Posts de Julho 18th, 2007|Página de posts diários

Charge do dia

ronaldo.jpg

Editorial – Brasil produz uma nova causa mortis: incompetência

tam1.gif tam2.gif tam3.gif  

A maior causa de mortalidade no setor aéreo brasileiro é um mal implacável chamado incompetência. A julgar pelo desnorteio do governo, trata-se de moléstia endêmica incurável. Em menos de dez meses, já levou à cova pelo menos 342 cadáveres –154 do Boeing da Gol e 188 do Airbus da TAM, 12 em solo. A menos que um milagre conduza à vacina, ninguém pode assegurar que o monturo de corpos não aumente.

Noves fora a mortandade, o caos aéreo já produziu sindicâncias, auditorias, inquéritos, processos, duas CPIs, uma infinidade de discursos e um par de tragédias –a segunda mais funesta do que a primeira. Só não deu à luz uma solução. E o país vai se habituando a um fenômeno hediondo: a lamentação depois do fato.

tam5.gif

Tome-se, porque é mais recente, o exemplo do descalabro de Congonhas. A pista onde se realizam os pousos e as decolagens mede exíguos 1.900 metros. Desde a década de 80, pilotos e especialistas se queixam das deficiências desse naco de concreto. O que fez o governo? Na última década, torrou algo como R$ 530 milhões no embelezamento interno do terminal de passageiros. Por que?

Ora, para atender aos interesses de empreiteiras ávidas por obras, de gestores vorazes por comissões e de presidentes sequiosos por inaugurações. Privilegiaram-se o mármore e as lojinhas em detrimento da segurança. Premido pelas circunstâncias, o governo, sob Lula, reformou, a toque de caixa, a pista. Liberou-a para o uso, no final de junho, sem as ranhuras que permitem a drenagem das águas enviadas por São Pedro.

Confrontada com 188 vítimas novinhas em folha, Brasília difunde uma “informação” que antecede a realização das perícias técnicas. Diz-se que a nova mortandade de passageiros (176) e de funcionários do prédio em que o avião da TAM fez a sua aterrissagem improvável (12) nada tem a ver com as condições da pista do aeroporto. Pode ser. Mas a hipótese não passa, por ora, de uma aposta de gestores públicos submetidos a novos e constrangedores apuros.

tam4.gif

Afora a descoberta de controladores de vôo em absoluto descontrole, o caos aéreo é temperado com generosas pitadas de corrupção. São mutretas conhecidas do governo. Foram esquadrinhadas pelo TCU, pela Controladoria da União e pelo Ministério Público.

Nas diferentes esferas de investigação, encontram-se encalacrados algo como seis dezenas de funcionários públicos. Entre eles um petista que Lula acomodou na presidência da Infraero e uma penca de funcionários graduados da estatal que “administra” os aeroportos brasileiros. A lista inclui uma senhora que coleciona decisões temerárias desde a gestão FHC. Trabalhava em São Paulo. Sob Lula, foi promovida. E passou a praticar malfeitorias desde Brasília.

Some-se a tudo isso um estrondoso crescimento do mercado de aviação civil. Numa previsão conservadora, estima-se que o mercado cresce no Brasil à proporção de 12% ao ano. Não há coisa parecida no mundo. Numa China de PIBs vitaminados, o setor aéreo experimenta crescimento anual de algo como 10%. Com uma diferença: nesta terra de palmeiras e sabiás, a falta de investimentos, a descoordenação e a ausência de planejamento tonificam as dores do crescimento.

Tudo considerado, a aviação brasileira vai ganhando as feições de uma usina de potenciais constrangimentos e de cadáveres. No acidente da Gol, os corpos foram mergulhados na selva de Mato Grosso. No desastre da TAM, foram carbonizados no interior de uma aeronave convertida em algo semelhante a uma lata de sardinha em chamas. Até quando?

Blog do Josias de Souza

Tragédia de Congonhas: A lista oficial dos mortos do vôo 3054

A TAM divulgou a lista dos nomes dos passageiros que estavam a bordo do vôo JJ 3054.

ADELAIDE MOURA
ALANIS ANDRADE
ALEJANDRO CAMOZZI
ALEXANDRE GOES
ANA CAROLINA CUNHA
ANDERSON CASSEL
ANDRE DONA
ANDREA SEICZKOWSKI
ANGELA HAENSEL
ANTONIO CARLOS ARAUJO DE SOUZA
ARNALDO BATISTA RAMOS
ARTHUR QUEIROZ
ATILIO SASSA BILIBIO
BRUNA DE VILLI CHACCUR
BRUNO FERRAZ
BRUNO NASCIMENTO
CAIO FELIPE CUNHA
CARLA FIORATTI
CARLOS ALBERTO ANDRIOTTI
CARLOS ROCKEMBACK
CARMEN LUISA VICTORIA FONSECA
CATILENE OLIVEIRA
CHRISTINE SOUZA
CIRO NUMADA
CLAUDEMIR ARRIERO
DECIO TEVOLA
DEMETRIO TRAVESSA
DENILSON LOPES COSTA
DEOLINDA MAGALY VICTOR FONSECA
DOUGLAS TEIXEIRA
EDMUNDO SMITH
EDUARDO MANCIA
ELCITA RAMOS
ELENILZE FERRAZ
ELIANE DORNELLES
ELIDA DEMBINSKI
EMERSON FREITAG
ENRICO SHIOHARA
ESIO FREITAS
FABIANA AMARAL
FABIANE RUZANTE
FABIANO ROSITO MATOS
FABIO BALSELLS
FABIO MARQUES
FABIO VELLOZA
FATIMA SANTIAGO
FELIPE FRATEZI
FERNANDO ANTONIO LARO OLIVEIRA
FERNANDO MARQUES
FERNANDO PESSOA
GABRIEL CORREIA PEDROSA
GILMAR TENORIO ROCHA
GOTTFRIED TAGLOEHNER
GUILHERME MORAES
GUILHERME PEREIRA
GUSTAVO MARTINS
HELOIZA HELENA LOPES
HEURICO TOMITA
INES MARIA KLEINOWSKI
IVALINO BONATO
IVANALDO CUNHA
JAMILLE LEAO
JANUS SILVA
JAQUELINE DIAS
JOAO BRITO
JOAO CALTABIANO
JOAO VALMIR
JOSE A FLORES AMARAL
JOSÉ LIMA LUZ
JOSÉ PINTO
JULIA CAMARGO
JULIA ELIZABETE GOMES
JULIO CESAR REDECKER
KATIA ESCOBAR
KATIANE LIMA
JOSE CARLOS PIERUCETTI
LARISSA FERRAZ
LEILA MARIA OLIVEIRA DOS SANTOS
LEVI LEÃO
LINA BARBOSA CASSOL
LISIANE SCHUBERT
LUCAS PALOMINO MATTEDI
LUCIANA SIQUEIRA LANA ANGELIS
LUIS SCHNEIDER
LUIZ BARUFFALDI
LUIZ LUZ
MARCELO MARTHE
MARCELO PALMIERI
MARCELO PEDREIRA
MARCELO STELZER
MARCIO ALEXANDRE DE MORAES
MARCO ANTONIO DA SILVA
MARIA ELIZABETE CABALLERO
MARIA ISABEL GOMES
MARIANA PEREIRA
MARIANA SELL
MARIO GOMES
MARLI PEDRO SANTOS
MARTA ALMEIDA
MELISSA ANDRADE
MERY VIEIRA
MIRTES SUDA
NADIA MOYSES
NADJA SOCZECK
NELLY PRIEBE
PAULO CASSIANO FELIZA OLIVEIRA
PAULO PAVI
PAULO ROGERIO AMORETTY SOUZA
PAULO SILVEIRA
PEDRO ABREU
PEDRO AUGUSTO CALTABIANO
JOSE CARLOS DE OLIVEIRA
PRISCILA BERTOLDI SILVA
RAQUEL WARMILING
REBECA HADDAD
REMY MOLLER
RENAN KLUG RIBEIRO
RENATO RIBEIRO
RENATO SOARES
RICHARD SALLES CANFIELD
ROBERTO GAVIOLI
RODRIGO BENACHIO
RODRIGO PRADO
RODRIGO SOUZA MOREALE
ROGERIO LAURENTIS
ROGERIO SATO
ROSANGELA MARIA DE AVIL SEVERO
ROSPIERRE VILHENA
SANDRO SCHUBERT
SERGIO FREITAS
SILVAN STUMPF
SILVANIA REGINA DE AVILA ALVES
SILVANO ALMEIDA
SILVIA GRUNEWALD
SONIA MACHADO
SORAYA CHARARA
SUELI FLECK
SUELY FONSECA
THAIS SCOTT
VALDEMARINA SOUZA
VALDIR CORDEIRO DE MORAES
VANDA UEDA
VILMA KLUG
VITACIR PALUDO
ZENILDA SANTOS
CAIO AUGUSTO BUENO DAL PRATA
RAFAELA BUENO DAL PRATA
RICARDO ALMEIDA
MARCIO ANDRADE
CASSIO VIEIRA SERVULO DA CUNHA
AKIO IWASAKI
ANDREI MELO
CLOVE MENDONÇA JUNIOR
JANUS SILVA
ROBERTO WILSON WEISS JUNIOR
SIMONE WETRUPP
NELSON WIEBBELLING
RUBEM WIETHAEUPER
PAULA MASSERAN DE ARRUDA XAVIER
LUIZ ZACCHINI
CARLOS ZANOTTO

Tragédia de Congonhas: Especialistas avaliam as causas do acidente

acidentetam.jpg

De O Globo/O Globo Online:
“Dificuldade de frear na pista molhada e uma tentativa desesperada de voltar a levantar vôo, que acabou resultando no choque com um prédio. Segundo especialistas, essa a explicação mais plausível para o acidente envolvendo o Airbus 340. A dificuldade na frenagem, apontam, pode estar relacionada à falha humana ou à falta de ranhuras na pista de pouso, o que teria provocado acúmulo de água e dificuldades de aderência dos pneus .

— É evidente que a pista é, ao menos em parte, responsável pelo acidente — afirma o piloto e escritor Ivan Sant’Anna, autor do livro “Caixa preta”, sobre acidentes aéreos.

Especialista em controle de emergências da Coppe/UFRJ, Moacyr Duarte diz que o piloto pode não ter conseguido frear e, por isso, tentou arremeter — ou seja, voltar a subir. Se ele tivesse simplesmente derrapado na pista, teria atravessado a Washington Luís, derrubando a mureta central, deixando marcas na rua e arrastando carros no caminho, o que aparentemente não ocorreu.

— O que está parecendo é que ele tentou arremeter — afirmou o especialista. — Percebeu que não ia conseguir frear e tentou levantar de novo. Então acabou atingindo o prédio.

Um consultor aeronáutico com 43 anos de experiência em vôo e mais de mil pousos em Congonhas concorda. Ele se diz convencido de que o Airbus fez uma tomada longa (pousou bem depois do ponto de toque na pista) e tentou arremeter sem sucesso, se chocando com o hangar.

— Para ter entrado daquela maneira, o avião tocou no solo, mas o piloto viu que não havia pista suficiente e tentou arremeter.

Ivan Sant’Anna também é partidário dessa teoria:

— Na minha opinião, ele arremeteu. Mas estava no pior dos mundo. Tinha velocidade demais para parar e velocidade de menos para levantar.

A dificuldade na frenagem pode ser decorrente de falha humana (o piloto teria calculado mal o momento do toque), mas pode também estar ligada aos problemas estruturais na pista de pouso de Congonhas.

— Está claro que essa pista não pode ser usada em dia de chuva, isso é uma tragédia anunciada, ontem (anteontem) mesmo um outro avião derrapou — afirmou Sant’Anna. — Não dá para pousar ali com chuva, é arriscado demais, os pilotos falam isso o tempo todo. Os pneus surfam na água da pista, freio não consegue o atrito.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse esperar que a investigação comece com a as condições meteorológicas (camada de chuva) da pista. Para Respício, pode ter acontecido uma aquaplanagem ou hidroplanagem.

— Pelo visto a reforma na pista não adiantou nada — disse Sant’Anna. — É evidente que o acidente foi causado, pelo menos em parte, pela deficiência da pista.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos, Uébio José da Silva, disse que recebeu reclamações de pilotos sobre as condições da pista principal do aeroporto de Congonhas, reaberta no final de junho sem o grooving – ranhuras que aumentam a aderência dos pneus das aeronaves. Segundo o sindicalista, pilotos disseram que a pista não apresentava condições de pouso e ‘estava lisa como sabão’.

A frenagem de um avião não depende somente da aderência da roda, lembram os especialistas, mas também da reversão da turbina.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse que o maior problema do Aeroporto de Congonhas não está relacionado à infra-estrutura ou ao congestionamento de vôos.

— O problema é a cidade, que engoliu o aeroporto. Não foram respeitadas as distância de segurança em torno do dele — disse.

Respício disse que considera difícil a hipótese de problema com a aeronave:

— O Airbus 320 é topo de linha, usado pelas melhorar e maiores empresas do mundo. Os componentes aeronáuticos tem confiabilidade muito grande e as tripulações são extremamente treinadas. Voam em qualquer lugar do mundo. Eles devem ter feito e fez alguma coisa para evitar”.

Tragédia de Congonhas: Mecanismo impediu funcionamento de freio, diz piloto

De Sérgio Duran em O Estado de S. Paulo, hoje:
“Três pilotos ouvidos pelo Estado, que preferiram não se identificar, afirmaram que um dos reversos do avião da TAM estaria “pinado”. O termo, eles explicam, significa que a peça teria um pino para travar o freios. Isso impediria que a aeronave tivesse os freios ativados inesperadamente, como ocorreu na decolagem do Focker 100, em 1996, provocando o acidente que matou 99 pessoas. No entanto, também teria impedido que os freios funcionassem no pouso.

O reverso é um dispositivo usado para desacelerar o avião durante os pousos. O Airbus A-320 da TAM estaria apenas com um deles funcionando corretamente. Os três pilotos – dois deles comandantes da Gol e um deles da TAM – disseram que essa informação foi dada por colegas. O Estado conversou com eles em hotéis da zona sul da cidade, onde se hospedam entre um vôo e outro.

Segundo um deles, que tem 21 anos de profissão, havia também problemas na pista de Congonhas, recém-inaugurada. Assim como já afirmaram vários especialistas, o comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais – chamadas de grooving – necessárias para o escoamento de água. Sem isso, o piso poderia empoçar e causar aquaplanagem. O comandante contou que já havia feito vários relatórios sobre o problema na nova pista.

“Era um pista tão nova e já muito emborrachada”, completou o comandante. Ele explica que também informou em seus relatórios que a borracha solta dos pneus dos aviões estava deixando a pista mais escorregadia ainda.

Os pilotos não pareciam tão tranqüilos como os passageiros. “Todos sabem que a pista não poderia estar aberta com essa chuva. Ela não está pronta. Mas piloto não pode reclamar porque perde emprego”, diz um experiente piloto, com 33 mil horas de vôo no currículo, que preferiu não se identificar. “Se fosse eu, teria arremetido a aeronave. Não decolaria com esta chuva. Mas como muitos aviões aterrissaram sem problema, o piloto deve ter achado que seria seguro. Mas não é.

Tragédia de Congonhas: Controladores pediram desativação de pista

Da Folha de S. Paulo, hoje:
“Os controladores de tráfego aéreo da torre de Congonhas disseram ontem ter pedido o fechamento da pista principal durante as chuvas, como a que caía anteontem. O alerta teria ocorrido segunda, depois que um avião da Pantanal derrapou na mesma pista que o da TAM.

Oficiais da Força Aérea e autoridades da Infraero (estatal que administra os aeroportos) negaram o pedido por entender que não havia perigo.

“Os operadores da torre avisaram que a pista principal deveria ser fechada porque estava sem o “grooving” [ranhuras que garantiriam o escoamento da água e uma maior aderência dos pneus ao solo], mas ninguém no governo quer saber de nada”, reclamou Sérgio Oliveira, presidente da Federação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo”.

Tragédia de Congonhas: Comandante se revolta e discursa

De Renata Lo Prete na Folha de S. Paulo, hoje:
“Tão logo anunciado o acidente com o Airbus da TAM, um comandante da companhia fez um discurso inflamado na sala de embarque do aeroporto de Curitiba. Disse que era um absurdo a pista de Congonhas ter sido liberada para esse tipo de aeronave sem sistema de drenagem para dias de chuva.

Diante de passageiros que aguardavam seus vôos, o comandante afirmou que a pista só foi liberada pela Infraero porque julho é mês de férias, e que uma tragédia como a de ontem era previsível. “Quero ver quem será responsabilizado. Quero ver quem é que vai preso.”

Manchetes do Dia (18/07)

Jornal de Notícias: Nova tragédia aérea em SP

O Tempo: Brasil é ouro

Hoje em Dia: Avião com 181 explode em SP

Estado de Minas: Nova tragédia aérea