Posts de Junho 14th, 2007|Página de posts diários
Quem foi quem na sessão do Conselho de Ética
Como se comportaram hoje na sessão do Conselho de Ética as principais figuras do Senado:
Epitácio Cafeteira (PTB-MA) – relator do processo, defendeu Renan Calheiros sem pestanejar. E se recusou a ouvir o depoimento do advogado de Mônica antes que seu relatório fosse votado: “Não tem sentido eu não acreditar no presidente do Senado para acreditar num advogado que nega tudo (o que Renan diz)”. Foi inflexível e não aceitou nenhuma sugestão feita pelos demais integrantes do Conselho. “Não mudo uma vírgula no meu relatório”, disse.
Sibá Machado (PT-AC) – presidente do Conselho, deixou que todos falassem e brigassem entre si. Ficava apenas no controle para garantir que não houvesse bate-boca. Tentou ao máximo ficar de fora das polêmicas. Ao final, teve de se posicionar e acabou por decidir em favor de Renan, marcando a sessão para engavetar o processo para sexta-feira.
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado e representado no Conselho, não apareceu na sessão, mas atuou de fora para facilitar sua vida. Mandou para a sessão dois subordinados que nada tinham a ver com o Conselho: a secretária da Mesa Diretora, Cláudia Lyra, e o advogado-geral do Senado, Alberto Caiscais. Cláudia ficou o tempo todo ao pé do ouvido de Sibá. Caiscais ficou sentado assistindo e acompanhando cada detalhe da sessão. Renan suspendeu ainda a sessão do plenário para que a TV Senado transmitisse ao vivo a sessão do Conselho. Sabia que seria absolvido e queria que todo mundo visse.
Romero Jucá (PMDB-RR) – líder do governo no Senado, atuou como principal defensor de Renan Calheiros. Tentou acelerar ao máximo a votação do arquivamento da ação no Conselho de Ética. Tratou de derrubar a proposta de ouvir os depoimentos do advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon, e do lobista da construtora Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, antes que o processo fosse julgado. Fez a defesa explícita do colega Renan.
Demóstenes Torres (DEM-GO) – desde ontem, dizia que não concordaria com o arquivamento sumário da representação sem que se ouvissem os envolvidos – a jornalista Mônica Veloso, que tem uma filha com Renan, e o lobista da construtora Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. Na sessão de hoje, insistiu desde o início para que depoimentos e investigações fossem feitos antes da conclusão do processo. “Não há nenhum procedimento em que não se tenha feito uma investigação. Será o primeiro caso”, disse logo no início da sessão. Passou as quatro horas da sessão do Conselho repetindo a mesma tese, mas foi derrotado.
Arthur Virgílio (PSDB-AM) – líder do PSDB no Senado, sugeriu que a votação fosse marcada para sexta-feira, como foi, e que nesse meio tempo fossem ouvidos o advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, e Cláudio Gontijo. A proposta não estava amparada pelo regimento. Além disso, a tropa de choque de Renan não aceitou o acordo.
Ideli Salvatti (PT-SC) – líder do PT no Senado, foi das mais aguerridas defensoras de Renan e crítica da imprensa. Chegou a sugerir sansões à revista VEJA, autora da matéria que gerou o processo: “Eu quero saber se vai ter Conselho de Ética para o decoro jornalístico”. Levantou e sentou várias vezes, fez breves reuniões e volta e meia cochicou com os colegas.
José Agripino (DEM-RN) – líder do DEM no Senado, chegou no final da sessão para concordar com a sugestão de Arthur Virgílio de que a votação do processo fosse adiada e testemunhas fossem ouvidas. Não insistiu muito para não desagradar o amigo Cafeteira.
Valdir Raupp (PMDB-RO) – líder do PMDB, fez a proposta mais favorável a Renan: votar em 24 horas o arquivamento da ação para terminar com o caso. “Em 24 horas dá tempo para ler um livro de 400 páginas. Vamos votar isso para que o Senado não continue sangrando”.
José Nery (PA) – líder do PSOL, estava isolado na sessão. Foi o autor da representação contra Renan e assumiu um papel de promotor, insistindo para que a investigação fosse aprofundada. Não conseguiu e criticou o Conselho.
Renan quase livre
No Estadão On Line:
O presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Sibá Machado (PT-AC), aceitou pedido coletivo de vista do parecer em que o relator do processo contra o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta quebra de decoro parlamentar, manda arquivar o caso. O pedido de vista vale até as 10 horas da próxima sexta-feira.
Entretanto, uma reação do PSDB, DEM e do PSB inviabilizou a estratégia traçada pelos aliados do senador Renan. O próprio senador foi procurado, separadamente, por senadores do PSDB e pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Eles defenderam mais tempo para discutir o assunto e ouvir duas testemunhas, alegando também que apressar o fim do processo seria desgastante para o Senado e a idéia de que tudo terminara em pizza.
A mesma posição foi defendida pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES) e também pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Renan Calheiros, que queria encerrar o episódio ainda na semana passada, ouviu as ponderações dos colegas dos partidos de oposição. “O Senado não pode ficar sangrando”, disse o líder do PMDB, senador Waldir Raupp (RO), que queria fixar um prazo de 24 horas para o pedido de vista apresentado pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM) ao relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que propôs o arquivamento do processo contra Renan.
Jefferson Péres disse que 48 horas seria pouco e defendeu cinco dias para a votação do processo no Conselho de Ética. Ao final da sessão, o presidente do Conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), optou pela proposta do PSDB e marcou uma nova reunião na próxima sexta-feira, não deixando claro se as duas testemunhas serão ouvidas.
Lula em dois momentos
Editorial de O Estado de S.Paulo, hoje:
“Com sete dias de intervalo, o presidente Lula teve duas reações distintas ao envolvimento do seu irmão mais velho, Genival Inácio, o Vavá, com o batoteiro Nilton Cezar Servo, preso pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de chefiar a máfia dos caça-níqueis baseada em Mato Grosso do Sul. Da primeira vez, na terça-feira da semana passada, em Nova Délhi, Lula enfrentou com elegância e propriedade a constrangedora situação em que foi posto ao se tornar público que a PF vasculhara, com autorização judicial, a casa de Vavá em São Bernardo do Campo. Pior, soube-se ainda que os federais haviam pedido a decretação da sua prisão preventiva, mas não foram atendidos – diferentemente do que ocorreu no caso de Dario Morelli Filho, o compadre do presidente apontado como sócio de Servo. (Ambos já foram soltos.)
Lula fez questão de separar parentesco e função pública. Falando como irmão, disse “não acreditar mesmo, de verdade” nos malfeitos atribuídos a Vavá. Falando como presidente, como deixou claro, disse que “se a Polícia Federal tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência”. Instado anteontem a se manifestar de novo sobre o caso – o que se recusara a fazer na Alemanha, depois da visita à Índia, dizendo que só trataria disso no Brasil -, ele foi menos claro. Revivendo o costume de recorrer a metáforas para lidar com situações embaraçosas, enveredou pela ictiologia ao comparar o irmão a um lambari apanhado em meio a um “cardume de pintados”, que apenas teria ganho notoriedade por ser um “lambari especial”, dada a relação de parentesco entre eles. E emendou: “Vavá está mais para ingênuo do que para lobista.” Leia mais aqui
O banho, o plano e a gafe

Na cerimônia de lançamento de um plano de incremento ao setor, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, foi irônica na resposta sobre a solução dos problemas de atrasos e filas enfrentados pelos passageiros nos aeroportos: “Relaxa e goza, porque você vai esquecer o transtorno”, sugeriu. Mais tarde, divulgou nota pedindo desculpas pelo conselho e reconhecendo que a declaração foi infeliz. O plano prevê investimentos de R$ 984 milhões, até 2010, para estimular o turismo interno e divulgar o Brasil no exterior.
Manchetes do Dia (14/06)
Jornal de Notícias: Chegam recursos para socorro de flagelados
O Tempo: Relator pede arquivamento de processo contra Renan
Hoje em Dia: Acidente ambiental dá 08 anos de prisão em MG
Estado de Minas: Engenheiros da barragem são condenados a 8 anos
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