depois de falar à Rádio Gaúcha, publicou artigo na Folha, combatendo a idéia de extinguir o Senado, e deu entrevista ao Correio Braziliense. O presidente do Senado defende o voto secreto que o absolveu na notória sessão, igualmente secreta, da semana retrasada: “O voto secreto (…) tem sua lógica na democracia”. Entenda-se: não abrirei mão dele se precisar novamente. Diga-se em favor de Renan que há sérios argumentos em favor do voto secreto, como explica o repórter especial de ÉPOCA Ricardo Amaral em sua coluna semanal. O presidente do Senado também jogou no ar a hipótese de uma redução da alíquota da CPMF, cuja prorrogação ainda está sendo discutida nas duas casas do parlamento.
Josias de Souza especula que Maurício Corrêa, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do STF, virá a ser o novo advogado de Renan Calheiros. No final da semana, o advogado Eduardo Ferrão havia abandonado o caso, alegando falta de tempo para outros clientes. Corrêa havia publicado, duas semanas atrás, uma candente defesa de Renan no Correio Braziliense.

Lula defende José Dirceu no NYT…

A entrevista que Lula concedeu durante a semana ao The New York Times foi publicada na edição de domingo. O jornal vende a entrevista como “a primeira discussão longa com um jornalista americano desde 2004″. Foi concedida ao novo correspondente do jornal na América Latina, Alexei Barrionuevo. Larry Rohter, o polêmico correspondente que quase foi expulso por Lula depois da célebre reportagem (de 2004) sobre “o hábito de beber do presidente”, licenciou-se recentemente para escrever um livro sobre o Brasil.
O título da reportagem, ilustrada por um belo retrato de Lula diante de um mapa-múndi (do fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida), é “Um líder resiliente alardeia o potencial do Brasil na agricultura e nos biocombustíveis”. O texto faz uma breve introdução aos fatos recentes do noticiário nacional – o apagão aéreo, o julgamento do mensalão, a boa situação econômica –, recorre a uma declaração de um cientista político – o escolhido foi David Fleischer, que definiu Lula como “o presidente de Teflon”, porque os escândalos não grudam nele – e dá a palavra a Lula. A frase que promete causar mais repercussão durante a semana foi a defesa que o presidente fez de José Dirceu. Palavras de Lula selecionadas, numa tradução livre do texto original em inglês.
“Há centenas de funcionários à minha volta e eu não tenho a menor idéia do que estão fazendo” (sobre não ter sido informado do mensalão)
“Não acredito que haja qualquer evidência de que o Zé Dirceu cometeu o crime do qual é acusado. Ele será julgado”
“Não precisamos de um líder na América Latina. O que eu quero é governar meu país direito” (sobre ser um suposto contrapeso a Hugo Chávez no continente)
“O mundo vai se render ao biocombustível”
“Eu não vou dar aula em Harvard” (sobre o que vai fazer, uma vez encerrado seu segundo mandato, uma referência irônica a Fernando Henrique Cardoso).

Fernando Henrique Cardoso ataca o PSDB

Em entrevista a O Estado de S. Paulo, o ex-presidente critica a timidez do PSDB na defesa do legado de seu governo. “Tem faltado ao PSDB mais convicção. Convicção para dizer que ‘fizemos porque acreditamos, e porque é bom para o Brasil’.” Fernando Henrique foi fatalista em relação à pesquisa Estado/Ipsos, segundo a qual o povo vê Lula, e não ele, como o maior responsável pela estabilidade da economia. “A população sempre registra o momento final, ela não registra a história. Quem não conhece o comportamento de massa pode estranhar isto.”

Manchetes do dia

Estado de Minas: Cidades mineiras encolhemHoje em Dia (Belo Horizonte): Efetivação de servidor gera polêmica na Assembléia

Folha de São Paulo: Renda em São Paulo sobe abaixo da média do resto do país

O Estado de São Paulo: Seguro-desemprego: gasto federal sobe 17,3% ao ano

O Globo (Rio): Orçamento de tecnologia dobra em dois anos

 Jornal do Brasil (Rio): Lula ainda duvida da participação de Dirceu