Posts de Agosto, 2007|Página de posts mensais
O tribunal das urnas
Na quarta o ministro Luiz Dulci disse que “O governo já foi julgado nas urnas democraticamente e recebeu uma aprovação consagradora do povo brasileiro. Esse é o julgamento. Na democracia, quem julga politicamente não são as pessoas, ainda que as opiniões sejam todas respeitadas. Quem julga na democracia é o povo soberano, e o povo soberano reelegeu consagradoramente o presidente Lula”.
A fala acima justifica tudo. Na Venezuela justifica a ditadura “solialista” de Hugo Chávez. Na Alemanha justifica também o Nazismo, bem como justifica a era de terror do islamismo de Muhammad Ahmadinejad. Mas não é onde quero chegar. A frase do Dulci é uma bobagem sem par, contudo gostaria de perguntar a ele se o Collor então foi absolvido pelo “julgamento das urnas”? E aí Dulci?
Votação fica para 4ª; voto secreto cai por 10 a 5
A votação do relatório que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ocorrerá na próxima quarta-feira (5), às 10h. O adiamento se deve ao pedido de vista de dois aliados de Renan, Wellington Salgado (PMDB-MG) e Gilvam Borges (PMDB-AP).
O plenário do Conselho de Ética derrubou, por 10 votos a 5, a determinação do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) de que a votação deveria ser secreta. Neste primeiro processo, Renan Calheiros tenta provar que não recebeu ajuda de um lobista para pagar despesas com a filha de três anos que teve com a jornalista Mônica Veloso.
Um dos relatores do documento a ser votado na próxima quarta, Renato Casagrande (PSB-ES) comemorou a vitória. “Agora, não passa de quarta-feira”, acredita. Já o relator que divergiu de Casagrande e Marisa Serrano (PSDB-MS), Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, lamentou a vitória do voto aberto. “Espero que eles [oposição] não mudem de opinião em votações futuras”, ironizou.
Ainda há a possibilidade de aliados do presidente do Senado recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança para que a Corte decida se a votação do relatório deve ser aberta ou secreta.

PS: No bate-boca ocorrido ontem entre os Senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Almeida Lima (PMDB-SE) sobrou uma frase interessante dita pelo primeiro: “Palhaço”. “Cala a boca, boneca”.
Mensalão: José Dirceu é acusado por doleiro de desvio de dinheiro dos fundos de pensão
Em depoimento sob o acordo de delação premiada, o operador de mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro fez uma série de denúncias contra a cúpula do PT e PR no caso do mensalão, segundo documentos obtidos pela Folha que compõem a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao STF, Funaro disse que ele e dois doleiros emprestaram R$ 3 milhões ao então presidente do PL em apoio à candidatura do presidente Lula. Em três depoimentos, entre novembro de 2005 e março de 2006, Funaro disse que o ex-ministro José Dirceu pode ter recebido R$ 500 mil “por fora” de fundos de pensão. “Que tem conhecimento de que o diretor-presidente e o diretor financeiro da Portus foram indicados por Dirceu; que essa transação envolveu um pagamento “por fora”, que não sabe se destinado ao próprio deputado ou ao PT, da ordem de R$ 500 mil”, disse Funaro, segundo trechos do depoimento. Segundo Funaro, vários fundos de pensão sofriam ingerência do grupo de Dirceu e foram usados pelo PT para irrigar o mensalão.
Ministro afirma que não pôs em suspeição decisão do STF
Do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski em entrevista a Bernardo Mello Franco e Carolina Brígido em O Globo, hoje:
“O senhor disse que o STF votou com a faca no pescoço no caso do mensalão?
LEWANDOWSKI: Na verdade, o que quis dizer foi que eu é que estava com a faca no pescoço, e era gelada. Não cometi nenhum crime, nenhuma ilegalidade. Sinceramente me considero vítima de uma invasão de privacidade. As coisas acontecem. Eu podia estar no avião da TAM. É a lei de Murphy. Quando uma coisa tem que dar errado, dá tudo errado. Estou pagando o preço de expressar uma posição jurídica que não refletia os anseios da opinião pública. Não estou sendo bem compreendido das motivações de tive ao pronunciar meu voto. Seria muito mais confortável para mim dizer “acompanho o relator”. Não faz parte da minha história. Espero que a imprensa me dê o benefício da dúvida.
O que o senhor quis dizer no e-mail quando afirmou que o voto do ministro Eros Grau significava uma troca?
LEWANDOWSKI: Era uma troca de posição em relação a uma expectativa que tínhamos com relação ao voto. Não era uma troca por uma coisa material.
Na conversa telefônica, o senhor disse que o STF iria “amaciar” para o ex-ministro José Dirceu. O senhor esperava que ele fosse inocentado no julgamento?
LEWANDOWSKI: Acho que não usei essa expressão. Mas imaginei que para o crime de quadrilha não pegaria. Por isso fiquei surpreso.
O senhor foi o único a votar contra a aceitação da denúncia de Dirceu pelo crime de quadrilha. Por quê?
LEWANDOWSKI: Apesar de todo o abalo emocional, me mantive fiel ao que acreditava ser o entendimento da Casa. No julgamento de colegiado, a maioria tem razão. Eu posso ter tido uma visão equivocada.”
Renan foi até Lula para pedir ajuda
De Gerson Camarotti em O Globo, hoje:
“Diante da possibilidade de uma derrota expressiva, que se anunciava no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reviu a estratégia de levar logo o caso ao plenário — onde acredita que será absolvido pelo voto secreto. Na tentativa de conquistar mais votos, pediu o apoio do próprio presidente Lula, na noite de anteontem. A manobra de adiar a votação de ontem foi para ganhar tempo e tentar obter votos, principalmente os do PT. Lula se solidarizou com Renan, mas não garantiu os votos.
O que está em jogo são os votos de Augusto Botelho (PT-RR) e João Pedro (PT-AM), já que o de Eduardo Suplicy (PT-SP) é dado como perdido. O encontro com Lula aconteceu no Palácio do Planalto e foi intermediado pelo senador José Sarney (PMDB-AP), que participou da reunião, mas ontem já tinha embarcado para o exterior.
Na conversa com Lula, Renan e Sarney apresentaram uma situação que implicaria prejuízo para o Planalto. Falaram em uma articulação da oposição para impor dificuldades em votações. Renan foi sutil ao expressar a necessidade de o PT estar unido em sua defesa.”
Choque entre trens mata oito e fere 111

Ao menos oito pessoas morreram e 111 ficaram feridas no choque entre dois trens urbanos, às 16h09 de ontem, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O trem prefixo UP-171, com oito vagões e capacidade para 850 pessoas, atingiu o quarto e último vagão da composição WP- 908, sem passageiros, que transitava na mesma via, em sentido oposto. Foi o pior acidente ferroviário no Rio nos últimos dez anos. Em 1996, batida de um trem de passageiros com outro de carga deixou 15 mortos.
O trem vazio estava em teste e não conseguiu passar a tempo para a via paralela. Foi atingido pelo outro, que ia da Central do Brasil (centro) para Japeri (Baixada), provavelmente a cerca de 80 km/h. O acidente aconteceu próximo à estação de Austin, em Nova Iguaçu. “As ferragens foram sugando as pessoas aos poucos. Consegui pular e saí por cima do trem. Foi horrível : muito pânico, muita criança chorando e gente correndo”, contou o auxiliar de cozinha Edson Carlos Andrade, 33, que estava no primeiro vagão do trem de passageiros e voltava de seu primeiro dia de trabalho, na Urca (zona Sul).
Saiu com apenas um ferimento leve no joelho, mas se perdeu de um amigo, identificado só como Didi. Até as 21h, a Supervia (concessionária de transporte ferroviário no Rio) não informou quantos passageiros estavam no trem. De acordo com testemunhas, a maior parte dos mortos e feridos viajava no primeiro vagão. Devido à violência da batida, corpos ficaram mutilados e desfigurados. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, Pedro Marco Cruz Barbosa, os cadáveres estavam em “estado muito sofrido”.
Socorro
Maíra Reis, 17, estudante, mora em frente ao local do acidente e estava no quarto quando ouviu o estrondo. “Subimos ao terraço (de onde é possível ver a linha férrea), vimos as pessoas, ensangüentadas, gritando e pedindo socorro. Foi uma correria, os moradores saíram das casas para ajudar.” Os bombeiros confirmaram o nome de dois dos mortos na colisão: Norival Ribeiro do Nascimento, 50, e Jesse da Silva Lorosa, 70, terceiro-sargento aposentado da PM.
O maquinista do trem que estava com passageiros teria pulado pela janela na hora da colisão e se salvado. Ele não tinha sido localizado até as 21h. A falta de informação era a principal queixa das pessoas que procuravam seus familiares no local do acidente. “Minha mulher costuma chegar em casa neste horário e até agora nada. Não tenho certeza se ela estava no trem. Estamos aqui preocupados e eles não dão informações”, reclamava Genivaldo Jovino Teixeira, 41. (Folhapress)
Manchetes do Dia (31/08)
Jornal de Notícias: Montes Claros terá Big Brother
O Tempo: Voto aberto aumenta chance de Renan perder o mandato
Hoje em Dia: DNIT reduz velocidade da rodovia da morte
Estado de Minas: Municípios de Minas terão mais R$ 250 mi
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