Posts de Julho 19th, 2007|Página de posts diários
Veja quem eram os mineiros a bordo do vôo 3054

Álvaro Alexandre da Rocha Pinto Breguêz, 36 anos
O comissário viajava muito e só voltaria a Governador Valadares, mês que vem, para comemorar o aniversário de 70 anos da mãe, Regina Breguêz.
Rospierre Vilhena Bastos, 34 anos
Estava noivo e tinha como hobby dirigir jeepes nas trilhas de Nova Lima e Macacos. O engenheiro elétrico era filho do vice-presidente da Coteminas, Pedro Garcia Bastos Neto.
Bruno Lima Nascimento, 21 anos
Morava há 15 anos em Rondonópolis, onde estudava direito no Cesur. As várias mensagens deixadas no seu orkut mostram o quanto o jovem era querido.
Marta Maria Franco de Almeida, 63 anos
Diretora-adjunta para assuntos regulatórios da Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim) era uma das farmacêuticas mais respeitadas no país.
Renato Soares Almeida, 39 anos
O cabelereiro deixou saudades entre familiares e amigos de Venda Nova. Foi a Porto Alegre ensinar técnicas da profissão. Deixou a mãe e quatro irmãos.
Fábio Vieira Marques Júnior, 56 anos
O diretor da Coteminas, deveria voltar a Montes Claros ontem, mas antecipou o vôo. Era muito querido na cidade e deixou viúva Silvana Vieira. O casal tinha dois filhos.
Editorial: Estado de São Paulo – “Incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção”
Desastres de aviação, dizem os especialistas, sempre têm mais de uma causa. Com a tragédia do Airbus da TAM não é diferente. As causas são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios. Essencial é o descalabro que permite o funcionamento a plena carga do maior aeroporto brasileiro numa área já abarcada pelo centro ampliado de São Paulo; a recusa das companhias aéreas em reduzir as suas operações ali, ou ao menos desconcentrá-las dos horários de pico; a submissão cúmplice da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aos interesses das empresas que dominam o setor; a calamidade administrativa, a politicagem e a fraude endêmica na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
Tudo isso sob os olhos – e a responsabilidade objetiva – de um governo cujo presidente só quer ouvir o som da própria voz e continua a repetir hoje o que, horas antes do terrível acidente, admitiu fazer no passado – “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. E que traça ele próprio o retrato acabado de sua gestão ao confessar que “em determinados cargos (…) a gente faz quando pode e, se não pode, deixa como está para ver como é que fica”. No dia 29 de setembro do ano passado, 154 pessoas morreram no que foi, até às 18 horas e 45 minutos de anteontem, o maior desastre aéreo da história brasileira. Desde os 154 mortos da tragédia da Gol até as duas centenas de mortes desta terça-feira, descontado o palavrório entorpecedor de todos quantos têm parte com os problemas da aviação comercial no País – e com as possíveis soluções para eles -, continuou-se na estaca zero em matéria de “pegar no concreto” para melhorar os padrões de segurança de vôo no território. Para todos os efeitos práticos, “deixou-se como está para ver como é que fica”.
Nesse quadro de falência dos poderes públicos e de voracidade de interesses privados, Congonhas – sem as chamas, os corpos e os destroços – é a síntese das incompetências e irresponsabilidades que marcam a administração pública brasileira. Em abril de 2005, um brigadeiro, Edilberto Teles Sirotheau Corrêa, denunciou a “obsessiva prioridade” dada pela Infraero “às obras que proporcionam ‘visibilidade’, em detrimento das necessidades operacionais”. De fato, gastaram-se R$ 350 milhões para modernizar esse shopping center no qual se transformou o terminal do aeroporto que, já em 2005, registrava 228 mil pousos e decolagens, 33 mil a mais do que o desejável pelos critérios internacionais. Em janeiro último, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição da pista principal de Congonhas. No mês seguinte, um juiz federal proibiu aviões de grande porte, como Boeings e Airbuses, de operar no aeroporto enquanto os problemas da pista não fossem sanados. Uma instância superior invalidou a decisão, considerando-a drástica demais e fonte de impactos econômicos negativos.
Enfim, ao custo de R$ 19,9 milhões, a Infraero contratou o conserto da pista – e a liberou escandalosamente antes de nela serem acrescentadas as ranhuras transversais que asseguram o escoamento da água das chuvas e aumentam a aderência dos pneus dos aviões ao solo, facilitando a freada e reduzindo o risco de derrapadas como a que, na segunda-feira, arrastou por 150 metros, até o gramado próximo, um turboélice com uma vintena de pessoas a bordo, muito mais manejável do que um Airbus capaz de levar cerca de 180 pessoas. (Outro episódio, negado pela TAM, foi a arremetida, também na segunda-feira, de um aparelho da companhia, cujo comandante desistiu do pouso no último momento devido ao alagamento da pista.) As obras do grooving só poderiam começar na próxima quarta-feira. Pode ser que tenha contribuído para a tragédia do vôo 3054 um erro na manobra de pouso ou uma pane no sistema de freios do Airbus. Mas é certo que o desfecho seria outro se a pista tivesse plenas condições de segurança. Não as tinha e ainda assim era usada, em última análise, por incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção.
Tragédia de Congonhas: Passageiros tiveram morte rápida
“Se traz algum alívio saber, os passageiros do vôo JJ 3054 sofreram uma morte rápida e menos dolorosa possível”. A informação é do médico Douglas Ferrari, presidente da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva, que, com sua equipe, ajudou na tentativa de socorro às vítimas do acidente da TAM. Especialista em acidentes aéreos, Ferrari promove treinamentos em aeroportos e, na terça-feira à noite, trabalhou como voluntário ao lado dos bombeiros.
Há três possibilidades para a morte de quem estava dentro do avião, pela seguinte ordem, explica o médico: o trauma do impacto e da desaceleração, a intoxicação com os gases provocados pelo incêndio e, por último, e mais improvável, o fogo.
— Mesmo em um carro, a 60 quilômetros por hora, o choque já pode causar o coma. Imagine em um avião em desaceleração, que estava a 150, 200 quilômetros por hora. Isso já provoca o falecimento— afirma o médico, que continua— Para mim, isso causou a grande maioria das mortes dentro do avião.
Ferrari afirmou, no entanto, que os passageiros que não morreram no impacto devem ter, possivelmente, morrido com a intoxicação provocada pela fumaça. De acordo com ele, esse processo é considerado “rápido”. Leva dois minutos. O mais doloroso, segundo o médico, é o de queimaduras. Mas, ainda de acordo com a opinião do médico e de seus colegas, que não são legistas, mas intensivistas (trabalham em UTIs), essa possibilidade é muito pequena.”
Governo distribui cargos e grana para salvar a CPMF
De Vera Rosa em O Estado de S. Paulo, hoje:
“Cada dia mais pressionado por sua base de sustentação no Congresso, o governo Lula decidiu adoçar a boca da oposição e também dos aliados: vai começar a distribuir cargos nos Estados e a liberar emendas parlamentares individuais, nos próximos dias, até atingir a cifra de R$ 3 bilhões. Tudo para conquistar deputados e senadores e impedir que a revolta por causa do atraso nas nomeações leve o Congresso a vetar, na volta do recesso, a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação das Receitas Orçamentárias da União (DRU)”.
Refrescando a memória de Lula
A passagem abaixo é parte de um discurso (para ler a íntegra clique aqui) feito por Lula em 2005, num evento sobre a reforma do ensino superior. Refere-se ao seu entendimento de uma vaia ao homem público.
No trecho do discurso de Lula o presidente se dirige a Ana Lucia Gazzola, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), e a Enio Candotti, da SBPC.
“Eu me lembro de um episódio, Candoti e Gazzola, eu estava num comício uma vez, em Florianópolis, e chamaram um companheiro de um partido político para falar. Tinha umas 10 mil pessoas naquela praça da matriz lá em Floripa, e quando um cidadão foi falar, todo o plenário começou a pedir para ele não falar e começou a vaiá-lo, e gritavam: ‘fora, fora’. Ele pegou o microfone e ficou gritando: ‘vocês não são democráticos, vocês não querem me ouvir, eu preciso falar’. Eu pus a mão no ombro dele e falei: ‘companheiro, não é possível que você não entenda o que é democracia. Tem 10 mil pessoas querendo que você não fale e você quer que as 10 mil te ouçam, isso é democracia!’ Democracia é você entregar o microfone, permitir que chamem o próximo orador, e agradecer ao povo, ainda, por esse gesto de bondade.”
Ao que parece o Lula não acha mais aceitável que, em algumas circunstâncias, o público impeça um político de falar, pela força das vaias, do barulho e do constrangimento que elas produzem. Isto é democracia presidente.
Manchetes do Dia (19/07)
Jornal de Notícias: Duas vítimas de Montes Claros
O Tempo: 200 mortes: de quem é a culpa?
Hoje em Dia: 06 mineiros no vôo da morte
Estado de Minas: Seis mineiros mortos na maior tragédia aérea
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