Posts de Agosto 21st, 2007|Página de posts diários
Larry Rother -ex-correspondente do NYT- bate firme na imprensa brasileira!
Estado de São Paulo - Como você vê as relações entre mídia e poder no Brasil?
LR – Durante a ditadura eu admirava a imprensa brasileira. Ali existia um jornalismo que era vocação, não só carreira. O próprio Estado, ao publicar trechos de Os Lusíadas, para resistir à censura, foi algo tocante. Ali vi imprensa de qualidade. Jornalistas e empresas de comunicação até pagaram um preço alto por isso. Hoje em dia, as coisas são diferentes. Há jornalistas de gabarito, mas a imprensa brasileira navega num mar de mediocridade, com algumas ilhas de excelência.
Estado de São Paulo - Sua crítica aplica-se somente ao Brasil?
LR – Não. Atravessamos uma época em que entretenimento e jornalismo se confundem, isso no Brasil, nos EUA, na Europa, no mundo inteiro. Uma época em que o jornalista quer ser celebridade, especialmente na TV. Porque os valores são outros, os interesses,também. Ah, talvez eu esteja ficando velho…
Estado de São Paulo - A imprensa brasileira é tolerante ou crítica demais com o poder?
LR – A questão é outra. Governar é fazer coisas. E fazer jornalismo é criticar. A crítica é um elemento-chave na profissão. Não vou ao extremo do “si hay gobierno soy contra”, mas é papel da imprensa olhar os governos e dizer “aqui está errado”. (…) Já quando escrevo sobre as mazelas brasileiras, como miséria e racismo, daí um setor ufanista se levanta e grita “não toque no País!” Amigos brasileiros já me disseram: “Nós podemos falar essas coisas, você não”. Sou admirador de Nelson Rodrigues, que cunhou aquela expressão imortal em relação ao brasileiro, o “complexo de vira-lata”. Isso entra nessa conversa.
Estado de São Paulo – Você teve problemas em outros países do continente?
LR – Chávez reclama de modo geral da imprensa estrangeira. Minha relação com os chilenos é ótima. O governo Lagos foi, disparado, o melhor em termos de relacionamento com os correspondentes. Isso continua com Michelle Bachelet. Agora, a Argentina é difícil. Kirchner não gosta de imprensa – nem da nacional, nem da internacional. Tive outras experiências no passado, como ser correspondente em Cuba.
Reforma ortográfica: O que mudará com as novas regras da língua portuguesa
As novas regras da língua portuguesa devem começar a ser implementadas em 2008. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, “hiper-”, “inter-” e “super-”- como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição)
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo)
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”)
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo)
5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica)
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” -que se tornam “enjoo” e “voo”
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca”
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem
GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” -que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo”
2. será eliminado o “h” de palavras como “herva” e “húmido”, que serão grafadas como no Brasil -”erva” e “úmido”.
Leia mais na Folha de São Paulo, aqui.
O Estado Policial de Diogo Mainardi
Publiquei neste final de semana a coluna, na íntegra, do Diogo Mainardi que saiu na última veja (leia aqui) falando da agenda do José Dirceu. Abaixo, no blog dele, ela dá a resposta ao jornalista.

”Deus é grande, poderoso e, às vezes, generoso, diz o ditado popular. Na mesma revista Veja que traz a matéria “A Sombra do Estado Policial”, que comentamos aqui, sobre o escandaloso abuso de grampos telefônicos legais e ilegais que está havendo no Brasil, o articulista Diogo Mainardi age na sombra do Estado Policial. O articulista da Veja teve acesso ilegal a uma suposta agenda minha quando era ministro da Casa Civil. Ou, o que é ainda pior, teve acesso a gravações de telefonemas meus. E ele expõe o que encontrou em sua coluna semanal na revista, intitulada “A Agenda de Dirceu” (só para assinantes) confirmando a matéria da própria Veja.Com um agravante: a partir dos telefonemas – todos já de conhecimento das CPIs, uma vez que minhas informações telefônicas, bancárias e fiscais foram abertas para aquelas comissões, por minha livre e espontânea vontade – ele monta, fazendo, mal, o papel de polícia, Ministério Público e Justiça, uma série de acusações falsas contra mim, com base em conclusões absolutamente falsas e capciosas.O que ele divulga não diz nada contra mim. Ele tira conclusões com base no que quer concluir. Não encontrou nada no acesso ilegal que teve a dados que foram enviados à CPI. Os dados sigilosos são transferidos aos parlamentares, mas continuam sigilosos, e é ilegal divulgá-los.Mas não posso deixar de registrar a infâmia e ignomínia que só reforça a necessidade de uma lei que defenda as pessoas dos ataques de jornalistas que ofendem, caluniam e difamam sem apresentar provas do que dizem. E que puna os que publicam informações sigilosas, o que é ilegal e criminoso.No caso específico de Maria Rita Garcia Andrade, o que houve foi uma transferência legal a que ela tinha direito como todo funcionário público cujo cônjuge mude de domicílio. Todos podem requerer a transferência. Fui eleito deputado e depois nomeado ministro e me mudei para Brasília. Funcionária pública concursada, ela solicitou oficialmente que fosse cedida a um órgão do Governo Federal em Brasília. Nada de ilegal. Nem de minha parte, nem da do secretário Arnaldo Madeira, do Governo de São Paulo.As deduções de Diogo Mainardi não provam nada e não dizem nada. Refletem apenas sua ânsia de se vingar de mim e sua mágoa e ressentimento. E, claro, seu mau jornalismo.
José Dirceu”
PT defende trem da alegria

Reportagem de Lúcio Vaz para o Correio Braziliense:
Um dos vagões do trem da alegria estacionado no Congresso tem o apoio e conta com a articulação do PT para ser aprovado. Trata-se da proposta de efetivação dos servidores temporários, situação vivida em muitos estados. Embora o governo tenha se manifestado publicamente contra a proposta de emenda constitucional (PEC), o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), argumentou, na última reunião do conselho político, que poderia haver problemas para a manutenção de serviços essenciais nos estados, nas áreas de saúde e educação. É o caso, por exemplo, dos governos petistas do Pará e do Piauí.
O líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), não assume a defesa direta da proposta de efetivação, mas argumenta que é preciso “uma reflexão mais profunda para que não haja paralisação em serviços essenciais nas áreas de saúde e educação”. O discurso é idêntico ao de Berzoini. Ao justificar por que o projeto seria posto em votação, mesmo sem data marcada, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), citou um requerimento de vários partidos, em 2006, pedindo a votação. E acrescentou que, em julho, o deputado Maurício Rands (PT-PE), em nome da liderança do PT, pediu para pôr a matéria em pauta. Chinaglia não se posicionou sobre o mérito da matéria.
A secretária de Administração do Piauí, Regina Souza, confirma que o estado vive o problema citado por Berzoini e Luiz Sérgio. “Já foi bem maior. Hoje, temos 3 mil servidores nessa situação. São enfermeiros, técnicos em enfermagem e médicos”, afirma. Ela lembra que a Assembléia Legislativa do Piauí aprovou a efetivação desses servidores, mas a decisão foi considerada inconstitucional. Regina afirma que o governo aguarda a definição do Congresso para regularizar a situação dos servidores, que ficariam num quadro suplementar, no caso de aprovação da PEC. “O que nos preocupa é que estão misturando tudo e fazendo um trenzão”, lamenta.
Carta de apoio
O secretário de Comunicação Social do Pará, Fábio Castro, justificou a carta de apoio à PEC dos servidores temporários enviada pela governadora Ana Júlia Carepa aos líderes no Congresso. “Ela se solidariza com a situação dos temporários. No caso de a emenda ser aprovada, eles serão efetivados.” Em nota enviada ao Estado de Minas, Castro acrescenta que o Pará tem cerca de 15 mil servidores temporários na administração direta. “Essa situação foi herdada pela atual gestão, que não nomeou servidores temporários senão para as situações específicas, previstas pela legislação estadual. As gestões anteriores usaram o recurso de maneira irresponsável, mantendo contratos temporários que, muitas vezes, passam de 10 anos”, explica.
Castro disse que a efetivação dos temporários não traria impacto imediato na folha do governo, porque esses servidores já fazem parte da folha atual, mas reconhece que a situação previdenciária desses servidores “geraria um déficit considerável”.
Manchetes do Dia (21/08)
Jornal de Notícias: Capeta morre com 14 tiros
O Tempo: União pode receber de volta R$ 55 milhões do mensalão
Hoje em Dia: Malha fina retêm o dobro de contribuintes
Estado de Minas: Abandono aumenta risco de acidentes na BR da morte
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